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Notícias Brasil

23 de setembro de 2017

Operação integrada prende criminosos e apreende armas e munição na Rocinha

Foram apreendidos 16 fuzis, carregadores, munição, equipamentos de rádio transmissores, dinheiro e drogas, além de outras armas.

As operações integradas realizadas na madrugada de hoje (23) resultaram na apreensão de 16 fuzis, forte armamento, carregadores, munição, equipamentos de rádio transmissores, dinheiro e drogas.

Também foram presas cinco pessoas, entre elas o traficante Luiz Alberto Santos de Moura, o Bob do Caju, apontado como um dos comandantes da invasão de criminosos na Rocinha, no domingo passado.

De acordo com a Polícia Civil, entre os fuzis, 10 foram apreendidos na comunidade do Caju, na região portuária do Rio, após informações recebidas pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). Outros cinco fuzis foram apreendidos em uma ação de agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e um em uma Operação do Exército na Rocinha.

As operações integradas resultaram na apreensão de 16 fuzis, forte armamento, carregadores, munição, rádio transmissores, dinheiro e drogas (Foto: Cristina Indio/Agência Brasil)

Ainda na madrugada o motorista de táxi Marcelo Paz foi abordado por quatro criminosos armados que o obrigaram a subir a Rocinha. Em um dos acessos à comunidade foram interceptados por uma equipe do Bope e após confronto conseguiram escapar, mas além dos cinco fuzis, deixaram para trás carregadores de diversos tipos de armas, sete granadas e drogas.

As outras quatro prisões foram realizadas em operação do Exército durante a madrugada na Rocinha.

Tiroteio

Na manhã deste sábado, um novo tiroteio foi ouvido na Rocinha. De acordo com a Assessoria de Comunicação Social do Estado-Maior Conjunto das Operações em Apoio ao Plano Nacional de Segurança Pública, por volta das 4h30, elementos armados tentaram romper bloqueio do cerco estabelecido pelas Forças Armadas nas proximidades da Rua General Olímpio Mourão Filho.

Na operação, foram presos pela Polícia do Exército os cinco ocupantes de um veículo Renault Symbol e apreendidos um fuzil AK47 calibre 7,62mm com numeração raspada e quatro carregadores; uma pistola Glock calibre 9mm com dois carregadores; 86 munições calibre 7,62mm e 18 calibre 9mm; dois equipamentos de rádio transmissores; documentos; cadernos de anotações; além de pequena quantidade de drogas e dinheiro em espécie.

Os suspeitos e o material apreendido foram entregues à 11ª Delegacia de Polícia, na Rocinha.

Exposição e peça canceladas reascendem debate sobre censura no país

Movimentos artísticos são cancelados após pressões da sociedade e nos fazem retomar o questionamento: há censura no Brasil?

Em seu entendimento mais simples, a censura pode ser percebida como a ação pelo Estado ou grupo de poder no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão. Tocar neste assunto traz à memória um período latente da história do Brasil, a Ditadura Militar, regime que aplicava censura às diversas esferas da sociedade. Mas fatos recentes reascenderam a discussão sobre o tema mesmo na democracia. Uma exposição e peça de teatro canceladas após pressões de setores da sociedade civil e alguns grupos organizados, entre eles associações religiosas e o MBL (Movimento Brasil Livre), fazem retomar o questionamento: há censura no Brasil?

A análise do cenário exige uma imersão na história e formação do país. O pesquisador e mestre em História do Brasil, Luís Filipe Brandão, destaca a necessidade de entender que a censura não existiu apenas nos governos ditatoriais, mas faz parte de uma cultura política muito presente no Brasil. “Há historicamente dois tipos de censura mais comuns, a chamada censura de diversões públicas, ou uma censura moral, e a censura política”, destaca.

O pesquisador levanta fatos históricos que perpetraram a história do país e que representam a aplicabilidade da censura moral, por exemplo. Luís Filipe destaca a censura ao filme Je vous salue marie (1985), de Jean Luc Godard, no governo Sarney, ou a um carro alegórico de Joãozinho Trinta que trazia um Jesus mendigo no carnaval do Rio de Janeiro em 1989. “Em todos esses casos, manifestações de cunho moral, ligadas a setores conservadores como a igreja católica, usaram de ferramentas judiciais para conseguir a censura dessas obras. A censura política foi promovida a partir de ferramentas do Estado para contro¬lar a circulação de informações que não fossem favoráveis ao governo”, lembra.


Uma das imagens que era parte da exposição "Queermuseu- cartografias da diferença na arte da brasileira". Foto: Reprodução

Décadas depois, a polêmica que se delimitou em torno da exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira”, a ser exibida no espaço Santander Cultural de Porto Alegre, expõe que essa censura moral não é algo que tenha ficado no passado.

A mostra, que reunia 270 trabalhos de 85 artistas – dentre os quais constam nomes da arte contemporânea e artistas consagrados como Candido Portinari –, foi encerrada pelos responsáveis do espaço Santander Cultural após protestos vindos de setores da sociedade em retaliação ao tipo de conteúdo apresentado. 

E esse fato não ficou isolado. A peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", que teve sessão no Sesc Jundiaí (São Paulo) cancelada por decisão judicial também no último mês, engrossa o coro daqueles que temem por um recorrente cerceamento da liberdade de expressão em pleno estado de¬mocrático de direito.

Na visão de Luís Filipe, tais fatos podem ser explicados ao entender que há uma guinada conservadora global. “Pensadores como Jacques Ranciéré, Giorgio Agamben e Antônio Negri, vêm fazendo uma análise desse processo em que o cerceamento de liberdades, o avanço do discurso e das práticas Neoliberais têm estabelecido um Estado de Exceção permanente, nas palavras de Agamben”, referencia.

Tais fatos apontam para o fato de que, embora abolida pela Constituição Federal de 1988, muitos entendem que a censura permanece assombrando a produção artística no país, ainda que de maneira me¬nos escancarada que nos perío¬dos ditatoriais.

“Depois da “redemocratização”, a censura foi proibida pela constituição cidadã de 1989, mas continuou existindo na forma de perseguição e ações judiciais, agora não mais por ação do Estado (embora com a conivência de setores estatais), mas de grupos organizados em torno de ideias conservadoras”, considera o pesquisador. 

* A matéria completa você confere na edição deste fim de semana do Jornal ODIA

22 de setembro de 2017

Suspeito de integrar facção que domina a Rocinha se entrega na PF

Edson Antônio da Silva Fraga, o Dançarino, seria levado para a 11ª DP (Rocinha). Homem é indicado como um dos traficantes que agem na região.

Edson Antônio da Silva Fraga, conhecido como Dançarino, se entregou na tarde desta sexta-feira (22) na sede da Polícia Federal, na Praça Mauá, no Centro do Rio. As informações são do RJTV.

De acordo com publicação no Portal dos Procurados, Edson integra a facção criminosa Amigo dos Amigos (ADA), que domina o tráfico de drogas na comunidade. Até esta sexta-feira, Edson era indicado como procurado no portal.

Após se apresentar na PF, Edson seria levado para a 11ª DP (Rocinha).

Exército faz cerco à Rocinha

Equipe militares chegaram por volta das 15h30 desta sexta-feira ( 22) à Rocinha, horas após o anúncio do reforço anunciado pelas autoridades de segurança. Inicialmente, um helicóptero das Forças Armadas sobrevoou a região.

Pouco depois, tropas por terra chegaram em comboio com muitos veículos.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou no Palácio do Planalto, depois de uma reunião com o presidente Michel Temer, que 950 homens das Forças Armadas – dos quais 700 da Polícia do Exército – e pelo menos dez blindados vão participar do cerco.

Ele deu a informação pelo Twitter depois de uma entrevista coletiva na qual tinha anunciado inicialmente 700 homens da Polícia do Exército.

Na manhã desta sexta, o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio fez uma nova operação na Rocinha, a quinta em cinco dias. Houve um intenso tiroteio entre policiais e criminosos. Traficantes fizeram disparos da área de mata da Rocinha contra policiais que cercavam a comunidade.

Jungmann disse que os militares participarão do cerco a fim de liberarem os policiais do Rio possam subir o morro para fazer o enfrentamento com as quadrilhas de traficantes de drogas que dominam a comunidade. "Exército não substitui polícia", afirmou Jungmann

Imagens sacras, quadros e videogames compõem mansão de Cabral em leilão

A casa no condomínio Portobello, em Mangaratiba (RJ), tem 462 metros quadrados de área construída, com dois pavimentos, cinco suítes, dois lavabos, dois banheiros, sala, átrio e cozinha.

Imagens sacras, quadros, videogames, livros e equipamentos que incluem até uma câmara frigorífica. São esses itens que serão leiloados junto com a mansão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e Adriana Ancelmo no próximo dia 3 de outubro, com lance mínimo de R$ 8 milhões.
A casa no condomínio Portobello, em Mangaratiba (RJ), tem 462 metros quadrados de área construída, com dois pavimentos, cinco suítes, dois lavabos, dois banheiros, sala, átrio e cozinha. A área externa tem cerca de 500 metros quadrados com duas piscinas, churrasqueira e, a frente do terreno, uma quadra de vôlei na orla da praia São Braz.
Descrita por Cabral como "extensão de sua residência", ela será vendida para ajudar a pagar multas e indenizações decorrentes dos processos da Operação Lava Jato. Ele já foi condenado em dois, e é réu em outros 12.


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Caso não haja interessado no primeiro certame, um outro leilão será realizado no dia 11 de outubro com 20% de desconto (R$ 6,4 milhões) no lance mínimo. A Justiça privilegia pagamento à vista, mas aceita parcelar em até 30 vezes, com uma entrada mínima de 25%.
De acordo com o leiloeiro Renato Guedes, a venda é na modalidade "porteira fechada" -inclui todos os itens dentro do imóvel. A mansão conta ainda com dois carrinhos de golfe (para circulação no condomínio), seis bicicletas (duas infantis), pranchas de surfe, além de dezenas de livros. Apenas itens pessoais ficarão com o casal -a mansão ainda guarda muitas fotos da família.
A decoração da casa é sóbria. Piso frio em tom pastel claro, paredes brancas, e dez quadros -dois de Romero Brito, um retratando Cabral e outro, Adriana.
Esta casa passou a ser frequentada em 2011 pelo casal. Contudo, a compra só foi registrada no cartório em 14 de outubro do ano passado, um mês antes da prisão do ex-governador, em nome de Adriana Ancelmo.


Adriana Ancelmo, esposa de Sérgio Cabral (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O valor registrado foi de R$ 2 milhões. A Justiça avaliou o imóvel em R$ 8 milhões.
Foram vizinhos de Cabral os ex-secretários Wilson Carlos e Sérgio Côrtes, além dos empresários Marco Antônio de Luca, Fernando Cavendish, Arthur Soares e Georges Sadala, todos alvos da Lava Jato no Rio.
"A quadrilha toda ficava ai. Natal ele botava para quebrar. Tinha mais fogos do que na avenida Atlântica", disse o aposentado Raul Lopes Ribeiro, 74, que mora ao lado da casa de Cabral.
O local também era usado para lobby de vizinhos junto ao ex-governador. Em texto encontrado no celular de Luca, o empresário diz que o aluguel de uma casa no condomínio "dava oportunidade de alguns encontros e uma oportunidade".
O ex-governador chegou ao Portobello em 1998, numa casa em frente ao canal que desemboca no mar. Esse imóvel atualmente está em nome do Resort Portobello.
A compra da casa, em maio de 1998, foi divulgada em dezembro daquele ano pelo então governador Marcello Alencar (PSDB), rompido com Cabral havia três anos.
O "Jornal do Brasil" divulgou um dossiê que o tucano, morto em 2014, iria entregar ao Ministério Público sobre a casa adquirida por R$ 100 mil. Alencar afirmara que ela valia, à época, R$ 1 milhão.
"Ele não tem outras fontes conhecidas de renda. Tem um salário de deputado estadual [R$ 6.000 à época] que, a rigor, não daria para pagar o aluguel de uma casa como essa", declarou o governador.
Cabral, em resposta, disse que venderia a casa ao então governador por 40% do valor que o tucano dizia valer o imóvel.
"Vendo essa casa por mais da metade do preço. Dou 60% de desconto. Porque os Alencar superfaturam tudo. E superfaturaram a minha casa. Mas eu vendo para ele, ou alguém da sua família, que com certeza tem dinheiro para comprar", ironizou.
O dono do condomínio, Cláudio Jardim Borges, também foi condenado na Lava Jato. O juiz Marcelo Bretas entendeu que ele repassou R$ 2,5 milhões para o escritório da ex-primeira-dama sem prestação de serviço com o objetivo de lavar dinheiro da quadrilha.
Em depoimento à Polícia Federal, Borges disse que Cabral ajudava na divulgação do condomínio. Comparou o peso da imagem do peemedebista ao de Ayrton Senna, que também já frequentou o local.

Tiroteio na Rocinha fecha estrada e causa pânico; Pezão aciona Exército

Cerco deve começar a acontecer nas próximas horas. Um ônibus foi incendiado em São Conrado.

A favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, voltou a registrar tiroteios e ataques às forças policiais na manhã desta sexta (22). Os confrontos causaram pânico na população da região.
Durante a intensa troca de tiros, a Polícia Militar fechou a estrada Lagoa-Barra nos dois sentidos, desde o Fashion Mall até a Praça Sibélius.
Em resposta, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o secretário de Segurança Pública do Rio, Roberto Sá, pediram ao CML (Comando Militar do Leste) a atuação das Forças Armadas na Rocinha. O cerco deve acontecer nas próximas horas, segundo informou o governo do Estado ao UOL.
O tiroteio começou depois que policiais do Batalhão de Choque fizeram cercaram criminosos numa área de mata no entorno da comunidade. Segundo a PM, homens também atiraram contra policiais nas proximidades do túnel Zuzu Angel.
Também na manhã desta sexta (22), um ônibus foi incendiado em São Conrado. As chamas foram controladas pelos Bombeiros.


Foto: Rogerio Santana/ GERJ

A Polícia Militar faz operações diárias na Rocinha desde o último domingo (17), quando grupos criminosos rivais começaram a se confrontar pelo controle dos pontos de venda de drogas da comunidade.
Na terça-feira (19) a PM realizou operações em seis favelas do Rio. O objetivo era buscar acusados de participar da invasão da Rocinha no último domingo, mas não houve presos.
Forças Armadas
Nesta quinta (21), um mês depois da última atuação conjunta, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), anunciaram a retomada das operações das Forças Armadas no Estado.
A Secretaria de Segurança do Rio solicitou às apoio no patrulhamento de 103 pontos da região metropolitana da capital, incluindo vias expressas e imediações de comunidades com risco de conflito.

Comandante diz que Exército está comprometido com a democracia

Secretário de economia e finanças da Força, o general falava em palestra promovida pela maçonaria, em Brasília

O comandante do Exército brasileiro, Eduardo Villas Bôas, divulgou nota na qual afirma que "o Exército Brasileiro é uma instituição comprometida com a consolidação da democracia em nosso país". Na nota divulgada pelo Centro de Comunicação Social do Exército, c cita o episódio envolveu o general Antônio Hamilton Martins Mourão.

Na última sexta-feira (15), Mourão afirmou que "seus companheiros do Alto Comando do Exército" entendem que uma "intervenção militar" poderá ser adotada se o Judiciário "não solucionar o problema político", em referência aos escândalos de corrupção envolvendo políticos.

Secretário de economia e finanças da Força, o general falava em palestra promovida pela maçonaria, em Brasília.

Nesta quinta-feira (21), Villas Bôas disse ainda que "o comandante do Exército é a autoridade responsável por expressar o posicionamento institucional da Força e tem se manifestado publicamente sobre os temas que considera relevantes".

"Em reunião ocorrida no dia de ontem [quarta, 20], o comandante do Exército apresentou ao sr. ministro da Defesa, Raul Jungmann, as circunstâncias do fato e as providências adotadas em relação ao episódio envolvendo o General Mourão, para assegurar a coesão, a hierarquia e a disciplina", diz a nota.

"O comandante do Exército reafirma o compromisso da Instituição de servir à Nação Brasileira, com os olhos voltados para o futuro."

21 de setembro de 2017

CPI da JBS convida Rodrigo Janot para prestar esclarecimentos

Por se tratar de um convite, o comparecimento do ex-Procurador Geral da República é opcional.

 Em sessão esvaziada, a CPI da JBS aprovou nesta quinta-feira (21) um convite para ouvir o ex-procurador-geral Rodrigo Janot e seu braço-direito, o procurador Eduardo Pelella.
Os requerimentos foram aprovados sob a justificativa de que os depoimentos servirão para esclarecer o acordo firmado pelo Ministério Público com executivos da JBS.
Por se tratar de convite, nesses casos, o comparecimento de Janot e Pelella à comissão é opcional. Ainda não há data marcada para que eles sejam ouvidos.
Deputados e senadores aprovaram ainda a convocação de outros dois auxiliares de Janot. O ex-procurador Marcello Miller e o procurador Ângelo Goulart Villela. No caso deles o comparecimento é obrigatório.
O advogado Willer Tomaz, que foi preso na Operação Patmos, também deverá prestar esclarecimentos à CPI. Ele é acusado de pagar propina a Villela para repassar informação privilegiada a Joesley Batista sobre as investigações que envolviam a JBS.


Foto: Lula Marques/ AGPT

Os depoimentos de Villela e Tomaz já estão previstos para a próxima semana.
Na lista de convocações estão ainda executivos da JBS, incluindo os seus donos, Joesley e Wesley Batista. Serão ouvidos os delatores Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, e os executivos Valdir Aparecido Boni, Florisvaldo Caetano de Oliveira, Fábio Chilo e Demilton Antônio de Castro.
Instalada no começo deste mês, a CPI tem como um de seus objetivos apurar possíveis irregularidades ligadas ao acordo de colaboração do grupo JBS.
Desde que foi criada, a comissão é vista pela oposição como uma tentativa do governo de constranger o Ministério Público e os acusadores do presidente Michel Temer, alvo de duas denúncias com base na delação da JBS.
O relator da CPI, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), defendeu que as oitivas sejam iniciadas pelos procuradores. Ele não vê impedimento para que a comissão siga as investigações enquanto a Câmara analisa um segundo pedido de denúncia contra Temer.
"Não podemos paralisar a CPI e aguardar a denúncia. Vai ter que tramitar independentemente da denúncia", disse o deputado que é um dos principais porta-vozes da tropa de choque do presidente.
A acusação de obstrução de Justiça e organização criminosa de Temer deve ser analisada pelos deputados até outubro, de acordo com a previsão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
O envio da denúncia à Câmara depende da conclusão de um julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre pedido de Temer para suspender a acusação. A análise deve ser concluída nesta quinta-feira (21), mas a Corte já tem maioria formada pela continuidade da tramitação.
Contratos
Outra frente de atuação da CPI é a apuração de possíveis irregularidades em contratos do grupo JBS com bancos públicos. Por esse motivo, os parlamentares convocaram o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho a prestar esclarecimentos.
Também estão sob investigação empréstimos tomados pelo frigorífico com a Caixa Econômica Federal. Foram convidados a dar depoimento dois ex-presidentes do banco: Jorge Hereda e Maria Fernanda Ramos Coelho.
A lista de oitivas aprovadas como convite inclui ainda o ex-presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) Leonardo Gomes e o advogado da associação de minoritários da JBS Márcio Lobo.
Ao final da sessão, o presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), anunciou os primeiros depoimentos. Na próxima terça-feira (26), será convocado o procurador Ângelo Villela, e o advogado Marcio Lobo falará na condição de convidado.
Para a quarta-feira (27), estão previstas as oitivas de Willer Tomaz e do ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho.

20 de setembro de 2017

Temer quer que plenário do STF analise devolução da nova denúncia

Advogados do presidente solicitaram que a Corte aprecie ainda nesta quarta (20) pedido para denúncia retornar para a PGR. Nesta terça (19), relator da Lava Jato negou pedido de devolução.

defesa do presidente Michel Temer protocolou pedido para o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) analisar nesta quarta-feira (20) a devolução para a Procuradoria Geral da República (PGR) da denúncia apresentada, na semana passada, contra o peemedebista por organização criminosa e obstrução à Justiça. Os advogados do presidente da República querem que a acusação seja analisada pela nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Nesta terça (19), o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, rejeitou o pedido dos defensores de Temer para devolver a denúncia para a PGR. O magistrado argumentou no despacho que é preciso aguardar a conclusão do julgamento que analisará a eventual suspensão da denúncia.

Os defensores solicitaram na petição para Fachin rever sua decisão de devolver a acusação para reanálise do Ministério Público ou, caso contrário, submeta o pedido ainda nesta quarta como questão de ordem ao plenário do tribunal, que reúne os 11 ministros do Supremo.

O argumento da defesa de Temer é de que a denúncia apresentada na última quinta (14) pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta diversos fatos anteriores ao mandato presidencial, mas não faz menção à regra da imunidade, que impede a responsabilização do chefe do Executivo federal por fatos ocorridos antes de ele assumir o comando do Palácio do Planalto.

Pela Constituição, é proibida a responsabilização do presidente da República, durante a vigência do mandato, por atos estranhos ao exercício das funções. Por isso, a defesa do presidente argumentou que a denúncia deveria voltar para reanálise da PGR.


Temer quer que a nova denúncia contra ele seja analisada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge (Foto: Beto Barata/PR)

Suspensão da denúncia

Na sessão da tarde desta quarta, com a presença da nova procuradora-geral, os ministros do Supremo irão retomar o julgamento iniciado na última semana que está apreciando se o tribunal deve suspender o envio para a Câmara de novas denúncias e novos inquéritos contra Temer até uma definição sobre a validade das delações dos executivos do grupo J&F, dono do frigorífico JBS.

A Constituição determina que denúncias contra o presidente da República devem ser encaminhadas à Câmara, a quem cabe autorizar, por no mínimo 2/3 dos deputados, a análise da acusação pelo STF.

Além disso, os magistrados da Suprema Corte estão avaliando se são válidas as provas entregues no acordo de delação premiada dos dirigentes da J&F em razão de a PGR ter apontado omissão de informações por parte do empresário Joesley Batista – um dos donos da holding – e do diretor de Relações Institucionais do grupo, Ricardo Saud. Os dois estão presos por ordem de Fachin.

Provas entregues pelos delatores da J&F integram a acusação contra Temer. A defesa do presidente diz que não são válidas, pela suspeita de que os delatores da J&F foram orientados pelo ex-procurador da República Marcelo Miller quando ele ainda trabalhava na PGR.

O julgamento da questão de ordem que trata da validade das provas apresentadas pela J&F começou na semana passada, foi suspenso e será retomado nesta tarde.

Antes de deixar o comando do Ministério Público, Janot encaminhou ao STF um pedido de rescisão do acordo de delação premiada de Joesley e Saud.

Para uma decisão sobre a suspensão da denúncia, deverão se manifestar os 11 ministros do STF. Nenhum ministro votou por enquanto. O primeiro a votar será Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

O plenário ouviu na quarta-feira passada os advogados de defesa de Temer e do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial do Palácio do Planalto que foi flagrado pela Polícia Federal carregando uma mala com R$ 500 mil em propina pagos por Joesley.

Na primeira sessão de julgamento do caso, também foi ouvido o ex-vice-procurador-geral da República, Nicolao Dino, que representou Janot.

Na semana passada, nove ministros que participaram da sessão negaram outro pedido de Temer, para afastar o ex-procurador-geral Rodrigo Janot das investigações e anular os atos dele.

Brasil assina Tratado para Proibição de Armas Nucleares

presidente Michel Temer foi o primeiro a assinar o texto, seguido por líderes de 47 países

O Brasil assinou hoje (20) o Tratado para Proibição de Armas Nucleares. O presidente Michel Temer foi o primeiro a assinar o texto, seguido por líderes de 47 países. Ao longo do dia, mais cinco países devem firmar o documento. O acordo impede que os Estados-parte desenvolvam, testem, produzam, adquiram, tenham ou estoquem armas nucleares ou qualquer outro dispositivo nuclear explosivo.

A conferência para negociar o texto foi proposta pelo Brasil, a África do Sul, Áustria, Irlanda, o México e a Nigéria no fim de 2016. O tratado obriga os Estados-parte a não participar ou permitir atividades relacionadas ao uso e também ao desenvolvimento de armas nucleares. O texto do tratado foi acordado no último dia 7 de julho. A segunda etapa é a assinatura de hoje, embora esse seja apenas o primeiro dia para assinatura, que pode ser feita por outros países a partir de agora. Depois disso, ainda é necessário que cada país que tenha assinado o texto faça a ratificação, e o acordo só passa a valer depois que 50 países tiverem passado por todo o processo.

O embaixador Sergio Duarte, ex-alto representante da ONU para Assuntos de Desarmamento e atual presidente da Organização internacional sobre Relações internacionais Pugwash, diz que o tratado proíbe a última categoria de arma de destruição em massa que não estava proibida: “armas químicas e armas biológicas já estão proibidas por tratados internacionais, esse tratado cuida da terceira e última categoria, a arma nuclear, que é a mais cruel e a mais indiscriminada de todas as três”. As armas biológicas foram proibidas em 1972, e as químicas em 1993.

Cristian Wittmann, professor da Universidade Federal do Pampa, diz que, apesar da ausência das potências nucleares na negociação do tratado, ele não deixa de ser eficaz: “em primeiro lugar, ele retoma o debate sobre a importância da eliminação das armas nucleares, aumentando a pressão nos países nuclearmente armados. Ele também traz novos aspectos quanto ao financiamento dessas armas e atividades militares conjuntas que possam envolver armas nucleares”.

O ministro das Relações Exteriores da Áustria, Sebastian Kurz, afirma que, apesar de muitos argumentarem que as armas nucleares são indispensáveis para a segurança nacional, essa ideia é falsa: “O novo tratado oferece uma alternativa real para a segurança: um mundo sem armas nucleares, em que todos estarão mais seguros, onde ninguém precisa ter armas nucleares”.

Durante o discurso para assinatura do tratado, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, lembrou as vítimas de Hiroshima e Nagasaki. Estima-se que existam cerca de 15 mil ogivas, mais de 4 mil em estado operacional. Os gastos de potências nucleares com a manutenção e modernização dos seus arsenais é de cerca de US$ 100 bilhões.

19 de setembro de 2017

PM é preso por executar atleta da seleção de hóquei por ciúmes em SP

Matheus Garcia, de 24 anos, foi baleado na nuca em São Vicente, no litoral paulista.

O soldado da Polícia Militar Jarbas Colferai, de 23 anos, foi preso por matar o atleta Matheus Garcia Vasconcelos Alves, de 24, em São Vicente, no litoral de São Paulo. Inicialmente, as investigações apontavam para o latrocínio (roubo seguido de morte), mas a Polícia Civil concluiu que foi um crime passional, uma vez que o atirador tinha ciúmes da namorada, que matinha contato com a vítima.

Matheus morreu após ser baleado na nuca na noite de segunda-feira (18). Ele foi encontrado ainda com vida na Rua Nicolau Guirão Perez, no Centro da cidade. O atleta morreu a caminho do Hospital Municipal. Na mão dele, havia um carregador de celular, mas o aparelho não foi encontrado pela polícia na ocasião.

Por meio de nota, a Polícia Civil confirmou que, após 12 horas de investigação, conseguiu identificar o soldado da PM como o responsável pelo crime. "O Comando da Polícia Militar foi acionado e apresentou o soldado à delegacia, lavrando-se os procedimentos legais". Foi solicitada sua prisão temporária.

As reais motivações e as circunstâncias da execução ainda não foram divulgadas oficialmente pela Polícia Civil, que confirma que o policial confessou o crime. O soldado permanece detido na carceragem da Delegacia Sede da cidade, onde aguarda definição do pedido de prisão pelo Poder Judiciário.

Matheus Garcia Vasconcelos Alves (Foto: Arquivo Pessoal)

Velório

O corpo do atleta Matheus Garcia é velado em um cemitério em Santos, também no litoral de São Paulo, nesta terça-feira (19). O atleta jogava hóquei e chegou a integrar a Seleção Brasileira, disputando campeonatos no exterior. Familiares e amigos se reúnem desde o início da tarde.

"Todos no Inter somos uma grande família. Assim como o Matheus, todos são muito felizes. Ele era muito feliz", disse o conselheiro do Clube Internacional de Regatas de Santos, Emilio da Silva Junior.

Segundo Emílio, ao se destacar na quadra do Inter, onde praticava o esporte desde pequeno, ele conseguiu chegar à Seleção. "Ele foi se destacando aos poucos, até conseguir essa oportunidade. Estou muito triste com tudo o que aconteceu", disse. Familiares do jovem não quiseram falar com a imprensa.

Mais cedo, o presidente da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, Moacir Júnior, disse que a perda é irreparável. "Não dá para imaginar uma coisa dessas. O menino sempre teve muito talento. Eu tenho um filho de 25 anos, da idade dele, e é difícil. Nós decretamos luto e vamos homenageá-lo".

Moacir contou que, no último sábado (16), estava mexendo nos uniformes da Seleção quando encontrou uma camiseta com umas costuras fora do padrão. "Na hora, fiquei bravo. Demorei três minutos para tirar aquilo ali. Mas depois descobri que era do Matheus. Ele era pequeno de tamanho, mas um grande jogador".

Além de decretar luto por três dias, Matheus vai ser lembrado em um trófeu, que será criado no Campeonato Brasileiro Sub-20 de Hóquei, que ocorrerá em novembro, em Santos. "É o mínimo que a gente pode fazer por ele. A camiseta dele eu vou enquadrar. Antes não tivesse tirado a costura", desabafou.

O crime

De acordo com informações da Polícia Militar, Matheus foi abordado no Centro de São Vicente. As informações iniciais apontavam que ele seria vítima de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, mas a Polícia Civil apurou que foi execução. Na mão dele havia um carregador de celular, mas o aparelho não foi achado.

Matheus foi encaminhado às pressas para o Hospital Municipal de São Vicente, por volta das 22h, mas já chegou morto ao local. Ele morava em Santos e cursava Publicidade e Propaganda na Universidade Santa Cecília (Unisanta). Um suspeito chegou a ser detido durante a madrugada, mas acabou liberado mais tarde.

Matheus Garcia Vasconcelos Alves (Foto: Arquivo Pessoal)

Raquel Dodge mantém só dois nomes de Janot na Lava Jato

Eles trabalharão em regime de dedicação exclusiva, poderão tomar depoimentos, participar de audiências judiciais, solicitar documentos que auxiliem na investigação.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que tomou posse nesta segunda-feira (18), oficializou os nomes de oito integrantes que passam a compor o Grupo de Trabalho da Lava Jato na PGR (Procuradoria-Geral da República). Dodge manteve apenas 2 dos 10 procuradores que atuavam no grupo na gestão anterior, de Rodrigo Janot.
Os nomes foram publicados nesta terça (19) no "Diário Oficial da União". A nova procuradora-geral também especificou na portaria as atribuições dos membros do Grupo de Trabalho da Lava Jato.
Eles trabalharão em regime de dedicação exclusiva, poderão tomar depoimentos, participar de audiências judiciais, solicitar documentos que auxiliem na investigação e participar da celebração de acordos de delação premiada. As funções são similares às da gestão anterior.
O Grupo de Trabalho da Lava Jato será composto pelos procuradores Herbert Reis Mesquita, José Alfredo de Paula Silva (coordenador), José Ricardo Teixeira Alves, Luana Vargas Macedo, Marcelo Ribeiro de Oliveira, Raquel Branquinho, Maria Clara Barros Noleto e Pedro Jorge do Nascimento Costa.


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os dois últimos, Noleto e Costa, são os remanescentes do antigo grupo nomeado por Janot.
A portaria assinada por Dodge também subordina o Grupo de Trabalho da Lava Jato à recém-criada Secretaria da Função Penal Originária junto ao Supremo Tribunal Federal, sob responsabilidade de Branquinho.
Os membros têm experiência na área criminal. Raquel Branquinho e o coordenador José Alfredo Silva, por exemplo, atuaram nas investigações do mensalão.
Dodge também instituiu um grupo para auxiliar na transição dos trabalhos, por 30 dias. O grupo de transição é formado por cinco procuradores da equipe de Janot: Fernando Antonio Oliveira Junior, Melina Castro Flores, Rodrigo Telles de Souza, Sérgio Bruno Fernandes e Wilton Queiroz de Lima.
Os atos assinados pela nova procuradora-geral no primeiro dia de trabalho oficializam ainda outras mudanças que ela já havia anunciado, como as nomeações para a chefia de gabinete (procuradora Mara Elisa de Oliveira) e para a Secretaria-Geral Jurídica (Alexandre Camanho).

Jungmann pede explicações sobre declaração de general sobre intervenção

O Exército tenta contornar a situação, já que Mourão tem uma forte liderança na tropa

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, convocou nesta segunda-feira, 18, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, para pedir explicações após a repercussão negativa das declarações do general da ativa Antonio Hamilton Martins Mourão. O Exército tenta contornar a situação, já que Mourão tem uma forte liderança na tropa. Na sexta-feira passada, dia 15, em palestra, o general da ativa defendeu a possibilidade de intervenção militar diante da crise enfrentada pelo País, caso a situação não seja resolvida pelas próprias instituições.


General  Antonio Hamilton Martins Mourão. Foto: Diego Vara/agência RBS/FolhaPress

Por meio de nota, o ministro da Defesa afirmou que também orientou o comandante “quanto às providências a serem tomadas”, mas não explicou quais seriam essas medidas.

No fim de semana, ao tomar conhecimento das afirmações, Jungmann relatou o fato ao presidente Michel Temer e avisou que deixou nas mãos do comandante a decisão sobre como conduzir o caso. O general Villas Bôas ouviu as explicações do general e disse que o problema estava “superado”. Mourão já protagonizou outro desconforto político em outubro de 2015, quando criticou o governo da presidente cassada Dilma Rousseff. Pelo Regulamento Disciplinar do Exército, o general pode ser punido por dar declarações de cunho político, sem autorização de seu superior hierárquico.

A decisão do comandante do Exército foi interpretada como uma tentativa de abafar o caso e não teria agradado a Jungmann. O ministro esperava algum tipo de sinal de que esse tipo de declaração não pode ser tolerado. De acordo com integrantes do Alto Comando, Mourão está exatamente a seis meses de deixar o serviço ativo.

Punição

Em 2015, por causa de suas declarações, o general Mourão chegou a perder o Comando Militar do Sul e foi transferido para a Secretaria de Economia e Finanças, um cargo burocrático. Agora, diante da pressão política, ele pode ser retirado de sua função, como medida paliativa para que seu gesto não sirva de “incentivo” a outras manifestações semelhantes.

O assunto, no entanto, ainda está sendo objeto de discussão, porque há quem entenda que puni-lo poderia levar a uma leva de solidariedade no Exército, criando um clima político considerado “desnecessário” 

18 de setembro de 2017

Metrô do Rio retira propaganda de estação após acusações de racismo

A propaganda mostra dois casais isolados — um formado por negros, outro formado por brancos — com a legenda: “Linha 4, conectando de ponta a ponta”.

Uma peça publicitária do Metrô Rio instalada na estação Antero de Quental, no Leblon, vem gerando polêmica dentro e fora dos vagões. Criada para promover a Linha 4, que liga a Zona Norte da cidade à Barra da Tijuca, passando por bairros nobres da Zona Sul, a propaganda mostra dois casais isolados — um formado por negros, outro formado por brancos — com a legenda: “Linha 4, conectando de ponta a ponta”. Nas redes sociais, choveram críticas à publicidade que, na opinião de internautas, carrega um preconceito subliminar.

Propaganda em metrô. (Foto: Reprodução)

“Deixa eu ver se adivinhei: o casal de negros representa a Zona Norte, e o de brancos, a Zona Sul. Lamentável”, escreve a internauta Thalita Santos, no Facebook. Outra usuária das redes é mais incisiva: “Que vergonha. Infeliz demais essa propaganda claramente racista”, diz Débora Fonseca.

Na estação onde foi instalada, a propaganda divide opiniões. Para o arquiteto Leandro Ferreira, de 35 anos, a publicidade não propaga o racismo.

— Não consigo ver como racismo. A Linha 4 pega toda a Zona Sul, incluindo a Rocinha, que tem baixo IDH. Também pega Uruguai, que é uma área mais nobre da Zona Norte. Além disso, a imagem não indica que cada casal representa uma zona da cidade. Não consigo ver esse viés — argumenta o arquiteto.

De outra opinião partilha o técnico em impermeabilização Josias Azevedo, de 43 anos.

— Embora não seja uma mensagem explícita, realmente tem um duplo sentido. A verdade é que o preconceito racial é uma ferida na alma do brasileiro. Quando acontece uma coisa assim, mesmo sem intenção, acaba tocando novamente nessa ferida — diz ele.

Na Rocinha, parte do comércio fecha e relatos indicam novo tiroteio

Equipes de delegacia encontraram dois cadáveres carbonizados na rua 2 da Rocinha. Líderes de confronto sangrento ainda estão na Rocinha, segundo investigações

Parte do comércio na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, foi fechado no final da tarde desta segunda-feira, no dia seguinte à guerra entre traficantes que aterrorizou a região e deixou quatro mortos. Apesar de negativas da UPP e Polícia Militar, o traficante Rogerinho 157, que está escondido na comunidade, mandou as lojas fecharem, e várias delas seguiram a ordem.

Relatos em redes sociais no final da tarde também indicam que o tiroteio teria retornado na comunidade, na rua 1, pouco antes das 18h10. As informações da 11ª DP (Rocinha) indicam que, além de Rogerinho, sua rival, Danúbia, mulher do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, também está na região.

Segundo as investigações, há indícios de que líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) apoiaram a tentativa de retomada da favela pela quadrilha de António Francisco Bonfim Lopes, o Nem.

Embora não confirme que a facção criminosa paulista tenha influência na comunidade, a Polícia Civil já sabe que os criminosos que participaram da invasão à Rocinha partiram de três favelas controladas pela também facção criminosa ADA (Amigo dos Amigos): São Carlos, no Estácio; Vila Vintém, em Padre Miguel; e Macacos, em Vila Isabel

"Não sabemos ainda se o PCC atuou no confronto de domingo", disse o delegado, acrescentando que criminosos da facção paulista podem estar dentro da Rocinha.

Antônio Ricardo informou ainda que Rogério 157, indicado como um dos líderes da facção que domina a Rocinha, estaria escondido na parte alta da favela. "Moradores nos informaram também que Danúbia, mulher de Nem, continua morando na comunidade", complementou.

Equipes da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) encontraram dois corpos carbonizados na área da Rua 2 na Rocinha. A Divisão de Homicídios foi chamada ao local para realizar perícia nos cadáveres. Quatro pessoas, segundo a Polícia, morreram nessa guerra entre traficantes.

UPP sabia de invasão

A unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha já tinha a informação de que criminosos planejavam invadir a comunidade a qualquer momento, como revelou o Jornal Hoje desta segunda-feira (18).

O grupo se reunia num morro no Centro do Rio e esperava, a qualquer momento, entrar na comunidade de madrugada — como, de fato, fez no domingo de manhã (17).

Não houve nenhuma ação para evitar a invasão e os confrontos que aterrorizaram os moradores. Pelo menos 70 bandidos vieram de fora e se juntaram a outros na Rocinha.

O objetivo era retomar o território que tinha sido ocupado pelo traficante que sucedeu Antônio Bonfim Lopes, o Nem, que cumpre pena no presídio federal de Campo Grande. A UPP da Rocinha trabalha com 700 homens.

Os traficantes não se intimidaram com a presença da PM. Em uma das principais ruas de acesso, eles roubaram dois carros e passaram por viaturas da Polícia.

Os PMs não reagiram: se abrigaram e se esconderam. Um vídeo feito por militares numa pizzaria mostra os policiais recomendando aos outros que se escondessem.

Posse de Dodge tem denunciados e investigados pela Procuradoria

Na chefia do Ministério Público Federal, caberá a ela oferecer novas denúncias ou pedir o arquivamento de investigações iniciadas na gestão de Rodrigo Janot.

A posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, teve as presenças de três denunciados e pelo menos quatro investigados pela Procuradoria-Geral da República.
Na chefia do Ministério Público Federal, caberá a ela oferecer novas denúncias ou pedir o arquivamento de investigações iniciadas na gestão de Rodrigo Janot.
Na tribuna de honra da posse, ao lado de Dodge, sentaram-se o presidente Michel Temer e os presidentes do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
O primeiro foi denunciado na semana passada por obstrução judicial e organização criminosa. Os outros dois são investigados por irregularidades no âmbito da Operação Lava Jato.


Cerimônia de posse da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Além do presidente, outro peemedebista denunciado que compareceu à cerimônia de posse foi o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), acusado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, que também esteve no evento, foi denunciado em março pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva relativa a contratos estaduais com a empreiteira Delta. Ele também é investigado na Operação Lava Jato.
Outros investigados que estiveram no evento foram o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, e o senador Jorge Viana (PT-AC).
Todos os denunciados e investigados que compareceram à cerimônia negam as acusações.
Em discurso, Dodge defendeu a "harmonia entre os Poderes" como requisito para a estabilidade do país. Ela defendeu a necessidade de o Ministério Público combater a corrupção.
O ex-procurador-geral Rodrigo Janot não participou da solenidade, como ele já havia antecipado.

17 de setembro de 2017

Tiroteio entre traficantes na Rocinha deixa ao menos dois mortos

Pelo menos três também foram baleados na troca de tiros que assusta a comunidade desde o começo da manhã deste domingo (17).

Ao menos duas pessoas morreram durante o intenso tiroteio que acontece desde o começo da manhã deste domingo (17) na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Uma das vítimas é Thiago Fernandes da Silva, de 25 anos. A outra ainda não foi identificada. A informação é do repórter Eduardo Tchao. Moradores, no entanto, dizem que há mais vítimas do confronto.

De acordo com a a secretaria municipal de saúde, três baleados deram entrada na UPA da Rocinha e foram levados ao Hospital Miguel Couto. Dois deles já tiveram alta e o outro estava sendo avaliado pela equipe médica.

Imagens mostram criminosos armados correndo pela Rocinha (Foto: Reprodução/Whatsapp)

A 11ª DP (Rocinha), informou que o pai de Thiago foi para a delegacia após a morte do filho. Segundo a unidade policial, o rapaz já tinha várias passagens pela polícia. Entre os crimes listados estão tentativa de homicídio, tráfico de drogas e corrupção de menores. Até as 12h15 não havia detalhes sobre as circunstâncias da morte de Thiago.

Um vídeo recebido pela reportagem mostra moradores perplexos ao se depararem, em um dos becos da favela, com um corpo carbonizado em meio a um amontoado de lixo em chamas - as imagens são fortes. Não há confirmação se é outra vítima da guerra que aterroriza a comunidade nesta manhã.

Há relatos de pelo menos outros três mortos. A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Rocinha, no entanto, informou em nota enviada às 13h que "equipes da UPP socorreram um homem na Rua 3 para a UPA da Rocinha. Há informações de outro baleado na Rua 2, porém os policiais ainda não conseguiram localizar o corpo. Policiais do Grupamento Aeromóvel seguem acompanhando a movimentação na região".

Outro vídeo mostra criminosos armados desembarcando de dois carros na Estrada da Gávea, próximo à Rua Apia. A poucos metros estão viaturas da UPP. Em seguida, os criminosos que permaneceram no veículo passam, também armados, ao lado dos carros da polícia. Nas imagens não é possível notar intervenção policial ou confronto entre os criminosos e os PMs.

Um vídeo gravado por PMs mostra bandidos armados com fuzis subindo a estrada da Gávea, que corta a comunidade. Os policiais estariam em uma pizzaria e pedem que as pessoas se escondam:

- Mais de 20 ganso aqui em frente. Tudo com fuzil. Subindo a estrada da gávea. Tá abordando um carro ali para fazer o bonde. Se esconde!

- Se esconde aí, rapaziada!

Questionada pelo G1, a UPP disse que "por ser um local de grande circulação e um dos principais acessos à comunidade, as equipes que estavam no patrulhamento à pé após desembarcarem das viaturas entenderam que uma situação de confronto colocaria em risco a todos". Ressaltou, no entanto, que "há um grande cerco na comunidade para estabilização do terreno".

Conforme relatos de moradores, o tiroteio teve início por volta das 6h. De acordo com a Polícia Militar, traficantes da favela se enfrentavam numa disputa interna pelo controle da venda de drogas na região. Policiais da UPP Rocinha e do 23º BPM (Leblon) estão atuando no local.

Um vídeo enviado pelo Whatsapp mostra funcionários dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rocinha deitados no chão para se protegerem dos tiros. Diversos relatos recebidos pela reportagem apontam que o clima na comunidade era de pânico.

O confronto levou a concessionária Metrô Rio a fechar, por volta das 10h30, os acessos A (Rocinha) e C (Estrada da Gávea) da estação São Conrado por questões de segurança. Todos os acessos foram reabertos às 12h30.

O aposentado Francisco Vieira conseguiu deixar a estação pela saída B (Av. Aquarela do Brasil), única que permaneceu aberta. Questionado sobre se não tinha medo de sair do metrô em meio ao tiroteio, ele foi enfático: "Fazer o quê? A gente tem que viver".

Nas redes sociais, moradores da Rocinha relataram momentos de pânico. Algumas regiões estavam sem energia elétrica. Os moradores também publicaram imagens dos confrontos, conforme exibiu a GloboNews.

Em nota, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Rocinha informou que os criminosos também entraram em confronto com os policiais da unidade em num dos acessos à comunidade. Não havia informações sobre presos ou feridos no incidente. O Grupamento Aeromóvel (GAM) apoiava o policiamento na comunidade.

Alerta de segurança

Por causa do tiroteio, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio chegou a orientar a população a evitar trafegar pela Estrada Lagoa-Barra e pelo Túnel Zuzu Angel. Segundo o órgão, a operação policial na região pode causar bloqueios em vias da região.

Rede elétrica danificada

A Light informou que uma parte da Rocinha está sem luz porque tiros atingiram transformadores da comunidade. Segundo a concessionária, técnicos estão de prontidão no local para realizar os reparos, mas não conseguem entrar ainda porque não há segurança.

Tiros atingiram também tubulações de água. Imagens gravadas por moradores mostram grande volume de água jorrando em alguns pontos da comunidade.

Apresentador de TV vítima de bala perdida está em coma induzido

Apresentador do ABTV 2ª edição, da TV Asa Branca, foi vítima de bala perdida quando estava voltando pra casa na noite do sábado (16) no Alto do Moura em Caruaru, no Agreste de Pernambuco.

O jornalista Alexandre Farias, que foi vítima de uma bala perdida na noite do sábado (16) no Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, passou por procedimentos cirúrgicos na madrugada do domingo (17) e está em coma induzido. De acordo com a Unimed, a cirurgia durou em média 4 horas. O estado de saúde é grave e o coma deve durar de três a quatro dias.

De acordo com o neurocirurgião Ronaldo Neves, o jornalista foi operado em tempo hábil. "O tipo de trauma craniano que ele sofreu é grave. O dano cerebral é bem difuso, ele chegou em uma escala de coma bem rebaixado. Ainda há viabilidade neurológica. Nesta fase, vamos deixar ele dormindo sedado para o cérebro descansar e diminuir o metabolismo cerebral, já que o cérebro foi agredido e está inchado. A expectativa é positiva. Não vamos perder a esperança", afirma o médico.

Alexandre Farias está em coma induzido (Foto: Mavian Barbosa/G1)

"É muito cedo falar em sequelas, é precoce. Só teremos uma avaliação detalhada nos próximos dias quando ele for despertado. No mínimo depois de 72, 96 horas. A possibilidade que ele viva é grande", finalizou o neurocirurgião.

Entenda o caso

O apresentador do ABTV 2ª edição, da TV Asa Branca, foi vítima de uma bala perdida na noite do sábado (16) no bairro Alto do Moura em Caruaru. O ator e jornalista tinha apresentado o telejornal e quando saiu foi jantar num supermercado da cidade. Ele ia para a casa dele quando foi atingido por um disparo na cabeça. De acordo com informações da Polícia Militar, assaltantes estavam em um carro roubado quando houve perseguição e troca de tiros.

Na fuga, os bandidos ainda atropelaram os socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que estavam em uma ocorrência no local. Uma das auxiliares de enfermagem foi atingida.

Alexandre Farias foi socorrido em estado grave para o Hospital Regional do Agreste (HRA) e em seguida transferido para hospital Unimed, também em Caruaru.

16 de setembro de 2017

Festa na federal de Goiás termina com um estudante morto e outro baleado

O estudante de ciências ambientais Arial Bem Hur Costa Vaz foi morto com um tiro. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital.

Um estudante foi morto a tiros e outro ficou ferido durante uma festa universitária dentro do campus 2 da UFG (Universidade Federal de Goiás), em Goiânia, nesta sexta-feira (15).

Os tiros foram disparados numa área gramada entre o centro de convivência e a FAV (Faculdade de Artes Visuais) durante uma festa chamada Calourada Integrada 2.0, por volta das 23h.

O estudante de ciências ambientais Arial Bem Hur Costa Vaz foi morto com um tiro. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital. Outro jovem, cujo nome não foi revelado, ficou ferido.

Segundo a polícia, não há dados concretos sobre a autoria e os motivos que levaram ao crime. No local, foram achadas cápsulas de munição .40. Em redes sociais, alunos relatam que o crime teria ocorrido devido a um esbarrão durante a festa, que desencadeou uma briga e culminou com o disparo dos tiros. Também não se sabe se Vaz e o outro estudante estavam envolvidos com o tumulto.

O estudante que ficou ferido foi socorrido ao Hugol (Hospital de Urgências Governador Otávio Lage) e continua internado. Já o corpo de Vaz foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) da capital goiana.

De acordo com o DCE (Diretório Central dos Estudantes), a festa contava com autorização da Reitoria e havia profissionais de duas empresas de segurança privada no local, uma fixa da UFG e outra contratada para o evento.

Segundo o diretório, medidas cabíveis para responsabilizar quem colocou em risco a integridade física e psicológica dos estudantes estão sendo tomadas. Ainda conforme o DCE, a orientação para quem quiser ajudar na investigação é procurar a DIH (Delegacia de Investigações de Homicídios).

O episódio gerou críticas como a do MPG (Movimento Popular Goianiense), que questionou a UFG sobre medidas que serão adotadas diante do que consideram falhas dentro das dependências da universidade.

"Todo ano sempre há morte, acidente e problemas envolvendo o nome da instituição", diz trecho do questionamento postado numa rede social da UFG.

A reportagem não obteve contato com a universidade neste sábado (16).

Ex-PMs são condenados a 36 anos de prisão por executar jovem no Sumaré

Matheus Alves dos Santos, de 14 anos, teria sido flagrado pelos dois policiais do 5º BPM cometendo roubos na Avenida Presidente Vargas, no dia 11 de junho.

Dois ex-policiais militares foram condenados a 36 anos e quatro meses de prisão, cada um, pela morte do adolescente Matheus Alves dos Santos, executado no Morro do Sumaré, Zona Norte do Rio, em junho de 2014.

Fábio Magalhães e Vinícius Lima também foram condenados por ocultação de cadáver e por tentativa de homicídio contra outro jovem, que escapou após se fingir de morto, depois de ter sido baleado duas vezes.

Eles foram condenados a 21 anos pelo crime de homicídio, a 14 anos pelo de tentativa de homicídio e a um ano e quatro meses pelo rime de ocultação de cadáver. A decisão foi do juiz Rafael Cavalcanti Cruz.

Policiais levaram adolescentes para o Sumaré

Matheus Alves dos Santos, de 14 anos, teria sido flagrado pelos dois policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia) cometendo roubos na Avenida Presidente Vargas, no dia 11 de junho, acompanhado de um outro adolescente, de 15. Em vez de encaminharem os menores para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), como é praxe nesses casos, eles levaram os supostos infratores diretamente para o Sumaré.

No alto do morro, Matheus foi executado com um tiro de fuzil na cabeça. O outro adolescente, mesmo ferido à bala nas costas e na perna, se fingiu de morto e conseguiu fugir pela mata. Ele foi até o Morro do Turano, no Rio Comprido, e de lá seguiu para o Complexo da Maré, onde mora com a família. Fábio e Vinicius foram identificados como os responsáveis por toda a ação através das câmeras da viatura, e o trajeto do carro foi rastreado pelo GPS.

15 de setembro de 2017

Temer evita comentar segunda denúncia ao STF em primeira aparição pública

'Em relação a quê? Ao hospital?', respondeu o presidente ao ser questionado sobre a nova denúncia da Procuradoria Geral da República durante evento no Rio.

Na primeira aparição pública após ter sido denunciado pela segunda vez ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Michel Temer evitou falar sobre a acusação. Ele esteve na manhã desta sexta-feira (15) no Rio para inaugurar o centro de radiocirurgia do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC).

O presidente chegou ao IEC por volta das 9h30. Abordado pelo repórter da GloboNews Murilo Salviano em relação à denúncia, Temer respondeu: "Em relação a quê? Ao hospital?". (assista ao vídeo acima).

Durante o discurso, o presidente também não fez menção ao caso. Os repórteres não puderam entrar na sala onde ocorreu o pronunciamento – apenas fotógrafos e cinegrafistas foram autorizados –, e tiveram de acompanhar a fala por meio de um telão, em outro local.

Após a cerimônia, Temer deixou o instituto sem falar com a imprensa, embora houvesse um púlpito preparado para tanto.


Cerimônia de anúncio de liberação de recursos para o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC) (Foto: Alan Santos/PR)

Na segunda denúncia, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa Temer dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) só poderá analisá-la se a Câmara autorizar. A primeira denúncia, por corrupção passiva, foi rejeitada pelos deputados.

Outras oito pessoas são alvos da segunda denúncia, entre eles os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Há ainda dois ex-ministros, dois ex-deputados, um empresário e um executivo.

De acordo com o procurador, os políticos denunciados (todos do PMDB) arrecadaram mais de R$ 587 milhões em propina, e Temer liderava a organização criminosa investigada.

Em nota, Temer afirmou que a denúncia de Janot é "recheada de absurdos".

Ministro evita tema

Também questionado sobre a denúncia, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, desconversou dizendo o foco tem sido governar o Brasil e que as questões jurídicas devem ficar para o Judiciário.

"Nós estamos governando o Brasil. Desde sempre, o presidente Temer teve compromisso com a gestão do nosso país. A inflação muito baixa, os juros caindo, a bolsa com um recorde histórico de valores, a economia vai muito bem, se recuperando, e é essa a nossa obrigação, governar o país. (...) As questões jurídicas ficam para o Judiciário", afirmou.


Ministro da Saúde, Ricardo Barros (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Além de Temer e do ministro da Saúde, participaram da cerimônia o vereador César Maia; o ministro de Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy; o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco; o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão; o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia; e o secretário de Saúde do Rio, Luiz Antônio Teixeira Jr.

Reforço de R$ 113 milhões à saúde do RJ

Durante a solenidade de inauguração do centro de radioterapia do Instituto Nacional do Cérebro, Temer anunciou um reforço de R$ 113 milhões em repasses da União para aplicação no Sistema Único de Saúde no Rio de Janeiro.

No anúncio desta sexta, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que somente o IEC teve ampliado em 55% os repasses do governo federal. Com este aumento, a unidade receberá mais R$ 25,1 milhões por ano para atender à população.

"Aqui é uma ponte para melhorar a saúde do Rio e do país. Ainda pode servir de exemplo para outros hospitais públicos", disse Temer.

Segundo o secretário de Saúde do RJ, Luiz Antônio Teixeira Jr., os R$ 113 milhões disponibilizados pela União vão ajudar a reabrir Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) que estavam fechadas.

14 de setembro de 2017

Justiça nega por liminar reabertura da exposição Queermuseu

Ação popular, movida por advogado de Pelotas, solicitou a reabertura alegando gasto público. A exposição foi financiada por recursos de renúncia fiscal, através da Lei Rouanet.

A Justiça Federal negou ação popular que pedia a reabertura da exposição Queermuseu, encerrada pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, após pressão e críticas incitadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL). O despacho saiu na última quarta-feira (13), assinado pela juíza Thaís Helena Della Giustina, foi expedido pela 8ª Vara Federal de Porto Alegre, em caráter liminar.

O autor da ação vai recorrer da decisão na próxima sexta-feira (15). Gustavo Kratz Gazalle, advogado e professor pelotense, formulou o pedido por conta própria e alega motivações pessoais. "Além da importância global do tema da exposição, eu tive uma motivação pessoal. Me senti tolhido ao não poder ver uma exposição que foi financiada pela Lei Rouanet", aponta o advogado. Como não reside em Porto Alegre, Gazalle havia programado uma visita ao museu na próxima semana.

A exposição Queermuseu, sediada no Santander Cultural, no Centro de Porto Alegre, entrou em cartaz no dia 15 de agosto e ficaria até o dia 8 de outubro, mas foi encerrada no último domingo (10). A mostra foi acusada por integrantes do MBL de pedofilia, zoofilia e ainda promover a sexualização de crianças. Em comunicado no Facebook, a instituição afirmou que "o objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes (...) e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia".

Segundo dados disponibilizados na internet pelo Ministério da Cultura, o projeto Queermuseu captou R$ 850.560 mil reais através da Lei Rouanet, que prevê abate fiscal para empresas que financiam obras artísticas. No caso da Queer Museu, foram três empresas incentivadoras, sendo duas delas ligadas ao banco Santander, e a terceira, uma outra instituição financeira. "Então, como ela foi financiada por dinheiro público, me senti cerceado pela suspensão", reforça Gazalle.

No entendimento da juíza, porém, possíveis prejuízos ainda deverão ser calculados. "Eventual prejuízo ao erário causado pelo ato impugnado somente poderá ser constatado após a referida avaliação dos resultados, que certamente haverá pelo órgão competente, na qual se definirá a possibilidade de dedução, parcial ou não, ou mesmo impossibilidade de dedução do Imposto de Renda devido pelas pessoas jurídicas incentivadoras das quantias doadas para a mostra cancelada a destempo", informa a decisão.

Uma prestação de contas parcial, para avaliar a extensão dos impactos gerados pelo cancelamento da exposição, foi solicitada pelo Ministério da Cultura, complementa o texto.

E, além disso, a liminar ainda pontua que não há elementos que indiquem algum tipo de dano, ou ameaça, ao patrimônio cultural, pois as obras permanecem íntegras.

Gustavo discorda. "O patrimônio não é constituído só de obras individuais. O conjunto delas também é um patrimônio, imaterial", analisa. A exposição, no todo e constituída como foi, é um patrimônio que foi prejudicado pelo cancelamento, no entendimento do autor da ação.

Ele ainda viu, no cancelamento, uma ameaça à Constituição, especificamente o quarto incisivo do terceiro artigo da constituição brasileira: "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação". Isso porque Gustavo entende que a ação foi motivada por ideias preconceituosas por parte de quem condenou algumas das 270 obras que integravam a mostra.

Censura

"Eu não vi a exposição. A decisão do banco, principalmente pela motivação de ceder pressão de um discurso obscurantista, não é condizente com o estado de direito", afirma Gustavo. "A temática sexual é uma temática humana, da arte, não pode haver censura. As pessoas podem gostar ou não gostar, mas não censurar".

A juíza, por outro lado, não vê ameaça à liberdade de expressão no cancelamento. "[a liberdade de expressão] Enquanto direito fundamental, tem caráter de pretensão a que o Estado não exerça a censura, compreendida como ação governamental, de ordem prévia, centrada sob o conteúdo de uma mensagem", conforme texto da decisão. "Não cabe a este juízo avaliar os fatores que levaram ao fechamento prematuro da exposição, pois constituiria em ingerência indevida em ato de gestão da instituição financeira", pontua a liminar.

'Janot perdeu o senso', diz Jucá sobre segunda denúncia contra Temer

Jucá, que já havia se referido a Janot como "líder de facção", disse nesta quinta que ele pode fazer "qualquer tipo de estripulia", pois fica no cargo somente até domingo.

Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) criticou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta quinta-feira (14), quando ele deve apresentar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.
Jucá, que foi chamado ao Palácio do Planalto no início desta tarde, disse que Janot está desacreditado e ironizou a expectativa de que a denúncia por organização criminosa e obstrução de Justiça tenha como base delação do corretor de valores Lúcio Funaro.
"O procurador está tão desacreditado.... Ele agora se juntou com o Funaro, a próxima companhia inseparável dele. Talvez vá convidar o Funaro para tomar cerveja lá naquela distribuidora", disse Jucá, em alusão ao encontro entre Janot e o advogado Pierpaolo Bottini, defensor dos irmãos Batista, da JBS.
Jucá, que já havia se referido a Janot como "líder de facção", disse nesta quinta que ele pode fazer "qualquer tipo de estripulia", pois fica no cargo somente até domingo (17).

Factoides
"Acho que o procurador perdeu o senso. Como ele só tem dois dias, pode fazer qualquer tipo de estripulia. Mas acho que a sociedade vai saber julgar o modus operandi. Mais do que isso, a tentativa de criar factoides e, mais que criar factoides, de apagar provas que podem levar a uma investigação mais séria sobre isso", disse Romero Jucá.
Janot concluiu na quarta-feira (13) a nova denúncia contra Temer.
A reportagem apurou que o peemedebista será acusado dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.
A peça tem de mais de 200 páginas e a previsão é que seja apresentada até o fim da tarde desta quinta-feira ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Além do presidente, Janot citará a cúpula do PMDB da Câmara, alvo do relatório da Polícia Federal entregue ao Supremo na segunda (12). Nem todos serão acusados sob a suspeita de mais de um crime.

13 de setembro de 2017

Inquérito diz que motorista foi responsável por acidente que matou a cantora

Colisão entre veículo e ônibus também provocou a morte do marido dela e deixou outras três pessoas feridas.

Na manhã desta quarta-feira (13) a delegada de Delitos de Trânsito Daniela Lima apresentou a conclusão do inquérito que apurou a morte da cantora paraibana Eliza Clívia, de 37 anos, ex-vocalista da Banda Cavaleiros do Forró, e do marido dela, o baterista Sérgio Ramos. O acidente aconteceu no dia 16 de junho deste ano no Centro de Aracaju.

O relatório foi concluído com base nos depoimentos de sobreviventes, testemunhas, análise do laudo pericial do local do acidente, das imagens e do veículo. Segundo a delegada, a investigação aponta que a responsabilidade pelo acidente foi de Clebton José dos Santos, motorista que dirigia o carro da cantora, pois ele não deu atenção à sinalização da via.

"Podemos concluir com toda a tranquilidade, após exaurir todas as possiblidades de produção de provas através de depoimentos e provas técnicas, que a causa do acidente foi provocada pela entrada do veículo Pálio da via. E concluímos pelo indiciamento do senhor Clebton por homicídio culposo de trânsito e por lesão corporal culposa de trânsito”, disse a delegada.

Carro em que estava a cantora Eliza Clívia e sua equipe (Foto: Reprodução/TV Sergipe)

A delegada disse também que esteve na cidade de Arapiraca (AL), onde fez o interrogatório com o motorista, que ainda se recupera das sequelas deixadas pelo acidente. "Ele não tem memória do choque. Mas tem um relato de momentos antes de que estava utilizando um GPS para se guiar, já que não conhecia a cidade".

Segundo o laudo, a velocidade do ônibus variava entre 48 km/h a 62 km/h. Já o automóvel estava a 22 km/h no momento que invadiu a preferencial. De acordo com os peritos, o tempo de reação do motorista do ônibus foi de pouco mais de um segundo, o que não conseguiria impedir a colisão, mesmo que ele estivesse na velocidade da via que era de 30 km/h.

A equipe do G1 não localizou o motorista para falar sobre o resultado do inquérito.

Elizia, que iniciou a carreira solo quatro meses antes da morte, estava em Aracaju para divulgar um show que seria realizado no dia do acidente, quando o veículo em que estava bateu contra um ônibus. Além do casal, três pessoas da equipe também estavam no veículo e ficaram feridas.

Flagrante da colisão

A câmera de vigilância de um estabelecimento comercial flagrou o momento do impacto, e as imagens mostram que o motorista do ônibus ainda tentou frear, mas acabou batendo no carro em que estava a cantora, o marido e os outros integrantes da banda.

OAB oficializa suspensão de Marcelo Miller, que fica impedido de advogar

A medida cautelar tem prazo de 90 dias e foi tomada após esclarecimentos prestados pelo ex-procurador sobre a suspeita de atuação em favor do grupo J&F.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) oficializou nesta quarta (13) a suspensão do registro profissional do ex-procurador do Ministério Público Federal Marcelo Miller. As informações são da Agência Brasil.
A medida cautelar tem prazo de 90 dias e foi tomada após esclarecimentos prestados pelo ex-procurador sobre a suspeita de atuação em favor do grupo J&F, quando ainda estava no MPF, disse o presidente do Conselho Nacional da OAB, Carlos Lamachia.
"Se ficar provado, houve um exercício da advocacia de forma irregular, enquanto ele ainda era membro do Ministério Público" disse o presidente.
Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Marcello Miller atuou em favor do grupo J&F durante o período em que trabalhou como procurador, no MPF (Ministério Público Federal). Janot pediu a prisão do ex-procurador, que foi rejeitada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin.


O procurador Marcelo Miller (Foto: Alex Lanza/MPMG)

O procurador-geral afirmou que e-mails de um escritório de advocacia mostram que Miller auxiliou a empresa no acordo de leniência com o órgão. A defesa do ex-procurador nega que ele tenha atuado como intermediário do grupo J&F ou qualquer empresa.
O presidente do Conselho Federal da OAB disse que o processo corre em segredo de justiça no Tribunal de Ética e Disciplina da seccional da ordem no Rio de Janeiro, onde Miller é registrado. Também está em investigação se o ex-procurador cumpriu quarentena ao deixar o Ministério Público. O ponto central, segundo Lamachia, é a suspeita de que ele tenha exercido a advocacia irregularmente, quando ainda estava no MPF.
"O ponto fundamental não está na quarentena, está no exercício profissional da advocacia, quando ele ainda era membro do Ministério Público".
A suspensão por 90 dias pode ser prolongada se o processo não for concluído dentro desse prazo, mas a OAB tem a expectativa de que o trâmite seja célere.

Ex-BBB Laércio é condenado a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável

Laércio está preso desde o ano passado acusado de estupro de vulnerável e fornecer bebidas alcoólicas a menores de idade

A Justiça do Paraná condenou a 12 anos de prisão Láercio de Moura, ex-participante do programa "Big Brother Brasil", da Globo. O ex-BBB foi condenado pelos crimes de estupro de vulnerável e armazenamento de material (foto ou vídeo) com cena de sexo explícito ou pornográfico envolvendo criança ou adolescente.


Laércio participou da edição 16 do Big Brother Brasil. Foto: Divulgação/Globo

A decisão da Justiça é do final de agosto, mas foi divulgada nesta terça-feira (12) pelo Ministério Público do Paraná. O processo corre em segredo de Justiça. Láercio também tinha sido acusado de tráfico de drogas, mas foi absolvido.

Laércio está preso desde maio do ano passado acusado de estupro de vulnerável e de fornecer bebidas alcoólicas a menores de idade. As acusações são baseadas em artigo do Código Penal que define estupro de vulnerável qualquer tipo de contato sexual com alguém menor de 14 anos, ou sem discernimento para oferecer resistência.

Entre as denúncias contra o ex-participante do "BBB" havia o testemunho de uma jovem, que entregou à polícia diversos prints de conversas com Láercio, entre 2012 e 2013.

A garota de 17 anos, cuja identidade não foi revelada, teria se relacionado com o tatuador quando tinha 13 anos de idade. Na época, Láercio tinha 49. Ele também teria assediado a jovem por meio mensagens.

Polêmica

Durante o programa, na edição de 2016, o ex-BBB afirmou que gostava de se relacionar com meninas mais novas. "Só aparecem novinhas mesmo, tipo 17, 18, 20", disse Moura em 21 de janeiro durante conversa com a ex-BBB Ana Paula. A fala, de acordo com a polícia, deu início à investigação, que foi solicitada pelo MP-PR.

12 de setembro de 2017

'Não há pedofilia', diz promotor sobre exposição de diversidade sexual

Promotores Denise Villela e Julio Almeida estiveram na exposição do Santander Cultural na segunda-feira (11), um dia após o encerramento em razão de protestos.

Um dia após o cancelamento de uma exposição de diversidade sexual em Porto Alegre, dois promotores do Ministério Público do Rio Grande do Sul foram até o Santander Cultural, que sediava a mostra. A visita ocorreu na segunda-feira (11) e foi motivada por denúncias de que as obras estariam promovendo pedofilia e a sexualização de crianças, além de zoofilia.

"Fomos examinar in loco, ver realmente quais obras que teriam conteúdo de pedofilia. Verificamos as obras e não há pedofilia. O que existe são algumas imagens que podem caracterizar cenas de sexo explícito. Do ponto de vista criminal, não vi nada", salienta o promotor da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Julio Almeida.

A pedofilia ocorre em outras situações, salienta o promotor, ao citar o artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual;

Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso;

Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão "cena de sexo explícito ou pornográfica" compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.

"Não há crianças e adolescentes em sexo explícito ou exposição de genitália de crianças e adolescentes. Também não há obras que façam com que a criança seja incentivada a fazer sexo com outra criança."

Além do promotor, também visitou a exposição a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Educação, Família e Sucessões, Denise Villela. Os dois analisaram as mais de 200 obras e identificaram que quatro a cinco peças poderiam ter cunho sexual.

Para o promotor, uma das medidas que poderiam ser tomadas seria colocar essas peças em um espaço reservado. Entretanto, o ECA não faz uma exigência "objetiva" da necessidade da colocação de classificação etária para museus.

"O ECA é muito claro [diante a classificação indicativa de idade] para revistas, peças de teatro, programas de televisão, entre outros. Para museu não tem algo objetivo. É a primeira vez, em 20 anos na promotoria, que vejo isso", destaca Julio.

O promotor cita o caso de outros museus espalhados pelo mundo que não apresentam restrições, apesar da presença de nu frontal - e outras situações - em várias peças. Um dos mais famosos, lembra, é a Estátua de David, exposta no Museu de Florença, na Itália.

"Vamos analisar tecnicamente a situação para ver se isso constitui violação. Também vamos verificar se os museus têm que entrar em classificação etária como cinemas, teatros e televisão", observa Julio.

"Arte não se discute, se gosta ou não. A questão é para qual público é destinado. É questão subjetiva."

Exposição Queermuseu contava com 90 obras, de 270 artistas nacionais, abriu em 15 de agosto e iria até 8 de outubro (Foto: Marcelo Liotti Junio/Divulgação)

Abaixo-assinado pede reabertura de exposição

Um abaixo-assinado, organizado na internet, pede a reabertura da exposição Queermuseu no Santander Cultural. Até as 14h desta terça-feira (12) mais de 37 mil pessoas já tinham participado da mobilização.

No texto do abaixo-assinado, o cancelamento da exposição é classificado como "retrocesso e a atitude exatamente contrária que deve ter um centro cultural sobre os conteúdos artísticos".

"Que seja reaberta a exposição como demostração que a sociedade não se limita a alguns segmentos ou então que cerre suas portas este pseudo centro cultural que com verba apoiada pela da lei Rounet desperdiça cultura."

'Nível de agressividade que eu nunca tinha visto', diz curador

Em entrevista ao G1 na segunda-feira (11), o curador da exposição, Gaudêncio Fidelis, afirmou que foi xingado por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) dentro do Santander Cultural. Além dele, frequentadores da mostra também foram abordados, o que Gaudêncio classifica como "ataques sistemáticos", que iniciaram a partir de quarta-feira (6) e prosseguiram durante o último fim de semana.

"Eles ingressaram na exposição atacando público com câmera em punho, perguntando se gostavam de pornografia, de pedofilia. Foi um nível de agressividade que eu nunca tinha visto. " Segundo Gaudêncio, os seguranças intervieram e retiraram os integrantes do MBL do local, devido aos cuidados necessários com as obra.

Os ataques seguiram nas redes sociais, com mensagens ofensivas. "Não é só incômodo, mas as manifestações nas redes sociais são, na maioria, de pessoas que não viram exposição", entende o curador.

Questionado sobre a acusação da exposição incitar pedofilia e zoofilia, Gaudêncio considera que as peças foram descontextualizadas e que o MBL criou uma falsa narrativa.

"Isso foi feito com base em narrativa falsa, imagens e vídeos editados. O MBL resolveu transformar a exposição como plataforma de visibilidade."

Para coordenador do MBL, censura não é 'questão central'

Em entrevista à rádio Gaúcha, um dos coordenadores do MBL, Kim Kataguiri, admitiu que o movimento organizou um boicote à exposição e ao próprio banco. Entre as ações estava a realização de campanhas pelas redes sociais. Por outro lado, ele negou os "ataques sistemáticos", referidos pelo curador da exposição, por integrantes do MBL.

"Pedimos o boicote à exposição. Estava sendo obrigado a pagar, isso não foi só do MBL, mas de clientes do Santander, a empresa sofreu boicote. Hoje o verdadeiro rei é o consumidor, se o Santander tivesse que sobreviver com clientes que toleram zoofilia, pedofilia, mas eles não sobrevivem", disse Kataguiri.

Questionado se a ação do MBL não foi uma prática de censura, Kim desconversou. "A questão central não é essa. Estou sendo obrigado a pagar [para entrar na exposição], muitos jornalistas disseram que o MBL não estava sendo liberal. Mas não existe maior expressão de livre mercado que o boicote." Segundo a assessoria de imprensa do Santander Cultural, a entrada para a exposição era franca.

O que diz o Santander

A exposição, sediada no Santander Cultural, no Centro de Porto Alegre, entrou em cartaz no dia 15 de agosto e ficaria até o dia 8 de outubro.

Em comunicado no Facebook, a instituição afirmou que "o objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia".

Leia a nota do Santander:

Reconhecemos que, além de despertar a polêmica saudável e o debate sobre grandes questões do mundo atual, infelizmente a mostra foi considerada ofensiva por algumas pessoas e grupos.

Nós, do Santander, pedimos sinceras desculpas a todos aqueles que enxergaram o desrespeito a símbolos e crenças na exposição Queermuseu. Isso não faz parte de nossa visão de mundo, nem dos valores que pregamos. Por esse motivo, decidimos encerrar antecipadamente a mostra neste domingo, 10/09.

O Santander Cultural tem como missão incentivar as artes e dar luz ao trabalho de curadores e artistas brasileiros, para gerar reflexão positiva. Se esse objetivo não foi atingido, temos o dever de procurar novas e diferentes abordagens. Seguimos, portanto, comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e inclusão, entre outros grandes temas contemporâneos.

Ministro do STF autoriza inquérito para investigar Temer

Em agosto, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já havia manifestado o pedido para abrir inquérito, mas o ministro Fachin pediu redistribuição do caso.

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um inquérito para investigar o presidente Michel Temer e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), por suposto esquema que teria beneficiado a empresa Rodrimar, que atua no porto de Santos.
Em agosto, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou manifestação ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), reiterando pedido para abrir o inquérito. Fachin entendeu que os fatos não têm relação direta com Petrobras e pediu a redistribuição. Barroso foi sorteado relator.


Ministro Luís Roberto Barroso (Foto: Carlos Humberto/ SCO/ STF)

Para Janot, há indícios de que eles tenham cometido os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na edição de um decreto sobre portos em favor da Rodrimar assinado em maio de 2017.
"A ninguém deve ser indiferente o ônus pessoal e político de uma autoridade pública, notadamente o Presidente da República, figurar como investigado em procedimento dessa natureza", escreveu Barroso ao autorizar o inquérito.
"Mas este é o preço imposto pelo princípio republicano, um dos fundamentos da Constituição brasileira, ao estabelecer a igualdade de todos perante a lei e exigir transparência na atuação dos agentes públicos. Por essa razão, há de prevalecer o legítimo interesse social de se apurarem, observado o devido processo legal, fatos que podem se revestir de caráter criminoso."
Ele destacou que há elementos indiciários mínimos que devem ser apurados.
"Deve-se enfatizar, porém, que a instauração de inquérito aqui deferida não implica qualquer prejulgamento nem tampouco rompe com a presunção de inocência que a Constituição assegura a todos os cidadãos brasileiros", disse o ministro.


Pedido de abertura de inquérito já havia sido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pedido
Janot já havia pedido para Fachin autorizar a abertura de uma investigação para apurar a participação de Temer e Rocha Loures no caso.
O ministro pediu então para Janot avaliar se era o caso de abrir novo inquérito ou reabrir um antigo, arquivado em 2011 e no qual Temer já havia sido alvo.
Agora, Janot respondeu opinando pela nova investigação, sob a justificativa de que surgiram fatos novos referentes ao caso.
"Registre-se que entre os fatos [...] há um lapso temporal de mais de 15 anos. Além disso, verifica-se que o contexto fático a ser investigado é distinto", diz Janot no documento.
O procurador-geral também se manifestou a favor de que seja sorteado um novo relator para o caso.
"Está-se aqui diante de pedido de abertura de inquérito. Basta, para tanto, a presença de indícios plausíveis de materialidade e autoria, sem o rigor aplicável quando esteja em questão o recebimento de uma denúncia, ato deflagrador da ação penal. No caso presente, há elementos suficientes para deferir o pedido do Procurador-Geral da República", escreveu Barroso na decisão.
Suspeitas
O pedido de nova investigação tem como base documentos apreendidos na Operação Patmos e interceptações telefônicas de Rodrigo Rocha Loures.
Em um dos telefonemas, Loures conversa com Gustavo do Vale Rocha, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, e pede para que seja acrescentada ao decreto uma norma para beneficiar empresas que obtiveram concessão para atuar em portos antes de 1993 -caso da Rodrimar em uma das áreas que explora em Santos.
Em outro grampo feito pela PF com autorização judicial, o ex-assessor do presidente conversa com um executivo da Rodrimar, Ricardo Mesquita, e dá informações sobre as articulações para a edição do decreto.
Investigação antiga
A Rodrimar já foi citada em inquérito sobre Temer no STF. O presidente foi investigado sob suspeita de participar de um esquema de cobrança de propina de concessionárias do porto de Santos.
Uma planilha entregue à PF atribuía o pagamento de R$ 1,28 milhão em propinas, sendo metade para uma pessoa identificada como "MT". A polícia entendeu que as iniciais se referiam a Temer, então deputado federal, que já detinha foro privilegiado. A investigação foi remetida ao Supremo.
Em maio de 2011, o ministro Marco Aurélio Mello determinou que o então vice-presidente fosse excluído do inquérito. Ele atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República, que disse não ter encontrado provas suficientes contra o peemedebista.

Gilmar diz que MPF vive 'putrefação' e que Fachin pode manchar seu nome

'Ter sido ludibriado por Miller e seus comparsas e ter tido o dever de homologar isto deve lhe impor constrangimento pessoal", disse o ministro a Fachin.

Durante sessão nesta terça-feira (12), o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse que o Ministério Público Federal vive momento de "putrefação" e afirmou que o colega Edson Fachin corre o risco de manchar seu nome. O relator da Lava Jato rebateu e disse que está com a "alma em paz".
Gilmar mencionou a atuação do ex-procurador Marcello Miller, que atuou no grupo do procurador-geral Rodrigo Janot na Lava Jato e agora é o pivô da crise que pode levar à anulação dos benefícios concedidos aos executivos da JBS, que estão presos.
"Neste caso, ministro Fachin, imagino seu drama pessoal", afirmou.
"Ter sido ludibriado por Miller 'et caterva' ["seus comparsas", em latim] e ter tido o dever de homologar isto [a delação dos executivos do frigorífico] deve lhe impor constrangimento pessoal muito grande nesse episódio JBS", afirmou.


Foto: Alan Marques/Folhapress

A manifestação de Gilmar durou cerca de 15 minutos, nos quais ele fez críticas ao trabalho do Ministério Público, a algumas delações da Lava Jato e repetiu que se sentia constrangido pela situação de Fachin.
"Não invejo a sua situação. Acho que vossa excelência desempenha um papel importantíssimo e também não invejo os seus dramas pessoais internos que certamente devem haver", disse Gilmar a Fachin.
"Certamente poucas pessoas na história do Supremo Tribunal Federal se viram confrontadas com desafios tão urgentes e imensos e grandiosos. E tão poucas pessoas na história do STF correm o risco de ver o seu nome e o da própria corte conspurcado por decisões que depois venham a se revelar equivocadas", continuou.
Quando ele terminou de falar, Fachin respondeu. "Eu reitero o voto que proferi [no caso que estava sendo discutido] com base naquilo que entendo que são provas nos autos. E por isso agradeço a preocupação de vossa excelência, mas parece-me que, pelo menos ao meu ver, julgar de acordo com a prova dos autos não deve constranger a ninguém, muito menos um ministro da Suprema Corte", disse.
"Também agradeço a preocupação de vossa excelência e digo que a minha alma está em paz", completou Fachin.


Ministro Edson Fachin (Foto: Carlos Humberto / SCO STF)

A situação ocorreu na sessão da segunda turma do tribunal, em que são julgados os casos da Lava Jato. Os ministros analisavam uma denúncia contra o deputado Dudu da Fonte (PP-PE). Ricardo Lewandowski pediu vista (mais tempo para analisar o caso) e o julgamento foi suspenso.
Putrefação
Ao se manifestar, Gilmar criticou o trabalho da PGR (Procuradoria-Geral da República), mas sem mencionar o nome de Rodrigo Janot, chefe do Ministério Público.
"Eu que fui da Procuradoria-Geral da República, em que lá entrei em 1984, em ver o estado de putrefação, de degradação dessa instituição, me constrange", afirmou.
Gilmar disse que o Supremo enfrenta "situação delicadíssima", "quadro de vexame institucional" e falou sobre o antigo colega Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro deste ano.
"Certamente no lugar onde está, o ministro Teori está rezando por nós e dizendo 'Deus me poupou deste vexame'", afirmou.
Ele mencionou o pedido de prisão feito por Janot contra os senadores do PMDB Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney, negado por Teori e arquivado por Fachin.
Disse que as conversas que serviram como base para a abertura do inquérito não passaram de discussão política e que o procurador-geral "inventou parecer" no qual afirma que o crime de obstrução de Justiça não chegou a ocorrer porque a PGR descobriu e interveio.
"Parece que ao sair de lá o Miller, ele [Janot] também perdeu o cérebro. Não era só o braço-direito", disse Gilmar.

11 de setembro de 2017

Joesley Batista deixa carceragem da PF em SP e segue para Brasília

Batista e o executivo Ricardo Saud, ambos delatores, se entregaram à polícia no domingo (10) à tarde.

O empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS, deixou a carceragem da Polícia Federal em São Paulo por volta das 10h30 desta segunda-feira (11).
Ele irá para o aeroporto de Congonhas, onde embarca em um voo em avião da PF para Brasília. Na capital federal, fará exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e, depois, seguirá para a carceragem.
Batista e o executivo Ricardo Saud, ambos delatores, se entregaram à polícia no domingo (10) à tarde. Pela manhã, o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin havia decretado a prisão dos dois, solicitada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na sexta (8).


O empresário Joesley Batista foi preso após decisão do ministro do STF, Edson Fachin

Como se tratam de prisões temporárias, eles devem ficar presos, pelo menos, até sexta (15). As detenções, no entanto, podem ser prorrogadas ou transformadas em preventivas.
Janot também pediu a prisão do ex-procurador Marcello Miller, negada por Fachin. A residência do atual advogado foi alvo de mandado de busca e apreensão na manhã desta segunda (11), no Rio.
Os agentes chegaram ao local por volta das 6h e saíram depois de 1h40, carregando dois malotes de documentos.
O escritório da J&F, empresa controlada pelos irmãos Batista, também foi alvo de operação da Polícia Federal nesta segunda (11).

Sindicatos tentam evitar que reforma tire benefícios negociados em acordo

A reforma prevê, por exemplo, a prevalência do negociado sobre o legislado na jornada de trabalho, que pode ser estendidas para 12 horas diárias.

Sindicatos de trabalhadores tentam, em negociações recentes, evitar que benefícios estipulados em acordos sejam eliminados com a implementação da reforma trabalhista e da lei de terceirização, aprovadas neste ano.

A reforma prevê, por exemplo, a prevalência do negociado sobre o legislado na jornada de trabalho, que pode ser estendidas para 12 horas diárias, horário de almoço menor e negociação individual do banco de horas sem mediação pelo sindicato.

Para se beneficiar desses pontos, as empresas precisam alterar as convenções e acordos coletivos com os sindicatos. Nessas negociações, as centrais tentam se preservar também da terceirização e do trabalho autônomo.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Osasco e Região, ligado à Força Sindical, quer uma convenção que preveja que o legislado prevaleça, mantendo a homologação de rescisões nos sindicatos, uma hora de almoço e a negociação coletiva, e não individual, do banco de horas.

"O empresariado defendeu a negociação, certo? Então estamos propondo manter esses pontos", diz Miguel Torres, presidente do sindicato. "Os metalúrgicos, nós e os da CUT, estão juntos contra a reforma trabalhista."

Outras categorias tentam preservar suas convenções ou acordos coletivos, que já são mais benéficos que a lei em outros pontos -os bancários, por exemplo, têm jornada de seis horas, piso para estagiário e auxílio-refeição de R$ 32, benefícios não previstos na lei.

O Comando Nacional dos Bancários , associado à CUT, enviou, em agosto, um termo de compromisso pedindo que não haja terceirização da atividade principal da empresa e que sejam barrados contratos temporários, de tempo parcial e intermitentes. São 21 pontos contra a reforma.

A Fenaban (Federação Nacional de Bancos) não quis se manifestar sobre o termo. A categoria aprovou convenção em 2016, que só será renegociada em agosto de 2018.

"Houve uma mudança profunda na legislação, os empresários estão dispostos a soltar os leões, e os trabalhadores estão tentando se posicionar", diz Clemente Ganz Lúcio, diretor do Dieese (departamento intersindical de estudos econômicos).

Na negociação em andamento entre as empresas e a Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos (CUT), o Sindipeças (indústria de autopeças) quer retirar da convenção coletiva o reajuste do vale-transporte e a estabilidade no emprego a quem tenha sequela por doença ou acidente.

"As bancadas patronais estão mais ousadas neste ano", afirma Luiz Carlos da Silva Dias, presidente da federação. "Em julho, apresentamos pauta com 'cláusulas de barreira' à reforma. Queremos trazer para a mesa de negociação tudo que estaria previsto, como a terceirização e a prevalência da vontade coletiva sobre a negociação individual."

O Sindipeças disse à Folha de S.Paulo que propôs renovar a vigência de algumas cláusulas, mas que quer negociar outras.

Homologação

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à CUT, que negocia com a Petrobras, pediu nas negociações que contratações individuais não fujam das condições pactuadas no acordo coletivo, que não haja terceirização da atividade principal e que demissões em massa e homologações de rescisão continuem passando pelo sindicato.

Os sindicalistas se queixam de a estatal ter prorrogado o acordo coletivo de trabalho de agosto até 10 de novembro, dias antes de a reforma entrar em vigor, "na tentativa de pressionar a categoria a correr contra o tempo, para fechar o acordo a toque de caixa", segundo a entidade.

Procurada, a Petrobras afirma que prorrogou o acordo "para que a negociação ocorra com tranquilidade e em respeito aos empregados e às entidades sindicais".

Já a categoria dos comerciários representados pela UGT (União Geral dos Trabalhadores) adiou, em comum acordo com as empresas, a convenção de 31 de agosto para 28 de fevereiro, para que "as coisas se assentem", segundo Ricardo Patah, presidente da entidade. "Queremos consertar alguns excessos dessa lei, que foi aprovada por demanda empresarial e não contempla os trabalhadores."

Os sindicatos ainda tentam negociar, com o presidente Michel Temer, uma medida provisória que barre a previsão de que as homologações de rescisão sejam feitas na empresa e a possibilidade de que gestantes possam trabalhar em locais insalubres.

As centrais sindicais e empresários se reúnem com Temer nesta terça-feira (12).

10 de setembro de 2017

Setembro Amarelo alerta para a prevenção ao suicídio

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ocorram, no Brasil, 12 mil suicídios por ano. No mundo, são mais de 800 mil.

Assunto complexo, o suicídio, que espelha fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais e também culturais, tem sido desvendado, nos últimos quatro anos, pela campanha Setembro Amarelo. Neste ano, como de costume, as atividades de prevenção e sensibilização incluem caminhadas, veiculação de materiais da campanha por figuras públicas que abraçam a causa e a decoração e iluminação de prédios públicos, praças e monumentos com luzes e itens amarelos.

 Ato na orla de Copacabana marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O evento faz parte da campanha Setembro Amarelo, que pretende informar para prevenir e estimular as pessoas a buscarem ajuda psiquiátrica (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

As ações foram iniciadas pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (Iasp) e trazidas ao Brasil pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), referência no atendimento – inclusive remoto – a pessoas em crise, e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O Setembro Amarelo caminha junto com a campanha Janeiro Branco, que, em um mês em que as pessoas estão mais propensas a renovações, busca vivificar reflexões sobre saúde mental e valorização da vida.

 Um número altíssimo de suicídios é registrado no Brasil e no mundo a cada ano (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ocorram, no Brasil, 12 mil suicídios por ano. No mundo, são mais de 800 mil ocorrências, isto é, uma morte por suicídio a cada 40 segundos, conforme o primeiro relatório mundial sobre o tema, divulgado pela OMS, em 2014.

Em geral, a vontade de acabar com a própria vida é provocada pela falta absoluta de perspectiva e uma enorme sensação de desamparo e angústia. O que não se destaca é que, na maioria dos casos, o radical desejo é gerado por um quadro de transtorno mental tratável, como depressão, transtorno bipolar afetivo, esquizofrenia, quadros psicóticos graves e transtornos de personalidade, como o borderline.

 Ato na orla de Copacabana marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O evento faz parte da campanha Setembro Amarelo, que pretende informar para prevenir e estimular as pessoas a buscarem ajuda psiquiátrica (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

“Somente 3% não têm diagnóstico desses transtornos. Há um alto índice também de histórico de drogas, álcool e outras substâncias”, diz a psicóloga Fabíola Rottili Brandão.

Fabíola esclarece ainda que, embora prevaleçam os casos em que preexiste um distúrbio mental, há situações em que o suicídio pode ser um impulso desencadeado por um infortúnio pontual, mas que, ainda assim, a pessoa já tem um processo de desorganização interior. “Em 10% das ocorrências podemos observar essas questões. Pode ser, sim, um caso de súbita desesperança.”

Para o psiquiatra Régis Barros, fortalecer-se emocional e mentalmente é como o ser humano resiste às decepções e contrariedades, comuns a todas as pessoas. “Viver não é uma tarefa simples. Viver é fabuloso, mas somos sistematicamente testados, colocados à prova, sofremos com as frustrações do viver. A resiliência é importante para construir uma habilidade social para a vida”, diz.

 Dezenas de pessoas foram a ato na orla de Copacabana, neste domingo (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Suporte

Barros defende que a sociedade contemporânea, além da violência, do estresse, da instabilidade econômica e social, vive um momento de competitividade cada vez maior, que favorece o adoecimento mental. “O que se vê são relações muito voláteis, famílias desorganizadas, um mundo social virtual em que o contato e as construções de relações são muito empobrecidas. Há, cada vez mais, jovens que se frustram mais precocemente, uma epidemia dos que se automutilam”, explica.

Por isso, poder contar com uma rede de apoio e, consequentemente, com o acesso ao diálogo é fundamental para que as pessoas com a chamada “ideação suicida” conquistem o equilíbrio e a estabilidade emocional garantidos pelo tratamento de psicoterapia e de medicamentos. Os remédios prescritos por um psiquiatra são essenciais para que o paciente recobre a ordem neuroquímica, e a terapia, por sua vez, auxilia o paciente a saber trabalhar suas emoções.

Um dos objetivos da campanha é esclarecer a sociedade para que seja mais fácil identificar, compreender e apoiar as pessoas que passam por depressão ou por outros problemas psíquicos que podem levar ao suicídio (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Há alguns sinais que podem ser identificados por familiares e amigos como sendo de risco, auxiliando no diagnóstico e, portanto, na assistência. Eles devem compreender que a depressão e o suicídio não são uma estratégia infantil da pessoa para chamar a atenção, nem frescura.

Desinteresse pelas atividades que sempre foram prazerosas, sentimento de inutilidade e de culpa, cansaço extremo, irritabilidade, dificuldade de concentração e de tomar decisões e até mesmo falta de higiene com o próprio corpo são comportamentos de alerta. A pessoa tende também a achar que é um fardo para seus amigos e sua família, pode ter baixa qualidade de sono e, ainda, perder ou ganhar peso.

“Há isolamento social, quebra no vínculo familiar, um grande sofrimento psíquico. Mas, às vezes, a pessoa esconde, coloca uma armadura e se esforça para não parecer doente”, complementa Fabíola.

Tanto as pessoas mais próximas como desconhecidos são capazes de acolher e mesmo encaminhar a pessoa suscetível ao tratamento com os profissionais adequados. De acordo com a psicóloga, as unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) carecem de investimento em medicamentos e psicoterapia. “O tratamento de crise precisa ser imediato e nem sempre os dispositivos estão preparados para atender o paciente”, diz Fabíola.

Essa conscientização da família, denominada psicoeducação, evita, inclusive, a repetição de episódios suicidas. “As doenças mentais têm componentes biológicos e não biológicos. Você tem famílias em que o componente é replicado. Mas há uma dificuldade em definir o que é fator ambiental, o que é herança genética, já que temos o mesmo ambiente, com as mesmas questões emocionais, que podem retroalimentar o desejo de se suicidar. O ato de se suicidar não será o ato primário, o primeiro, outros já aconteceram e podem ser evitados”, esclarece Barros.

Colegas de trabalho também podem e devem representar um ponto de socorro. “As empresas não estão preparadas para lidar com essa demanda. Quando tem afastamento do trabalho, existe preconceito. Os empregadores precisam buscar informações e achar formas de acolher. O profissional fica estigmatizado. A gente se dedica tanto ao trabalho e não encontra apoio ali”, pontua Fabíola.

Quase 25% dos deputados federais já trocaram de partido

Dos 513 ocupantes das cadeiras da Câmara, 124 foram alçados ao cargo em legenda diferente daquela a que hoje pertencem.

Quase um quarto dos deputados eleitos em 2014 já trocou de partido pelo menos uma vez desde o início deste mandato, aponta levantamento feito pela reportagem.
Dos 513 ocupantes das cadeiras da Câmara, 124 foram alçados ao cargo em legenda diferente daquela a que hoje pertencem, segundos dados da Casa. Ou seja, 24% dos parlamentares atuais.
No total, foram 168 movimentações até 15 de agosto. A discrepância se dá porque alguns trocaram de legenda mais de uma vez.
Seis deputados já acumulam três mudanças na 55ª Legislatura, que começou em 2015 e vai até o início de 2019: Major Olímpio (SD-SP), Hiran Gonçalves (PP-RR), Cícero Almeida (Pode-AL), Macedo (PP-CE), Adalberto Cavalcanti (PTB-PE) e Valtenir Pereira (PSB-MT).


Foto: Pedro França/Agência Senado

Destes, só o parlamentar alagoano não passou pelo PMB (Partido da Mulher Brasileira), epítome do que os troca-trocas podem acarretar. O partido, nascido no fim de 2015, conseguiu filiar 25 deputados, a maioria no primeiro mês de existência da sigla.
Um a um, eles foram deixando a legenda. O último dos peemebistas, Weliton Prado (MG), deixou o partido em agosto para integrar a bancada do Pros. Antes, ele havia pertencido ao PT.
O tamanho da bancada federal é importante para um partido porque é ele que determina o acesso ao dinheiro do fundo partidário e seu tempo de televisão e rádio.
O fundo é distribuído de duas formas: 5% entre todas as legendas, e os outros 95% repassados proporcionalmente aos votos recebidos na última eleição da Câmara.
O PMB, com sua bancada atual de zero deputados, pleiteia na Justiça que o rateio seja feito com base nos deputados que se filiaram a ele no meio do mandato, o que lhe daria, só em 2017, mais de R$ 7 milhões do fundo.
As trocas de partido também sumiram com outros "nanicos" na Câmara. Hoje, há 25 com representação na Casa.
Com uma bancada de três deputados eleitos em 2014, o PRP e o PMN foram deixados por seus deputados ao longo da legislatura. O mesmo aconteceu com o PSDC e o PTC, com dois cada. Já o PRTB foi abandonado por Cícero Almeida em outubro de 2015, quando migrou para o PSD.


Foto: Pedro França/Agência Senado

Numericamente, o partido que mais perdeu deputados foi o PT. Com 68 eleitos em 2014, foi para 58.
Em segundo lugar está o PSDB, que começou a legislatura com 54 deputados, para chegar a 46. Os parlamentares se espalharam por siglas como PV, PRB, Podemos, PR e PSL.
Já quem mais cresceu foi o Podemos: de quatro para 15 cadeiras no plenário.
Janela
Em 2007, o Tribunal Superior Eleitoral editou uma resolução de fidelidade, corroborada no ano seguinte pelo STF, para barrar a histórica onda migratória de políticos entre os partidos.
O parlamentar que trocasse de partido poderia perder o mandato. Antes disso, as trocas ocorriam numa média de uma a cada cinco dias.
A regra nunca foi aplicada por completo porque os detentores de mandatos recorrem a brechas como a ida para novos partidos e a aposta na morosidade da Justiça, mas o ritmo diminuiu.
Entretanto, em 2015 foi aprovada a "janela de troca", que permite que os parlamentares mudem de casa sem risco por 30 dias. A última ocorreu em março de 2016, quando mais de 90 deputados trocaram de partido. A próxima janela está marcada para março de 2018.

Defesa sinaliza que Joesley e Saud podem se entregar

A prisão de ambos foi decretada pelo ministro Edson Fachin, atendendo a pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot.

A Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) receberam, segundo a reportagem apurou, uma sinalização de que Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F, dono da JBS, podem se entregar.
A prisão de ambos foi decretada pelo ministro Edson Fachin, atendendo a pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot.
Advogados dos delatores indicaram aos investigadores que, após a ciência oficial do mandado de prisão, os seus clientes estão dispostos a comparecer à Polícia Federal, em Brasília ou São Paulo. Com isso, evitariam uma operação policial em suas casas.
A prisão é temporária, ou seja, com prazo de cinco dias, mas podendo ser prorrogada ou se transformar em preventiva.
Fachin negou estender a medida ao ex-procurador Marcello Miller. Os pedidos de prisão dos três foram feitos por Janot na sexta (8).


Ministro Edson Fachin

Na última segunda-feira (4), Janot anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração firmada com o Ministério Público.
O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Miller no acordo de delação quando ainda era procurador -ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto.


O empresário Joesley Batista teve a prisão decretada pelo ministro do STF

Para a equipe de Janot, houve patente descumprimento de dois pontos de uma cláusula do acordo de delação que tratam de omissão de má-fé, o que justificaria rever os benefícios.
Os três, Joesley, Saud e Miller prestaram depoimentos entre quinta (8) e sexta (9). Janot não se convenceu dos argumentos. Para ele, há indícios fortes de que Miller participou sim da elaboração do acordo de colaboração

Advogado de Joesley e Janot se encontram em bar após pedido de prisão

Pierpaolo Bottini disse que o encontro aconteceu casualmente.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o advogado de Joesley Batista, Pierpaolo Bottini, se encontraram em um bar em Brasília no sábado (9), um dia depois de a Procuradoria pedir a prisão do cliente dele e de outro delator do grupo, Ricardo Saud.
A informação foi divulgada pelo site "O Antagonista", que reproduziu uma foto do encontro.
Bottini confirmou à reportagem o encontro. O advogado assinou a petição protocolada no Supremo, após o pedido de prisão feito por Janot, em que colocou o passaporte de Joesley à disposição e pediu audiência com o ministro Edson Fachin, que decretou a prisão do empresário e de Saud.


Foto divulgada pelo site 'O Antagonista'

Em nota, Bottini afirmou que o encontro ocorreu "casualmente". "Na minha última ida a Brasília este fim de semana, cruzei casualmente com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, num local público e frequentado da capital", disse.
O advogado afirmou ainda que não trataram de "qualquer questão afeita a temas jurídicos" e disse que a conversa "foi uma demonstração de que as diferenças no campo judicial não devem extrapolar para a ausência de cordialidade no plano das relações pessoais".
A reportagem pediu uma manifestação de Janot, mas até as 10h deste domingo não obteve resposta.
Na segunda-feira (4), o procurador-geral anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades e omissões nas negociações da colaboração firmada com o Ministério Público.
O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Marcello Miller no acordo de delação quando ainda era procurador -ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto.

Ministro Edson Fachin decreta prisão de Joesley Batista e Saud

Prisões são temporárias e ainda não há previsão de quando serão efetuadas pela Polícia Federal.

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), acatou o pedido de prisão dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F, dono da JBS, segundo apurou a reportagem.
As prisões são temporárias. Não há ainda previsão sobre quando serão efetuadas pela Polícia Federal.
Segundo a reportagem apurou, Fachin negou estender a medida ao ex-procurador Marcello Miller.
Os pedidos de prisão dos três foram feitos pelo procurador-geral, Rodrigo Janot na sexta (8).
Na sequência, os advogados deles colocaram os passaportes de seus clientes à disposição do Supremo e pediram para eles serem ouvidos por Fachin.


Ministro Edson Fachin (Foto: Carlos Humberto / SCO STF)

Na última segunda-feira (4), Janot anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração firmada com o Ministério Público.
O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Miller no acordo de delação quando ainda era procurador -ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto.
Para a equipe de Janot, houve patente descumprimento de dois pontos de uma cláusula do acordo de delação que tratam de omissão de má-fé, o que justificaria rever os benefícios.
Os três, Joesley, Saud e Miller prestaram depoimentos entre quinta (8) e sexta (9). Janot não se convenceu dos argumentos. Para ele, há indícios fortes de que Miller participou sim da elaboração do acordo de colaboração.
Joesley alega que foi apresentado a Miller por Francisco de Assis e Silva, advogado da empresa e também delator, porque estava à procura de alguém para a área de anticorrupção da empresa.
Os delatores argumentam que apenas consultaram Miller em linhas gerais sobre o processo de delação e que acreditavam que ele já havia saído da PGR.
O ex-procurador pediu o desligamento do Ministério Público Federal no dia 23 de fevereiro, mas a saída foi oficializada em 5 de abril.
Passaporte
Os advogados de Joesley Batista, Saud e Miller colocaram os passaportes dos clientes à disposição do STF e pediram para eles serem ouvidos pelo ministro Fachin.
"Ambos desde já deixam à disposição seus passaportes, aproveitando para informar que se colocam à disposição para comparecerem a todos os atos processuais para prestar esclarecimentos, da mesma forma com que têm colaborado com a Justiça até o presente momento", diz petição assinada pelos advogados Pierpaolo Bottini e Ana Fernanda Delosso, em nome de Joesley e Saud.


O empresário Joesley Batista teve a prisão decretada pelo ministro do Supremo, Edson Fachin

De acordo com a defesa, uma vez que o pedido de prisão se tornou público, "não se justifica mais a imposição de um contraditório diferido", quando o juiz toma a decisão antes de ouvir uma das partes diante, por exemplo, da necessidade de produção de provas urgentes.
Pedem ainda que se observe o §3º do artigo 282 do CPP (Código de Processo Penal), que determina que, "ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária, acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias, permanecendo os autos em juízo".
"Dessa forma, em prol do contraditório e da ampla defesa, requer-se a intimação dos peticionários, bem como a cópia do requerimento e das peças necessárias, para manifestação, consoante o texto legal mencionado", diz a defesa no pedido.

Temer reúne aliados no Jaburu em meio à expectativa de prisão de Joesley

Participaram de almoço com o peemedebista os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral), Torquato Jardim (Justiça), Henrique Meirelles (Fazenda), Helder Barbalho (Integração Nacional).

O presidente Michel Temer reuniu ministros e aliados no Palácio do Jaburu neste sábado (9), um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir a prisão dos delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud, e do ex-procurador Marcello Miller.
Ao final da reunião, o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) chegou ao Palácio para tratar com o presidente e os ministros. Ele é presidente da CPMI da JBS, cujo relator deve ser anunciado na segunda-feira (11) -o nome mais cotado é o do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos mais aguerrido defensores de Temer na Câmara.
Presentes, no entanto, novamente negaram que o assunto tenha sido discutido. Disseram que Temer deve ir ao Tocantins na próxima quinta-feira (14) e que este seria o motivo da ida do senador ao Jaburu.


Foto: Agência Brasil

Participaram de almoço com o peemedebista os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral), Torquato Jardim (Justiça), Henrique Meirelles (Fazenda), Helder Barbalho (Integração Nacional).
Também estiveram presentes os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE) e o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI).
Os participantes foram os mesmos que confraternizaram com Temer na última quinta-feira (7), quando Maia ofereceu um almoço na residência oficial da Câmara após o desfile de 7 de setembro.
O encontro deste sábado ocorreu em meio à expectativa de que o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), decida sobre um pedido de prisão dos delatores e do ex-procurador.
Na noite desta sexta-feira (8), Janot pediu o encarceramento dos três depois de ouvi-los entre quinta (7) e sexta (8).


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão de Joesley Batista (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Na última segunda-feira (4), o procurador-geral anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração firmada com o Ministério Público.
O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Miller no acordo de delação quando ainda era procurador - ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto.
Para a equipe de Janot, houve patente descumprimento de dois pontos de uma cláusula do acordo de delação que tratam de omissão de má-fé, o que justificaria rever os benefícios.
Joesley alega que foi apresentado a Miller por Francisco de Assis e Silva, advogado da empresa e também delator, porque estava à procura de alguém para a área de anticorrupção da empresa.


Joesley diz que foi apresentado a Miller por Francisco de Assis e Silva, advogado JBS

Os delatores argumentam que apenas consultaram Miller em linhas gerais sobre o processo de delação e que acreditavam que ele já havia saído da PGR.
O ex-procurador pediu o desligamento do Ministério Público Federal no dia 23 de fevereiro, mas a saída foi oficializada em 5 de abril.
Temer, que foi alvo de uma denúncia com base na delação da JBS, pediu ao STF que as acusações contra ele sejam suspensas até que as suspeitas envolvendo os delatores sejam solucionadas.
Fachin, relator do caso, decidiu apresentar o pedido ao plenário da Corte, que deve analisar o tema na próxima quarta-feira (13).

Ninguém acerta os números e Mega-Sena acumula em R$ 5,5 milhões

Os números sorteados neste sábado (9) em Salto (SP) foram: 10, 13, 19, 32, 40, 60.

O concurso 1.966 da Mega-Sena acumulou. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o prêmio acumulado para o próximo concurso, a ser realizado na quarta-feira (13), será de R$ 5,5 milhões. Os números sorteados neste sábado (9) em Salto (SP) foram: 10, 13, 19, 32, 40, 60. Pela quina, 29 apostadores ganharam R$ 47.097,01; já a quadra rendeu R$ 707,45 às 2.758 apostas ganhadoras.

Quina
O concurso 4.477 da Quina também acumulou. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o prêmio para o próximo concurso deverá ser de R$ 3 milhões. Os números sorteados neste sábado (9) em Salto (SP) foram: 01, 34, 54, 58, 67. Confira o rateio:
Quina - 5 números acertados - Não houve acertador
Quadra - 4 números acertados - 45 apostas ganhadoras, R$ 9.427,65
Terno - 3 números acertados - 4507 apostas ganhadoras, R$ 141,54
Duque - 2 números acertados - 123972 apostas ganhadoras, R$ 2,83

Timemania
O concurso 1.080 da Timemania realizado neste sábado (9) em Salto (SP) acumulou. As dezenas sorteadas foram: 03, 27, 38, 43, 51, 61, 68. O time do coração foi o Cruzeiro-MG. O prêmio para o próximo concurso deve ser de R$ 6,8 milhões. Veja o rateio:
7 números acertados - Não houve acertador
6 números acertados - 7 apostas ganhadoras, R$ 22.876,01
5 números acertados - 218 apostas ganhadoras, R$ 1.049,35
4 números acertados - 4717 apostas ganhadoras, R$ 6,00
3 números acertados - 49057 apostas ganhadoras, R$ 2,00
Time do Coração: CRUZEIRO/MG - 40201 apostas ganhadoras, R$ 5,00
Dupla-sena
O concurso 1.691 da Dupla Sena realizado neste sábado (9) em Salto (SP) não teve ganhadores nas faixas principais dos dois sorteios. A Caixa Econômica Federal prevê um prêmio de R$ 1,8 milhão para o próximo o concurso. Os números do 1º sorteio foram: 05, 16, 26, 27, 29, 50. Já as dezenas do 2ª sorteio são: 14, 16, 27, 34, 44, 46. Confira o rateio:
Premiação - 1º Sorteio
Sena - 6 números acertados - Não houve acertador
Quina - 5 números acertados - 24 apostas ganhadoras, R$ 2.906,32
Quadra - 4 números acertados - 941 apostas ganhadoras, R$ 84,71
Terno - 3 números acertados - 18997 apostas ganhadoras, R$ 2,09
Premiação - 2º Sorteio
Sena - 6 números acertados - Não houve acertador
Quina - 5 números acertados - 27 apostas ganhadoras, R$ 2.325,05
Quadra - 4 números acertados - 1120 apostas ganhadoras, R$ 71,17
Terno - 3 números acertados - 19404 apostas ganhadoras, R$ 2,05
Federal
O concurso 05213 da Federal ocorreu neste sábado (9) em Salto (SP). Confira os bilhetes sorteados e o rateio:
1º bilhete: 15645 - R$ 450.000,00
2º bilhete: 71135 - 23.000,00
3º bilhete: 29805 - 20.000,00
4º bilhete: 15451 - 19.000,00

08 de setembro de 2017

Peão do Tocantins morre após ser pisoteado por touro durante rodeio

Acidente aconteceu durante rodeio no Pará; jovem tinha 19 anos. Corpo está sendo levado para o Tocantins, onde a família mora, e companhia de rodeio prepara homenagem.

Está sendo levado para Piraquê, norte do Tocantins, o corpo do peão Luciano Sousa de Lima, de 19 anos. Ele morreu na noite desta quinta-feira (7) durante um rodeio em Xinguara (PA). Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o momento do acidente, quando o jovem é arremessado do lombo de um touro e acaba sendo pisoteado pelo animal.

As imagens mostram que ele ainda chega a levantar, mas cai novamente. Conforme a polícia da cidade, o jovem foi socorrido e levado para uma Unidade de Pronto Atendimento, mas teve várias paradas cardíacas e não resistiu.

O corpo foi liberado para os parentes durante a manhã desta sexta-feira (8) e saiu de Xinguara por volta das 12h30. O peão se apresentava pela companhia Dydayr Parreira. O velório e enterro devem ocorrer em Piraquê, onde vive a família do jovem.

"Infelizmente é um esporte de risco, o rodeio. Nós demos toda assistência para a família, mas aconteceu essa tragédia. O corpo foi encaminhado para Piraquê e deve chegar por volta das 16h", disse o diretor do rodeio, Leonardo de Oliveira Silva.

Peão Luciano Sousa morreu durante acidente em rodeio (Foto: Arquivo Pessoal)

Nas redes sociais do rapaz, muitos amigos e parentes fizeram homenagens durante o dia. "Era um menino apaixonado pelo rodeio. Hoje nós vamos prestar uma homenagem e colocar todos os cowboys de preto, com imagem de Nossa Senhora Aparecida, distribuir velas e colocar o público para participar da homenagem", disse o diretor.

O acidente aconteceu durante a apresentação de rodeio na Feira Agropecuária de Xinguara (FAX). Um comunicado de óbito foi feito na delegacia de Xinguara e a polícia disse que apura as circunstâncias da morte.

Após furto, dono de loja dá chance para ladrão se redimir em MG

“Favor devolver a bolsa que pegou ou entregarei a fita para polícia”, diz cartaz na vitrine do estabelecimento em São João Nepomuceno.

O proprietário de uma loja de variedades que fica no Centro de São João Nepomuceno, na Zona da Mata, tomou uma atitude inusitada após ter seu estabelecimento furtado esta semana. Ele ofereceu uma chance para o ladrão se redimir.

A vítima colou um cartaz para o suspeito na vitrine do estabelecimento, informando que o suspeito foi flagrado e identificado através do sistema de câmeras de monitoramento.

"Favor devolver a bolsa que pegou ou entregarei a fita para a polícia. Seu idiota, você foi filmado", escreveu.

Ao G1, o proprietário da loja, José Antônio, disse que o objeto furtado foi uma bolsa que custa R$ 89,90. Caso o ladão que a pegou não devolva, ele disse que vai levar o vídeo até a polícia para que sejam tomadas as devidas providências.

"A intenção é que o jovem flagrado furtando devolva o objeto sem que seja necessária a confecção de um boletim de ocorrência, já que estes trâmites que envolvem a Justiça são muito cansativos e trabalhosos”, explicou.

Cartaz zomba ladrão e ameaça entregar vídeo à polícia (Foto: Darlene Braga/Arquivo Pessoal)

Comerciante já viveu situações semelhantes

De acordo com o Antônio, o sistema de câmeras já flagrou furtos em situações anteriores e ele já usou um vídeo para solucionar o problema quando um homem furtou oito bermudas da loja. Ele contou que levou o vídeo até a casa do suspeito e chegou a mostrar a ação para a esposa dele, que lhe devolveu pelo menos três peças.

“Nessa ocasião, eu até cheguei a registrar a ocorrência, mas além de não conseguir todos os produtos de volta, ainda tive muita dor de cabeça em ter que comparecer ao Fórum por diversas vezes e não ter o caso solucionado, por isso prefiro tentar resolver direto com a pessoa”, afirmou.

O comerciante relatou ainda que, certa vez, percebeu através do sistema de monitoramento que uma idosa, que se locomovia com auxílio de uma bengala, estava colocando diversos objetos dentro da bolsa.

“A senhora estava ainda dentro da loja. Eu a abordei e convidei até o local onde fica o sistema de câmeras e mostrei para ela o flagrante. Envergonhada, ela admitiu o furto e me devolveu os produtos. A situação foi resolvida sem precisar envolver polícia ou Justiça”, disse.

Segundo a Polícia Militar (PM), até esta sexta-feira (8), a vítima ainda não registrou a ocorrência de furto.

Procuradores do MPF dizem que Geddel é 'criminoso habitual'

MP ressalta que apartamento com malas de dinheiro ficava a 1 km da casa onde Geddel cumpria domiciliar, sem tornozeleira

Os procuradores da força-tarefa da Cui Bono, operação que investiga se Geddel Vieira Lima cometeu desvios na Caixa Econômica Federal, afirmaram que as novas provas contra o ex-ministro demonstram que suas restrições de liberdade, impostas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, não impediram o cometimento de crimes. E que ele cometeu crimes em série.

Os procuradores dizem que Geddel é “criminoso habitual, em série (“serial criminal”). Esse foi um dos argumentos para endossar o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Federal.

Na petição enviada a Justiça Federal em Brasília , o Ministério Público destaca a proximidade da casa de Geddel, onde ele cumpria prisão domiciliar, e a falta de monitoramento eletrônico, facilitavam o deslocamento do ex-ministro.

“Por oportuno, registre-se que o local onde os valores foram achados se encontra a cerca de 1 quilômetro (a pé) do residencial em que cumpre prisão domiciliar Geddel, proximidade que permite que o deslocamento entre as duas localidades, envolvendo altíssimos valores, seja feito sem maiores imprevistos”, diz o documento.


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/EBC//FotosPúblicas. 

O juiz Vallisney de Oliveira, que autorizou a 4ª fase da operação Cui Bono, também falou sobre a continuidade delitiva de Geddel. Disse que o ex-ministro “de modo que reitera na atividade delituosa de lavagem de capitais e outros delitos de forma sorrateira, em estado de permanência, pois os valores estavam ocultos em um apartamento cuja finalidade era exclusivamente para guardá-los”.

Prisão

Geddel foi preso preventivamente (sem prazo determinado) no início da manhã desta sexta (8), por volta das 7h. A prisão foi determinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira.

O pedido de prisão foi apresentado pela PF e, posteriormente, acabou endossado pelo MPF. O argumento dos investigadores para solicitar que o ex-ministro retorne para a cadeia é o eventual risco de "destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos".

Além disso, o juíz que pediu a prisão disse em documento que o exame pericial feito no valor encontrado em um banker em Salvador, mais de R$ 51 milhões, identificou fragmentos de impressões digitais do ex-ministro.