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10º Salipi será lançado amanhã (18) e homenageará teatrólogo piauiense

O homenageado piauiense é Chico Pereira, autor da premiada "Raimunda Pinto, Sim Senhor!"

17/04/2012 10:44

Um dos maiores eventos culturais do Estado e referência nacional, o Salipi - Salão do Livro do Piauí, em sua 10ª edição, será lançado nesta quarta-feira, 18, no Palácio da Música, às 19h. O Salão, que acontece no período de 10 a 17 de junho, pela primeira vez homenageia um teatrólogo, o piauiense Francisco Pereira da Silva - autor de peças com temática nordestina, dente elas a premiada "Raimunda Pinto, Sim Senhor"!

Este ano, além de Francisco Pereira da Silva, também serão homenageados o cantor Luiz Gonzaga, o teatrólogo Nelson Rodrigues e o escritor Jorge Amado - que se estivessem vivos estariam completando 100 anos. Para o professor Wellington Soares, um dos coordenadores do Salipi, o evento causou uma efervescência cultural em Teresina e no interior do estado: "O Salipi é uma referência nacional porque não é uma simples feira de livros, mas um evento que celebra a leitura, a cultura das letras, abrangendo um público diversificado", ressalta o coordenador.

Wellington Soares ressalta que o Salipi se interiorizou e deu origem a salões em outros municípios. "Isso foi resultado de um trabalho iniciado há 15 anos, com total dedicação. Além de ser um local de promoção de novos autores, também é o ambiente propício para lançamentos e para o incentivo à leitura, abrindo horizontes", diz. Entretanto, ele lembra que um dos pontos principais do Salão é a reciclagem de professores com o Seminário Língua Viva.

O Salipi acontece no Complexo Cultural da Praça Pedro II, reunindo milhares de pessoas durante todo o dia. Além da feira, das promoções, do Seminário Língua Viva e de shows de artistas locais e convidados, um espaço especial é dedicado à criançada que participa ativamente do evento: é o Circo das Letras. Para Wellington Soares, o Salão do Livro do Piauí transformou a cultura local com propostas inovadoras abraçadas pela população.

O homenageado do ano

Ano Francisco Pereira da Silva. Isso mesmo, essa homenagem dos organizadores da 10ª edição do Salipi é das mais justas, pelo talento que foi o nosso "Chico Pereira". Nascido em Campo Maior, o homenageado era dramaturgo de trabalhos ligados à temática popular e ao universo nordestino, com parte de sua obra encenada no Rio de Janeiro, principalmente pelo Teatro Jovem, grupo preocupado em teatralizar a realidade brasileira nos anos 60.

Chico Pereira mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942, depois de estudar em Teresina e São Luís (Maranhão). Formou-se em Biblioteconomia e trabalhou na Biblioteca Nacional. Sua primeira peça montada foi Lázaro, lançada pelo Teatro Duse, com direção de Pernambuco de Oliveira, e distinguida pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, com o prêmio de revelação de autor, em 1952. No ano seguinte, segue-se a montagem de Caso do Chapéu, adaptação de um conto de Machado de Assis (1839 - 1908), pelo Studio 53, dirigido por Carlos Murtinho.

Em 1956, a primeira montagem em esquema de produção mais sólido: o Teatro Nacional de Comédia, TNC, companhia estatal, lança, com direção de João Bethencourt, a sua adaptação de Memórias de Um Sargento de Milícias. O grupo A Barca, da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, monta em 1958 Graça e Desgraça na Casa do Engole Cobra. Carlos Murtinho e seu Stúdio 53 voltam, em 1960, a criar uma peça de Chico, como ele era conhecido: Romance do Vilela, que lhe vale o Prêmio Padre Ventura, do Círculo Independente de Críticos Teatrais.

Já em 1960, surge a maior chance da sua carreira: o Teatro dos Sete, no auge da sua fase inicial, monta o seu Cristo Proclamado, pungente texto sobre a miséria nordestina, com direção de Gianni Ratto e grande elenco. O público burguês do Teatro Copacabana rejeita a peça, que sai de cartaz após 15 dias. Na primeira metade da década de 60, quatro textos de Francisco Pereira da Silva são sucessivamente montados pelo Teatro Jovem, com direção de Kleber Santos: Chapéu de Sebo, 1962, O Vaso Suspirado e A Nova Helena (duas peças curtas apresentadas num mesmo espetáculo), 1963, e O Chão dos Penitentes, 1965.

O ciclo do Teatro Jovem contribui para tornar a sua dramaturgia mais conhecida. Raimunda, Raimunda, que Paulo Afonso Grisolli monta em 1973, é seu último lançamento em cena. Francisco Pereira da Silva deixa um significativo número de obras inéditas, entre as quais duas peças importantes: A Caça e o Caçador, poema dramático sobre as migrações nordestinas; e Amo por Amar, Que É Liberdade, drama épico sobre a vida de Gregório de Mattos, talvez a obra-prima do autor.

Conselho de Cultura Empossa diretoria

Com participação ativa nos eventos culturais da cidade, o Conselho Estadual de Cultura do Piauí empossou sua nova diretoria para o triênio 2012/2015, na segunda-feira, 16/04, no auditório da sede da instituição, localizada no bairro Vermelha, zona Sul da cidade. Após a apresentação da cantora Rosinha Amorim, cantando o Hino Nacional, Paulo Nunes passou a palavra para o professor Luís Vieira - que representou o secretário estadual de Educação, Átila Lira -, que cumprimentou os conselheiros reconduzidos e deu as boas vindas aos novos conselheiros, Severo de Sousa Barros, o Mestre Severo, e Wilson Seraine da Silva Filho. "Cada um, em sua área de atuação, ostenta a representatividade dos principais segmentos da cultura piauiense e, por isso, as condições ideais para opinar, seja em instância consultiva, seja em sede normativa, sobre os bens, os valores e todas as atividades culturais", assinalou Vieira.

Mestre Severo é reconhecido pelo Ministério da Cultura e trabalha há mais de 50 anos no grupo de reisado do Piauí, um dos mais antigos do estado. Já Wilson Seraine, licenciado em Ciências com Habilitação em Física e especialista em física avançada, é representante do Cee-PI no conselho estadual do Fundef e Secretário Executivo da Fundação Nordestina do Cordel, na qual é editor da revista Derepente, além de ser um grande incentivador da preservação da cultura popular.

Membro do Conselho, o professor Cinéas Santos disse que a instituição ficou enriquecida com a presença de Mestre Severo, "que não é um teórico da cultura, é um homem que faz cultura, que vive a cultura, e o professor Wilson que é um teórico, com vivência e experiência também. Os outros conselheiros já mostraram do que são capazes e eu creio que o Conselho, mais do que nunca, é representativo da cultura do Piauí".

O professor Paulo Nunes lembrou que o Conselho Estadual de Cultura do Piauí é um órgão consultivo e normativo da política cultural do Estado, criado em 12 de outubro de 1965 pelo então governador Petrônio Portela, mediante o Decreto nº 631: "A sua criação precedeu a criação do Conselho Federal de Cultura, que foi em 1966", acentuou Paulo Nunes.

Fonte: Jornal O DIA
Repórter: Marco Vilarinho

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Tópicos salipi chiquinho pereira raimunda pinto sim senhor,

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