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Redação Portal O Dia

Homens infantis, mulheres imaturas

infantis

16/11/2011 17:04

Homens infantis, mulheres imaturas

Este é um fenômeno típico, absolutamente característico dos tempos modernos. Muitos homens e mulheres simplesmente não querem crescer, tornar-se de fato adultos - psicológica e emocionalmente -, responsáveis por si e por seus atos. E basta apenas voltarmos um pouco no tempo para percebermos como era o comportamento de ambos há algumas décadas. Antes, um exemplo histórico: Dom Pedro II era um homem adulto aos quinze anos de idade - as condições políticas e sociais de sua época e as responsabilidades assumidas o levaram a essa precocidade; e mais outros exemplos de maturidade, que homens e mulheres eram obrigados a ter em épocas passadas: mulheres tinham que se casar muito jovens, constituir família logo, grande parte tornava-se mãe ainda adolescente, e muitas tinham que cuidar dos filhos - à época, chegavam a parir oito, dez; algumas vezes, até números absurdos como catorze, quinze ou vinte filhos - e do marido!E estas obrigações eram assumidas por meninas de dezesseis, dezessete anos, ou menos.

Quanto aos homens, claro que me refiro à maioria, desde cedo eram orientados, educados para assumir o papel de marido, pai e provedor de todas as necessidades materiais da família. Então, viam-se homens ainda jovens, mas com comportamento de velhos - no vestir, nos gestos, na absoluta seriedade com que administravam sua vida e a família, e até mesmo no seu contido e discreto dia a dia. E, claro, o mais profundo reflexo dessa precocidade em ambos os sexos, em assumir seus papéis familiares e sociais no começo da idade adulta - ou mesmo na adolescência - foi a maturidade psicológica e emocional, algo obrigatório para que a vida social da época funcionasse como deveria. Bem, esta situação perdurou até o começo dos anos 60, e, depois, os papéis sociais antigos e tradicionais foram extintos pela tão decantada modernidade, e temos, hoje:

I. Homens que parecem crianças, apesar dos cabelos brancos e rugas no rosto. São inumeráveis os exemplos de homens adultos - alguns já quarentões ou cinquentões - que pensam e agem como adolescentes, tanto na vida privada como na social. E o primeiro sintoma dessa doença característica da sociedade, que muitos chamam de pós-moderna, é este: eles querem competir com os sobrinhos, com os filhos, com os amigos dos filhos! E como isto acontece? Frequentam obsessivamente academias de ginástica, vestem-se como se fossem garotões de vinte anos, muitos falam e usam gírias iguais aos rapazes trinta anos mais jovens que eles; e, óbvio, em seu comportamento também procuram imitar os jovens: um pouco de irresponsabilidade com tudo, um mínimo de compromissos assumidos - afinal, a vida está aí para ser vivida sem amarras ou responsabilidades maiores, uma espécie de parque de diversões que fornece alegrias e prazeres sem fim. Quanto ao lado profissional desses eternos meninões em corpo de adulto, a coisa quase sempre se desenvolve mais ou menos bem - a menos que se especializem em algum trabalho diretamente relacionado ao consumidor jovem -, pois seu cérebro não funciona como o de um adulto amadurecido, mas com inseguranças, instabilidades e objetivos não muito claros, exatamente igual à atividade intelectual da maioria dos homens muito jovens.

II. Mulheres imaturas até não poder mais, mesmo sendo mães de família. Até o conceito de mãe de família está mudado: em outros tempos, era a mulher dedicada, durante as 24 horas do dia, ao marido e aos filhos. Hoje, mãe de família é uma condição bem mais desobrigada, mas que demonstra a imaturidade comportamental de muitas mulheres - por exemplo, não acompanham o desempenho dos filhos na escola; criam os filhos, mas não os educam de fato, estimulando futuros comportamentos antissociais, como o desrespeito às leis e às regras em sociedade; e algumas são excessivamente permissivas em relação aos hábitos dos filhos. E este comportamento representa isto: irresponsabilidade infantil diante de situações que exigem atitudes adultas! Quanto ao lado estético dessas cinderelas sem príncipe encantado, a procura pela eterna juventude tornou-se, em casos mais graves, doentia, uma patologia que merece assistência médica especializada. E haja tratamentos de beleza absurdos e intervenções cirúrgicas sequenciadas e perigosas; e regimes de matar a mais saudável das criaturas humanas, e malhação compulsiva em academias, e roupas que foram feitas para as filhas, mas que são usadas pelas mães; e, para completar o quadro dessa mulher imatura, sua conversa só aborda superficialidades, fofocas, assuntos inúteis e vazios, símbolo claro de quem se tornou adulta, porém, no fundo, não passa de uma criança.

J.P. Miranda é jornalista e escritor.

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