Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011 | 19/08/2011 08:20
'Data no Calendário': Confira o editorial do Jornal O DIA desta sexta
Os professores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) definiram o próximo dia 25 de agosto para dar início à paralisação da categoria. Apesar de a data ainda não ser definitiva, visto que a Associação dos Docentes da UFPI (ADUFPI) aguarda a decisão do Sindicato Nacional, que determinará o início da paralisação em todo o país, os docentes da Ufpi já se declararam insatisfeitos com a proposta do governo de realizar reajuste salarial de 4% para julho de 2012 e veem a greve como forma de protesto caso não haja mais nenhuma proposta satisfatória.
Os professores esperam que seja realizado um reajuste de pelo menos 14% em seus salários, o que poderia equiparar o salário dos docentes ao de outros servidores do serviço público federal. Além disso, os docentes reivindicam melhorias nas condições de trabalho na UFPI e denunciam o sucateamento de laboratórios e salas de aula na mais tradicional instituição de ensino superior do Piauí. De acordo com a ADUFPI, todos os campi da Universidade Federal paralisarão as atividades, em conformidade com o movimento nacional.Não se pode negar que as reivindicações dos docentes da UFPI são justas. Muito justas.
A Universidade Federal é a maior produtora de conhecimento do Estado e coloca no mercado centenas de profissionais a cada ano. Assim, fica fácil entender que as reivindicações dos professores por melhores salários e condições de trabalho são, na verdade, uma luta para fazer um trabalho cada vez melhor e formar ainda melhores profissionais.
No entanto, é necessário dizer que o instrumento da paralisação e da greve não surte o efeito desejado pelos manifestantes. Ou pelo menos esse é o sentimento público. Os gestores não se incomodam com a interrupção das atividades, já esperada ano a ano. Muito menos consideram atender as reivindicações. O que acontece, na maior parte das vezes, é o Governo mostrar-se indiferente à exaustão, até o enfraquecimento do movimento, para então fazer com que docentes voltem às aulas sem os argumentos atendidos, exauridos pela luta desrespeitosa e ainda com a responsabilidade de fazer valer o prejudicado calendário acadêmico.
É claro que não se pode calar diante desse estado de coisas. Os professores da Universidade Federal do Piauí - e das outras universidades federais de todo o país - devem, sim, lutar pelos seus direitos. Mas é chegada a hora de surpreender o Governo, criar manifestações que, de fato, atinjam a sensibilidade dos gestores. Por enquanto, a paralisação já tida como certa anualmente somente prejudica e desestimula os próprios docentes e seus alunos.
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