Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011 | 24/08/2011 08:32
'Violência contra o idoso': Confira o editorial do Jornal O DIA desta quarta
Ontem (23), durante o I Encontro da Rede de Atendimento da Pessoa Idosa, a sociedade teresinense conheceu dados alarmantes de violência contra idosos. De janeiro a julho deste ano, o Centro de Referência e Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa (Cevi) registrou 327 casos de violência contra o idoso na capital. No Ministério Público, foram mais de 50 denúncias somente este ano.
Na Delegacia da Segurança e Proteção do Idoso (DSPI), embora não tenham sido divulgados números de registros, o titular admitiu o crescimento das denúncias e revelou que 80% se referema golpes como empréstimo consignado, troca de cartões de crédito e desvio do dinheiro proveniente dos benefícios que os idosos recebem.
Em todas essas instituições, o discurso comum de que a maioria dos agressores pertence à família do idoso, que muitas vezes nega a agressão na tentativa de proteger seus familiares.Existem pelo menos cinco tipos de violência contra o idoso: a física, em que o ato causa dor ou ferimentos; a psicológica, quando o agressor causa angústia mental, através de expressões verbais e não verbais; a financeira, quando há a exploração imprópria ou ilegal e/ou uso sem consentimento de recursos materiais e/ou financeiros do idoso; a sexual, que compreende o assédio e/ou ato sexual sem consentimento do idoso; e a negligência, em que há o esquecimento ou falha em providenciar a assistência e atendimento as necessidades básicas do idoso.
Dos 327 registros de casos de violência no Centro de Referência e Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa (Cevi), 130 são de violência psicológica, 79 de negligência, 60 de abuso financeiro, 36 de agressões físicas, 16 de abandono e seis de abuso sexual. É raro a pessoa idosa denunciar, seja por tentar proteger seu agressor, que muitas vezes é um filho ou neto, seja por medo de sofrer represálias de familiares ou por temer não receber o atendimento de que necessita.
A maior parte das denúncias parte de vizinhos ou familiares mais distantes. Os números apresentados no evento são preocupantes, mas certamente bem distantes da realidade. O silêncio das vítimas esconde os dados reais. É fácil dizer que os idosos precisam denunciar, mas a verdade é que o silêncio é fruto da insegurança: eles desconhecem o Estatuto do Idoso e não têm a certeza de que serão beneficiados com medidas protetivas e de que os agressores serão punidos com rigor. Às autoridades cabe dar à pessoa idosa essas garantias. À família, a consciência de que o idoso merece respeito, afeto e atenção não apenas pela idade e história de vida, mas também por representar o ponto aonde cada um de nós pretende chegar.
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