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Perceber o outro

Acessibilidade

24/04/2011 01:14h

Até bem pouco tempo Teresina não possuía em sua linha de transporte coletivo, ônibus adaptados para receber pessoas portadoras de deficiência, com mobilidade reduzida, ou ainda, temporária.

O deficiente físico que não tem carro próprio adaptado se depara com problemas antes mesmo de entrar no ônibus. Além das paradas de coletivos serem mal projetadas pelo tamanho e condição de calçamento, as rampas estão obstruídas ou inexistem.

Com a Lei da Acessibilidade e decisão de Promotores de Justiça, as empresas responsáveis pelo transporte urbano da capital tiveram que adquirir veículos acessíveis a cadeirantes. E estes novos modelos vêm com espaços destinados a idosos, gestantes, obesos e mães com crianças de colo.

O direito de ir e vir é incontestável, e é dever do cidadão e dos órgãos competentes fazer com que isso não fique apenas no papel. Eliminar barreiras, visando tornar mais fácil e seguro o acesso destas pessoas a quaisquer lugares é responsabilidade social.

O mundo não pode continuar funcionando apenas para quem tem autonomia para andar e correr. A diferença ideológica, política, de fisionomias e de costumes não impede que sejam formados laços de amizade, e esta convivência harmoniosa, de respeito, deve valer também para as pessoas com limitações temporárias ou definitivas.

Subir escadas, sentar num banquinho de proporções diminutas, ficar de pé no ônibus enquanto ele chega ao destino desejado pode ser fácil para quem não está acima do peso, não está com um bebê ou pode andar. O deficiente visual, auditivo ou mental requer atenção maior por parte dos governos municipais, estaduais e federal. E é obrigação destes dar-lhes a assistência devida.

É comum que em frente a supermercados, lojas e farmácias a vaga destinada ao deficiente esteja ocupada por um carro. Em condomínios, quando existe a rampa, há casos em que o morador descuidado estaciona o carro em frente, limitando ou impedindo completamente a passagem da cadeira de rodas.

Assim, ele dificulta o acesso e a vida do deficiente. E viver em sociedade implica em direitos e deveres. E se a liberdade do próximo começa onde termina a sua, está mais que na hora de olhar para os portadores de necessidades especiais não com pena, dó ou qualquer sentimento similar, mas olhar e percebê-lo como um ser tão importante e merecedor de respeito como você ou qualquer outro. O fato de ele precisar de atenção especial é apenas uma condição que não pode determinar seu valor como ser humano. Este, independe das regras e preconceitos que cada um cria.


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