• Patrimônio 09/17
  • Unimed
  • assinatura jornal

Notícias Diário do Malte

21 de setembro de 2017

Bélgica o santuário cervejeiro PARTE II

Visita à cervejaria Het Anker

Saudades da Bélgica, do aroma de chocolate que emana pelas ruas, das paisagens exuberantemente lindas e das melhores cervejas do mundo na minha opinião. A criatividade das cervejas na Bélgica não tem limites e é isso que me inspira quando faço cerveja em casa.

Outra cervejaria que visitei quando fui à Bélgica foi a Het Anker, uma cervejaria localizada na cidade de Mechelen localizada na província da Antuérpia na região de Flandres, e lá a língua é um dialeto alemão, mas dá pra desenrolar no inglês.

Het Anker, famosa pelas suas cervejas complexas no estilo Dubbel, Trippel e Quadruppel, é uma das cervejarias mais antigas da Bélgica, começou no século XV, a partir de uma comunidade católica leiga de caráter semimonástico que possuia um hospital onde se produzia cerveja.

Em 1471, Carlos - Duque de Borgonha, o Audaz, decidiu que “as beguines - mulheres que optavam por devotar sua vida a orações e ajuda aos enfermos, mas sem assumir os votos típicos das freiras - e os oficiais” ficariam isentas de quaisquer taxas e impostos sobre a cerveja fabricada para o hospital.

Em 1872, a família Van Breedam comprou a cervejaria e construiu uma cervejaria moderna com uma caldeira. O amor por esta profissão e o fascínio da família Van Breedam no apogeu de Mechelen durante o reinado dos Duques de Borgonha, são as bases do retorno às tradições e a cervejaria de cervejas especiais.

Em 1990, Charles Leclef, quinta geração da família Van Breedam assumiu a cervejaria e modernizou os equipamentos de preparo.

Mas a cervejaria investiu em outro nicho, de hotelaria, em 1990, a Het Anker inaugurou um hotel de três estrelas na cervejaria. Este é um conceito único na Bélgica. A brasserie reformulada abriu no final de 2010 e foram retomadas as visitas guiadas à cervejaria.

Mas se você pensa que a cervejaria parou por aí, você está enganado, também em 2010, a quinta familiar do século XVII em Blaasveld foi transformada numa destilaria de uísque. A produção do Gouden Carolus Single Malt começou nesse mesmo ano. O uísque foi lançado três anos mais tarde, em 2013, e já venceu vários prémios internacionais!

A Cerveja e uísque são produzidos a partir de grãos. Charles acredita em um bom uísque single malt destilado do mosto de Gouden Carolus Tripel. Esta cerveja é produzida com os melhores maltes claros e tem um caráter muito especial. Atualmente o espírito da Gouden Carolus Single Malt é destilado para maturar em um uísque com um sabor puro e balanceado e toques amadeirados e frutados diferentes.

As cervejas Carolus são complexas e bem alcoólicas, mas equilibradas, é uma cerveja para se apreciar devagar e sentindo todas sua complexidade de aroma e sabor.

Se der uma passada na Bélgica não deixe de fazer a visitação na cervejaria, as visitas são realizadas de terça a domingo nos horários de 11hrs e 13hrs, no final tem degustação de 2 cervejas, o valor por pessoa é de 8 euros. Quando descer da sala de degustação visite o restaurante e peça uma bela tábua de frios com queijos feitos com a própria cerveja, e lógico não deixe de provar as outras cervejas que estão On Tap. Ah e não esqueça de também de fazer umas comprinhas na loja da fábrica e aproveite para levar o uísque e cervejas que você vai encontrar só lá como cervejas com infusão de uísque.

De Bruxelas à Mechelen de trem leva 30 minutos bem pertinho não deixe de visitar uma das melhores cervejarias da Bélgica.

Endereço:

Guido Gezellelaan 49

B-2800 Mechelen

Belgium (Bélgica)

10 de setembro de 2017

A Bruxaria das Mestre-cervejeras na era medieval

O que está por trás da caça às bruxas no tempo da Inquisição.

Olá pessoal, em outro artigo dessa coluna já falei sobre o papel da mulher no início da produção da cerveja, que era a mulher quem produzia a cerveja uma vez que este papel era atribuído à mulher, produzir bebidas e comidas, enquanto os homens iam à caça.

Mas como tempos depois o reinado da mulher na produção de cerveja foi substituído pela força do capitalismo masculino?.

A imagem de uma feiticeira empunhando vassoura com um chapéu alto, gato preto e um caldeirão borbulhante que transbordava uma poção tem sido sinônimo de bruxas para o século passado e, provavelmente, até os dias atuais. A verdade da mulher nesta história nos leva a um caminho muito diferente.

Durante os séculos XV e XVI, a Inquisição espanhola estava em pleno oscilação. Decretado com o objetivo de parar o judaísmo que estava acontecendo, bem como expulsar os judeus da Espanha, o rei Ferdinan II e a rainha Isabella iniciaram uma das Inquisições mais mortíferas da história. Era uma era sombria para o mundo, especialmente para mulheres e a fabricação de cerveja. Até esta época, a fabricação de cerveja era uma ciência doméstica reservada para a esposa, a mulher ou a mãe. Era um negócio passado através da história por boca-a-boca ou escrita matrilineramente sem muita consideração da persuasão masculina que é, até o século 15/16.

"A produção de cerveja de forma comercial foi muito difundido, especialmente no campo". Judith Bennett escreveu em seu livro Ale, Beer e Brewsters na Inglaterra.  "Em Brigstock antes da praga, mais de 300 mulheres - cerca de um terço das mulheres que viviam no campo, fabricavam cerveja para vender. Em Alrewas (Staffordshire) durante as décadas de 1330 e 1340, entre 52 e 76 cervejeiros vendiam cervejas por ano (em uma aldeia com cerca de 120 famílias). Em Wakefield (Yorkshire) entre 1348 e 1350, 185 mulheres - representando quase um terço de todas as mulheres - produziam cervejas para vender".

Mas com essa história toda como uma mulher que produzia cerveja, Brewster, era ligada à imagem de uma bruxa?

Vamos então começar pelo chapéu utilizado pelas mulheres, que era alto e preto, se destacava na multidão e era de fácil reconhecimento, era considerado uma jogada de marketing, digamos assim, para as mulheres que vendiam cerveja nas ruas. Então se você visse uma mulher com um chapéu alto e escuro sabia com quem podia comprar cerveja. Para promover as vendas as mestre-cervejeiras colocavam uma vassoura, que era símbolo do comércio doméstico, na porta de casa ou da taverna que indicava cerveja pronta e disponível para venda. Outro símbolo era um talismã parecido com a Estrela de Davi cuja utilização era para informar a pureza da cerveja uma vez que a preocupação com as pragas era constante. Os pontos da estrela significavam os seis ingredientes para fabricação de cerveja: lúpulo, grãos, malte, água, levedura e a mestre-cervejeira. E o famoso gato preto era pra afastar os vermes que comiam a cevada maltada.


Vendo que o comércio de cerveja se popularizou e a forte ligação da estrela com o judaísmo, a igreja viu a produção de cerveja com um comércio a ser explorado e que renderia poder e dinheiro. E assim começou a jornada do homem na dominação da produção de cerveja.

Com essa nova visão a Igreja por muito tempo começou a persuadir à sociedade da época que as mulheres estavam inclinadas à feitiçaria maligna e adoração ao diabo.

Depois que a Igreja e os homens entraram no comércio de cerveja, passaram a controlar tudo: receitas, lucros e até quem podia fazer cerveja. Uma pesquisadora chamada Hellen Ellerbe no seu livro Dark Side of Christian History, destaca que um dos resultados da Inquisição foi a remoção em massa da mulher em grandes negócios comerciais, passando assim ao domínio do homem e da Igreja. E foi nesse momento que as mestre-cervejeiras, Brewsters, desapareceram ou melhor foram morrendo porque as mulheres acusadas de feitiçaria raramente escapava e assim foram perdendo o reinado. Curiosamente poucos homens foram julgados ou suspeitos de bruxaria.

Eu sou uma bruxa das panelas cervejeiras e vc?


02 de setembro de 2017

Oktoberfest sem cerveja

O lado da Oktoberfest que você não conhece.

Todo mundo sabe que Oktoberfest é a maior festa de cerveja do mundo. Errado!

A origem da Oktoberfest é de 12 de outubro de 1810, quando o príncipe herdeiro da Baviera, Luís, se tornou rei Luís I e casou-se com a princesa Teresa da Saxônia-Hildburghausen. Todos os cidadãos de Munique foram convidados para participar da festa nos campos em frente a porta da cidade para comemorar o feliz evento real. Com muitas atrações como, competições de tiro, feira de comidas típicas, festival de música e até uma corrida de cavalos, o evento foi um sucesso que mobilizou toda a população de Munique na época e acabou dando origem a Oktoberfest. A partir de então, todos os anos a festa era organizada com as mesmas atrações e passou a ficar cada vez mais conhecida. A partir de 1819, a população de Munique assumiu a responsabilidade da organização da festa, fazendo com que se tornasse um evento anual. Sucessivamente a duração da Oktoberfest foi aumentada e a data de início foi antecipada para usufruir os dias mais longos e mais quentes de setembro. Esse ano de 2017 a festa começa dia 16/09 e vai até dia 03/10.


Mas, e cadê a cerveja??? Somente a partir de 1918 que foi liberado o consumo de cerveja para o festival. E desde então são servidos muito e muito litros de cerveja na festa. Em 1950 foi introduzida a tradicional cerimônia de abertura do festival, “O 'zapft is”, e só a partir dessa cerimônia de abertura que as pessoas estão liberadas a beber.

A cerveja da Oktoberfest, em Munique, é servida por apenas 6 cervejarias da própria cidade de Munique, e é do tipo Märzen, uma cerveja de baixa fermentação e que pode chegar até 6% de álcool. O tipo da cerveja vem da tradição de se fabricar a cerveja no mês de março para o consumo dela no verão, ou seja, setembro e outubro, é uma cerveja com caráter mais amargo do que as tradicionais uma vez que o lúpulo, o ingrediente que dá o amargor, ser um conservante natural. As 6 cervejarias autorizadas a servir as cervejas para o evento são: Augustiner-Bräu, Hacker-Pscorr-Bräu, Löwenbräu, Paulaner-Bräu, Spatenbräu e Staatliches Hofbräu-München.

E no Brasil, a festa foi introduzida no Sul do país, região com grande quantidade de imigrantes e descendentes alemães, em 1984 em Blumenau, Santa Catarina. O evento atraiu milhares de pessoas e a cidade se tornou referência para o evento no país. Embora a cerveja seja carro chefe do evento, mas a Oktoberfest de Blumenau também é folclore e tradição. São 19 dias de festa, nos quais os blumenauenses mostram toda a sua riqueza cultural, pela música, dança e gastronomia típica, que preservam os costumes dos antepassados vindos da Alemanha. A cultura germânica está totalmente presente na festa através dos serviços oferecidos, de sociedades esportivas, recreativas e culturais, dos clubes de caça e tiro e dos grupos de danças folclóricas.

Embora Oktoberfest em Blumenau seja a maior e mais tradicional no Brasil, outras cidades também já fazem suas versões da festa. Segue então algumas cidades e datas para você curtir essa linda festa tradicional:

ALEMANHA

Munique

16/09/17 à 03/1017


BRASIL

Blumenau - SC

04/10/17 a 21/10/17


São Paulo - SP

29/09/17 a 08/10/17


Santa Cruz do Sul - RS

04/10/17 a 15/10/17


Fortaleza - CE

23/09/17



24 de agosto de 2017

A cerveja no seu copo ideal

Aprenda a degustar uma boa cerveja artesanal no copo certo

Na minha viagem a Bélgica, além de beber muito claro, também observei algo que algumas pessoas podem dizer que é frescura de BIERCHATO, cada cerveja é servida no copo certo do estilo e da própria cervejaria, e eles são extremamente puristas com isso. Às vezes você pensa, Ah! Mas eu não vou ficar comprando vários copos. Realmente você não precisa comprar todos os copos da face da terra, mas existe copo coringa que dá para servir vários estilos.

Ma o leitor deve estar se perguntando: Por que eu simplesmente não bebo a cerveja artesanal em qualquer copo?

Bem, o copo de vidro é utilizado para perceber melhor a cerveja, análise do aroma, cor e sabor, e o vidro é um elemento que não vai influenciar nas mudanças do paladar. Mas também não podemos pegar um copo americano e beber uma cerveja Dubbel, pois no copo americano você não vai perceber o aroma da cerveja como se ela fosse servida num cálice.

Cada copo tem seu propósito e influencia na sua degustação. Por exemplo há copos como o cálice que possui hastes para que você não troque calor com a cerveja e atrapalhe na mudança de sabor da cerveja. É a mesma coisa se comparado ao sushi, no qual a tradição japonesa é ter apenas homens fazendo sushi pois as mãos das mulheres no período fértil são mais quentes e podem influenciar na qualidade e sabor do alimento.

Mas também não é só a influência do copo para o estilo de cerveja, imagina tomando uma cerveja produzida pelo método champenoise em um copo de buteco. A cerveja tem que ser bem tratada assim como um bom vinho.

Há algumas regrinhas simples como o uso de copos e taças com bordas e bocas mais largas que liberam melhor os aromas e favorecem cervejas aromáticas, cujos aromas estarão presentes desde o momento em que a cerveja foi servida até seu último gole, e uso de taças que possuem bordas e bocas mais estreitas, com formas abauladas, para reter os aromas de maneira mais efetiva, guardando dentro do próprio copo, o que facilita percebê-los, além do seu formato dar suporte para a formação de espuma, que por si só já é um excelente retentor de aromas.

Então vamos lá para alguns tipos de copo!

Cálice