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Notícias M³

27 de julho de 2014

Que bicho é esse?

Entre a vida tecnológica e nossa porção mamífera, descobrimos que tipo de bicho somos

Apesar de manter os cabelos cacheados por convicção e falta de paciência para viver dentro de salões de beleza, apesar de ter sustentado um visual quase hippie quando estudante universitária e de tentar ter uma vida descomplicada, sou um bicho urbano.

à claro que detesto engarrafamentos, mas as muriçocas que atormentam minhas noites e deixam minha filha pintadinha me irritam muito mais. Gosto de dirigir, de poder comer fast food uma vez na vida (até porque quem tem crianças sabe a necessidade de ter uma boa alimentação no dia a dia), usar telefone celular, acessar internet, enviar fotos pelo âzap-zapâ, andar pelos corredores do shopping, etc, etc, etc.

Gosto de asfalto e desculpem quem ainda prefere o calçamento, mas torço muito para que a rua que dá acesso à minha casa receba logo esse presente. Cresci morando em apartamento e sabendo que a camada de ozônio já estava ameaçada.

Por isso, sempre tive um pouco de dificuldade para lidar com situações em que nossa metade bicho se impõe. Na gravidez, que volto a experimentar agora, a enxurrada hormonal associada ao processo biológico da gestação mostra a cada dia que somos mamíferos, bicho gente, feitos de carne e osso. Ao passar dos dias, o corpo vai sendo esculpido para receber em seu ventre um outro bichinho (que coisa mais louca...) até o momento em que estará pronto para ver a luz do mundo aqui de fora e, quando isso acontecer, esse mesmo corpo estará apto a alimentá-lo.

Nesse processo, a pele muda, os cachos do cabelo já não mais os mesmos, os fios bancos não podem ser âmaquiadosâ, os pés ficam desconfortáveis dentro das sapatilhas preferidas, as roupas de costume estão longe de fechar como antes, a direção está mais perto do corpo do que deveria e os simples atos de deitar, sentar ou levantar já precisam ser realizados em outro ritmo â lento, é claro.

Antes que alguém possa achar que a descrição acima apresenta a gravidez apenas pelo viés do desconforto, digo de antemão que não se trata disso. O desconforto existe sim, mas é transitório e minimizado pelo sentimento construído a cada chute que recebemos na nossa costelinha, brincadeira.

A questão que hoje me conduz nestas linhas é somente a necessidade de reconhecer, com toda a resignação necessária, que nascemos como um bichinho e depois de tanta fumaça de escapamento na cara, conexões wi-fi e viagens intergalácticas dentro de nossas cabeças, esquecemos daquela lição básica do ensino infantil: que na vida nascemos, crescemos, procriamos (ou não) e morremos. O que vamos fazer no meio disso tudo, sim, isso será construído a cada escolha, a cada reflexão certa ou errada, mas caberá ao ser humano que nos tornamos decidir. O fato é que uma hora ou outra a porção bicho â guardadinha âem nuvemâ na maior parte do tempo â volta e se impõe. 

09 de abril de 2014

Afinal, isso é normal?

Uma juíza da cidade de Torres, Rio Grande do Sul, determinou que uma gestante em trabalho de parto fosse retirada de casa e conduzida a um hospital, para uma cesariana forçada

Recentemente uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) acirrou ânimos nas ruas e nas redes sociais, ao constatar que mais da metade dos brasileiros â homens e mulheres â acreditam que a exibição do corpo feminino pode ser entendida como causa para abusos e estupro. O longo e persistente braço do machismo continua a ditar que respeito é para a mulher que âse dá ao respeitoâ. Infelizmente, a maior parte da nossa população ainda entende que o corpo da mulher só pertence a ela enquanto ela se enquadrar em um padrão de comportamento específico. A pergunta, cuja resposta deveria ser óbvia, é: a quem pertence o corpo da mulher se não a ela mesma?

Ainda sob o barulho provocado pela tal pesquisa, com diversos protestos reais e virtuais, fomos surpreendidas essa semana por mais um atentado à soberania feminina sobre o próprio corpo. Uma juíza da cidade de Torres, Rio Grande do Sul, determinou que uma gestante em trabalho de parto fosse retirada de casa e conduzida a um hospital, para uma cesariana forçada. 

Sim, você leu certo. Uma parturiente foi obrigada a um parto cirúrgico, contra sua vontade, por decisão judicial. Algumas horas antes, Adelir Carmen Lemos de Goés havia sido atendida no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes. A obstetra de plantão indicou a cesárea, mas a parturiente queria um parto normal hospitalar. Diante da insistência da médica, assinou um termo de responsabilidade e foi para casa, em trabalho de parto. Até ser retirada de lá por quase dez policiais (!) e conduzida de volta ao hospital.

Sem dúvidas, acreditamos que esta seja uma decisão inédita â a Justiça determinar a maneira como uma mulher vai ter seus filhos. No entanto, buscando informações sobre o caso, lemos que a decisão foi motivada por parecer médico apontando risco de morte para a mãe e para o bebê, já que a gestação já tinha 42 semanas e bebê estaria em sofrimento, o que teria sido comprovado após o parto com a presença de mecônio (as primeiras fezes do bebê) dentro da cavidade abdominal da mãe.

De fato é uma questão polêmica e, como todo grande conflito, esse também traz várias perguntas. Vamos a elas: se a mãe assinou termo de responsabilidade, a sua vontade não deveria ter sido respeitada pelos profissionais de saúde e pela Justiça? No entanto, a decisão sobre o risco de complicações na saúde do bebê depende apenas dos pais? Por que a mulher brasileira não vem conseguindo ter o seu direito de optar pelo parto normal já que todo mundo sabe dos inúmeros benefícios para mãe e bebê diante da cesárea? Sabemos apenas que essa é uma questão que ainda vai dar muito pano pra manga.

01 de março de 2014

Das pequenas coisas que fazem tudo valer a pena

Tem um ditado que diz que é preciso ser mãe antes de ser tia, ou se perde a coragem

Aos trinta e seis anos (quase trinta e sete) tenho percebido um fenômeno curioso entre meus/minhas amigos/as que não tem filhos/as: ao mesmo tempo que percebo uma certa urgência em procriar, vejo também muito receio ao observar o comportamento de outros pais e mães. Tem um ditado que diz que é preciso ser mãe antes de ser tia, ou se perde a coragem. E é bem disso que eu queria falar hoje.

Não acho que todo mundo tenha que ter filhos, ou que se vai perder o maior amor possível, como se diz por aí, se não os tiver. Algumas pessoas querem e podem ter filhos, outras não. E tudo bem. Mas observar de fora o dia-a-dia de pais com seus filhos pequenos pode ser a forma mais rápida de se desistir de ser pai e mãe.

Explico: quem vê a amiga que era super independente e viajante se tornar uma âmãetoristaâ, levando e pegando filho pra cima e pra baixo, só pode pensar que esse lance de maternidade é muito limitante mesmo. Quem vê o amigo baladeiro passar os finais de semana em casa cuidando do filho porque não tem babá, só pode pensar em quão frustrante a paternidade pode ser. Em suma, quem acompanha o dia-a-dia de pais com filhos pequenos só pode pensar que procriar é coisa de louco ou masoquista. 

Mas a questão é que paternidade e maternidade se mede na qualidade e não na quantidade dos momentos bons. Duas ou três vezes por semana, no mínimo, penso em como seria fantástico se meu tempo, meu dinheiro e minhas energias fossem somente pra mim. Assumo, sem culpa e sem medo, que canso dos meus filhos, com uma frequência maior do que seria politicamente correto admitir.

Daí, na volta da escola, durante vinte ou trinta minutos, ouço as conversas que se desenrolam, sobre as aulas, sobre a professora, sobre os colegas. E penso que essas pessoinhas não são mais minhas, mas do mundo. E são pessoinhas lindas e cheias de insights fantásticos. Ou sou acordada (às 6 horas da manhã!) por um beijo com cheiro de bafinho de criança, da MINHA criança, e esqueço todos os outros momentos em que eles me cansam. E assim é o amor pelos filhos: na qualidade desses momentos pequenos e lindos a gente compensa a quantidade de trabalho e dedicação que eles exigem. E, se me perguntarem, digo: vale mais a pena do que qualquer coisa que eu já tenha feito na vida.

A crise do segundo filho

Um dia, quem aparece para “bagunçar” o coreto? O/a segundo/a filho/a!

            Quando o/a primeiro/a filho/a nasce é preciso reorganizar tudo, dentro e fora: sentimentos, prioridades, tempo, disponibilidade. Depois de um tempo, tudo se encaixa, tudo se organiza e a gente segue a vida com aquele novo ser. Cada nova fase da criança significa novas descobertas nossas sobre como ser pai e mãe.

            Até que um dia, quem aparece para âbagunçarâ o coreto? O/a segundo/a filho/a! Os pais já estão super seguros, não são mais marinheiros de primeira viagem, e tudo agora deve correr às mil maravilhas, certo? Errado! Do ponto de vista prático, tudo ok: já se sabe trocar fraldas, aliviar cólica e lidar com birra da criança maiorzinha. Mas o segundo bebê traz quase sempre no pacote uma culpa e um sentimento de traição ao primeiro.

            à claro que isso não acontece com todos os pais e mães, mas temos visto por aí um fenômeno que chamamos de âcrise do/a segundo/a filho/aâ. Por mais desejada e planejada que seja a segunda gravidez, parece que quase sempre surge um medo de não amar o segundo bebê tanto quanto o primeiro, uma sensação de estar diminuindo o lugar do primeiro.

Engraçado também é que essa âcriseâ pode envolver até outras pessoas da família. Temos uma amiga que viveu a mesma sensação após o nascimento da segunda sobrinha. Ela, até para ajudar a irmã, dedicou-se ainda mais à mais velha e chegou a pensar que talvez não conseguisse cultivar o mesmo amor pela segunda sobrinha.

Muitos homens também relatam ter sentido algo semelhante. âSerá que serei capaz de amar o segundo filho da mesma maneira?â, dizem. O tempo mostra que sim, mas entendemos que  para as mães talvez seja mais ânaturalâ desenvolver a mesma relação afetiva com o bebê, afinal, o período da gestação traz o tempo necessário para o bebê e para a mãe irem se conhecendo um pouco. Para os pais e demais familiares, o contato mais direto acontecerá somente depois do parto.

Sabemos que cada criança, desde muito pequena, mostra a sua personalidade de maneira muito marcante. Uns são mais carinhos, outros choram mais. Mas, em comum, cada filho traz os encantos que somente ao pegar no colo, olhar no olho e sentir o cheirinho de cada um é que temos a certeza de que o amor aos filhos nasce com eles e morre com a gente.

09 de fevereiro de 2014

Volte para o início do jogo!

De início, os tradicionais sinais poderiam ser resultado apenas da corrida diária, apostei nisso. Incrédula, esperei até sábado, depois até segunda, terça, quarta... e nada.

De início, os tradicionais sinais (atraso no ciclo menstrual, as calças do dia a dia que começam a incomodar, uma certa indisposição, etc...) poderiam ser resultado apenas da corrida diária, apostei nisso. Incrédula, esperei até sábado, depois até segunda, terça, quarta... e nada. 

Nem os shows de Ney Matogrosso, Margareth Menezes e Toni Garrido, num final de semana agitado em Teresina, foram capazes de me fazer sair de casa. O único desejo era descansar. Sem saber, ou talvez sem querer admitir, já eram os sinais de que um bebê começava a habitar meu corpo e queria ser ouvido: âei, estou aqui!â.

Só para desencargo de consciência, como quem tinha convicção de um resultado negativo, resolvi fazer um teste de farmácia. Nas instruções, âespere 20 segundos e, se aparecem duas listras, o resultado é positivoâ. Segui as recomendações direitinho e, aos três segundos, estavam lá! Parecia aquele brinquedo de parque de diversões que você bate com uma marreta sobre uma base e o sino toca lá em cima. Eita!

Ainda assim, duvidei. âEssas coisas de farmácia não são muito confiáveis. Vou fazer exame de sangueâ, esbravejei. Fui muito cedo ao laboratório, morrendo de fome (maldade obrigar grávidas a fazer jejum!), coletei o exame e recebi a senha para pegar o resultado pela internet. à claro que as horas seguintes foram de intermináveis âF5â. Até que... tchan, tchan, tchan, tchan... O resultado não reagente, ou seja, negativo, é menor que 25. No meu, o número tinha mais de três casas e, só lembro que passava dos 12 mil. Meu Deus! E agora?

Pela cabeça só veio fralda, berço, noites em claro, mais um colégio, plano de saúde, latas de leite, suspender qualquer plano de viagem, doutorado agora vai ficar mais pra frente, o trabalho (e o chefe?  E os alunos?), eita barruada... fiquei tonta.

Demorou, mas a ficha começou a cair. Já tinha muito claro e muito decidido que ficaria âapenasâ com minha menininha danadinha, que já me dá muitas alegrias e preenche meu coração. Até aquele momento, era defensora voraz de que você pode sim ter âapenasâ um filho e isso não será necessariamente ruim para a criança ou para a família. Dei peixe, cachorro para Emília e sempre ressaltava as vantagens de não ter irmãos, mas ela nunca ficou muito convencida.

Pensando bem, acho que papai do céu ouviu as preces dela e quis me dar uma lição (rs). Agora, estou com a sensação de que joguei o dado no jogo de tabuleiro e caí exatamente naquela casa em que você tem que recomeçar o jogo do ponto de partida, o que sempre tem seu lado positivo, afinal, é uma nova chance de não repetir determinados erros e encarar o jogo com maior tranquilidade e desprendimento. 

No susto, sem programar, estou começando a preparar o corpo, o guarda-roupa, a cabeça e o coração para receber este presente surpresa. Menino ou menina? No meu sentir, tá mais para um menino, mas, na verdade, quero mesmo é que venha com saúde e que seja só um! De volta ao jogo...

24 de outubro de 2013

Pelos animais, inclusive nós!

As notícias sobre o resgate de cães de um laboratório tomaram a semana e, como sempre, dividiram opiniões, paixões e convicções.

âResgate de beagles usados em testes causa comoção na webâ. âAtivistas resgatam 200 cães de laboratório de testes em empresa de São Pauloâ. Essas são algumas notícias que tomaram a semana e, como sempre, dividiram opiniões, paixões e convicções.  

Pra começar, queremos deixar bem claro que não somos a favor de maltrato a animais. Mas acreditamos que não se trata de ser unicamente e dicotomicamente contra ou a favor, como os âbrados retumbantesâ das redes sociais fazem parecer. 

Em primeiríssimo lugar, não temos condições de julgar se existem outras opções nesse caso específico, e em nenhum outro, aliás. Só achamos que é muito fácil dizer âcoitadinhos dos animaizinhosâ e não lembrar que nós mesmos (e aqui nos incluímos totalmente) consumimos remédios, cosméticos e sei-lá-o-quê sem ter a menor noção de como são produzidos. Então antes de sair gritando em defesa dos cachorrinhos, é preciso lembrar que cada de nós está implicado nesse processo, como consumidores de medicamentos, cosméticos, etc.

Em segundo lugar, testes em animais para quê? Usar animais para testar a eficácia de remédios para câncer, por exemplo, é uma coisa. Testar a eficácia de cremes antirrugas em animais é outra. O primeiro caso é aceitável, o segundo é, na melhor hipótese, discutível. Em nossa opinião, é condenável mesmo.

Aí uma horda de recém-defensores dos animais grita a plenos pulmões que há alternativas EM TODOS OS CASOS, que as indústrias usam animais porque é mais barato, porque não querem buscar outras alternativas, porque são âdo malâ, ou coisa que o valha. Aqui reconhecemos nossa ignorância e preferimos adotar uma postura menos agressiva (mais madura?) do que simplesmente bradar contra as empresas, o capitalismo, o lucro, etc. Nossa formação simplesmente não nos permite julgar em que casos os testes com animais podem ser substituídos com segurança e em que casos não podem. Simples assim.

à claro que pode ser que não existam alternativas porque as indústrias (de cosméticos, de medicamentos, etc) nunca buscaram alternativas. E aí cabe, sim, pressão dos cidadãos (leia-se consumidores) no sentido de não consumir mais produtos que exijam testes com animais. Você aí que está na faixa etária dos 20 e poucos anos pensa que seu grande poder como cidadão é o voto? Não é. Você tem poder enquanto consumidor! Discorda dos métodos da empresa que fabrica aquele shampoo excelente que deixa seu cabelo fabuloso? Pare de usar. Convença outras pessoas a parar também. Esse site traz uma lista de empresas, mostrando quais usam animais para teste: http://www.pea.org.br/crueldade/testes/naotestam.htm. Exerça seu poder de boicote, ora mais! Bem melhor que ficar repetindo gritos de ordem, mas continuar usando sua maquiagem testada em sei-lá-quantos animais. 

Se há um lado de fato muito bom nessa repercussão do caso dos beagles, é que, fora as reações desproporcionais e apaixonadas, a notícia gerou debate, nos colocou pra pensar e, principalmente, pra refletir sobre nosso papel enquanto consumidores.

Fica ainda uma pulguinha atrás da orelha: tanta verborragia na internet se deu pela defesa dos animais ou porque se tratava de snoopies fofinhos? Quem vai defender os porcos, ratos, porquinhos-da-índia, cachorros vira-lata que são usados em testes pelas indústrias e universidades? Ou eles não são dignos de defesa?

20 de outubro de 2013

O desafio de criar meninos...

Uma mulher escreveu uma carta para sua mãe, falando de como era preciso repensar a forma como meninas são criadas em nossa sociedade.

Por Clarissa Carvalho

Mãe de Pedro, José e Antônio

Recentemente me deparei com um texto na internet que me tocou o coração. Uma mulher escreveu uma carta para sua mãe, falando de como era preciso repensar a forma como meninas são criadas em nossa sociedade. 

A mulher, agora mãe também de uma menina, lembrava-se de ter aprendido ao longo da vida que seu valor maior era a beleza e que era preciso estar sempre magra, sempre bela, sempre dentro dos padrões opressores e inatingíveis que construímos para as mulheres na sociedade ocidental contemporânea. Minha primeira reação foi compartilhar o texto com os/as amigos/as que têm filhas. A segunda reação foi respirar aliviada por ser mãe de menino e não de menina. âOpa! O que tem de errado aí?â â pensei depois. 

Foi preciso algumas horas pra eu me dar conta de que eu tenho responsabilidade igual, se não maior, na criação de futuros homens que, embora não sejam vítimas dessa ditadura do corpo e da beleza, fazem parte dessa sociedade que julga a mulher principalmente em termos estéticos. 

Eu sei que o que falamos é sempre bem menos aproveitado que nossos exemplos. E me pergunto até que ponto não estou educando meus filhos para acreditarem que mulher deve ser medida de acordo com sua beleza e aspecto jovem. 

Até que ponto meu comportamento como mulher não está mostrando aos meus filhos â de forma implícita, sem palavras â que meu maior valor está na minha pele sem rugas ou no meu manequim eternamente 36? 

Na mesma semana, a notícia de que mais uma mulher foi vítima da situação constrangedora de ter um vídeo íntimo distribuído na internet pelo ex-namorado me deixou ainda mais ciente da minha responsabilidade como mãe de meninos. Que homens são esses que queremos em nossa sociedade? 

Tenho mais medo de ser mãe do troglodita que distribuiu o vídeo do que da moça que foi vítima de sua indiscrição. Não é esse o tipo de homem que quero criar, que abusa da confiança de uma pessoa com quem teve intimidade para vingar-se de ter sido deixado. 

Entendi que meu desafio como mãe de menino não é menor que o desafio dos pais e mães de meninas: criar cidadãos que entendam a mulher não como objeto e sim como indivíduos.

... E meninas!

Por Elizângela Carvalho

Mãe da Emília

Mães de meninos, como a Cacá, não querem ver no futuro que seus filhos se transformaram em trogloditas por não perceberem as mulheres além da embalagem. E nós, mães de meninas, vivemos o difícil conflito de incentivar que elas tenham o direito de fazer suas escolhas, sintam-se seguras para tanto, mas sem deixar de compreender as expectativas que a sociedade nos impõe.

Aprendemos com o tempo, depois de muita autoanálise, autocrítica e choro, que somos pessoas normais e, por isso mesmo, temos qualidades e defeitos físicos, mas que podem ser trabalhados em nosso favor. Hoje, sabemos que o dedinho torto ou as sobrancelhas que teimam em ficar desalinhadas são defeitos com os quais vamos lidar pelo resto da vida e, quer saber, já nem nos incomodam tanto assim.

Não precisamos ficar sem depilar as axilas para mostrar que estamos acima âdos padrões convencionaisâ, mas, acredito que nosso desafio maior é mostrar às nossas filhas que a vaidade tem um espaço em nossas vidas, mas não nos define.

09 de outubro de 2013

Walcyr Carrasco tenta impor uma polêmica que não existe

A personagem gordinha da novela nos dá impaciência.

Imagine um cara jovem, metido a galã, do tipo que faz sucesso com a mulherada, namorar uma gordinha. Agora, você nos pergunta: e daí?

Pois bem, é exatamente essa a pergunta que todas as pessoas de bom senso se fazem ao ver a tentativa da Globo de criar uma polêmica onde, graças à Nossa Senhora do Discernimento (acabamos de inventar, viu?), não existe.

Na trama novelística das nove, uma personagem com mais de 30 anos permanece virgem por que não encontrou, até hoje, um âcorajosoâ para ter um relacionamento. O pior é que a virgindade da moça não ocorre por uma questão de convicção religiosa, opção pessoal ou qualquer impedimento de saúde. A personagem não consegue um parceiro somente por ser gordinha.

Agora, ao âmostrar o seu valorâ, a personagem conquistou um rapaz até então pegador. Depois de se tornarem amigos, o rapaz chegou à conclusão de que ela era mais que seu corpo fofinho. E, para surpresa da audiência, ele vem sendo questionado pelos amigos de trabalho por estar namorando a moça.

Sinceramente, nos dá mesmo é impaciência! Não vamos fingir que não vemos as dificuldades de quem está fora dos padrões estéticos predominantes na nossa sociedade, principalmente quando se trata de mulheres. Mas Graças a Deus sabemos que desse lado da tela, na vida real, as pessoas se relacionam por afinidades que estão muito além da forma física. Felizmente, as pessoas que não se encaixam no padrão de beleza global podem, sim, namorar, se apaixonar, se desapaixonar, cair de amores novamente, etc. E não nos parece que isso cause estranheza a ninguém. Walcyr Carrasco parece querer empurrar uma polêmica goela abaixo dos espectadores, onde de fato não há nada a ser discutido. 

30 de setembro de 2013

O que dizem os números...

Alguns teóricos costumam dizer que os números podem dizer quase tudo, dependendo da leitura que fazemos deles. Os profissionais da exatas que nos desculpem, mas concordamos com essa ideia.

Alguns teóricos costumam dizer que os números podem dizer quase tudo, dependendo da leitura que fazemos deles. Os profissionais da exatas que nos desculpem, mas concordamos com essa ideia. 

Se eu disser que o salário obteve aumento de 100% pode até parecer muito, mas se eu disser que passou de R$ 50 para R$ 100, definitivamente, não será grande coisa.

à claro que o exemplo, apesar de bem simplório, foi dado apenas para ilustrar o que queremos de fato tratar hoje, neste espaço. Vamos lá!

Segundo dados de uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), o Piauí é o estado com menor índice de femicídio, ou seja, de mulheres mortas em decorrência de conflitos de gênero.

Sabemos que a violência, galopante em todo o território nacional, ainda caminha um pouco mais devagar por essas bandas, mas não conseguimos imaginar que todos os casos noticiados todos os dias, nos mais diversos órgãos de imprensa piauienses, ainda são menores do que em outros estados.

Na pesquisa, considerando dados de 2006 a 2011, o Estado registra uma média de 2,71 vítimas para cada 100 mil mulheres. A maior taxa foi registrada no Espírito Santo: 11,24.

Não queremos levantar qualquer desconfiança acerca do estudo, muito menos com relação ao instituto. Nossa aposta, de fato, é que as mulheres continuam sofrendo caladas e deixando de buscar a justiça para punir os agressores.

Assim, sem que os casos sejam registrados nas delegacias especializadas, as mulheres continuam sendo alvos fáceis dos algozes, além de darem uma ideia distorcida da realidade. à claro que muito já avançou, mas ainda sentimos o ranço do machismo arraigado em nossa cultura nordestina. 

Se o Piauí é, de fato, o estado com menor índice de violência, comemoremos. Mas, será que esse é o sentimento das famílias da Iones (morta dentro da Adapi), da estudante Fernanda Lages, de todas as donas de casa agredidas todas as vezes que o marido chega alcoolizado em casa?

18 de setembro de 2013

Olho por olho, dente por dente

Essa é a justiça que queremos para os nossos filhos?

Na última segunda-feira (16), um assalto a mão armada, igual a tantos outros que acontecem diariamente em nossa capital, se tornou pauta em veículos de comunicação do Piauí e de outros estados devido ao seu desfecho incomum e trágico: a vítima, que foi abordada em seu carro, perseguiu o assaltante que pilotava uma moto, atropelou-o e acabou o matando.

Longe de querer julgar a atitude da professora que foi vítima do assalto, o fato nos causou imenso desconforto quando leva a refletir até que ponto qualquer um de nós â ditos cidadãos do bem â somos capazes de reagir dessa forma a uma violência. 

A verdade é que sabemos racionalmente que não se deve reagir a assaltos. âEntregue tudo, não olhe nos olhos do bandido, mantenha a calma e colaboreâ, é isso o que ensinamos aos nossos/as filhos/as. 

Muito provavelmente, a professora que passou de vítima de assalto a homicida também pensava assim. No entanto, até se deparar com uma situação de violência ninguém sabe como de fato vai reagir. E isso é o mais assustador quando vivemos ameaçados pela violência das ruas.

Além disso, outro desdobramento do caso nos chamou atenção. A notícia tomou grandes proporções nas redes sociais, como era de se esperar, mas inacreditavelmente várias pessoas adotaram o discurso de que âbandido bom é bandido mortoâ ou âdireitos humanos para humanos direitosâ. Não há dúvidas de que vivemos em uma sociedade em que a certeza da impunidade e o medo são constantes, mas daí a aderir à máxima do âolho por olho, dente por denteâ significaria revogar todo o estado de direito e deixar que a lei do mais forte prevaleça. 

Queremos acreditar que não é essa a sociedade em que vamos ver nossos/as filhos/as crescerem. Não é esse tipo de lei e de justiça  que as multidões foram às ruas nos últimos meses. Não queremos ser vítimas, mas também não desejamos âfazer justiça com as próprias mãosâ, se é que isso é possível.

12 de setembro de 2013

Creme dental nos cabelos

Na verdade, essa mistura é resultado pura e simplesmente da loucura que nos acomete

Por favor, não façam isso. Até onde sabemos, nenhuma pesquisa científica foi capaz de comprovar eventuais benefícios do creme dental sobre os cabelos. Na verdade, essa mistura é resultado pura e simplesmente da loucura que nos acomete.

Dia desses, uma de nós, na pressa para sair correndo de casa para resolver meio mundo (ou mundo e meio) de coisas, ia cometendo esse desastre.  Claro que antes de deslizar as mãos sobre a cabeça, percebeu o feito e caiu na risada, afinal, é preciso saber rir até mesmo da vida atabalhoada que temos.

Mas hoje trazemos este fato simples, corriqueiro, para mostrar como o ritmo que optamos impor em nossos dias pode transformar o cotidiano em tsunamis diários. Isso não é ruim para quem gosta de viver intensamente como nós, mas reconhecemos que, além de fatos como esse que geram risadas, pode ser bem complicado em longo prazo.

Se pensarmos que estamos sempre fazendo alguma coisa desde a hora que acordamos até a hora de dormir e que, quando não temos um compromisso urgente ou com hora marcada sentimos um vazio imensurável, como se estivéssemos perdendo tempo produtivo, percebemos como o caminho até o céu (ou até as férias dos sonhos) é longo e árduo.

Trabalhamos com afinco e com o desejo diário de fazer melhor. Fazemos o que gostamos, por que gostamos e, claro, também por que precisamos pagar as contas, afinal, não vivemos de fotossíntese. Mas tem horas em que é impossível não pensar que desacelerar seria bom.

Se talvez tivéssemos um pouco mais de tempo para deglutir as informações, para processar os dados, nosso HD provavelmente travaria menos nos horários de pico, ou seja, quando mais precisamos dele. O tempo de maturação das decisões, das escolhas e até mesmo das derrotas são necessários para que possamos compreender melhor os fatos e suas razões.

10 de agosto de 2013

Pãe ou Mai, tanto faz

Neste domingo, é preciso discutir o papel dos pais

Por Mateus Noronha

Pai da Emília

Apesar da comemoração deste domingo ser para o papai, eu, Mateus Noronha, esposo da M³ Elizângela, queria destacar que juntos somos pai e mãe de Emília, hoje com sete anos. Tô querendo dizer que somos pais e mães independente dos papéis tradicionais para os quais fomos treinados e cobrados. Somos apenas pessoas que amam os nossos filhos e podemos fazer qualquer coisa por eles: seja âobrigaçãoâ de pai ou âtarefaâ de mãe.

Os papéis tradicionais que os casais deveriam cumprir em relação aos filhos precisam ser constantemente trocados e destrocados. Tudo pode ser feito pelos dois, como o lanche, o almoço, a tarefa da escola, botar para dormir, dar banho, passeios, contar histórias ou ter uma conversa séria. O determinante é quem está com tempo disponível ou mais disposto no momento. Essa é uma adequação das famílias às novas conformações do campo do trabalho e está se tornando comum entre milhares de novos casais.

O importante é que estas âtarefasâ não façam parte de disputas de poder entre homem e mulher, pai e mãe ou quem manda e quem obedece. Pelo contrário, temos como base a solidariedade para cumprirmos esta prazerosa obrigação de cuidar de nossos filhos.

Esta solidariedade é importante, pois muitas mulheres trabalham dois turnos e muitos homens hoje fazem o terceiro turno na pia ou colocando os filhos para dormir, em vez do tradicional futebol e cerveja.

Pais e mães estão muito parecidos. Mas é claro que os papéis sempre vão estar presentes. São hábitos adquiridos, naturalizados nas consciências, criando conceitos e preconceitos difíceis de serem quebrados e que direcionam nossas ações. Exemplos práticos disso são: posso até pentear o cabelo, mas não faço a "maria chiquinha", até por falta de habilidade para tal. E nunca, nunca, nunca vou brincar de boneca, apesar de saber o nome da maioria delas, como a "Lena" e a "Emília Cabeçuda". 

Mas isso não impede um homem de ser zeloso com o filho como uma mãe seria. Portanto, as diferenças são muito boas para o comércio lucrar com as datas. Em família devemos tentar suplantá-las, para que o Dia dos Pais seja do papai e da mamãe, e vice versa.

05 de agosto de 2013

Um passo adiante

Depois de propostas como a da “cura gay” e da “bolsa estupro”, finalmente, um passo para frente foi dado por nossos gestores esta semana.

Os movimentos de avanço e retrocesso nas discussões relacionadas aos famigerados tabus são tantos e tão constantes que chegam a nos causar náuseas, como se fossemos tripulantes de um barco desgovernado.

Depois de propostas como a da âcura gayâ e da âbolsa estuproâ, finalmente, um passo para frente foi dado por nossos gestores esta semana.

A presidente Dilma Rousseff sancionou, sem vetos, a lei que estabelece uma série de direitos à mulher vítima de violência sexual. Dentre os principais pontos estão a oferta da pílula de emergência (a do dia seguinte) e de informação sobre seus direitos ao aborto, em maternidades, em caso de gravidez.

âà exatamente um projeto que além de prestar o apoio humanitária essencial à mulher que foi vítima de uma tortura, porque todo estupro é uma forma de tortura, ela permite que ela não passe por um segundo sofrimento: a prática do aborto ilegalâ, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Sem dúvida, a sanção da lei é um avanço importante, mas abre a necessidade de novos passos. Até mesmo leigas como nós sabem que a mulher vítima de violência sexual foi ferida no corpo mas, sobretudo, na alma.

Por isso, entendemos que além de disponibilizar as pílulas para evitar a gravidez e orientar as mulheres sobre o direito de realizar o aborto, as vítimas precisam de muito mais. 

Em primeiro lugar, é dever do Estado coibir de forma efetiva que este tipo de crime ocorra, impondo  aos criminosos leis mais duras e punições realmente proporcionais aos danos causados. Fora isso, mesmo quando o braço da segurança não conseguir inibir a ação desses monstros, as vítimas precisam ser amparadas de forma mais ampla, através de acompanhamento psicológico para ela e sua família, por exemplo.

Restabelecer vínculos, retomar seus relacionamentos e refazer sua sexualidade são desafios cruciais para quem viu a monstruosidade de perto e viveu a tortura da violência sexual.

29 de julho de 2013

Bebê real

Depois de 11 horas de trabalho de parto, nasce o príncipe George Louis

Uma mulher entra em trabalho de parto depois de nove meses de gravidez tranquila. Sem qualquer transtorno, fez as consultas e exames pré-natais e, no período previsto, o bebê deu sinais de que já era hora de nascer. Depois de onze horas de trabalho de parto, o bebê nasce, na presença não só de médicos e enfermeiras, mas também do pai.

Poderia ser a história de qualquer mulher, qualquer gravidez, qualquer bebê. Mas é a história da criança que ocupa o terceiro lugar na linha sucessória da monarquia britânica. O filho do príncipe William e de Kate Middleton â George Alexander Louis â nasceu de forma natural.

Embora o acontecimento não tenha de fato nenhuma relevância para o resto do mundo, olhos curiosos acompanharam o desenrolar da gravidez da Duquesa de Cambridge. E qual não foi a surpresa de grande parte dos brasileiros ao saber que o bebê real nasceu por via vaginal! No nosso Brasil brasileiro, que vergonhosamente ostenta o posto de campeão mundial de cesáreas, é quase inverossímil pensar que uma duquesa, esposa de príncipe, mãe de um herdeiro do trono, se submeteria a tal ritual medieval!

Hora de repensar, brasileiros. Hora de refletir sobre as razões de tantas cesáreas em nosso país. Hora de rever nossos conceitos acerca da gravidez e parto. Hora de debater as questões que nos levam ao primeiro lugar no pódio mundial de cirurgias de extração de feto.

Não há um único culpado. Há, na verdade, um sistema, com diversas forças e poderes que corroboram para que a cesárea seja considerada a vida default de nascimento no Brasil, especialmente na rede privada. Há médicos, e sua formação firmemente assentada na crença absoluta na tecnologia e na medicalização. Há mulheres, homens, toda uma sociedade que entende que quanto mais tecnologia for empregada, melhores serão os resultados, que quanto mais natural, mais perigoso. Há um sistema obstétrico que coloca essa mulher que vai parir na posição de doente que, como tal, precisa ser tratada, e não ajudada e apoiada. Há uma negação do parto como parte da sexualidade feminina. Há um sistema que funciona na base do âquanto mais melhorâ: em onze horas de trabalho de parto, quantas cesarianas poderiam ter sido feitas? Há um medo da dor e uma ilusão de controle de riscos, passados de mãe pra filha, de médico para paciente. 

à claro que também entendemos o direito da gestante decidir se quer parir de cócoras, dentro dâágua ou com o uso de bisturi. Mas, a questão aqui é o fato de que o ârecomendadoâ no Brasil tem sido exatamente a exceção no resto do mundo e isso merece sim ser questionado.

12 de julho de 2013

Causas possíveis

O que você colocaria em um cartaz de protesto?

O que você colocaria em um cartaz de protesto?

Em todos os estados brasileiros e nas redes sociais não se fala em outra coisa: as manifestações que vêm tomando conta do país desde o mês passado. Se o gigante acordou ou se só se espreguiçou para voltar a dormir, ninguém sabe. à cedo ainda para fazer qualquer tipo de julgamento em relação às consequências desse movimento. Mas, uma coisa em comum em todas as manifestações, nos quatro cantos do país, é a imensa quantidade de cartazes, refletindo a diversidade de insatisfações e causas defendidas. 

Entre as cobranças empunhadas pelos manifestantes em cartazes de cartolina, pode-se ver questões bem gerais, como direito à saúde e educação públicas de qualidade, e mais específicas, como a rejeição ao projeto de Cura Gay do deputado pastor Marcos Feliciano. E, claro, não poderiam faltar os cartazes engraçadinhos, como o que pedia o último episódio de Caverna do Dragão! 

Olhando agora para o nosso umbiguinho, pensamos quais seriam as nossas causas enquanto mulheres, mães, modernas que somos.

Tirando todas as súplicas pelo que há de mais essencial e, portanto, mais óbvio, nos ocorre uma série de novas exigências:

- âQueremos recursos garantidos para nossos desejos de consumoâ, 

- âQue os maridos/companheiros/namorados aprendam a incrível tecnologia do cabide e parem de deixar roupas pela casaâ

- âQue os filhos aprendam a devolver os objetos aos locais de origemâ 

- âQue aprendam a procurar as coisas antes de perguntar onde está a tesourinha de unha (e decorem o lugar, claro!)â

- âQue tenhamos tempo pra ler todos os livros que compramosâ

- âFim aos comentários sobre futebol quando estamos tentando assistir a um filme ou a novelaâ 

- âChega de comentários sobre como éramos há dez anosâ

- âFim do patrulhamento sobre nosso corpo (tá mais cheinha, hein? tá magricela demais, hein?)

- âChega de cobrança para termos mais filhos ou para deixar de parirâ

- âNossos problemas não significam TPMâ

Entre muitas outras causas possíveis. E você, o que colocaria no seu cartaz?

08 de julho de 2013

O que fazer com as crianças durante as férias?

O tempo de sobra quer dizer que precisamo ter imaginação de sobra também

As crianças estão de férias, com tempo de sobra e ávidas por atividades interessantes todos os dias. No entanto, a maioria dos pais não tem os mesmo tempo livre e precisam recorrer à criatividade para tornar o recesso escolar um período divertido e conciliável com o trabalho.

Fizemos uma breve pesquisa e trouxemos algumas sugestões que podem ser feitas dentro de casa. Confira:

Brincar de casinha

Criança brinca de casinha em qualquer lugar, mas na sala é melhor ainda. Pegue alguns objetos como: travesseiros, cobertores, pratinhos e copos de plástico, bonecos e livros. Aproveite para entrar, junto com sua filha, no encantado mundo do faz-de-conta. à na brincadeira de casinha que ela treina os papéis na sociedade, usa e abusa da imaginação. Uma sugestão é usar grãos crus de verdade, como feijão, arroz e até mesmo macarrão.

Cinema em casa

Alugue o DVD predileto de seus filhos. Arrume a sala, espalhando almofadas pelo chão. Deixe o volume da TV mais alto que o normal (para aumentar o clima de cinema) e feche a cortina. Não se esqueça da pipoca, claro! 

Exposição em casa

Depois do filme, peça para a criançada desenhar a cena ou o personagem predileto. Aproveite um corredor, a garagem ou uma sala sem muitos móveis para montar uma exposição. Cada criança deve dar um título para sua obra de arte. Prenda as pinturas na parede com fita crepe, faça etiquetas com o nome da obra e do artista e grude ao lado de cada uma. Tire muitas fotos!

Cuidar da plantinha

Ao cuidar de uma plantinha, seu filho desenvolve a responsabilidade, o respeito à natureza, a atenção e a coordenação motora. Selecione espécies que crescem rápido em um ambiente fechado, como cebola e feijão, para que ele note o que mudou a cada dia - as transformações podem ser anotadas ou desenhadas num diário. Institua uma rotina de cuidados, com hora certa para regar e colocar o vasinho ao sol.

Acampamento em casa

Coloque um lençol sobre a mesa de jantar e a transforme numa cabaninha, com direito a saco de dormir ou colchonete, lanterna e lanche, onde seu filho pode passar uma noite diferente - em segurança. Vale contar histórias, brincar com as sombras na parede e ficar acordado até mais tarde que a hora de costume.

Noite do pijama

Promover uma noite do pijama com os colegas de escola também é uma boa opção. Separe os filmes, cobertores e jogos de tabuleiro. Não se esqueça de preparar um lanche saudável. 

Baú de fantasias

Apesar de simples, essa atividade rende horas de diversão para crianças dos 3 aos 10 anos. Separe roupas, chapéus, gravatas, óculos, bijuterias e sapatos num grande cesto e deixe que soltem a imaginação. Os menores curtem a chance de vestir as peças sem ajuda. Os maiores adoram inventar personagens e dramatizar suas histórias. Você pode sugerir também a montagem de um pequeno espetáculo teatral.

Corrente de histórias

Essa atividade estimula a memória e a criatividade, desinibe e, o que é melhor, pode acontecer em qualquer lugar. Comece com "era uma vez" e lance uma bola (ou algum outro objeto pequeno) para que as crianças continuem a história. Cada uma conta um pedaço e passa adiante o que está segurando nas mãos. Se tiver chance, ponha tudo no papel e leia para elas depois. Com certeza renderá boas gargalhadas, já que as tramas costumam ficar sem pé nem cabeça. 

Dança das cadeiras

Esta brincadeira é antiga, mas desenvolve a coordenação, o ritmo, a concentração e a agilidade dos pequenos. As crianças correm ao redor das cadeiras e, quando a música termina, tentam sentar. Como sempre falta um lugar, um participante cai fora a cada rodada. 

Eu sou assim

Deite seu filho sobre uma grande folha de papel e risque o contorno do corpo dele. Depois peça que complete a figura - dos 3 aos 6 anos, é um ótimo exercício de reconhecimento do esquema corporal. Dica: deixe um espelho por perto para consultas eventuais. Se a brincadeira for em grupo, misture os desenhos no final e desafie as crianças a identificar quem é quem.

Mosaico de papel

Quem não gosta de picar papel? Com uma tesoura ou as mãos, reduza revistas velhas a quadradinhos de tamanho regular - crianças mais velhas podem se encarregar da tarefa. Ponha o material em potes, forneça folhas de papel e cola branca (fica mais fácil usar com pincel) e deixe que soltem a imaginação formando e preenchendo figuras.

Massinha para os miúdos

Modelar exercita a musculatura das mãos e a coordenação motora fina. Quer uma receita muito fácil e que não representa risco para os pequenos, que põem tudo na boca? Tome nota: numa tigela, junte 1 xícara de sal refinado com a mesma medida de farinha de trigo. Acrescente água aos poucos e vá amassando até que a mistura fique homogênea, sem grudar nas mãos - você pode tingi-la com suco artificial em pó. Dura três dias, se guardada na geladeira em saco plástico. Cuidado apenas com a escolha do espaço destinado à brincadeira. Nossa sugestão é escolher um lugar liso e fácil de limpar. O piso do chão é melhor! 

Experiências na cozinha

Para quem tem filhos pequenos, uma boa ideia é escolher uma receita gostosa e fácil de preparar. Ignore a bagunça, deixe seu filho fazer descobertas e aproveite a diversão do momento para cozinhar a muitas mãos. Dica: prepare bolinho de chuva. Peça para as crianças ajudarem no preparo da massa e você cuida da fritura - sem deixar que se aproximem do fogão, é claro! Você também pode preparar um delicioso chocolate quente. Deu água na boca? 

Hora da leitura

Se ler é bom e aprender a ler com prazer é fundamental, encontrar maneiras de se aconchegar para esses momentos é uma delícia! Vocês fazem a escolha: na rede, num monte de almofadas no chão, na cama embaixo do edredom... 

Brincadeiras interessantes

Stop: você vai precisar de uma folha de papel e um lápis e, no mínimo, dois jogadores. A brincadeira é simples: uma vez escolhida a letra, os jogadores preenchem os espaços de cada tema pré-estipulado (animal, carro, país...), com nomes começados pela letra selecionada.

Dicionário: um jogador escolhe uma palavra no dicionário. Cada um escreve um significado. As alternativas falsas se misturam à verdadeira. Ganha quem votar na certa ou receber o voto de alguém. 

Mímica: basta formar dois grupos e escolher um tema - por exemplo, filmes. Um grupo fala o nome do filme para uma pessoa do outro grupo. Este vai à frente e faz o possível para que entendam a sua mímica. 

Fonte: http://mdemulher.abril.com.br

Fotos: Getty Images