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Notícias Lasciva

16 de outubro de 2017

11 de outubro de 2017

Nossas crianças morrem

Essa dor não está nas estatísticas, não aparece nos jornais e nem afeta as pessoas mais insensíveis

O assunto não é alegre às vésperas de um 12 de outubro, mas é necessário. De acordo com o levantamento sobre o Índice de Homicídios de Adolescentes (IHA) do Unicef, o Piauí é 7º estado do Brasil onde os jovens têm mais chances de serem assassinados.

Por aqui, a taxa é de 5,57 adolescentes mortos para cada grupo de mil habitantes. Teresina também figura entre as 10 capitais com maior taxa de mortes de adolescentes: 6,59 assassinatos para cada grupo de mil habitantes. O mesmo levantamento do Unicef mostra que as chances de um negro ser assassinado são quase três vezes maiores do que as de um jovem pardo, amarelo ou branco.

Nossas crianças morrem, mas dificilmente haverá alguma grande comoção com essa alarmante estatística, seja da sociedade em geral, seja dos gestores públicos. Isso porque as principais vítimas são os negros pobres da periferia. É como se essa condição fosse uma sentença.

As declarações sobre a maioria dos assassinatos se resumem aos termos “acerto de contas”, “precedentes criminais”, “envolvimento com o crime”, “conhecido da polícia”. As frases saem da boca de fontes oficiais como uma tentativa de aliviar o peso da morte.

Para algumas pessoas que usam a lógica do “bandido bom é bandido morto”, a estratégia funciona, mas ela não ameniza o sofrimento da mãe lá do bairro Renascença, que na noite de terça-feira (10) travou uma luta com o assassino do filho.

Essa dor não está nas estatísticas, não aparece nos jornais e nem afeta as pessoas mais insensíveis. O extermínio da juventude negra da periferia não é visto como ele realmente se configura: um problema social grave.

06 de outubro de 2017

É travesti. Pode matar?

O júri cunhou uma nova modalidade de justiça. Mesmo enxergando o réu como culpado, decidiram absolvê-lo.

Matar travesti não é crime no Piauí, pelo menos no entendimento de alguns membros que participaram do julgamento do professor Luís Augusto Antunes, apontado como assassino da travesti Makelly Castro em 2014.

Não é raro os tribunais de júri considerarem inocentes suspeitos de crimes, principalmente quando estes não geram grande comoção popular, quando a vítima é mulher pobre ou quando o suposto assassino é da elite. Até aí, não existe novidade, embora sempre fique o sentimento de impunidade e de revolta.


Mas, no julgamento do caso envolvendo a morte de Makelly Castro, o júri cunhou uma nova modalidade de justiça. Mesmo enxergando o réu como culpado, decidiram absolvê-lo. Não se trata de falta de provas sobre a autoria do crime, a ponto de haver dúvidas quanto à possível punição de um inocente. 

Esse tipo de entendimento - que o réu matou, mas não deve ser punido - geralmente ocorre quando a ação é em legítima defesa. É o caso de matar um assaltante, por exemplo. Mas que risco Makelly oferecia para o seu algoz? Em que momento ele se sentiu ameaçado a ponto de ter que matá-la? Será que o júri refletiu sobre essas questões?

Para o promotor do caso, a incoerência jurídica ocorreu porque os jurados se confundiram com as perguntas da juíza Maria Zilnar. Primeiro, eles tinham que dizer se o réu era o autor do crime. O resultado foi de 4 a 2 pelo sim. Depois, a juíza perguntou se o réu deveria ser condenado pelo crime de homicídio. O placar foi de 4 a 3 pela não.

Parece improvável que um júri seja incapaz de compreender tais perguntas. Faltou aos membros sensibilidade, atenção ao caso e um mínimo de senso de justiça. Resumindo, eles não consideram que matar uma travesti merece castigo.

03 de outubro de 2017

A pedofilia não está no museu

Causa estranhamento que a performance com nu artístico, exibida na semana passada dentro do Museu de Arte Moderna, tenha sido acusada de pedofilia

A Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde define a pedofilia como preferência sexual por crianças, ou seja, trata-se de uma perversão, um desvio sexual que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por meninos ou meninas. 

O Estatuto da Criança e do Adolescente trata de crimes envolvendo a pedofilia. São eles: utilização de criança ou adolescente em cena pornográfica ou de sexo explícito; comércio de material pedófilo; difusão de pedofilia; posse de material pornográfico; simulacro de pedofilia e aliciamento de menores. 

Importante destacar que a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.

Diante dessas informações, causa estranhamento que a performance com nu artístico, exibida na semana passada dentro do Museu de Arte Moderna, tenha sido acusada de pedofilia. As imagens divulgadas na internet mostram uma criança tocando os pés e as mãos do artista, sem referência alguma à pornografia ou ao sexo explícito. 

Importante alertar a população que inexistem registros policiais, denúncias ou boletins de ocorrência sobre aliciamento, abuso ou estupro de menores praticado dentro de um museu, na presença de dezenas de pessoas, durante uma performance artística.

Por outro lado, diariamente é noticiado o crime de pedofilia praticado dentro dos lares brasileiros. Os criminosos, em vez de artistas, são pais, padrastos, tios, amigos, vizinhos, enfim... pessoas próximas das vítimas e de seus familiares. 

A pergunta que fica é: essas crianças, verdadeiramente vulneráveis aos pedófilos, são protegidas? A preocupação dos mais conservadores é mesmo com as vítimas ou com a liberdade artística? O que incomoda de verdade é a pedofilia ou simplesmente a naturalização da nudez?

27 de setembro de 2017

Você que inventou o amor, faça o favor de explicar

Investir na relação significa basicamente ultrapassar os momentos de crise, perdoar o que é perdoável, ressignificar os sentimentos e reinventá-los

Eu não sei falar de amor, eu não entendo nada de amor e nem sei se sei amar. Em uma conversa entre amigas, me sinto a pessoa com menos know how no assunto. Todo mundo fala de uma forma madura, sensata, bonita... e eu fico lá pensando impulsivamente, igual uma menina de 15 anos.

Mas, antes de me julgarem, reconheçamos que esse é um sentimento muito difícil de entender. Primeiro, que pode ser confundido com paixão. É nessa fase que a gente sente todas aquelas sensações de insegurança, ciúmes e medo. Por outro lado, achamos que encontramos o grande amor, que não existe ninguém igual. A gente faz planos pra vida, pra morte e pra reencarnação.

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Só que essa carga emotiva não dura mais que alguns meses. No máximo, poucos anos. Aí vem a segunda fase, que é a da calmaria. Um sentimento tranquilo, seguro, sereno. Pronto! O casal está numa sintonia maravilhosa, nada pode afetar aquela harmonia... #SQN, meus amigos.

Eu não sei qual o nome do cão que atenta, mas deve haver um específico pra atuar nessa área de fazer com que as sensações acima ganhem contornos diferentes. O que parecia tranquilidade se transforma em chatice. A sintonia passa a ser apenas o previsível. A segurança dá até uma raiva, porque falta alguma coisa para apimentar a relação.

É aí que começa a terceira fase, decisiva pro futuro do casal. Chega o momento de refletir sobre o sentimento que um tem pelo outro, de avaliar se ainda existe amor, ou se ele nunca existiu. De decidir, enfim, se devem seguir juntos e como vai se configurar essa nova relação.

Existe a teoria de que o amor romântico é uma grande utopia. E perceber isso nos deixa decepcionados. Manter um relacionamento, portanto, dependeria muito mais da decisão consciente do casal, do que de um sentimento arrebatador, que os une para a vida toda. Na prática, essa teoria diz que não existe alma gêmea natural, nós é que a formamos a partir de muito esforço e de investimento na relação.

Investir significa basicamente ultrapassar os momentos de crise, perdoar o que é perdoável (não estou falando de agressão e nem de relacionamento abusivo), ressignificar os sentimentos e reinventar a relação sempre que ela estiver entrando na mesmice.

Agora, me digam: isso é fácil? Quem consegue? Qual o nível de maturidade que precisa atingir pra não ter vontade de sair correndo logo na segunda fase?

Tem um verso de uma música do Chico Buarque que diz: “Você que inventou a tristeza / Ora, tenha a fineza / De desinventar”. Com a permissão do grande poeta, faço uma adaptação: “Você que inventou o amor / Ora, faça o favor / De explicar”.

14 de setembro de 2017

Precisamos de coragem

Falemos, seja baixo, alto, gritando... mesmo que seja desgastante. As futuras gerações não podem sofrer por causa da nossa covardia.

Não está fácil sobreviver a essa onda de retrocesso social, mental, artístico, político, econômico e humano. É desolador ver os noticiários, irritante ler os comentários em redes sociais e desgastante travar os debates sobre assuntos que até pouco tempo eu julgava terem sido superados.

Obras de arte do século XIX certamente seriam censuradas no Brasil do século XXI. A violência contra as mulheres - perfeitamente punida pela Lei Maria da Penha, sancionada há mais de 10 anos - tem sido frequentemente legitimada pelos “homens da justiça” nos últimos meses.

Dia desses, um apresentador de programa de rádio disse que deveriam jogar um fio energizado e molhado dentro da penitenciária. Ele falou isso ao vivo, sem qualquer constrangimento.

Lembro-me que, há mais de 20 anos, um caso me deixou bastante incomodada. Eu era criança e ouvi os adultos contando que um homem havia dado uma surra de cansanção em uma mulher com transtorno mental porque ela o estaria perturbando. Para quem não conhece, essa planta provoca uma coceira infernal.

Esta semana, em Teresina, ganhou repercussão um caso que me fez lembrar muito esse outro, principalmente pelos argumentos dos defensores do suposto agressor. Um homem teria jogado um balde de tinta em uma senhora. Assim como a vítima do cansanção, esta de agora sofre de transtorno e também causa alguns inconvenientes. A ação do homem, portanto, seria justificável para determinadas pessoas.

É assustador! Voltamos a um tempo em que precisamos defender conceitos básicos como compreensão, respeito às diferenças e aos direitos humanos (tão distorcido esse termo, né?). Isso porque as pessoas estão cada vez mais à vontade para manifestarem suas ideias racistas, homofóbicas e violentas.

Diante desse cenário, tenho me perguntado o que nos resta fazer. Às vezes sinto que a diplomacia com que tentamos tratar as coisas só ajuda os discursos de ódio a conquistarem mais espaço. Eles vão ganhando no grito, enquanto a gente fala baixo e somos cada vez menos ouvidos. Mas, por outro lado, não podemos nos rebaixar ao mesmo nível.

A única saída que enxergo é não calar. Precisamos de coragem, pois o nosso medo é um combustível perfeito para o outro lado. As conquistas sociais que estamos perdendo hoje custaram muito esforço, inclusive a vida, de gente que veio antes de nós. É chegada a hora de fazer nossa parte.

Falemos, seja baixo, alto, gritando... mesmo que seja desgastante, não podemos deixar de contestar aquele parente ou aquele amigo com ideias retrógradas. Se for necessário comprar uma briga, que compremos. As futuras gerações não podem sofrer por causa da nossa covardia. Depende de nós honrar a luta de quem não está mais aqui. Depende de mim e de você garantir um mundo melhor para quem está chegando.

08 de agosto de 2017

Dia dos Pais pra quem?

A ausência paterna é uma realidade até mesmo entre famílias que convivem na mesma casa

O Dia dos Pais é uma das datas mais hipócritas que existem. Quantos são os homens que exercem, de verdade, esse papel? Minha vó sempre dizia que filho só tem pai enquanto tem mãe, ou seja, o homem só se preocupa com as crianças quando está com a mulher.

Mas nesse texto não vou me referir aos homens que abandonam os filhos. A ausência paterna é uma realidade até mesmo entre famílias que convivem na mesma casa.

É comum que a tarefa de educar fique apenas com a mulher. Se a criança é mal-criada, convencionou-se questionar somente a mãe. Se algo está indo mal nos estudos, a responsável é ela. Por falar nisso, quantos são os pais que vão às reuniões escolares?

Ideologicamente, é como se os homens não pudessem se ocupar com os filhos porque estão cuidando da carreira ou porque precisam descansar ou se divertir. O caderno especial sobre o Dia dos Pais este ano, publicado na Folha de São Paulo (foto ao lado), reproduz bem essa ideia. O subtítulo na capa diz: “Eles conciliam o escritório com escaladas no Himalaia, shows de heavy metal e jardinagem”. Parece-me que esqueceram alguma coisa aí, não?

Enquanto isso, a mulher que concilia trabalho, atividade doméstica e cuidado com os filhos, não tem final de semana, férias ou feriado. Assume sozinha a responsabilidade que ficaria mais leve se compartilhada a dois.

Existe, ainda, outra vertente nessa análise. O julgamento que as mulheres sofrem quando, por motivos diversos, precisam deixar os filhos com o pai. Não importa se o homem, por exceção, tem mais condições de cuidar, educar e manter financeiramente. Nem importa se a mãe continua presente, mesmo não morando com o filho. Ela sempre será questionada por ter “abandonado” a criança.

Isso significa que a mulher não pode ter o discernimento de perceber que, em algumas situações, o melhor para o filho é ficar com o pai. A nossa sociedade só vai considerá-la como mãe de verdade, se ela permanecer com a criança, mesmo que isso represente sofrimento para ambos.

A cada dia fico mais certa de que poucas pessoas se importam de fato com o bem estar das outras, inclusive das crianças. Estão mais preocupadas em manter as aparências, as hipocrisias, os status quo.  

01 de agosto de 2017

A importância de um P.A na vida da mulher solteira

Toda mulher sexualmente satisfeita é feliz. E uma mulher feliz sabe exatamente o que quer.

Toda mulher solteira precisa de um P.A. Para quem não sabe o que significa a sigla, vai a dica: P@$ Amigo para mulheres hetero ou bissexuais / P@$&*$!# Amigo para as mulheres lésbicas ou bissexuais. Didaticamente, é aquela pessoa que você faz sexo quando tá com vontade, mas não mantém relacionamento afetivo.

Um P.A cumpre muito bem a função de evitar que a mulher fique carente a ponto de cair nas garras de uma pessoa qualquer, que não tem nada a oferecer em um relacionamento, mas finge - às vezes impecavelmente - que é alguém perfeito.

Quando uma mulher está carente, seja de sexo ou de afeto, corre grandes riscos de se envolver com a pessoa errada  ou de criar expectativas que nunca são alcançadas. A consequência imediata dessas experiências ruins é se julgar alguém com “dedo podre” e perder as esperanças de encontrar uma pessoa que realmente valha a pena.

Mas, atentai bem (sim, há sempre um porém), se a carência da mulher é afetiva, um P.A não vai resolver. Pelo contrário, poderá agravar ainda mais a situação. Nesses casos, o melhor a fazer é esperar o milagroso remédio chamado tempo. Voltar para si mesma, enxergar-se como uma mulher maravilhosa e que, por isso, não merece nada menos que uma pessoa igualmente maravilhosa.

Agora, se a carência for apenas sexual, é nesse momento que um P.A se faz necessário, desde que (novamente o porém), não haja envolvimento afetivo. Se apaixonar, nesse caso, só vale a pena se a pessoa comprovar que merece subir na carreira e se tornar namorado (a).

Importante lembrar que um P.A precisa atender a pelo menos cinco pré-requisitos. Primeiro, tem que ser solteiro porque você não precisa de um problema com outra mulher. Segundo, tem que ser disponível porque um P.A difícil não cumpre bem o seu papel. Terceiro, tem que ser bom de cama por motivos óbvios. Quarto, tem que saber se colocar no lugar de P.A e não fazer exigências desnecessárias. Quinto, tem que ser uma pessoa legal, que não vá sair por aí te julgando.

Toda mulher sexualmente satisfeita é feliz. E uma mulher feliz sabe exatamente o que quer. E, consciente do que quer, não vai deixar vida de solteira, com um P.A interessante, por um namoro medíocre. 

26 de julho de 2017

Na aula de hoje, vamos ensinar aos homens como dar prazer

Venham aqui, amiguinhos. Falaremos sobre penetração e sexo oral.

A minha conversa hoje é com os homens e é sobre o prazer das mulheres. Dizem as más línguas que uma mulher que se relaciona com outra sabe melhor sobre esse assunto, mas não é bem assim... A questão é outra e eu até falei mais ou menos sobre isso em um post. Só que agora vamos aprofundar.

Venham aqui, amiguinhos. Na aula de hoje falaremos sobre penetração e sexo oral.

Não fiquem abismados, mas pouquíssimas são as mulheres que têm orgasmo com penetração. Vocês deveriam saber disso, se não fossem tão desligados em conhecer melhor o corpo e o prazer femininos.

Quase todas as mulheres só gozam com o estímulo correto do clitóris, que é externo. E as raras mulheres que têm orgasmo com a penetração é porque, antes, foram bem estimuladas com preliminares, o que deixa o Ponto G mais sensível.

Quando falo de preliminares, caros homens, não me refiro a um sexo oral rápido e feito com nojinho. Primeiro que sexo oral nem deve ser considerado preliminar, é sexo mesmo e precisa ser considerado por vocês como tal. É ele que faz a quase totalidade das mulheres chegarem ao orgasmo.

Vocês têm mãos, dedos, língua, têm o seu corpo todo para usar, mas não usam. E quando fazem isso, não é com a dedicação ideal. Sequer acariciar uma mulher vocês sabem, amiguinhos. Às vezes passam a mão no corpo dela só para dar prazer a vocês mesmos.

Eu fico possessa quando sei que alguns de vocês não gostam de fazer sexo oral e que se irritam com as preliminares. Como dizem gostar tanto de mulher e ficam com essa frescura? É algum transtorno mental, é?

Por causa disso é que o máximo que vocês conseguem é fazer uma mulher fingir orgasmo. E também é por essa incompetência em dar prazer, que muitas perdem o gosto por sexo. Aí vocês dizem que o problema é com a mulher, saem por aí falando que ela é frígida, que você tem que buscar fora o que não tem em casa.

Além de ser ridícula, essa atitude ainda é desonesta e machista, ao não reconhecer que o problema é você achar que seu pênis é o super-poderoso causador de orgasmos múltiplos. Volte ao terceiro parágrafo desse texto e reflita sobre ele novamente.

Quando vocês entenderem que esse órgão no meio das suas pernas não é o mais importante, aí vão começar a dar prazer de verdade a uma mulher.

19 de julho de 2017

Os homens traem porque as mulheres perdoam

O estímulo à poligamia masculina começa muito cedo. É como uma prova de virilidade. Enquanto isso, as mulheres são ensinadas a respeitar e a perdoar

Existe uma questão cultural que responde o questionamento de muitas mulheres sobre a infidelidade dos homens. Quando ainda nem sabem o falar, os bebês já “têm” várias namoradinhas. Na escola são o “terror com as coleguinhas”. Na adolescência são os pegadores.

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O estímulo à poligamia masculina começa muito cedo. É como uma prova de virilidade. Enquanto isso, as mulheres são ensinadas a respeitar e a perdoar. Se o mundo fosse normal, essa lógica seria absurda. Mas as coisas seguem assim, de cabeça pra baixo, por causa da nossa cultura machista.

O homem trai e nem mesmo se preocupa em ter cuidado para não ser descoberto. Ele sabe que, ao beijar outra mulher na frente de todo mundo, as duas envolvidas no triângulo vão saber da existência uma da outra. Mas isso não importa, porque ele tem segurança de duas coisas: a namorada/esposa vai perdoar e a outra mulher vai continuar com ele, mesmo sabendo que é comprometido.

É como uma bola de neve. O homem trai porque sabe que não vai perder nada por isso, e a mulher aceita a traição porque foi ensinada a perdoar. Existe ainda aquela ideia, muito favorável para eles, de que todos os homens são iguais. Ou seja, terminar com um, não resolveria o problema porque o outro vai fazer a mesma coisa.

E assim eles seguem se divertindo com a infidelidade e as elas perdoando a traição. Casais vivem uma vida inteira dessa forma, comemorando bodas às custas sofrimento da mulher.

Alguém pode dizer que as coisas estão mudando, que as mulheres aceitam menos as traições, mas isso é uma grande ilusão. Basta fazer uma pesquisa rápida entre os casais que conhecemos. A mudança ocorrida ao longo de séculos não representa coisa alguma diante do que realmente deveria acontecer.

Não estou defendendo que a monogamia seja a única forma de garantir felicidade. O amor livre está aí para mostrar que existem inúmeras maneiras de se relacionar, mas a liberdade tem que valer para ambos os sexos.

A bola de neve só vai parar de crescer quando as mulheres tomarem atitude. Elas podem não perdoar, podem não aceitar relacionamento com homem comprometido, ou ainda podem exercer o direito à infidelidade também. Afinal, se eles traem, porque elas não poderiam? 

13 de julho de 2017

Reforma trabalhista: uma agressão física às grávidas

Chega a ser desumano submeter uma mulher grávida a um local de trabalho insalubre. É como um chute na barriga dessas trabalhadoras

A reforma trabalhista é como um chute na barriga das mulheres grávidas. É, literalmente uma agressão física. Chega a ser desumano submeter uma mulher aos oito, nove meses de gravidez, a ruído, sol e poeira, entre outros agentes presentes em um local de trabalho insalubre.

Os defensores do indefensável dizem que, agora, as grávidas terão “permissão” para trabalhar nessas condições. Não parece piada, porque nos dá vontade de chorar, em vez de rir.  Na prática, as mulheres agora serão vítimas de trabalhos degradantes. A permissão, na verdade, foi dada aos patrões para explorarem ainda mais a força de trabalho feminina.

Lembro da declaração do deputado federal Mainha (PP), defendendo eufórico a reforma trabalhista e a possibilidade de a mãe voltar à empresa antes de terminar a licença maternidade. “Depois de três meses, a mulher já está cansada de ficar em casa”, disse. Pergunto-me se ele fala isso por ignorância ou é mesmo de má fé.

Ele, e nenhum dos machistas, misóginos e insensíveis deputados e senadores que ajudaram a aprovar a reforma trabalhista pensaram nas grávidas com os pés inchados, com as dores nas costas e com uma barriga que muda o eixo de gravidade, provocando maior risco de quedas.

Mas, o que poderíamos esperar de um Congresso formado por 90% de homens, a maioria interessada em manter a criminalização do aborto e em criminalizar mulheres que denunciarem estupro e não conseguirem provar que foram vítimas? A resposta é que podemos esperar coisa muito pior.

A mulher já era a carne mais fraca do mercado, agora virou a carne podre. 

03 de julho de 2017

O dia em que me senti um pouco Virgínia Woolf

Inventei de arrumar um amor a mais de 2 mil quilômetros e inventaram de me convidar para participar de um clube de leitura feminista em Campinas

Eu poderia participar de um clube de leitura em Teresina, na cidade onde moro. Poderia ser um grupo que se reunisse para ler romances, clássicos da literatura brasileira ou até mesmo contos eróticos. Mas, inventei de arrumar um amor a mais de 2 mil quilômetros e inventaram de me convidar para participar de um clube de leitura feminista em Campinas.

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Foi assim que me deparei com Virgínia Woolf e o livro “Profissões para mulheres e outros artigos feministas”. Em uma tarde do dia 20 de maio – muito fria para quem está acostumada com os 40 graus da capital piauiense – estava eu no Museu da Imagem e do Som, no centro de Campinas, com um grupo de aproximadamente 15 mulheres, todas desconhecidas, mas igualmente empolgadas.


*Esse texto foi originalmente escrito para o blog Mulheres que Leem Mulheres


A leitura de Virgínia Woolf, que morreu em 1941, aos 60 anos, foi para nós um alerta violento, digamos que um tapa na cara a nos dizer que muito pouco foi conquistado desde que a autora escreveu sobre a necessidade de a mulher matar o anjo do lar, sobre opressão no mercado de trabalho, sobre a ideia de que somos inferiores intelectualmente, sobre privilégios…

Reconhecer que esses temas são ainda tão frequentes na nossa sociedade só não foi tão desolador porque eu não estava só. Éramos um grupo de mulheres dispostas a dar a nossa contribuição para avançar um pouco mais na luta feminista.

É ousado dizer, mas éramos – cada uma com as suas experiências – um pouco de “Virginias Woolf” no século XXI. Pelo menos foi assim que me senti naquela tarde, que entrou pela noite sem ninguém sequer perceber.

Éramos mulheres, lendo uma mulher e debatendo somente com mulheres. Vocês têm ideia do quanto isso é acolhedor e ao mesmo tempo subversivo? Se não, sugiro que entrem para um clube de leitura feminista e sintam com seus próprios corações.

29 de junho de 2017

Quem cuida da mulher?

Mesmo velho, mesmo não sendo mais sexualmente útil, o homem consegue uma mulher para transformar em cuidadora de idosos não remunerada

Manifestar o desinteresse pelo casamento ou pela maternidade pode representar um ato de resistência para as mulheres. É que a informação jamais será dada sem receber em troca manifestações contrárias e o questionamento tão comum: “Mas quem vai cuidar de você na velhice?”.

A pergunta, que já é uma crítica disfarçada, revela muito sobre o papel que a sociedade conservadora delega à mulher. Retirando a máscara de preocupação com o futuro, o questionamento que se faz é: “Como assim você não quer ser mãe? Que absurdo uma mulher não querer casar! Esse é seu papel e você está fugindo da sua obrigação”. Ou seja, é casamento compulsório e maternidade idem.

É nessa circunstância que eu falo sobre ato de resistência. Explicar para essas pessoas o motivo de não querer seguir o caminho usual da maioria das mulheres é um tanto cansativo. Não por falta de argumentos, mas porque eles não convencem. E nem precisariam convencer, se as pessoas entendessem que as decisões que cada uma toma para sua própria vida não é de domínio público, ou seja, não é passível de receber pitacos.


Idosas do Abrigo São Lucas, em Teresina (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

A questão fica óbvia quando notamos a diferença de tratamento com o homem, quando ele diz que não quer casar e nem ter filhos. A informação é recebida com piadas e até elogios. É porque o cara é garanhão, pegador, porque ainda está vivendo a vida. “Tá certo, você é muito novo pra pensar nisso”, dizem alguns.

Ou então ninguém diz nada. Passa despercebido, não gera polêmica, muito menos questionamentos do tipo “quem vai cuidar de você na velhice?”. E aí se revela mais um aspecto que confirma o machismo da nossa sociedade. Sim, novamente ele, presente em todos as esferas da vida.

O homem geralmente encontra alguma mulher para cuidar dele. Mesmo velho, mesmo não sendo mais sexualmente útil, consegue alguém – na maioria das vezes mais jovem – para transformar em cuidadora de idosos não remunerada. Mas da mulher ninguém cuida.

Neilson Meneses, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Sergipe, chegou à mesma conclusão. Ele publicou no site da instituição o texto “Mulheres envelhecem sós, os homens em companhia”, com base em informações sobre formas de convivências, divulgadas pela PNAD 2011. “Parece ser, que a situação de inserção na família e estado conjugal, tendo em conta as diferenças de gênero, apresenta aparentemente mais ‘vantagens’ para os idosos que para as idosas, que seriam, portanto, mais propensas à vulnerabilidade”, diz o professor.

O fato é que filhos não garantem à mulher qualquer segurança na velhice. As idosas que estão em abrigos geralmente são mães não apenas de um, mas de muitos. Casamento, então, nem precisa falar sobre isso. Quantos homens você conhece cuidando de suas esposas?

Portanto, vamos parar de questionar as mulheres que não querem casar ou ter filhos. Nada garante que alguém vá cuidar delas. Que possam pelo menos ser felizes na juventude, sem ninguém metendo o bedelho na escolha que fizeram para suas vidas.

26 de junho de 2017

Sapiossexuais, eles existem?

Aquele que sente atração e excitação erótica pela inteligência

Dia desses me deparei com um termo um tanto curioso: sapiossexual. A definição é ainda mais interessante: aquele que sente atração e excitação erótica pela inteligência. Fiquei me perguntando como isso é possível.

O ímpeto de quem, como eu, prefere as coisas mais diretas, mais palpáveis (com maldade, mesmo) foi imaginar que isso não existe. “O desejo é algo físico. Não se pode desenvolver esse sentimento por uma coisa abstrata”, pensei. Para mim, a inteligência torna a pessoa interessante, mas não atrativa sexualmente. É bom pra conversar, dá orgulho apresentar aos amigos e à família, mas só. E isso não dá tesão.

Mais alguns momentos de reflexão e repenso. “Se eu fosse considerar como desejável apenas o que é para mim, todas as pessoas sentiriam atração pelo corpo feminino. É tipo a lógica dos heteronormativos, que querem obrigar todo mundo a se atraírem apenas pelo sexo oposto.

Tudo que está relacionado ao desejo é abstrato. Se não fosse assim, o sex appeal, ou seja, o poder de atração que algumas pessoas têm mais que outras, não existiria. Como seria possível explicar, por exemplo, o desejo que determinadas mulheres despertam apenas com o olhar? E o charme que certos homens têm, mesmo não sendo exemplos de beleza física?

O corretor do meu word teima em colocar a linha vermelha embaixo da palavra sapiossexual, indicando que ela está errada. Mas errado está o corretor, assim como eu estava ao pensar que atração sexual é algo puramente físico. Se existe gente que tem desejo por ambos os sexos e gente que não tem desejo por nenhum deles, por que não poderia existir alguém que se atrai sexualmente pela inteligência?