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Bom humor, trabalho e tempo curto: Renan acelera os passos rumo à estreia

Em suas primeiras semanas de treino com o grupo, técnico cria bom ambiente, mas não pega leve nas cobranças antes de viajar para a primeira fase da Liga Mundial

19/05/2017 11:29h

O treino estava marcado para 8h30, mas os jogadores começam a entrar na quadra do Centro de Desenvolvimento de Vôlei já perto das 9h. Depois do aquecimento e de uma breve preleção, o grupo se divide em dois e ouve a orientação de Renan Dal Zotto. O técnico explica a próxima atividade, uma espécie de rúgbi caótico no qual cada atleta, se tocado por um rival, precisa devolver a bola. É um começo acelerado, que anima a equipe logo pela manhã. É a fórmula encontrada por Renan para conseguir o que quer.

Em quatro semanas de trabalho, é a primeira na qual o técnico tem o grupo inteiro à sua disposição. O tempo é curto. A seleção embarca em dez dias para a estreia na Liga Mundial, na Itália. Renan sabe que sua missão não é das mais fáceis. Ao substituir Bernardinho, treina uma equipe formada por campeões olímpicos, novidades e novatos. A pressão é grande, mas o treinador parece tranquilo.

Em meio a um clima de animação, Renan Dal Zotto tem exigido muito dos jogadores (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)
Em meio a um clima de animação, Renan Dal Zotto tem exigido muito dos jogadores (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)

É o começo de tudo, claro. Mas o clima parece bom. O treino, que costuma durar duas horas, só termina depois de meio-dia. Nenhuma cara feia, nenhuma reclamação, apesar do rirmo frenético. Na maior parte da atividade, o grupo é dividido em três equipes, que se enfrentam algumas vezes, sem a definição de titulares ou reservas. É como naquelas peladas de amigos: quem vence, continua; quem perde, espera a próxima.

Claro, só o tempo vai nos permitir render melhor. Vamos próximo ao limite sempre para tentar tirar o máximo deles no curto espaço de tempo

O bom humor se faz presente nas brincadeiras de Evandro, Lucão e Douglas ou no sorriso do próprio Renan. Ao lado do escudeiro Marcelo Fronckowiak, que orienta os jogadores a todo o tempo, o técnico impõe um ritmo frenético. Quer tirar o máximo de seus pupilos para que todos estejam em perfeita forma para o primeiro desafio.

O Brasil não ganha a Liga Mundial desde 2010. Não bastasse a pressão natural por substituir Bernardinho e assumir o comando do atual campeão olímpico, Renan tentará acabar com o jejum dentro de casa, na Arena da Baixada, entre os dias 4 e 8 de julho. A seleção, já classificada para a fase final, encara a fase de grupos como um grande laboratório onde cada fórmula tem pouco espaço para erros. Aos poucos, o técnico pensa no que mandará à quadra na estreia, contra a Polônia, na Itália.

Renan Dal Zotto estreia em frente à seleção (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)
Renan Dal Zotto estreia em frente à seleção (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)

- A gente já sabia que era um tempo bastante curto. Mas essa semana (com o grupo completo) tem sido muito proveitosa. Tentamos segurar nos dois primeiros dias. Sabemos que, depois de Superliga, os jogadores chegam com dores. O tempo é curto, mas é o que temos. Vamos tentar montar alguma coisa interessante. Hoje começamos a montar mais a parte tática para chegarmos fortes. Sabemos que jogar a fase final em casa dá ainda mais responsabilidade, mas (já estar garantido na fase final) também nos dá tranquilidade para trabalhar. Os jogadores estão rendendo, vamos manter esse ritmo para chegarmos na primeira fase já com alguma coisa estruturada. Mas, claro, só o tempo vai nos permitir render melhor. Vamos próximo ao limite sempre para tentar tirar o máximo deles no curto espaço de tempo - disse o treinador.

No caminho, Renan tem alguns pilares. Com Bruninho, por exemplo, é um reencontro. Foi o próprio treinador quem lançou o levantador no profissional, quando comandava o vitorioso projeto do Florianópolis. Capitão na campanha do ouro olímpico, o jogador puxa a fila de campeões no grupo atual - apenas Serginho, aposentado da seleção, e William, que pediu dispensa, não foram convocados. Bruninho, então, agradece a confiança.

Bruninho é um dos pilares da seleção (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)
Bruninho é um dos pilares da seleção (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)

- Tem sido bacana, você vê o time motivado. Claro, depois de um título olímpico, você se sente mais maduro, de certa forma. A mecânica é diferente, mas a filosofia é bastante semelhante. Estou contente com o que vimos. Temos muita gente experiente, até quem não foi campeão olímpico, mas que jogou bastante tempo no vôlei europeu. Então, isso fica dividido. (Renan) apostou em mim quando nem eu apostava que poderia ser titular de um time na Superliga. E acabamos conquistando um título improvável com o Florianópolis. Dali, minha carreira foi embora. É muito bacana poder reencontrá-lo. É um cara muito motivado. É uma honra poder ser um dos homens de confiança dele. Espero poder representá-lo bem sempre. E me coloquei à disposição desde o início.

Há, também, os novatos. São quatro jogadores que nunca haviam sido chamados para a seleção principal. O levantador Murilo Radke, o central Otávio, o ponteiro Rodriguinho e o líbero Thales vivem a primeira experiência dentro da seleção. O fato de terem um "novato" também como técnico aumenta as chances de serem vistos e começarem a trilhar seus próprios caminhos com a camisa da seleção.

- Eu sei que tenho que ralar muito aqui. E é o que está acontecendo. Os treinos estão muito fortes, muito puxados. E isso é bacana. É procurar evoluir bastante e, se tiver a chance, entrar tranquilo. Eu acho que ajuda (Renan também chegar agora). Ele me deu essa oportunidade e preciso aproveitar da melhor maneira. E esperar ter a oportunidade em jogos. Vamos ver como vai ser.

A disputa da Liga Mundial começará em 2 de junho. O Brasil está em um dos três grupos de elite, na chave A, com a Itália, medalhista de prata nos Jogos do Rio e anfitriã da rodada, além de Irã e Polônia. O Grupo B contará com a Sérvia, atual campeã da competição, que receberá EUA, Canadá e Bélgica. No C estão Rússia, Bulgária, França e Argentina.

Na segunda semana (de 9 a 11 de junho), na Bulgária, o Brasil vai enfrentar os anfitriões, os canadenses e os poloneses. Na última da fase classificatória (de 16 a 18 de junho), na Argentina, os compromissos do time campeão olímpico serão contra os hermanos, Sérvia e Bulgária.

Fonte: Globo Esporte

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