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Notícias Chico Miguel

25 de outubro de 2017

IDEOLOGIA DE GÊNEROS

Artigo de Chico Miguel

IDEOLOGIA DE GÊNEROS, O QUE É ISTO?

Francisco Miguel de Moura, escritor e poeta. 

Membro da Academia Piauiense de Letras

Quando li a machete no jornal, fiquei assustado: ‘O xente!’ Ideologia de gênios? Mas gênios não têm ideologias. A ideologia de gênios está somente na observação seja da natureza, seja do já criado pelo homem, para daí descobrir coisas novas e interessantes para o homem na terra e a prosperidade da sociedade que compartilha.

Mas, não! Havia me enganado. Perdão, leitores! O que estava escrito era “IDEOLOGIA DE GÊNEROS”, uma tal de modernidade que não tem valor científico nenhum. Não serve à humanidade. Trata-se de ensinar na escola pública (e se puder também estender para a particular) a ideia estúpida de que não nascemos menino ou menina, nascemos como se não houvesse sexo, o que não é verdadeiro nem científico: é uma criação maléfica, nua e crua. Dizer que é uma estupidez de quem prega isto e ainda estende para a sociedade, o estado, é mais do que absurdo: é uma aberração.

A “feminista” Glória Steinem queixa-se da “falsa divisão da natureza humana em feminino e masculino”(sic). E a escritora francesa Simone de Beauvoir pensou a gravidez como “limitadora da autonomia feminina, porque, alegadamente, a gravidez cria laços biológicos entre a mulher e as crianças e por isso, cria o papel de gênero”. Mas esse pensamento já deriva do anterior, de seu (marido?), o filósofo Jean-Paul Sartre, que pregava, diferente dos filósofos da época, mesmo os existencialistas Albert Camus e o próprio criador inconsciente do existencialismo, Dostoiévsky, o grande romancista russo, inigualável até agora, no mundo. Para fim de conversa, o filósofo atual, Augusto Cury, de todos nós conhecidos, contesta a filosofia de Sartre, pois acha “ingênua e romântica”.

Agora ouçamos a socióloga alemã Gabriele Kuby, sobre a Ideologia de Gênero: “É a mais radical rebelião contra Deus que é possível. O ser humano não aceita que é criado homem e mulher, por isto a tal ideologia é a mais radical contra a Natureza, contra a Razão, contra a Ciência! É a perversão final do individualismo: rouba ao ser humano o que lhe resta da sua identidade, ou seja, o de ser homem ou mulher, depois de se ter perdido a fé, a família e a nação”. (..) É uma ideologia diabólica: embora toda a gente tenha uma noção intuitiva de que se trata de uma mentira, a Ideologia de Gênero pode capturar o senso-comum e tornar-se uma ideologia dominante no nosso tempo”. Que Deus nos livre a todos!

Todas essas ideologiazinhas que são importadas pelos países colonizados e pobres como o Brasil, os quais não conseguem sair do populismo e – que dá no anarquismo e socialismo et caterva, quando não num comunismo de pobres como o dos países africanos, asiáticos e americanos – vide Cuba – de onde há muito tempo já desapareceram porque eram falsas, criadas por gente que sofrera numa guerra ou noutra, num deportação ou noutra – e, por acaso, foram tornando-se escritores e filósofos. Todos e todas – aqui, sim, vale o pleonasmo – já desapareceram no mapa do saber contemporâneo, todo baseado na pesquisa e na observação, do mundo e dos mundos.

A dita ideologia de gêneros, ao que parece, foi trazida por anarquistas e comunistas de países que progrediram para a democracia, e já não suportam mais tanta idiotice, como França, Alemanha, Inglaterra, Suécia, entre outros. Também, ao que me parece não existe no Japão e na China, que já consideramos o espelho de desenvolvimento e capacidade de progredir sem agredir nem vizinhos, nem sua própria sociedade. É um desejo desses maus ideólogos para acomodar aqueles que não são regulamente nem machos nem fêmeas, formando assim um treceiro sexo. A ciência até hoje não conseguiu uma explicação genética para esses transtornos sexuais, como para muitos outros de outra natureza. Porque, por mais que se queira dizer diferente – sexo vem da cabeça, assim quaisquer manifestações do corpo humano. Então o que se pode dizer é que nada que for ideado por ideologias será verdadeiro, se não for aprovado pela ciência. Vivemos a era das ciências. As ideologias passaram.

Alguém pode levantar-se e dizer que já na Grécia e em Roma existia um terceiro sexo. Mas é fato que aquelas civilizações faleceram, caíram de podres pela decomposição moral dos seus dirigentes e da plebe – que não tinha outro caminho.

Se temos que acreditar em mais alguma coisa – e temos certamente – apelamos para a história, quanto mais antiga melhor. A principal é a da criação do mundo, descrito por Moisés, nos seus sonhos reunidos em cinco livros da Bíblia – o Pentateuco. Segundo essa história sagrada, jamais contestada totalmente, Deus resolveu criar o Homem como “sua imagem e semelhança”. E o fez. Depois, sentindo que ele estava só e triste, criou a mulher, Eva, entregando ao casal o Éden, o paraíso aqui na terra. E disse que tomassem conta e produzissem filhos e filhas. Não consta que dessa família tenha saído algum anômalo sexualmente, ou seja, diferente dos demais.

Em Dezembro de 2012, o Papa Bento VI referiu, num discurso à Cúria Romana, que o uso do termo “gênero” pressupõe, o seguinte: “As pessoas que promovem essa ideologia de gênero colocam em causa a ideia segundo a qual têm uma natureza que lhe é dada pela identidade corporal que serve como elemento definidor do ser humano. Elas negam a sua natureza e decidem que não é algo que lhes foi previamente dado, mas antes que é algo que eles próprios podem construir(…) A Ideologia de Gênero é uma moda muito negativa para a Humanidade, embora se disfarce com bons sentimentos e em nome de um alegado progresso, alegados direitos, ou em um alegado humanismo”. Mas a Igreja Católica reafirma a sua concordância em relação à dignidade e à beleza do casamento como uma expressão da aliança fiel e generosa entre uma mulher e um homem: “RECUSA E REFUTA AS FILOSOFIAS DE GÊNERO, PORQUE A RECIPROCIDADE ENTRE O HOMEM E A MULHER É A EXPRESSÃO DA BELEZA DA NATUREZA PRETENDIDA PELO CRIADOR”.

 Na nossa humildade, acreditamos que tal ideologia, enfraquece a mulher. Em suma, lembrando o que já diziam os antigos: Quando o homem quiser saber mais do que Deus, o mundo deve estar no fim. É o Apocalipse.

02 de outubro de 2017

Obra importante: tese da professora Cristiane Pinheiro

Artigo de Chico Miguel

OBRA IMPORTANTE: TESE DA PROFESSORA CRISTIANE PINHEIRO

Francisco Miguel de Moura*. 

Há alguns meses recebi um volumoso livro, ainda apenas digitado, mas já no ponto de ser editado. Trata-se de uma obra do maior interesse para o Piauí. É a tese da Professora. Cristiane Feitosa Pinheiro, Professora Titular no Campus da Universidade Federal de Picos. Título de sua tese de doutorado, prestada oralmente aqui em Teresina, diante do corpo de professores da Reitoria da Universidade Federal do Piauí, doutores daqui e de outros Estados. Nome da tese que doutorou a Professora. Cristiano Feitosa Pinheiro: “ENTRE O GIZ E A VIOLA: PRÁTICAS EDUCATIVAS DO MESTRE-ESCOLA MIGUEL GUARANI NO VALE DO RIO GUARIBAS(1938-1971)”.

Esta, sim, é uma obra de peso e medida. A Universidade já deveria estar se preparando, se é que não começou, a publicá-la para, inclusive, melhorar suas publicações de teses, às vezes sem muito conteúdo,outras enviesadas para o lado de teorias e dogmatismos estranhos e desnecessários ao nosso meio.

Mas o que acontece com a tese de doutorado da Professora. Cristiane Pinheiro é bem diferente: Trata do problema educacional no Piauí exatamente com foi no interior do Estado e como, certamente, ainda continua problemática, quando miseravelmente pouco atacado pelas autoridades e quando assim, de forma distorcida, sem observar o passado. 

O passado nos ensina.
Um simples mestre-escola do interior de Picos, mais precisamente do Vale do Guaribas e de seu afluente, o Riachão, trouxe à baila seu grande trabalho em favor das populações daquele interior esquecido, depois desassistido. Miguel Borges de Moura (Guarani) na verdade era bastante conhecido em todo aquele interiorizarão, pois era como que um faz de tudo, desde que para servir os seus conterrâneos e os seus filhos, livrando-os do analfabetismo e indo muito além, pois lecionava o que seria equivalente ao Exame de Admissão ao Ginásio (que ainda não existia no grande burgo – a cidade de Picos). Matéria que ensinava: Português, Aritmética, Geografia, História Geral e do Brasil, além de rudimentos de Ciências.
Quando, no final do século XIX, iniciei a pesquisa sobre Mestre Miguel Guarani, meu pai, ele já não era vivo (faleceu em 07-08-1971). Mas trabalhou incansavelmente até o falecimento, ensinando às crianças, adolescentes e adultos, aquelas matérias e mais: as regras do bem viver, como se chamava a moral e a conduta das pessoas na sociedade, pois ele lecionava também religião. Minha pesquisa durou desde o tempo do seu falecimento até o finalzinho daquele século. Somente em 2005 foi possível publicar o livro de minhas pesquisas e memórias sobre ele, com o título nada pomposo – apenas explicativo: “Miguel Guarani – Mestre e Violeiro”.
Não falei ainda da aquisição desse saber de Mestre Miguel sobre a poesia popular e as cantorias tão comuns no Nordeste. No começo fazia cantorias somente acompanhado, ou melhor, combatendo outro cantador, em versos excelentes perfeitamente improvisados. Foi nessa época que impressionado com o que meu pai fazia, da forma como fazia e gradeza dos seus gestos como Mestre. Ouvindo sua primeira cantoria (depois ouvi muitas), tornei-me realmente seu fã mais do que já era e comecei a entender quão grande era sua inteligência e generosidade, pois não trabalhava por dinheiro,o que ganhava era suficiente (para ser otimista), suficiente para sustentar a família em suas necessidades essenciais. E o que ganhava um Mestre Escola? Melhor nem falar e sentir como o professor nunca foi aquinhoado como devia pelo seu duro trabalho. Professor é um abnegado, que se sacrifica sem saber porquê. Ou melhor, sabe? É bem bem da comunidade sem esperar recompensa.
Poderia falar muito mais do que está no livro que escrevi e mencionei acima, mas acho desnecessário, visto que a Professora Cristiane Pinheiro fez uma pesquisa das mais profundas sobre o assunto, que colocou na tese, entrevistando pessoas que hoje estudam, trabalham ou são professores da Universidade.
Colocando aqui um trecho de sua dissertação, acho que não cometo nenhum pecado, mesmo sem a permissão dela, a autora, grande autora, grande criadora, grande mestra: 
“Mestre Miguel de Moura adquiriu na experiência da sala de aula – casas, fazendas, povoados- as estratégias necessárias para exercer o ofício de mestre, fortalecer as raízes da profissão docente em Picos e adquirir respeito na sociedade em que estava inserido.

Diante de todo o cenário apresentado, resta perguntar: Como se deu o processo de formação e atuação do meste-escola Miguel Borges de Moura, nas comunidades rurais picoenses, através das veias líquidas do Guaribas?” 

A resposta que faz, como estratégia, está toda, e com minudências, no livro tese da Professora Cristiane Feitosa Pinheiro, de 281 páginas. Quando iremos lê-lo em todo o seu teor, em livro publicado pela Universidade Federal do Piauí? Ela, a Universidade, tem o dever de tornar esta tese pública, não apenas pela internet, mas também como livro de papel, para servir de modelo à demais que então se fazem. Sim servir de modelo, sem nenhum desdouro.

Quanto a mim, cabe agradecer penhoradamente o presente que ela me fez e à Educação Piauiense/Picoense, louvando-se, em grande parte, nas obras “Miguel Guarani, Mestre e Violeiro” e “O Menino quase Perdido”, ambos de minha autoria. Mais no primeiro que no segundo, que é apenas um complemento do que eu havia começado a pesquisar e contar.
É claro que a Professora Cristiane Pinheiro presta um inestimável serviço à História da Educação do Piauí, quiçá do Brasil, pois ambas se confundem no que denominada História. Só o futuro reconhecerá.
Não importa. Importante é fazer o que se tem de fazer e fazê-lo bem-feito, para o conhecimento das futuras gerações de estudantes e professores. É isto que acabamos de pincelar sobre o trabalho da Professora Cristiane Pinheiro, da Universidade Federal do Piauí, servindo no Campus de Picos.

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*Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras, membro da Academia Piauiense de Letras (APL) e da Academia de Letras da Região de Picos (ALERP)

08 de setembro de 2017

PREFÁCIO AO NOVO LIVRO DE JOSÉ SOLON DE SOUSA

Artigo original de Chico Miguel

PREFÁCIO AO NOVO LIVRO DE JOSÉ SOLON DE SOUSA

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da ALERP e da APL

O novo livro do poeta Solon de Sousa tem nome esquisito: “Carissimidades/ Poesia Cem”. Somente os poetas entendem os poetas e, como prefaciador, não devoexplicar nada à maioria dos leitores. Prefaciador não devo explicar nada a ninguém, nem mesmo ao autor. O que o poeta diz ou escreve tem sua linguagem cifrada em poesia e poesia não se explica. Lemos, interpretamos como queremos ou podemos. Assim, ninguém perguntaria ao poeta: - O que é que você quer com isto? Essa pergunta seria uma ofensa a qualquer autor. E o prefácio significa uma apresentação do livro, do seu autor, e tal como o prefaciador entendeu ser necessário e bom para os leitores. Numa apresentação não se faz críticas. Tece-se elogio ou não se faz. Como poderia recursar uma apreciação à poesia de Solon, se já fiz o mesmo no primeiro livro, que achei muito bom como estreia?

Feito este exórdio, passemos ao que interessa. Já li o amigo José Solon de Sousa em seu primeiro livro como disse. Depois li outro livro de sua autoria, em prosa, denominado “Você é meu orgulho”. É um cidadão de caráter, probo e competente médico, natural de Jaicós-PI. Mas hoje tem também endereço em Picos. Excelente amigo, não tem apego a dinheiro, gosta muito de música e compõe composições populares, estilo atualmente em vigor na mídia brasileira. Como médico, conhece profundamente sua profissão. Na literatura, o que ele deseja expressar é sua alma, por dispor de tempo e por motivos vários de sua vida, o que não fez antes por falta de espaço e tempo somente ocupados nos estudos e no trabalho. Literatura serve também para isto. E isto ele o faz muito bem. Seus ritmos são singulares, letras com rimas comuns, mas algumas vezes aparecem metáforas não usuais. Assim, não somente o nome do livro é esquisito: assim parece o autor e sua poesia. E qual o poeta que não é esquisito?

É necessário que o leiamos com cuidado, carinho e amor. O poeta merece.

Entretanto, eu recomendaria aos leitores sobretudo os poemas curtos sobre problemas humanos e científicas que, muitas vezes parecem descritivos, mas se assim o são é por necessidade de um vocabulário que nem todo leitor comum tem. Nem mesmo os poetas como este prefaciador, que nada sabe de ciências. Outro tipo de poemas que vejo com muito bons olhos são aqueles que tratam do campo, da roça, das árvores, das lagoas e riachos e dos passarinhos, quando, com alegria, o rancho de sua propriedade animam. Citarei o título de alguns: “Histórias Viva”, “Andropausa”, “Amor amor”, “Ainda bem”, “Voltarás” e “Viveiro,” entre outros. Uns biográficos, outros científicos (misturados com poesia em contradições e metáforas) e os políticos. Não gosto de política em poesia, porque a política da poesia é a forma, o ritmo, linguagem figurada (que fica bem distante da linguagem comum). Mas daí vem a contradição ao poeta: Como ser popular, sem o vocabulário do povo?

Por que falar tanto no livro e no poeta e não mostrá-lo?

Eis aqui um dos seus poemas que apresenta a maior originalidade, um modo comum de os poetas começarem suas obras, dizendo a que vêm e como são:

“Quem vai querer? / Uma casa onde tem poesia /tem luxo. / Não que seja uma casa cara / É uma casa caríssima. //Caríssimos poetas / Caríssima é a poesia! / Carríssimas virtudes / Caríssimos colegas.// Uma casa onde impera outras casas caras /Não tem luxo / Tem ostentação. / É uma casa cara. //Sem carissimidades…/ / Poesia Cem É a minha cara! / Quem vai querer? // Sem forma / Sem estrutura / Sem endereço // Sem id /Ou revide.// Sem pé/ Nem cabeça. /Sem Nada. // Contudo // Isso // Ilhéu imaginário. //Em número // Ilhéu imaginário // Em número de cem // Original / Estilo: // Solon Reis Jacob”.

É seu estilo no livro todo, o qual explica sua poética, seu modo de fazer. Observemos que já o grande poeta Fernando Pessoa inventou vários poetas (heterônimos famosos) em si mesmo para poder expressar bem o que era e o que podia não ser. O grande dramaturgo inglês Shakespeare escreveu: “Eu não sou quem eu pareço ser”. Por essas palavras, sabe-se que a vida só não basta, precisa-se da literatura, do teatro ou de outra arte que nos expresse. Quem seriamos nós sem a palavra? Nos dias de hoje, nós, poetas, nos sentimos frustrados porque não somos considerados gente, porém animais estranhos do tempo dos dinossauros, que foram resistindo, com resiliência, alguns escapando pelo fio da música ou do teatro. Mas nos conformamos em saber que a poesia vem primeiro, vem sempre e chega sempre.

Voltando um pouco à poética de Solon de Sousa, ninguém se espante porque ele repete as palavras, brinca com elas. A repetição é um bom recurso da poesia. Veja a música, repete-se e desrepete-se. O mesmo truque da rima vem junto, completa. Não importa o descritivo para a música ou para a poesia: o importante é que contenha mistério (ou mistérios), pois somente nas almas eles são captáveis. Poesia é alma, é espírito feito carne em palavras. Digo sem querer repetir algo da Bíblia, todos somos a semelhança do espírito de Deus. Solon, poeta, Deus o abençoe. Os poetas são deuses.

  Parabéns, Solon! Parabéns, Jaicós! Parabéns, Picos!

01 de setembro de 2017

TUDO ESTÁ DOMINADO

chico miguel - artigo

“TUDO ESTÁ DOMINADO”, EM FIM ELES ESTÃO CERTOS

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

Tem horas em que a gente sente um desânimo, sentimento provindo da consciência de que nada que se faça terá valor. Nós, escritores, jornalistas, pensadores, poetas e críticos de arte e da sociedade, ficamos como animal no campo para não se esconder no mato: peados. Nada, enfim, que se faça poderá nos libertar do padrão de conhecimento de tudo que se passa às nossas ventas. A falta de disposição em aproximar-se da situação é tanta! Ficamos só a imaginar o que é, o que foi e como será o nosso futuro Brasil, especialmente se relacionarmos com os grandes e mais civilizados países do mundo.

O grande modelo dos políticos que aí estão - e eles impõem pelos meios que têm, e são muitos, especialmente pela educação cheia de teorias estranhas a tudo que temos, que fomos, que somos e ao que poderíamos chegar. Os alunos são desinteressados, os professores incompetentes, uns por sua condição de subdesenvolvidos a partir da família e outros, pelo mincho salário, pouca preparação que tiveram e, finalmente, pela falta de estrutura das escolas – física e intelectual – que entregam para guiar os que a procuram, escondendo dos pais a filosofia do ensino a que se apegam. E muitos desses alunos, muitas vezes entram apenas para comer a merenda escolar e outros até e apenas para passar o tempo.

Nessas condições, que povo nós esperaríamos ter para construir e reconstruir esta nação? Que homens, que cidadãos, mal alimentados, mal instruídos, mas acomodados, muitas vezes morando em choças que mais parecem casas de bichos, casas de ratos, quando não debaixo das pontes! E são eles que vão fazer e estão fazendo (ou desfazendo) o país dos Andradas, o país de Tiradentes, o país… (Hoje ninguém mais quer saber da história da pátria, hoje ninguém tem pátria, poucos têm caráter, e o resto, nenhum.

E se pensarmos na frase “Grande povo, grande povo!”, da avaliação de D. Pedro II, ao lado de “O melhor que o Brasil possui é o seu povo”, de um escritor contemporâneo, cujo nome não me vem à lembrança – cujo esquecimento me faz muito bem, para evitar o nojo que tenho dele e de sua frase. Ou num povo que se vende por um pequeno favor ou mesmo pela esmola de um benefício chamado “bolsa-família”? Ou por dinheiro vivo (muitas vezes tirado dos cofres nação, por meio da corrupção, maior durante as campanhas eleitorais até o dia da eleição? Sinto que não tenho verbo suficiente para convencer ninguém, a respeito disto, falando ou escrevendo, como disse no início. Mas convido meus quatro ou cinco leitores a lermos algumas frases que encontrei no livro do filósofo brasileiro, contemporâneo, Olavo de Carvalho, conforme está na obra muito bem denominada de “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”:

“Se me perguntarem quais são os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade:

1) A matança de brasileiros, entre 40 a 50 mil por ano (estimativa por baixo,se pensamos nos 100 policiais mortos, somente este ano, no desmantelamento das favelas e ninhos das drogas, e essa matança está disseminada em todo o Brasil).

2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer país vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a liberação do narcotráfico .

3) A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de nações bem mais pobres, num país, mais ainda, onde se aceita como Ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra ‘CABEÇALHO’ porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema é ensinar ás crianças as delícias da ‘SODOMIA’ - sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática, ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada das partes anatômicas envolvidas”.São oito pontos que Olavo de Carvalho alinha nesse capítulo denominado UMA GERAÇÃO DE PREDADORES, extraído de seu artigo publicado em 3-6-2011, no Diário do Comércio. Não sei se teria condições nem tempo de copiá-los todos.

Então, daqui para frente, vou apenas tentar fazer o resumo dos restantes, em poucas linhas: a) A falta cada vez maior de mão de obra qualificada,nível superior, cuja mão de obra tem vindo de outras país para suprir a nossa falta. b) A dívida monstruosa acumulada por um governo criminoso que, assim, estrangula de vez as gerações vindouras e o futuro do seu país. c) A completa impossibilidade da existir a concorrência democrática, com eleições limpas e dentro dos princípios constitucionais, pois que com a cumplicidade dos ricos, cuja fortuna não se sabe onde começa nem onde acaba. Certamente na corrupção do poder público, em todos os níveis: federal, estadual, municipal, abraçando o executivo, o legislativo e o judiciário. d) A debilitação alarmante da soberania nacional, por um bom tempo condenada a morte pela burocracia internacional e pelo cerco continental do Foro de São Paulo, até algum tempo desconhecido da maioria dos brasileiros – este uma força dos partidos populistas chamados de sociais como o PT, o PC cubano e o do ditador e tirano da Venezuela. e) A destruição completa da alta cultura, num estado debilitado, quase catastrófico, de favelização intelectual, parte saindo da universidade, onde qualquer pessoa, a qualquer título, faz sua tese sem nenhum valor em essência, simplesmente porque os seus mestres também receberam esta herança de cerca de anos e foram rolando, rolando, até qualquer “tesesinha” parecer alta sabedoria quando não passa de enrolação para obter um título. Parte dessa destruição cabe aos donos e diretores de emissoras de tevê e cadeias de jornais, onde seus donos se vendem para dizer o que aqueles políticos populistas, petistas ou não, mundos e fundos do que pensam da “burguesia”, quando não sabem o que é burguesia e muito menos idiotas - estes da classificação do nosso sábio Olavo de Carvalho. Parece-me que é o único, o qual não suportando o vácuo de cultura deste nosso país mudou-se para os Estados Unidos. A frase inicial “Tá tudo dominado”, cunhada pelos barões da droga nacional e internacional parece já seja uma verdade.  

26 de agosto de 2017

LYGIA FAUNDES TELES - CÉLEBRE ESCRITORA BRASILEIRA

Artigo original de Chico Miguel

LYGIA FAGUNDES TELLES – CONTISTA E ROMANCISTA NOTÁVEL

*Francisco Miguel de Moura - Autor

Há muito tempo li o romance “Ciranda de Pedra”. Antes já havia lido, “Antes do Baile Verde”, 1970, uma coleção e também seleção de contos que muito me impressionou, pela simplicidade, ternura e exposição do momentos da vida atual, da humanidade e da profusão de sentidos e sensações. Acabei escrevendo uma análise e uma confirmação do que já vinha sendo a sua fama como contista, atestada pela crítica brasileira e, certamente também de alguns outros países. É possível que sim, visto que foi a nossa primeira escritora (mulher) indicada para o Prêmio Nobel, quando a escritora e maior contista brasileira completava 92 anos, isto é, em 2016.

“Ciranda de Pedra”, como livro, foi editado em 1938. Creio que, por causa do grande reconhecimento pelo público e divulgação da obra, tanto o nome de Lygia Fagundes Telles quanto o de “Ciranda de Pedra” levaram (ambos) à aceitação e divulgação pela mídia.

A principal personagem é Virgínia. Com ela começa o romance assim, num diálogo com a empregada:

-“Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

- Abre, menina, ordenou Luciana do lado de fora.

Virgínia encostou-se à parede e põe-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. ‘Se entrar aí nessa fresta, você morre!’ Eu te salvo bobinha, não tenha medo’, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante, fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. Esmagou a formiga.

- Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

- Agora não posso.

- Não pode, por quê?

- Estou fazendo uma coisa… respondeu evasivamente. Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. ‘Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será também um bicho, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...’ Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

- Ou você abre, ou conto pra seu tio. É isto que você quer, é isto?”

Mas não é possível explicar um romance pela primeira página, embora seja importante (ou pela última), ambas significativas, no conjunto ou separadamente. É um pedaço da história de “Ciranda de Pedra”, cuja simbologia só saberá quem o ler todo. A história e os personagens são importantes. Entretanto é preciso que se veja e analise o estilo, a estrutura, o tempo, o espaço. Importantes são as relações entre os personagens fortes como Virgínia – Luciana e as irmãs de Virgínia (Otávia e Bruna). Elas influenciam a menina – criada sem mãe, não porque fosse órfã… Na verdade, o romance fala pouco na mãe das três irmãs. Sabe-se que Laura, a mãe, esteve no Sanatório e não reconheceu a menina Virgínia. O resto, que é a maior parte, ou seja tudo, quem quer saber tem que ler o romance, mesmo que tenha assistido à novela do mesmo nome, produzida pela Rede Globo e exibida no horário das 18 horas, de 18 de maio a 14 de novembro de 1981, cujo cenário é São Paulo, capital. Tempo: 1940.

Lygia Fagundes Telles nasceu em 1923, no dia 19 de abril. Filha de Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim Moura, ele era advogado e sua mãe pianista. A família viveu anos pelo interior do Estado, mas Lygia já nasceu na capital, por isto é que seu estilo se caracteriza por representar o universo urbano e a forma intimista da mulher, ou seja, a psicologia feminina. Embora formada em Direito e Educação Física, seu interesse maior foi pela literatura. Já aos 15 anos publicava o seu primeiro livro, que quase não chegou a ser conhecido fora de São Paulo, denominado “Praia Viva”, sua estreia na arte de escrever.

Lygia Fagundes Telles, reconhecida como uma das mais belas mulheres da sua época, foi casada com o jurista Goffredo Teles Júnior, com quem teve um filho. Divorciada, casou-se com o ensaísta e crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes. Em 1982 foi eleita para a Academia Paulista de Letras e em 1985, tornou-se a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 1987, para a Academia das Ciências de Lisboa. Entre muitos prêmios dos que recebeu, destaque-se o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, em 1949. Outros prêmios recebidos: do Instituto Nacional do Livro, em 1958; o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, pela sua obra “Verão no Aquário” , em 1965. Outros que lhe mereceram prêmios: “A Meninas” e “Invenção e Memória”. Por fim, em 13 de outubro de 2005, o grande Prêmio Camões, em Portugal.

Seria tedioso citar todas as obras de Lygia Fagundes Telles? São muitas. Talvez sim, talvez não. De modo geral, quem lê,quer saber de tudo. De uma escritora, o que ela escreveu. Então, inclusive para satisfazer aos que fazem pesquisas biobibliográficas, eis a relação que encontrei na internet: “Porão e Sobrado”, contos, 1938; “Praia Viva”, contos, 1944; “O Cacto Vermelho”, contos, 1949; “Ciranda de Pedra”, romance, 1954; “Histórias do Desencontro”, contos, 1958; “Verão no Aquário”, romance, 1964; “O Jardim Selvagem”, contos, 1965; “Antes do Baile Verde”, contos, 1970; “”As Meninas”, romance,1973; “Seminário dos Ratos”, contos, 1977; “Filhos Prodígios”, contos, 1978; “A Disciplina do Amor”, contos, 1980; “Mistérios”, contos, 1981; “Venha Ver o Pôr do Sol”, contos, 1987; “As Horas Nuas”, romance, 1989: “A Noite Escura Mais Eu”, contos, 1995; “Biruta”, contos, 2004; “Histórias de Mistérios”, contos, 2004; “Conspiração de Nuvens”, contos, 2007; e “Passaporte para a China”, contos, 2011.

Contei acima um pedaço da história, mas não é a história que me fascina, na ficção de L.F. Telles. Como na maioria dos ficcionistas, que olhemos atentamente, o modo de dizer, o suporte psicológico dos personagens e outras tantas qualidades, as quais estão presentes nessa forte e finíssima escritora brasileira. Pareceu-me um romance sombrio, de solidão, de questionamentos familiares que só se alcançam na ficção. Leiam-na e certifiquem-se, meus leitores, por favor.

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* Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras e de outras entidades literárias e artísticas, do Brasil e do Exterior.

25 de agosto de 2017

LYGIA FAGUNDES TELES - CÉLEBRE ESCRITORA BRASILEIRA

chico miguel

LYGIA FAGUNDES TELLES – CONTISTA E ROMANCISTA NOTÁVEL

Francisco Miguel de Moura – Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

Há muito tempo li o romance “Ciranda de Pedra”. Antes já havia lido, “Antes do Baile Verde”, l970, uma coleção e também seleção de contos que muito me impressionou, pela simplicidade, ternura e exposição do momentos da vida atual, da humanidade e da profusão de sentidos e sensações. Acabei escrevendo uma análise e uma confirmação do que já vinha sendo a sua fama como contista, atestada pela crítica brasileira e, certamente também de alguns outros países. É possível que sim, visto que foi a nossa primeira escritora (mulher) indicada para o Prêmio Nobel, quando a escritora e maior contista brasileira completava 92 anos, isto é, em 2016.

“Ciranda de Pedra”, como livro, foi editado em 1938. Creio que, por causa do grande reconhecimento pelo público e divulgação da obra, tanto o nome de Lygia Fagundes Telles quanto o de “Ciranda de Pedra” levaram (ambos) à aceitação e divulgação pela mídia.

A principal personagem é Virgínia. Com ela começa o romance assim, num diálogo com a empregada:

-“Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

- Abre, menina, ordenou Luciana do lado de fora.

Virgínia encostou-se à parede e põe-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. ‘Se entrar aí nessa fresta, você morre!’ Eu te salvo bobinha, não tenha medo’, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante, fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. Esmagou a formiga.

- Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

- Agora não posso.

- Não pode, por quê?

- Estou fazendo uma coisa… respondeu evasivamente. Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. ‘Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será também um bicho, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...’ Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

- Ou você abre, ou conto pra seu tio. É isto que você quer, é isto?”

Mas não é possível explicar um romance pela primeira página, embora seja importante (ou pela última), ambas significativas, no conjunto ou separadamente. É um pedaço da história de “Ciranda de Pedra”, cuja simbologia só saberá quem o ler todo. A história e os personagens são importantes. Entretanto é preciso que se veja e analise o estilo, a estrutura, o tempo, o espaço. Importantes são as relações entre os personagens fortes como Virgínia – Luciana e as irmãs de Virgínia (Otávia e Bruna). Elas influenciam a menina – criada sem mãe, não porque fosse órfã… Na verdade, o romance fala pouco na mãe das três irmãs. Sabe-se que Laura, a mãe, esteve no Sanatório e não reconheceu a menina Virgínia. O resto, que é a maior parte, ou seja tudo, quem quer saber tem que ler o romance, mesmo que tenha assistido à novela do mesmo nome, produzida pela Rede Globo e exibida no horário das 18 horas, de 18 de maio a 14 de novembro de 1981, cujo cenário é São Paulo, capital. Tempo: 1940.

Lygia Fagundes Telles nasceu em 1923, no dia 19 de abril. Filha de Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim Moura, ele era advogado e sua mãe pianista. A família viveu anos pelo interior do Estado, mas Lygia já nasceu na capital, por isto é que seu estilo se caracteriza por representar o universo urbano e a forma intimista da mulher, ou seja, a psicologia feminina. Embora formada em Direito e Educação Física, seu interesse maior foi pela literatura. Já aos 15 anos publicava o seu primeiro livro, que quase não chegou a ser conhecido fora de São Paulo, denominado “Praia Viva”, sua estreia na arte de escrever.

Lygia Fagundes Telles, reconhecida como uma das mais belas mulheres da sua época, foi casada com o jurista Goffredo Teles Júnior, com quem teve um filho. Divorciada, casou-se com o ensaísta e crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes. Em 1982 foi eleita para a Academia Paulista de Letras e em 1985, tornou-se a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 1987, para a Academia das Ciências de Lisboa. Entre muitos prêmios dos que recebeu, destaque-se o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, em 1949. Outros prêmios recebidos: do Instituto Nacional do Livro, em 1958; o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, pela sua obra “Verão no Aquário” , em 1965. Outros que lhe mereceram prêmios: “A Meninas” e “Invenção e Memória”. Por fim, em 13 de outubro de 2005, o grande Prêmio Camões, em Portugal.

Seria tedioso citar todas as obras de Lygia Fagundes Telles? São muitas. Talvez sim, talvez não. De modo geral, quem lê,quer saber de tudo. De uma escritora, o que ela escreveu. Então, incluisve para satisfazer aos que fazem pesquisas biobibliográficas, eis a relação que encontrei na internet: “Porão e Sobrado”, contos, 1938; “Praia Viva”, contos, 1944; “O Cacto Vermelho”, contos, 1949; “Ciranda de Pedra”, romance, 1954; “Histórias do Desencontro”, contos, 1958; “Verão no Aquário”, romance, 1964; “O Jardim Selvagem”, contos, 1965; “Antes do Baile Verde”, contos, 1970; “”As Meninas”, romance,1973; “Seminário dos Ratos”, contos, 1977; “Filhos Prodígios”, contos, 1978; “A Disciplina do Amor”, contos, 1980; “Mistérios”, contos, 1981; “Venha Ver o Pôr do Sol”, contos, 1987; “As Horas Nuas”, romance, 1989: “A Noite Escura Mais Eu”, contos, 1995; “Biruta”, contos, 2004; “Histórias de Mistérios”, contos, 2004; “Conspiração de Nuvens”, contos, 2007; e “Passaporte para a China”, contos, 2011.

Contei acima um pedaço da história, mas não é a história que me fascina, na ficção de L.F. Telles. Como na maioria dos ficcionistas, que olhemos atentamente, o modo de dizer, o suporte psicológico dos personagens e outras tantas qualidades, as quais estão presentes nessa forte e finíssima escritora brasileira. Pareceu-me um romance sombrio, de solidão, de questionamentos familiares que só se alcançam na ficção. Leiam-na e certifiquem-se, meus leitores, por favor.

HOMERO CASTELO BRANCO, IMAGENS DO SOL POENTE

Artigo original de Chico Miguel

  HOMERO: IMAGEM DO SOL NASCENTE

Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

Não vou escrever aqui uma crítica ao livro “Imagem do Sol Poente”, de Homero Castelo Branco, nem uma biografia do autor. Conheço Homero desde o tempo em que eu e o O. G. Rego de Carvalho morávamos na Rua 13 de Maio, no quarteirão correspondente ao Colégio Estadual do Piauí (mais conhecido por Liceu Piauiense), enquanto ele frequentava a casa de seu tio Geraldo Castelo Branco, conhecido por Geraldão, o dono da Loteria Estadual, cuja residência era vizinha à minha. Aliás, o próprio Homero escreveu que chegou em Teresina, em janeiro de 1968.

Depois no período de 1975 a 1979, elegeu-se Deputado Federal. Do fim do séc. XX ao começo do novo século – 1996 a 2007 novamente voltar a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Teve uma atuação política tranquila, de acordo com a sua personalidade de homem que sempre positivamente vê a vida, os parentes, amigos e conhecidos. De família tradicional, muitos já ocuparam uma cadeira na Academia de Letras, ele ia devagar e sempre escrevendo seus artigos e publicando livro sobre a história da vida e das pessoas de Amarante, PI, onde nasceu aos 3 de abril de 1944. Estudou e formou-se em Economia pela Universidade Federal do Ceará. Escreveu outros livros, entre os quais “O Escritor”, uma espécie de romance bem diferente, mas no mesmo estilo memorialístico

Mas Homero Castelo Branco nunca quis fazer praça de escritor, o que fez são memórias ou quase memórias, como este que estamos registrando, muito gostoso de ler. Dizer gostoso é pouco: muito bem escrito e apoiado na memória de sua vida – a maior parte nesta “Cidade Verde”, que acaba de completar 165 anos. Ele, o acadêmico e escritor, preparou o livro, entre outras coisas importantes como a festa para reunir a família, os parentes e os amigos, em chegando os 72 anos, uma idade ainda viva para escrever e oferecer tão bem. É preciso que se veja a forma e o conteúdo, donde se tira a sinceridade, de como ele oferece o livro, avaliando pelo exemplar que me enviou em nome dele e de sua mulher, Dona Hilma Castelo Branco: “Amigos Mécia e Chico Miguel, com carinho e admiração” - oferta escrita à mão, ao alto de uma declaração que é um exemplo de cortesia e bondade e finesse:Há pessoa que coleciona carro antigo, livro, caneta, relógio, vinho, obra de arte… Eu coleciono amigo e quero que você faça parte desta minha seleta coleção. Afetuoso abraço – Homero Castelo Branco. Out. 2016”.

Dá gosto ler “Imagem do sol poente”. Notei que a leitura desse livro é um exercício muito bom para o coração, para a saúde tanto de quem escreveu quanto dos seus leitores. Não serão muitos, por enquanto, pois como ele confessa não é escritor profissional e o fez foi para oferecer aos amigos, que por serem tantos, torna-se muito difícil distribuí-lo sem uma ajuda da mídia – coisa que ele não fez e tudo indica que não vai fazer.

No livro não há página melhor, todos os capítulos são ótimos, cheios de ensinamentos filosóficos sobre a vida humana especialmente da fase da madureza para a velhice. Ensinamentos sobre a vida de quem está vivendo, de quem viveu e de quem espera viver muito mais, pois é uma obra positiva, quer no conjunto, quer nas partes, quer no conteúdo quer no estilo. É realmente a maturidade do intelectual Homero Ferreira Castelo Branco Neto, que não é só autor de bons livros, mas também de dono de conversa agradável, cheia de casos e pessoas diferentes e por isto interessantes. Homero nunca está triste, pelo menos nunca o vi assim.

Aqui, de raspão, só para não ficar nas minhas palavras, depois de dizer que eu chamo de imagens, logo no plural, que é mais do está no título, porque eu senti uma cachoeira despencando-se aos meus olhos, enquanto lia, e meu pensamento de vez quando parava e imaginava como pôde em apenas 298 páginas colocar tanto, de forma tão clara e tão suave para ler-se, embora nem sempre trate de suavidades. Trata da vida, positivamente, como já disse. E assim cada dia é um novo dia a ser explorado e recriado pelas almas em conflito, mas confiantes no bem, no amor e no próximo.

Algumas frases dele que sublinhei e trago para meus leitores:

“Não quero mais convencer ninguém a nada. Quero aprender, cada vez mais, a escutar melhor as pessoas e ter tempo para cantar a família, os amigos, ficar em casa lendo e anotando. Está aí o prêmio que me dou por não jogar fora bem tão precioso: o tempo...

“Pelo amor viveremos, mesmo depois de morto... Cada texto literário é um pedido de hipoteca de um pedaço do tempo e do amor de seus possíveis leitores… Até parece que em minha juventude as árvores e as flores tinham mais perfume do que hoje… É incrível, precisa -se ficar idoso e cansado para obter esse privilégio… A idade traz benefício e liberdade. Às vezes tocamos o contrário. Descobrimos que absolutamente nada é definitivo, inclusive a vida. Compreendemos a inutilidade do orgulho, a tolice da disputa, a estupidez da ganância e a inconveniência de tolas mágoas.”

Mas nem só de frases e pensamentos é feito o “IMAGEM DO SOL POENTE”, de Homero Castelo Branco Neto. O livro pede que seja lido integralmente. E até relido, com prazer e alegria. Não é só romance, não são só crônicas nem memórias: E tudo isto e mais: é a vida.

10 de agosto de 2017

A solidão: vantagens e desvantagens

Artigo original de Chico Miguel

A SOLIDÃO: VANTAGENS E DESVANTAGENS

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

Um dia destes, ou melhor, uma noite destas, deitado na rede do terraço de nosso apartamento e olhando a Lua, no céu sem nuvens, estive muito pensando sobre a solidão. Embora não estivesse só, em casa, pois minha companheira de muitos anos, Dona Mécia, estava lá no quarto fazendo suas orações a Deus, aquilo que faz todas as noites. A ideia me veio momentaneamente. Ora, eu sou uma pessoa tímida e que sempre teve medo da solidão. Mas sou também apreciador de uma boa conversa entre duas ou mais pessoas, principalmente quando se trata da literatura e artes de modo geral,também das novidades científicas e da política.

Quando se fala ou se refere à solidão, a tendência de todos nós – salvo as exceções – é começar a sofrê-la, especialmente se estiver sozinho. Porque, por incrível, há também solidão entre muitos. Solidão, tristeza, estigmas.

Neste momento, estou lembrando das cartas que o escritor Eduardo Maffei, meu amigo de São Paulo, já falecido, me fazia. Isto já faz muitos anos. Então, numa delas ele me falava de filosofia e política (como sempre), depois passava a contar alguns problemas de sua vida caseira. Casado com Dona Guiomar, tinham dois filhos, ambos já independentes, professores universitários, e raramente ou nunca visitavam os pais. E creio que, por isto, falava em solidão:

“Amigo Chico Miguel, só quem não tem cachorro, música e livros, sente solidão”.

Testemunhávamos tudo de suas preocupações e recebíamos suas lições. Isto, eu e o poeta Ozildo Batista de Barros, outro dos seus correspondentes como eu, sempre achamos que Maffei era um sábio. Um sábio que morreu e ficou no esquecimento. Já havia televisão, computador, mas o celular não existia como é hoje. Não era possível conversar se não fosse por telefone (muito caro) ou por carta.

A solidão será, quase sempre, acompanhada do sentimento de tristeza. E eu, com minha tristeza congênita, embora goste muito de rir, sempre achei e acho incômodo o ar de tristeza, uma coisa que pode transferir-se rapidamente ao ambiente. Dizem que é da natureza de cada um que nascem as doenças e que “o triste” já nasceu assim. Não acredito, pois fomos feitos por Deus. E Deus é alegria, paz, amor, fraternidade, bondade infinita. Não iria fazer nenhum homem triste. Por acaso, na missa do último domingo, lendo o Evangelho, não me lembro qual deles, encontro uma passagem onde Jesus afirma que a tristeza é pecado. Noutra parte, em Mateus, 14:23, informa que “Jesus gostava de estar com outras pessoas, mas ele também apreciava os momentos em que ficava só”. Logo na solidão, numa solidão sadia, de meditação, de amor sem vaidade.

Pesquisando por aí, mais na internet que nos livros, encontrei uma afirmação que cabe muito bem aqui: “Para os aflitos, todos os dias são maus. Mas quem é alegre de coração tem sempre um banquete, cada dia”.

Minha mãe, tinha, na memória, umas cantiguinhas em quadras, usadas nas suas brincadeiras de criança e adolescente, cantigas de rodas, onde cada participante inteligente inventava sua participação a outro ou outra, troca de amizade ou de desabafo. Vale citar esta, para o nosso tema:

“Meu amor não fique triste, / fique alegre, se puder; / coração que vive triste/ nunca logra do que quer.”

De uma forma ou de outra, os animais têm alguma influência na vida da scritor, famaioria das pessoas, especialmente naqueles que moram sozinhos (ou são solteiros) – como vimos acima sobre o estimado cão do escritor Dr. Eduardo Maffei. Quem lhe espantava a solidão era o animal, um companheiro sincero, especialmente depois que Dona Guiomar, esposa do eleceu.

Até aqui tratamos das desvantagens da solidão. Vamos à outra margem. O criador, escritor, pintor, músico, etc precisam da solidão – a solidão criativa. Mesmo os que sofrem de tristeza profunda, a chamada depressão precisam do silêncio para a prática da meditação, sem silêncio não se faz uma boa prece, uma grande meditação.

Além das solidões faladas há também outra solidão – que aqui não quer dizer tristeza: É aquela voluntária, por algum tempo, para resolver-se como pessoa pensante e que teve uma grande contrariedade; também a daqueles que se cansaram muito de certas tarefas; e aquela, por toda vida, dos monges que se entregam ao absoluto e vivem satisfeitos com o rumo que deu a seu destino.

Existem muitas outras solidões, vantajosas ou não, com tristeza ou não. O cancioneiro popular está cheio da palavra “saudade”, companheira da ausência, da solidão, mas também gratificante quando se espera por uma amor ou uma coisa certa e distante, mas que sabe chegará. E aí tudo é alegria.

É bom referir que as mulheres são menos propensas à solidão, tanto que falam muito até com as paredes, os animais, a televisão, tudo. E choram. Logo as mulheres ficam mais tristes e ao mesmo tempo sentem alegria dobrada quando tudo passa. Os homens tidos por durões, são duros mesmo: falam pouco, choram pouco ou quase nada, ninguém sabe explicar o porquê.

De qualquer forma a solidão cai em desvantagem quando relacionada com as vantagens, que são bem poucas. Será que somos uma espécie triste, não obstante sermos o único animal que sorri?

Diz-se que nós cantamos para espantar as tristezas, será? Ou é porque somos tristes mesmo que cantamos?

Fique o enigma.

31 de julho de 2017

Francisco Miguel de Moura e o Menino quase Perdido

Artigo original de Chico Miguel

SEGUNDA-FEIRA, 31 DE JULHO DE 2017

O MENINO QUASE PERDIDO, DE FRANCISCO MIGUEL DE MOURA

Rosidelma Fraga e José Fortes 
Poetas, críticos literários e blogueiros brasileiros

O menino quase perdido (2009), trigésima obra de Francisco Miguel de Moura, divide-se em trinta e cinco narrativas que podem ser lidas separadamente como é o caso de Vidas secas, de Graciliano Ramos, cujos contos foram escritos fora de ordem para depois juntar o embrião com o corpo maior que é o romance. O narrador de Miguel de Moura, em terceira pessoa, vale-se de estratégias de concatenação de memórias de um sujeito que se vê como duplo na busca interior e na procura do outro. A esse respeito asseverou sua leitora assídua Teresinha de Queiroz (2009, p. 11): ?retomar o tempo é igualmente buscar as memórias e as lembranças dos outros, no desejo e no desespero de dar significado e carnação aos sonhos fugidios que ameaçam sempre nos escapar nessa busca que é a procura de si?. A sensação que o leitor tem é a de que a narrativa onisciente pareça ter sido realizada em primeira pessoa, causando uma quebra de conceitos da própria narratologia nas mãos de um narrador idôneo que conhece bem o caminho para construir o inverso sem usar necessariamente a primeira pessoa. Trata-se de uma história introspectiva, não obstante escrita na terceira pessoa do singular. E essa marca é uma das possibilidades para que O menino quase perdido seja ímpar, pois há uma busca de si no outro e vice-versa.

O menino da narrativa de Moura parece mergulhar nesta busca de si e não se perde nas analepses, no sentido genettiano do termo, uma vez que há um projeto de texto baseado nas elucidações de Paul Ricouer (2007) no que tange à ars memoriae (memorial ou arte da memória). A narrativa de O menino quase perdido está centrada no método seletivo como bem degustamos em Ricouer, ao defender que toda narrativa é seletiva e não existe memória sem história e esquecimento.

As primeiras páginas da obra passam pelo crivo existencialista do ponto de vista da história construída por um sujeito humano. O leitor pode encontrar, em muitas partes das ?crônicas?, alguns subsídios que permitem categorizar a escritura como uma autobiografia que não quer perder a feição memorialística da infância. Uma delas é a narrativa de ?As marcas da areia? que oscila entre a memória, a história e o esquecimento:

?Quem não tem história, não tem vida feliz, plena, no sentido humano. A história completa o espírito de cada homem, esse animal social, político e, dizem, religioso. O menino quase perdido, como não tem história, continua a fazer pegadas na areia...? (MOURA, 2009, p.25).

A partir deste instante, o leitor começa a indagar: Quem é o menino quase perdido na fala do narrador? As duas possibilidades de leituras são textuais e intratextuais. A história construída pelo autor e não pelo narrador permite discordar do próprio narrador. O menino sem história revive, em seu memorial, as pegadas de areia não unicamente daquele instante sui generis da infância, como também da própria história do autor. Essa leitura pode ser feita se o leitor associar o paratexto ?As marcas da areia? com o título de Areias (1966), o primeiro livro de poesias, de Francisco Miguel de Moura. Perseguimos tal leitura, defendendo que o menino quase perdido (personagem) se assemelha igualmente ao autor empírico. A escritura da obra existe para comprovação. E como as narrativas não são interdependentes, elegemos algumas partes para que a leitura seja tão real quanto à ?narrativa autobiográfica?. Quando afirmamos que as histórias são interdependentes, queremos chegar, por exemplo, ao memorial ?A fábula do preguiçoso?, configurando-se como um dos textos que pode ser lido separadamente sem perder o ritmo e o sentido.

Da mesma forma é a história ?Saudade e dor?. Nela encontramos algumas pegadas de Areias no reviver da infância. Os últimos versos daquela primeira obra casam-se perfeitamente com o poemeto do menino Xico, nas páginas de O menino quase perdido. Colocamos os dois excertos lado a lado: Não deixes que a areia/branca da infância /enferruge e coma/ tua coragem./Como a aranha tece,/ tece a tua teia” (MIGUEL DE MOURA, 1966, grifos nossos) “O menino quase perdido”, como não tem história, continua a fazer pegadas na areia. (MOURA, 2009, p.25 (grifos nossos).

Tecer a teia pode ter a mesma equivalência de tecer memórias para guardar a lembrança viva da infância e não ?enferrujar o tempo?, ainda que o passado pareça perdido nos momentos de dor e melancolia ou ?medo e esperança?, título da vigésima nona narrativa.

O leitor também parece ser o seu objeto nas voltas e cortes reflexivos da vida e da infância, em virtude da fruição e identificação com o texto, quando lê os trechos do poemeto da vida do menino Xico e sente-se tomado pela nostalgia que parece divergir do sentimento da saudade, pois aquela parece ser mais eterna, contida e retida no desejo da memória /Ah se eu pudesse guardar /sem virar/ sem pensar,/ as cinzas da infância”.(MOURA, 2009, p.89 (grifos nossos).

Recordar é guardar e reter o tempo com a sensibilidade da alma para que o passado se torne um agora na memória eterna, quase lírica, rompendo-se com o esquecimento. E o menino da história consegue resgatar a volta ao tempo [quase] perdido nos achados de sua memória, porque ele soube preservar a ?sensibilidade em toda a parte, nos interstícios do corpo e da alma, na profundidade do seu estar-no-mundo?. (MOURA, 2009, p.93).

Junto ao estar no mundo desse menino, não faltaram as lembranças da passagem da infância/adolescência para a fase adulta. Em ?O fim da infância?, podemos dizer que os traços desses momentos são aflorados na vida do menino Xico no povoado de Picos, sertão piauiense, onde se comprova a linha memorialística de arquétipo autobiográfico. O menino revive os momentos prazerosos da adolescência frente ao pedido de namoro de uma mulher e as despedidas em lágrimas numa manhã. No entanto, o leitor percebe que essa imagem de amores mistura-se à metáfora implícita do vínculo amoroso do autor com sua terra quando lemos o fragmento, a saber:

Eu me vou... Mas prometo que quando tiver lua nova venho cá, beijar este chão e visitar a casinha onde dormimos a noite. Mesmo que você não esteja mais neste lugar? (MOURA, 2009, 171 (grifos nossos).

As memórias são alicerçadas na lembrança que oscila entre a paixão adolescente e a paixão pelo lugar paradisíaco na mente do narrador que fala de Xico. A presença da casa em Picos sugere que o lugar seja tão importante para o personagem quanto à figura da mulher que, por um instante, amou. E mesmo que ela não esteja mais na "terrinha prometida", é para lá que o menino Xico sempre voltará. Neste emaranhado de recordações, temos um narrador consciente e onisciente para assegurar ao leitor que somente ele pode ser, concomitantemente, uma testemunha, uma vez que presenciou cada instante narrado:

“Ali terminava um namoro de dois meses, tão sofridos quanto gozados, porque se despedia da infância agora perdida; ficava-lhe apenas aquela lembrança, sua memória. De concreto, somente o último beijo e o único adeus... Sem testemunhas?” (MOURA, 2009, 171, grifos nossos).

De “o fim da infância” “ao momento de”… “Naquela tarde de abril”, o leitor pode visualizar uma longa passagem do tempo, já que o narrador não estará a contar sobre o menino e suas infâncias, mas sobre um menino-velho tentando recuperar os laços ou os fios do tempo, a fim de narrar a paixão platônica por Ruth. Talvez esta última memória seja a mais esperada pelo leitor como se a recordação amorosa transformasse em pegadas de areia, cujas águas do tempo não conseguiram apagar. Neste final, o narrador utiliza-se de recursos imagéticos próximos a Homero para vir à tona a memória que reterá o esquecimento, uma vez que a mesma sensação de reconhecimento da cicatriz de Ulisses, de Odisséia, está presente em Miguel de Moura. Tal exegese é válida se observarmos o momento em que o menino-velho revê a paixão da adolescência, num tempo transcorrido extensamente como a colcha de Penélope, e chega ao reconhecimento da ferida, nas marcas do tempo presente. Segue o trecho:

“Aos olhos do menino, era linda, da cor do leite das vacas de seu pai. Da primeira vez que a viu, tinha uma pequena ferida na perna que era um charme!” (MOURA, 2009, p.173 (grifos nossos).

Posto isto, o narrador mostra-nos que o tempo e a distância entre uma recordação e outra faz do instante perdido o momento recuperado no memorial existencialista. Em toda e qualquer mente humana é presumível que pelo menos duas lembranças permaneçam inabaláveis: a infância e a adolescência, sobretudo quando chegamos ao momento da mais alta experiência humana:

O mundo dá muitas voltas e é preciso que a gente não reaja contra os ventos da sorte [...]. Embebidos um no olhar do outro, procurando captar, no que ainda restara: - a face do que foram e já se havia esfarinhado no tempo. Tantos anos!” (MOURA, 2009, p.173-175, grifos nossos).

O sentimento dessas memórias não pôde ser fotografado pelo narrador, todavia a mão que narrou soube reter a imagem fotográfica de cada instante passado, trazendo à baila um memorial da escrita de si e das escritas do outro que há em nós. Para ultimar essas fotografias do passado, o narrador assegurou que a palavra não dá conta de expressar a emoção, mormente num gênero que não seja lírico. Entretanto, leitor, Francisco Miguel de Moura, não mais o narrador, com a sua sensibilidade de poeta, pintou o som das reminiscências com as mais belas imagens, eternizando-se como uma música de Mozart? ou um quadro feito por Leonardo da Vinci? (MOURA, 2009, p.175) na vida de “O menino quase perdido”. 
                                                                 *******

Referências bibliográficas:MOURA, Francisco Miguel de. O menino quase perdido. Ilustração de Franklin Moura. Teresina, 2009, 182 p.; QUEIROZ, Teresinha. A vida começa num sonho. Prefácio. In: MOURA, Francisco Miguel de; O menino quase perdido. Ilustração de Franklin Moura. Teresina, 2009, p.11-15.; RICOUER, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Tradução: Alain François. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2007.

16 de julho de 2017

SELEÇÃO DE POEMAS DE "Poesia in Completa" - 1a. edição

Poemas selecionados - Chico Miguel

 O HOJE

Francisco Miguel de Moura

(seleção de Poesia in Completa – 1a. edição


certamente inda te adias

pois teus olhos se clareiam

ante a brisa e a paisagem

- que o horizonte é um presente

velejado por rostos escolhidos

mas não atrases teu amor

ao irmão que sofre o preterido

alegria, alegoria

o coração pede ritmos e pulsos

não é nenhum covarde

nem guarde restos e pedaços

de impressentidas elegias

o hoje é tudo o que se tece,

que bem tecido é odor, sabor e prece

em indistintas simetrias.

o amanhã não é teu dia

se hoje não tiveres empatia

com o razoável mundo e o sem-razão.

o ontem não tem clave se te agravas

em sentimento de ódio e entropia

como veio

de teu canto, em toda a via.

colhe a flor que está à mão.


O ONTEM


ontem foi o tempo emocional

assim, como passar

uma esponja

sobre o mal?

e o passado seria mortal

mas uma esponja

embebida do homem

embeberia a coisa:

- na verdade, o mal

um tempo sonâmbulo

que se gravou como um sinal

(esquecer não precisa

nem pode, é tão real)

ontem: eis o tempo que fica

como fundo do tempo

e sem rival.

O AMANHÃ

o amanhã virá

compor-te na teia

do in(completo)

nunca tecido

olho-boca-ouvido

seja fala ou prece

seja foto ou fluido

de luz desejada

paixão não vivida

é limbo incriado

é amor temido

poeta, recia

sem receio

- e recria

teu inteiro futuro

quando o hoje não for mais

essa será a glória

do teu dia.


E O SEMPRE


o hoje se esfume

o ontem se de/pedra

o amanhã quem sabe?

não há sempre

e há o sempre

sempre

sempre

não é começo

não é fim

não é processo

é um tempo sem tempo

nem temporal

nem tem/porão

semper

semper

sem-

per-

seguição

o tempo neutro

dá cacetadas no infinito.


ANTES E DEPOIS


quem saberá se um dia fomos?

e por que auscultar o passado

se se passa

adiante

sem liame de gostos ou de falas?

quando as luzes se apagam

quem diz para onde e a que vamos?

para o vazio e para a morte

de onde deveremos voltar como visões?

vamos para onde não vamos

para além da vida e da morte

onde não há sábios.

quem saberá se um dia fomos?


O RÉU


o corpo se gelou virtualmente

naquela tarde tropical

o sangue ferveu

depois sumiu

depois choveu no coração deserto

o fértil das sementes

de espinho

foi triste o engano de quem viu

com alegria

o par absorvido em «eus» e «vaidades»

e falto de carinhos

a nuvem do negrume

duns olhos que ofuscavam as estrelas

inclusive a vênus (derrotada)

encontrou formas tão belas

do pré-parado engano:

- era o segmento do caminho do céu

era o melhor inferno

de amor na contramão

do que seria eternamente grato

e réu.


APOCALIPSE


disperso o orvalho

secas as lágrimas

do homem

condenado ao mal

vai o mundo sem vau

como no início

flores fedidas nascem

num espelho opaco

e mulheres desamadas

desamam após

e clamam

por voz

mas

no deserto

até a hora da noite imóvel

com seu fundir sem fundo

e sobre os torturados

os demônios rolarão

na dança desfinos.


O CHEIO E O VÁCUO


o nada e o tudo soam nardo

e ab(sinto):

- ab(surdo) na amplidão

dos homens e dos bichos satisfeitos

(inseto ou dinossauro)

cai sobre mim uma poeira

cósmica coceira

de saber

o que constante me devora

e a paciência

me explode em palavrão

palavras vãs, palavras vão

e vêm

cortar o silêncio amplificado

de tudo quanto é voz

não há imposturas, há correntes

de sangue, sabor, gestos(contrários) parados

água e calor que luzem

nardo é nada

ab(sinto) é liberdade:

- um nome sem tempo e com paixão

palavras vêm, palavras vão

soltas ao vento e zunem no telhado

das nuvens e dos astros

mas nada produzem:

- falta espaço

e como vêm, se vão

o mundo em seu bailado, no universo

é impiedade

e tudo cala.

a fala morde a dor do falante

entre dentes, trovões, cometas...

e outras tralhas.

deus se evola e bebe as águas

do abismo

onde se banha

e não há vácuo - falta tempo

e não há cheiro - falta onde pairar.

só deus explora o esquecimento

 do existir.

15 de julho de 2017

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Artigo original de Chico Miguel

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras -APL

As diferenças na vida social, em qualquer país ou região, são grandes. Isso, falando-se a respeito da condição econômica e de projeção na sociedade. Não vamos dissecar sobre elas, nem condições temos, numa artigo como este, entre a bondade e a maldade.

A bondade dos bons, como eu dissera certa vez, não teria limites. É necessário uma explicação, visto que a situação era outra. Não sei se consigo fazê-la. Por isto recorro ao hoje Papa Francisco (Jorge Bergoglio) justamente quando explanou sobre o céu e a terra, juntamente com o Rabino Abraham Skorka, numa espécie de entrevista ou conversa a dois, em livro que o editor deu o nome de Sobre o céu e a terra”, publicado em espanhol e depois traduzido para a língua portuguesa por Sandra Martha Dolisnsky, para a Editora Schwarck, 20117 – São Paulo.

A primeira autoridade religiosa acima mencionada diz:

- “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é a forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”, frases que estão contidas num longo artigo do livro.

Parecem ter sido dito no Brasil dos dias de hoje(vide Lula e Dilma, Michel Temer nem tanto). Mas vêm de um tempo parecido. Tempo de Perón, quando o atual Papa já era grande – ele nasceu na época Perón, na Argentina, e a família de Bergoglio era muito radical, sofria, é claro, naquela imensa ditadura, cujas mazelas não adianta repetir nem um pouco em palavras.

Mas vamos adiante. A segunda autoridade religiosa citada, o Rabino Skorka, acrescentou sobre o assunto:

- “Há um jogo duplo entre os políticos, que, por um lado pedem que a religião não dê opinião, mas na campanha querem a bênção dos ministros religiosos”.

Mas, ser bom não é apoiar ou desapoiar políticas e políticos, isto tanto nas religiões quanto na vida civil. Ser bom é fazer o bem, sempre e em qualquer lugar. Ser bom é ter caráter. E caráter não se pode dar, vender, oferecer, nem há escolas do mundo que ensinem a pessoa a ter caráter: ela já nasce com tendência e essa tendência será acentuada através várias circunstâncias. Quem é bom faz sempre o bem, não é preciso ser um santo – Deus é misericordioso e perdoa os pecados que não foram praticados, como mamãe dizia, “de caso pensado”, propositalmente.

Os maus têm mau caráter. Não adianta fazer uma coisa boa para “aparecer”, por vaidade, como alguns políticos (ou vários) e continuar seguindo afogado na corrupção. Corrupção é um dos pecados maiores que existem na vida pública. O corrupto concorre para a pobreza, sujeição e humilhação dos pobres, embora pareça que está fazendo o bem. A corrupção pode acabar com um país, uma nação. Corrupção é tão pecado como os que matam na guerra, na guerrilha, no terrorismo.

Agora tenho que recorrer ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, que não suportando mais a sujeira das pessoas e instituições do seu país, nosso Brasil, e quase sem condição de aqui trabalhar, foi embora para os Estados Unidos da América. Tenho que recorrer a ele, com suas próprias palavras escritas no livro mais importante editado no Brasil, no gênero de divulgação da filosofia social de hoje, baseado em grandes leituras e estudos. Ou, para não cansar, interpretando as sua lições do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016 (refiro-me à 20a. Edição).

“ E o pecado (…) , em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo, abstratamente. Discursar genericamente contra o pecado, sem nada fazer com o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de mera teoria, sem alcance prático”.

Olavo de Carvalho critica com base em dados científicos os que o criticam por combater os gayzistas, abortistas e feministas e outras deturpações sociais que se tornam cada vez mais em políticas ou rebanhos e pretendem transformar o homem naquilo que eles próprios dizem e proclamam que são. O escritor declara a falta de caráter deles e dos religiosos de diversos credos que os apoiam, qualificando-os de maus leitores da Bíblia. “É possível reprimir o pecado sem magoar o pecador”? Deus é misericordioso, diz o Papa Francisco, mas também é justo: quem faz paga. Por outro lado, finalmente, o escritor Olavo de Carvalho explica: “Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus”.

Sim, ia esquecendo: - Foi o próprio Papa Francisco, perguntado se condenava “os gays” e ele respondeu que não era Deus, não foi ele quem os fez assim. Nem os outros pecados: adultério, mentiras, roubos, assasínios etc. Sim, condena o próprio pecado, mas não o pecador. Todos os pecados para a Igreja são perdoáveis, desde que o pecador reconheça e confesse à sua própria consciência e, moto contínuo, a Deus.

Logo, nem a bondade dos bons é infinita, nem a maldade dos maus também o é. Os maus podem arrepender-se, reeducar-se. Pena de morte, Deus nos livre. O que importa é o caráter, a consciência e o encontro com o infinito, que é Deus. O resto é balela.

Quanto aos movimentos sociais que impliquem, com violência, num querer transformar quem é de esquerda ou de direita, naquilo que esses movimentos querem, eu digo: Ninguém obriga ninguém a nada. A disposição da criatura de manter incólume tanto o seu corpo quanto a sua alma é quase infinita. Para os santos e anjos, é, sim, infinita.

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Artigo original de Chico Miguel

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras -APL

As diferenças na vida social, em qualquer país ou região, são grandes. Isso, falando-se a respeito da condição econômica e de projeção na sociedade. Não vamos dissecar sobre elas, nem condições temos, numa artigo como este, entre a bondade e a maldade.

A bondade dos bons, como eu dissera certa vez, não teria limites. É necessário uma explicação, visto que a situação era outra. Não sei se consigo fazê-la. Por isto recorro ao hoje Papa Francisco (Jorge Bergoglio) justamente quando explanou sobre o céu e a terra, juntamente com o Rabino Abraham Skorka, numa espécie de entrevista ou conversa a dois, em livro que o editor deu o nome de Sobre o céu e a terra”, publicado em espanhol e depois traduzido para a língua portuguesa por Sandra Martha Dolisnsky, para a Editora Schwarck, 20117 – São Paulo.

A primeira autoridade religiosa acima mencionada diz:

- “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é a forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”, frases que estão contidas num longo artigo do livro.

Parecem ter sido dito no Brasil dos dias de hoje(vide Lula e Dilma, Michel Temer nem tanto). Mas vêm de um tempo parecido. Tempo de Perón, quando o atual Papa já era grande – ele nasceu na época Perón, na Argentina, e a família de Bergoglio era muito radical, sofria, é claro, naquela imensa ditadura, cujas mazelas não adianta repetir nem um pouco em palavras.

Mas vamos adiante. A segunda autoridade religiosa citada, o Rabino Skorka, acrescentou sobre o assunto:

- “Há um jogo duplo entre os políticos, que, por um lado pedem que a religião não dê opinião, mas na campanha querem a bênção dos ministros religiosos”.

Mas, ser bom não é apoiar ou desapoiar políticas e políticos, isto tanto nas religiões quanto na vida civil. Ser bom é fazer o bem, sempre e em qualquer lugar. Ser bom é ter caráter. E caráter não se pode dar, vender, oferecer, nem há escolas do mundo que ensinem a pessoa a ter caráter: ela já nasce com tendência e essa tendência será acentuada através várias circunstâncias. Quem é bom faz sempre o bem, não é preciso ser um santo – Deus é misericordioso e perdoa os pecados que não foram praticados, como mamãe dizia, “de caso pensado”, propositalmente.

Os maus têm mau caráter. Não adianta fazer uma coisa boa para “aparecer”, por vaidade, como alguns políticos (ou vários) e continuar seguindo afogado na corrupção. Corrupção é um dos pecados maiores que existem na vida pública. O corrupto concorre para a pobreza, sujeição e humilhação dos pobres, embora pareça que está fazendo o bem. A corrupção pode acabar com um país, uma nação. Corrupção é tão pecado como os que matam na guerra, na guerrilha, no terrorismo.

Agora tenho que recorrer ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, que não suportando mais a sujeira das pessoas e instituições do seu país, nosso Brasil, e quase sem condição de aqui trabalhar, foi embora para os Estados Unidos da América. Tenho que recorrer a ele, com suas próprias palavras escritas no livro mais importante editado no Brasil, no gênero de divulgação da filosofia social de hoje, baseado em grandes leituras e estudos. Ou, para não cansar, interpretando as sua lições do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016 (refiro-me à 20a. Edição).

“ E o pecado (…) , em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo, abstratamente. Discursar genericamente contra o pecado, sem nada fazer com o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de mera teoria, sem alcance prático”.

Olavo de Carvalho critica com base em dados científicos os que o criticam por combater os gayzistas, abortistas e feministas e outras deturpações sociais que se tornam cada vez mais em políticas ou rebanhos e pretendem transformar o homem naquilo que eles próprios dizem e proclamam que são. O escritor declara a falta de caráter deles e dos religiosos de diversos credos que os apoiam, qualificando-os de maus leitores da Bíblia. “É possível reprimir o pecado sem magoar o pecador”? Deus é misericordioso, diz o Papa Francisco, mas também é justo: quem faz paga. Por outro lado, finalmente, o escritor Olavo de Carvalho explica: “Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus”.

Sim, ia esquecendo: - Foi o próprio Papa Francisco, perguntado se condenava “os gays” e ele respondeu que não era Deus, não foi ele quem os fez assim. Nem os outros pecados: adultério, mentiras, roubos, assasínios etc. Sim, condena o próprio pecado, mas não o pecador. Todos os pecados para a Igreja são perdoáveis, desde que o pecador reconheça e confesse à sua própria consciência e, moto contínuo, a Deus.

Logo, nem a bondade dos bons é infinita, nem a maldade dos maus também o é. Os maus podem arrepender-se, reeducar-se. Pena de morte, Deus nos livre. O que importa é o caráter, a consciência e o encontro com o infinito, que é Deus. O resto é balela.

Quanto aos movimentos sociais que impliquem, com violência, num querer transformar quem é de esquerda ou de direita, naquilo que esses movimentos querem, eu digo: Ninguém obriga ninguém a nada. A disposição da criatura de manter incólume tanto o seu corpo quanto a sua alma é quase infinita. Para os santos e anjos, é, sim, infinita.

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Artigo original de Chico Miguel

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras -APL

As diferenças na vida social, em qualquer país ou região, são grandes. Isso, falando-se a respeito da condição econômica e de projeção na sociedade. Não vamos dissecar sobre elas, nem condições temos, numa artigo como este, entre a bondade e a maldade.

A bondade dos bons, como eu dissera certa vez, não teria limites. É necessário uma explicação, visto que a situação era outra. Não sei se consigo fazê-la. Por isto recorro ao hoje Papa Francisco (Jorge Bergoglio) justamente quando explanou sobre o céu e a terra, juntamente com o Rabino Abraham Skorka, numa espécie de entrevista ou conversa a dois, em livro que o editor deu o nome de Sobre o céu e a terra”, publicado em espanhol e depois traduzido para a língua portuguesa por Sandra Martha Dolisnsky, para a Editora Schwarck, 20117 – São Paulo.

A primeira autoridade religiosa acima mencionada diz:

- “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é a forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”, frases que estão contidas num longo artigo do livro.

Parecem ter sido dito no Brasil dos dias de hoje(vide Lula e Dilma, Michel Temer nem tanto). Mas vêm de um tempo parecido. Tempo de Perón, quando o atual Papa já era grande – ele nasceu na época Perón, na Argentina, e a família de Bergoglio era muito radical, sofria, é claro, naquela imensa ditadura, cujas mazelas não adianta repetir nem um pouco em palavras.

Mas vamos adiante. A segunda autoridade religiosa citada, o Rabino Skorka, acrescentou sobre o assunto:

- “Há um jogo duplo entre os políticos, que, por um lado pedem que a religião não dê opinião, mas na campanha querem a bênção dos ministros religiosos”.

Mas, ser bom não é apoiar ou desapoiar políticas e políticos, isto tanto nas religiões quanto na vida civil. Ser bom é fazer o bem, sempre e em qualquer lugar. Ser bom é ter caráter. E caráter não se pode dar, vender, oferecer, nem há escolas do mundo que ensinem a pessoa a ter caráter: ela já nasce com tendência e essa tendência será acentuada através várias circunstâncias. Quem é bom faz sempre o bem, não é preciso ser um santo – Deus é misericordioso e perdoa os pecados que não foram praticados, como mamãe dizia, “de caso pensado”, propositalmente.

Os maus têm mau caráter. Não adianta fazer uma coisa boa para “aparecer”, por vaidade, como alguns políticos (ou vários) e continuar seguindo afogado na corrupção. Corrupção é um dos pecados maiores que existem na vida pública. O corrupto concorre para a pobreza, sujeição e humilhação dos pobres, embora pareça que está fazendo o bem. A corrupção pode acabar com um país, uma nação. Corrupção é tão pecado como os que matam na guerra, na guerrilha, no terrorismo.

Agora tenho que recorrer ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, que não suportando mais a sujeira das pessoas e instituições do seu país, nosso Brasil, e quase sem condição de aqui trabalhar, foi embora para os Estados Unidos da América. Tenho que recorrer a ele, com suas próprias palavras escritas no livro mais importante editado no Brasil, no gênero de divulgação da filosofia social de hoje, baseado em grandes leituras e estudos. Ou, para não cansar, interpretando as sua lições do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016 (refiro-me à 20a. Edição).

“ E o pecado (…) , em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo, abstratamente. Discursar genericamente contra o pecado, sem nada fazer com o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de mera teoria, sem alcance prático”.

Olavo de Carvalho critica com base em dados científicos os que o criticam por combater os gayzistas, abortistas e feministas e outras deturpações sociais que se tornam cada vez mais em políticas ou rebanhos e pretendem transformar o homem naquilo que eles próprios dizem e proclamam que são. O escritor declara a falta de caráter deles e dos religiosos de diversos credos que os apoiam, qualificando-os de maus leitores da Bíblia. “É possível reprimir o pecado sem magoar o pecador”? Deus é misericordioso, diz o Papa Francisco, mas também é justo: quem faz paga. Por outro lado, finalmente, o escritor Olavo de Carvalho explica: “Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus”.

Sim, ia esquecendo: - Foi o próprio Papa Francisco, perguntado se condenava “os gays” e ele respondeu que não era Deus, não foi ele quem os fez assim. Nem os outros pecados: adultério, mentiras, roubos, assasínios etc. Sim, condena o próprio pecado, mas não o pecador. Todos os pecados para a Igreja são perdoáveis, desde que o pecador reconheça e confesse à sua própria consciência e, moto contínuo, a Deus.

Logo, nem a bondade dos bons é infinita, nem a maldade dos maus também o é. Os maus podem arrepender-se, reeducar-se. Pena de morte, Deus nos livre. O que importa é o caráter, a consciência e o encontro com o infinito, que é Deus. O resto é balela.

Quanto aos movimentos sociais que impliquem, com violência, num querer transformar quem é de esquerda ou de direita, naquilo que esses movimentos querem, eu digo: Ninguém obriga ninguém a nada. A disposição da criatura de manter incólume tanto o seu corpo quanto a sua alma é quase infinita. Para os santos e anjos, é, sim, infinita.

07 de julho de 2017

Cada qual com seu igual- artigo original

chico miguel

 CADA QUAL COM SEU IGUAL

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras.


Seria um bom título popular para uma crônica, se não fosse uma mentira, se avaliado cientificamente. Não confiemos muito nos ditos populares, eles precisam de interpretação e, às vezes, têm vários sentidos.

Um dia, faz algum tempo, conversando com meu amigo Deusdeth Nunes (Garrincha), quando falei que “todos são iguais perante a lei”, segundo nossa Constituição vigente, ele logo replicou, contrapondo:

- Aí é onde começa a desigualdade.

Os humoristas tiram lições da coisas verdadeiras, para fazer gracinha e trocadilhos, mas eles têm uma sabedoria filosófica que nem imaginamos.

Acontece o seguinte, não há nenhuma pessoa humana igual. Assim Deus nos criou, assim são as coisas que fazemos. Peço para prestarmos bem atenção ao modo como uma pessoa em casa arruma as coisas e vem outra da mesma família e muda, pode ser um filha ou marido. A empregada quando arruma tudo do mesmo jeito que a patroa manda, é por falta de liberdade, mesmo assim de vez em quando falha.

Dessas pequenas coisas nascem as grandes.

Mas mudando um pouco ou mesmo sem mudar, nunca deixo de exemplificar os regimes sociais de governo e produção: comunismo, capitalismo, socialismo. Há outros? Há as nações governadas pelas infames formas de opressão: as ditaduras.

Diga-se de passagem que o comunismo aboliu todos os partidos e criou o Partido Comunista, que manda no governo e no povo, na produção e falta de produção. No regime comunista todos são funcionários do mesmo patrão, o governo, que representa o Partido. E ai! de quem desobedece o Partido e as ordens dos maiorais do Partido. Isto é DITADURA ou não é? Vai terminar nos calabouços, escondidos, onde os jornalista e a imprensa de modo geral não tem permissão para entrar. Mas dizem e contradizem: É uma UMA DITADURA DO POVO. Que povo?

E voltamos à questão inicial: nos regimes comunistas todos são iguais perante a Ditadura. E cada um com sua liberdade de viver, criar, trabalha ou simplesmente ser malandro, onde fica? O povo traduz-se, em qualquer parte do mundo, pelo diversificação das pessoas, nunca pelo seu simples ajuntamento.

Diz sabiamente o filósofo Olavo de Carvalho que “o comunismo é apenas uma construção hipotética destituída de materialidade, um nome sem coisa nenhuma dentro, um formalismo universal abstrato que não escapa ileso à navalha de Ockham, frade cientista inglês William Ockham (1288-1347). Não existiu nem existirá jamais uma economia comunista, é apenas uma economia capitalista camuflada ou pervertida, boa somente para sustentar uma gangue de sanguessugas politicamente lindinhos”.

Se pensarmos nos regimes da China e da Rússia, o que são: simplesmente tem governos de Partido único, mas com a economia é capitalista. No frigir do ovos são ditaduras. Deixemos os nanicos Cuba e Coreia do Norte, porque, além de não possuírem a densidade de grandes economias, estão patinando na mentira dos que criam a doutrina materialmente falsa, embora que idealmente (se pudesse existir). Seria como se transportassem o céu para a terra.

Quanto ao socialismo é o mesmo, o filósofo Osvaldo de Carvalho disse que é um nome falso do comunismo para encobrir ditaduras nos países pobres e enganar o povo.

O único regime político que existe, e é “do povo, pelo povo e para o povo”, chama-se democracia. Ela resiste desde os gregos e, em alguns países, tem se aperfeiçoado, criando a fórmula parlamentarista. Neste particular, cite-se a Inglaterra, a França e a Alemanha como os primeiros e mais aperfeiçoados. Nesses países há liberdades especificadas em leis, assim como a fiscalização do cumprimento de tais leis. E essas leis são feitas para o povo, em sua liberdade de ir e vir, falar e calar, onde a defesa da vida e da economia são tratadas com cuidado e ciência. Nesses países há povo, aqui (Brasil) somos um arremedo disto. Errou D. Pedro II, quando disse: “Grande povo, grande povo!”

Voltando ao social não político, é costume dizer-se hoje que os namorados, os casais que mais se parecem física e psicologicamente se dão bem no casamento. Não há nenhuma estatística nem comprovação disto. Da mesmo forma eu poderia dizer que os que menos são iguais têm maior possibilidade de um casamento duradouro. Mas nada disto está provado. Provado está que não ninguém é igual, justamente por isto é que somos chamados de indivíduos e depois de educados, pessoas. As pessoas aprendem a conviver em sociedade, os indivíduos são sempre desajustados e se dão ao crime e a outras coisas não aceitas pela maioria.

“Cada qual com seu igual” é coisa para as espécies. A espécie homem com a espécie homem; a espécie lobo com a espécie lobo. E mesmo assim conta-se como verdade a história das crianças criadas por lobas e, assim, andavam de quatro e não sabiam falar.

Cada qual com seu igual é uma das frases que não levarão a erros, quando tomadas como verdade absoluta.

E por falar em “absoluta”: Será que existem verdades absolutas?

Para o poeta Manuel Bandeira, que escreveu: “A vida é um milagre / Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres”, então seria a morte a verdade absoluta. Bem, os poetas dizem coisas que até Deus duvida. Mas eu, que também sou poeta, e hoje não estou poetando, acredito que Deus é o absoluto. Porém, querido leitor, esta seria matéria para outro e outros artigos, que não sei se vou ter condições de desenvolver. Mas o assunto e o problema estão postos para a capacidade dos filósofos. Aguardemos. Talvez o Papa Francisco já tenha versado sobre isto, que infelizmente não ouvi nem li. Li muitas outras coisas importantíssimas de suas pregações. Minha dica é que nele vamos encontrar a solução do assunto proposto, pois melhor sábio não há na terra, nos dias de hoje.  

28 de junho de 2017

Precisamos conversar para não adoecer

Artigo original de Chico Miguel

PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER


Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitura de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades! PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


Precisamos conversar para não adoecer

Artigo original de Chico Miguel

PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER


Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitura de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades! PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


20 de junho de 2017

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Artigo de Chico Miguel

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia de Letras do Piauí

Sim, certamente, o amor é doce no princípio. Mas depois de algum tempo pode ficar azedo e até amargo como qualquer prato. E amor, no sentido em que nossa sociedade toma hoje é uma comida, uma saída, um jantar e talvez até um motel. É triste para quem vem como eu de um tempo em que o namoro era tão diferente que até pegar na mão do outro não era fácil, era como um compromisso. Abraçar, beijar, não se pensasse nisto. A vitória era quando o rapaz recebia a resposta da moça de que aceitava namorar com ele.

Naquela forma o amor era mais bem conservado, ao invés de comida era uma joia de alto valor, ouro de lei, não mareava. Salvo em casos muito especiais. A santa lei de Deus era cumprida rigorosamente. Se algum dos dois desconfiasse disto, começavam os ciúmes, os arrependimentos, a novas juras, e tudo continuava como antes. Filhos nascendo, filhos crescendo,filhos sendo educados.

Mas para que falar assim na semana dos namorados – o dia é o 12 de junho. O dia, a noite, tudo. Porque logo que amanhece já estamos em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Julgo que neste momento de tanta aflição no mundo,quando os pais não dão bolas para os filhos, deixando-os à mercê de empregadas ou parentes, que não têm condição de mandá-los às escolas, de ajudar a fazer as lições de casa, de ensinar aquelas primeira maneiras que só se aprendem quando se é muito jovem, criança, digamos. Sem esticar muito o que já sabemos, isto é o casal normal. E quanto de ruim não pode acontecer com os filhos dos casais separados, por isto ou por aquilo, e os filhos ficam esbandalhados pelas casas de um, de outro, que por sua vez já têm outro par… E por aí.

Falar sobre uma pessoa ou mesmo algumas, dentro do seu “habitat”, que é o que o fazem os romancistas, por mais difícil que seja, jamais se pode comparar isto, se queremos observar o amor dentro da sociedade civilizada, muito especialmente a de hoje. Mais à frente vamos tentar mostrar, com o auxílio de quem já estudou e estuda isto e dizer algumas coisas que possam servir de baliza.

A sociedade moderna desviou-se para caminhos nunca trilhados e a anarquia está pronta. Não só pelos pais desnaturados, pelos filhos normais, adotados, readotados e pelos educados por empregadas, ou não educados por ninguém, por isto buscam as ruas e os companheiros, sempre os piores, porque seguir o mal é o caminho mais fácil: as drogas, o maior exemplo, e daí sabe Deus onde vão parar ou como vão deixar a sociedade.

Depois vêm as leis e as escolas governamentais querendo ou tentando remendar o passado sem sequer conhecê-lo em ciência ou tradição. Vejamos algumas estúpidas regras da sociedade revolucionária que vivemos:

a) Menor não pode trabalhar.

b) Menor pode matar, estuprar, roubar, fazer bandalheiras como tocar fogo em lugares públicos, ônibus, pessoas inocentes, etc.

c) Menor tem vontade própria, pode denunciar o pai ou a mãe e mandá-los para a cadeia, ou pior, matá-los, roubá-los e ficarem soltos ou em casas de recuperação.

d) As pessoas têm o direito de levar o que encontram, para si, mesmo sabendo que aquele objeto – inclusive dinheiro – não lhe pertence. Aqui pergunta-se: onde nasce a corrupção? Entre os políticos, entre eles, ou ser brasileiro é ser corrupto?

e) As pessoas (especialmente os pobres, pretos, mulatos e assemelhados podem a passar à frente dos que têm melhor nota na escola, entrarem para a universidade pública, etc.), como se as demais tivessem culpa da pele que têm ou da renda que não conseguiram seus pais por causa do desemprego. Isto não dá cidadania a ninguém, isto é dar esmolas, o que, se não é pecado, é deprimente para quem recebe. Concordo que os doentes, deficientes de qualquer natureza tenham todo o direito de gratuidade em tudo. Mas não posso concordar que não se possa chamar de “garoto” ou “moreno”, a um vadio que vem nos assaltar. E nestes casos, nós, os cidadãos, trabalhadores sofridos, que pagam impostos e tudo mais, podem ir para a cadeia pelo simples fato de ter “preconceito” e atingir alguém assim.

Falamos de amor no início da crônica e a ele voltaremos. Antes, porém, preciso dizer que a respeito de “preconceito da cor negra”, há, desde muito tempo, um patrulhamento terrível, dirigindo-se aos que escrevem: - Um amigo me pediu que substituísse a palavra“negra”, por outra. Justo porque tenho um soneto sobre a morte, está no meu primeiro livro, “Areias” (1966), cuja primeira estrofe é esta: “Eis a negra batendo à minha porta.. / Saí pensando que o Correio fosse. - Passa-me, por favor, teu passaporte, / Vamos partir… Já chega de matéria”.

Ridículo (achei). Também quando um professor, falando do palco de uma Academia, pronunciou algumas vezes a palavra “esclarecer” e se deu conta de que era uma palavra que tinha um sentido “preconceituoso”, contra a negritude e recomendou que fosse evitada. Continuando sua palestra, isto já lá para o fim, quis recordar alguma coisa e disse assim: “Ih! Agora me deu um branco!”. Isto também não seria um preconceito contra aqueles que não são da sua raça? Pensei em argumentar, mas como ele era muito teimoso, professor e convidado, preferi calar-me. Não agora. Não vou nomear qual Academia, qual professor, nem a cidade onde estávamos. Por obrigação, explico: Estávamos num Congresso Literário, com a assistência de uma grande plateia.

Sim, repito: - O amor é doce do princípio ao fim, desde que as pessoas envolvidas, sejam casais consensuais. Também nós, convívio social, tenhamos caráter, observemos os costumes (principalmente os do passado), observemos também a ética e as leis, mas protestemos contra estas, se são imorais, capciosas, feitas por legislador incompetente e sem caráter. Por que lei é para o povo, para a sociedade. Não há lei individual. Acredito também no amor à pátria, a terra onde nascemos e vivemos, acredito na humanidade enquanto humanidade, aquela criada por Deus, para uma vida como irmãos, num jardim chamado Éden, que não é nada mais do que nosso planeta Terra tão maltratada.

Do dito, fica claro que a FAMÍLIA sempre foi e é a base da sociedade. E a base está rachada. A nova civilização está num dos seus piores estágios. O Éden que Deus preparou para o homem, depois da torre de Babel, está sendo totalmente destruído.

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Artigo de Chico Miguel

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia de Letras do Piauí

Sim, certamente, o amor é doce no princípio. Mas depois de algum tempo pode ficar azedo e até amargo como qualquer prato. E amor, no sentido em que nossa sociedade toma hoje é uma comida, uma saída, um jantar e talvez até um motel. É triste para quem vem como eu de um tempo em que o namoro era tão diferente que até pegar na mão do outro não era fácil, era como um compromisso. Abraçar, beijar, não se pensasse nisto. A vitória era quando o rapaz recebia a resposta da moça de que aceitava namorar com ele.

Naquela forma o amor era mais bem conservado, ao invés de comida era uma joia de alto valor, ouro de lei, não mareava. Salvo em casos muito especiais. A santa lei de Deus era cumprida rigorosamente. Se algum dos dois desconfiasse disto, começavam os ciúmes, os arrependimentos, a novas juras, e tudo continuava como antes. Filhos nascendo, filhos crescendo,filhos sendo educados.

Mas para que falar assim na semana dos namorados – o dia é o 12 de junho. O dia, a noite, tudo. Porque logo que amanhece já estamos em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Julgo que neste momento de tanta aflição no mundo,quando os pais não dão bolas para os filhos, deixando-os à mercê de empregadas ou parentes, que não têm condição de mandá-los às escolas, de ajudar a fazer as lições de casa, de ensinar aquelas primeira maneiras que só se aprendem quando se é muito jovem, criança, digamos. Sem esticar muito o que já sabemos, isto é o casal normal. E quanto de ruim não pode acontecer com os filhos dos casais separados, por isto ou por aquilo, e os filhos ficam esbandalhados pelas casas de um, de outro, que por sua vez já têm outro par… E por aí.

Falar sobre uma pessoa ou mesmo algumas, dentro do seu “habitat”, que é o que o fazem os romancistas, por mais difícil que seja, jamais se pode comparar isto, se queremos observar o amor dentro da sociedade civilizada, muito especialmente a de hoje. Mais à frente vamos tentar mostrar, com o auxílio de quem já estudou e estuda isto e dizer algumas coisas que possam servir de baliza.

A sociedade moderna desviou-se para caminhos nunca trilhados e a anarquia está pronta. Não só pelos pais desnaturados, pelos filhos normais, adotados, readotados e pelos educados por empregadas, ou não educados por ninguém, por isto buscam as ruas e os companheiros, sempre os piores, porque seguir o mal é o caminho mais fácil: as drogas, o maior exemplo, e daí sabe Deus onde vão parar ou como vão deixar a sociedade.

Depois vêm as leis e as escolas governamentais querendo ou tentando remendar o passado sem sequer conhecê-lo em ciência ou tradição. Vejamos algumas estúpidas regras da sociedade revolucionária que vivemos:

a) Menor não pode trabalhar.

b) Menor pode matar, estuprar, roubar, fazer bandalheiras como tocar fogo em lugares públicos, ônibus, pessoas inocentes, etc.

c) Menor tem vontade própria, pode denunciar o pai ou a mãe e mandá-los para a cadeia, ou pior, matá-los, roubá-los e ficarem soltos ou em casas de recuperação.

d) As pessoas têm o direito de levar o que encontram, para si, mesmo sabendo que aquele objeto – inclusive dinheiro – não lhe pertence. Aqui pergunta-se: onde nasce a corrupção? Entre os políticos, entre eles, ou ser brasileiro é ser corrupto?

e) As pessoas (especialmente os pobres, pretos, mulatos e assemelhados podem a passar à frente dos que têm melhor nota na escola, entrarem para a universidade pública, etc.), como se as demais tivessem culpa da pele que têm ou da renda que não conseguiram seus pais por causa do desemprego. Isto não dá cidadania a ninguém, isto é dar esmolas, o que, se não é pecado, é deprimente para quem recebe. Concordo que os doentes, deficientes de qualquer natureza tenham todo o direito de gratuidade em tudo. Mas não posso concordar que não se possa chamar de “garoto” ou “moreno”, a um vadio que vem nos assaltar. E nestes casos, nós, os cidadãos, trabalhadores sofridos, que pagam impostos e tudo mais, podem ir para a cadeia pelo simples fato de ter “preconceito” e atingir alguém assim.

Falamos de amor no início da crônica e a ele voltaremos. Antes, porém, preciso dizer que a respeito de “preconceito da cor negra”, há, desde muito tempo, um patrulhamento terrível, dirigindo-se aos que escrevem: - Um amigo me pediu que substituísse a palavra“negra”, por outra. Justo porque tenho um soneto sobre a morte, está no meu primeiro livro, “Areias” (1966), cuja primeira estrofe é esta: “Eis a negra batendo à minha porta.. / Saí pensando que o Correio fosse. - Passa-me, por favor, teu passaporte, / Vamos partir… Já chega de matéria”.

Ridículo (achei). Também quando um professor, falando do palco de uma Academia, pronunciou algumas vezes a palavra “esclarecer” e se deu conta de que era uma palavra que tinha um sentido “preconceituoso”, contra a negritude e recomendou que fosse evitada. Continuando sua palestra, isto já lá para o fim, quis recordar alguma coisa e disse assim: “Ih! Agora me deu um branco!”. Isto também não seria um preconceito contra aqueles que não são da sua raça? Pensei em argumentar, mas como ele era muito teimoso, professor e convidado, preferi calar-me. Não agora. Não vou nomear qual Academia, qual professor, nem a cidade onde estávamos. Por obrigação, explico: Estávamos num Congresso Literário, com a assistência de uma grande plateia.

Sim, repito: - O amor é doce do princípio ao fim, desde que as pessoas envolvidas, sejam casais consensuais. Também nós, convívio social, tenhamos caráter, observemos os costumes (principalmente os do passado), observemos também a ética e as leis, mas protestemos contra estas, se são imorais, capciosas, feitas por legislador incompetente e sem caráter. Por que lei é para o povo, para a sociedade. Não há lei individual. Acredito também no amor à pátria, a terra onde nascemos e vivemos, acredito na humanidade enquanto humanidade, aquela criada por Deus, para uma vida como irmãos, num jardim chamado Éden, que não é nada mais do que nosso planeta Terra tão maltratada.

Do dito, fica claro que a FAMÍLIA sempre foi e é a base da sociedade. E a base está rachada. A nova civilização está num dos seus piores estágios. O Éden que Deus preparou para o homem, depois da torre de Babel, está sendo totalmente destruído.

04 de junho de 2017

A S MIL MARAVILHAS OU COMO DEIXAR DE LER

Artigo de Chico Miguel

AS MIL E UMA MARAVILHAS OU COMO DEIXAR DE LER

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

Já escrevi várias vezes sobre a falta de leitura do povo brasileiro. Nós, Brasil e países em desenvolvimento, passamos da era da pedra – era só imagem e riscos nas cavernas - à era da internet, quando ironicamente ninguém quer saber de letras, quer saber só de figuras. Já falei nos “ANALFABETIZADOS” - aqueles que vão à escola aprendem mal,muito mal a ler, nada a escrever senão alguns garranchos para assinar em algum documento e saem por aí dizendo-se leitores e às vezes até escritores. São os eleitores de Lula –(desculpem-me a intromissão na política vagabunda do nosso Brasil de hoje, entre os quais não se encontram nenhum dos meus poucos leitores). Esse pessoal nunca leu um livro como “Madame Bovary”, de Flaubert; nem um “Dom Casmurro”, do fabuloso Machado de Assis, inclusive alguns dos seus excelentes contos, que não são muito longos. Esse pessoal nunca leu, para abreviar a lista, José de Alencar, não sabe quem foi “Iracema”. São os que chamo de “ANALFABETIZADOS”, e por muita concessão.

De poesia, nem se fala. Se se perguntar a um deles quem é o maior poeta do Brasil é capaz de responder que é o Tiririca, sem ofender a este bom humorista que se meteu na política e parece ainda não ter-se corrompido.

Não sei se deveria citar, para bem ou para mal, que a maior editora de livros nestes dois últimos anos, no Piauí, é a Academia Piauiense de Letras. Não porque queira e tenha recursos para tal, não porque esteja cumprindo algumas das suas funções principais, mas para comemorar seu Centenário de nascimento, de criação, em 30 de dezembro de 1917. Seu dinâmico presidente atual, Nelson Nery Costa, vem esbaldando-se para cumprir aquilo que Castro Alves escreveu, recitou e proclamou durante sua rica vida de intelectual, poeta e fervoroso combatente para o fim da escravidão negra. Muitas outras batalhas encetou, incluisve a liberdade fundamental de que “A PRAÇA, A PRAÇA É DO POVO / COMO O CÉU É DO CONDOR”. Por milagre, algumas pessoas do meado do século XX ainda se lembram: de um poema de estrofe contundente e que tem tudo a ver com o nosso artigo:“LIVROS, LIVROS, À MÃO CHEIA / FAZEI O POVO PENSAR. / O LIVRO CAINDO N’ ALMA / É GERME QUE FAZ A PALMA / É CHUVA QUE FAZ O MAR”

Como eu ia dizendo, o presidente da APL já publicou um centena de livros e promete publicar outro tanto neste ano da Comemoração do Centenário da “Casa de Lucídio Freitas” e nesse sentido já publicou obras importantíssimas da literatura piauiense de vivos e mortos, entre os quais poemas, antologias, histórias, memórias, crônicas e biografias. Depois disto, uma pergunta encabulosa e de certa forma atrevida pode vir:

- Quem, dentre vocês, piauienses, já leu algum desses livros, quem já leu mais de um? Quantos brasileiros lêem livros anualmente. O silêncio será constrangedor. A resposta é não, quando juntamente não acompanhada de um tremendo desaforo.

Por que comprar livros no Piauí? Ninguém lê. Mas é de graça. Ninguém quer, ninguém compra, ninguém lê. Não sei como sobrevivem as livrarias (poucas), da nossa cidade. Posso responder, sem medo de errar: vendo “BESTAS DE SELA” americanas ou livros de devoção religiosa, o principal a Bíblia. Reforço meus argumentos com os da escritora que muito prezo, uma sumidade como crítica literária, mesmo que ainda tão nova, Rosidelma Fraga, que fez o prefácio de minha “POESIA IN COMPLETA”. E que prefácio! Uma lição de sabedoria e competência no labutar com as letras e com a arte da poesia, ela que também é poeta. Sua contribuição aqui é tirada de um trecho de artigo dela, publicada no “Portal Entre-textos, do Dilson Lages: “De forma brevíssima, meu objetivo fulcral é dar algumas alfinetadas sobre o tema assassinato do leitor e da literatura associado ao diploma conferido a um professor da área de Letras. Parece estranha a proposta, já que na própria envergadura e no corpo fônico da palavra LETRAS há o verbo LER. Por conseguinte, quem escolhe a licenciatura ou o bacharelado em Letras será um leitor. Seria mais que óbvio se não fosse obtuso, diria meu amigo Roland Barthes”.

E por aí segue a escritora Rosidelma Fraga. Mas, não posso tomar o fôlego do seu artigo, invectivando Universidades, Cursos de Letras, professores que se formam sem apreender a ler, ou pelo menos sem gostar de ler. Como é que se lê tanto como deve um professor, sem gostar de ler? Se os professores não lêem, como vão ensinar a seus alunos que é bom ler, que devemos ler, pois como disse o Prof. Antônio Cândido (com toda a sua autoridade): “A Literatura confirma a humanidade do homem e contribui para a formação da personalidade por ser uma forma de conhecimento do mundo e do ser.” Logo, a literatura deve estar adiante de todo e qualquer diploma, mormente o de Licenciatura Plena em Letras.

Quero dizer que os próprios professores de Letras vão ganhar dinheiro sem ler. E vão ensinar mal os seus alunos, por desestimularem a leitura. Alguns que se salvam e lêem pouco, lêem mal como aponta Rosidelma Fraga. E aí ela fala na “bola de neve”, a que é elevada a sociedade, citando que há professores que não distinguem a palavra MAL da palavra MAU, uma vez que não sabem quando se deve escrever L ou U. E isto é monstruoso, é a contradição do que estudou e do que deve lecionar.Nas salas de aula dos cursos diversos até chegarem à Universidade, onde se deveriam formar bons leitores, ao contrário, de modo geral todos se tornam maus leitores e serão futuros doutores semianalfabetos ou ANALFABETIZADOS, como eu costumo denominar. Sendo assim, chegamos ao reino das “mil maravilhas” dos iletrados, pois se querem saber de algo, como se escreve a palavra X ou o que significa a palavra Y, buscam a internet. Acontece que, sem saberem escrever, muitas vezes têm dificuldade de encontrar o que querem e mais ainda de entenderem o que a máquina moderna lhes oferecem. E se a grande maioria são iletrados, ANALFABETIZADOS, como vamos ter leitores, nós pobres escritores?

Para encerrar, cito um trecho muito interessante de mudança de gerações, de autoria do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860): “A cada 30 anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado”.

Daí podemos aferir os leitores que não leram os clássicos: bons, maus? O leitor decide.

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(Publicado no jornal “O Dia” e no “portal o dia”, 04. 06.2017)

03 de junho de 2017

AS MIL MARAVILHAS!

Artigo sobre Leitura - autor Chico Miguel

AS MIL E UMA MARAVILHAS OU COMO DEIXAR DE LER

Francisco Miguel de Moura* 

Já escrevi várias vezes sobre a falta de leitura do povo brasileiro. Nós, Brasil e países em desenvolvimento, passamos da era da pedra – era só imagem e riscos nas cavernas - à era da internet, quando ironicamente ninguém quer saber de letras, quer saber só de figuras. Já falei nos “ANALFABETIZADOS” - aqueles que vão à escola aprendem mal,muito mal a ler, nada a escrever senão alguns garranchos para assinar em algum documento e saem por aí dizendo-se leitores e às vezes até escritores. São os eleitores de Lula –(desculpem-me a intromissão na política vagabunda do nosso Brasil de hoje, entre os quais não se encontram nenhum dos meus poucos leitores). Esse pessoal nunca leu um livro como “Madame Bovary”, de Flaubert; nem um “Dom Casmurro”, do fabuloso Machado de Assis, inclusive alguns dos seus excelentes contos, que não são muito longos. Esse pessoal nunca leu, para abreviar a lista, José de Alencar, não sabe quem foi “Iracema”. São os que chamo de “ANALFABETIZADOS”, e por muita concessão.

De poesia, nem se fala. Se se perguntar a um deles quem é o maior poeta do Brasil é capaz de responder que é o Tiririca, sem ofender a este bom humorista que se meteu na política e parece ainda não ter-se corrompido.

Não sei se deveria citar, para bem ou para mal, que a maior editora de livros nestes dois últimos anos, no Piauí, é a Academia Piauiense de Letras. Não porque queira e tenha recursos para tal, não porque esteja cumprindo algumas das suas funções principais, mas para comemorar seu Centenário de nascimento, de criação, em 30 de dezembro de 1917. Seu dinâmico presidente atual, Nelson Nery Costa, vem esbaldando-se para cumprir aquilo que Castro Alves escreveu, recitou e proclamou durante sua rica vida de intelectual, poeta e fervoroso combatente para o fim da escravidão negra. Muitas outras batalhas encetou, incluisve a liberdade fundamental de que“A PRAÇA, A PRAÇA É DO POVO / COMO O CÉU É DO CONDOR”. Por milagre, algumas pessoas do meado do século XX ainda se lembram: de um poema de estrofe contundente e que tem tudo a ver com o nosso artigo:“LIVROS, LIVROS, À MÃO CHEIA / FAZEI O POVO PENSAR. / O LIVRO CAINDO N’ ALMA / É GERME QUE FAZ A PALMA / É CHUVA QUE FAZ O MAR”

Como eu ia dizendo, o presidente da APL já publicou um centena de livros e promete publicar outro tanto neste ano da Comemoração do Centenário da “Casa de Lucídio Freitas” e nesse sentido já publicou obras importantíssimas da literatura piauiense de vivos e mortos, entre os quais poemas, antologias, histórias, memórias, crônicas e biografias. Depois disto, uma pergunta encabulosa e de certa forma atrevida pode vir:

- Quem, dentre vocês, piauienses, já leu algum desses livros, quem já leu mais de um? Quantos brasileiros leem livros anualmente. 

- O silêncio será constrangedor. A resposta é não, quando juntamente não acompanhada de um tremendo desaforo.

Por que comprar livros no Piauí? Ninguém lê. Mas é de graça. Ninguém quer, ninguém compra, ninguém lê. Não sei como sobrevivem as livrarias (poucas), da nossa cidade. Posso responder, sem medo de errar: vendo “BESTAS DE SELA” americanas ou livros de devoção religiosa, o principal a Bíblia. Reforço meus argumentos com os da escritora que muito prezo, uma sumidade como crítica literária, mesmo que ainda tão nova, Rosidelma Fraga, que fez o prefácio de minha “POESIA IN COMPLETA”. E que prefácio! Uma lição de sabedoria e competência no labutar com as letras e com a arte da poesia, ela que também é poeta. Sua contribuição aqui é tirada de um trecho de artigo dela, publicada no “Portal Entre-textos, do Dilson Lages: “De forma brevíssima, meu objetivo fulcral é dar algumas alfinetadas sobre o tema assassinato do leitor e da literatura associado ao diploma conferido a um professor da área de Letras. Parece estranha a proposta, já que na própria envergadura e no corpo fônico da palavra LETRAS há o verbo LER. Por conseguinte, quem escolhe a licenciatura ou o bacharelado em Letras será um leitor. Seria mais que óbvio se não fosse obtuso, diria meu amigo Roland Barthes”.

E por aí segue a escritora Rosidelma Fraga. Mas, não posso tomar o fôlego do seu artigo, invectivando Universidades, Cursos de Letras, professores que se formam sem apreender a ler, ou pelo menos sem gostar de ler. Como é que se lê tanto como deve um professor, sem gostar de ler? Se os professores não lêem, como vão ensinar a seus alunos que é bom ler, que devemos ler, pois como disse o Prof. Antônio Cândido (com toda a sua autoridade): “A Literatura confirma a humanidade do homem e contribui para a formação da personalidade por ser uma forma de conhecimento do mundo e do ser.” Logo, a literatura deve estar adiante de todo e qualquer diploma, mormente o de Licenciatura Plena em Letras.

Quero dizer que os próprios professores de Letras vão ganhar dinheiro sem ler. E vão ensinar mal os seus alunos, por desestimularem a leitura. Alguns que se salvam e lêem pouco, lêem mal como aponta Rosidelma Fraga. E aí ela fala na “bola de neve”, a que é elevada a sociedade, citando que há professores que não distinguem a palavra MAL da palavra MAU, uma vez que não sabem quando se deve escrever L ou U. E isto é monstruoso, é a contradição do que estudou e do que deve lecionar.Nas salas de aula dos cursos diversos até chegarem à Universidade, onde se deveriam formar bons leitores, ao contrário, de modo geral todos se tornam maus leitores e serão futuros doutores semianalfabetos ou ANALFABETIZADOS, como eu costumo denominar. Sendo assim, chegamos ao reino das “mil maravilhas” dos iletrados, pois se querem saber de algo, como se escreve a palavra X ou o que significa a palavra Y, buscam a internet. Acontece que, sem saberem escrever, muitas vezes têm dificuldade de encontrar o que querem e mais ainda de entenderem o que a máquina moderna lhes oferecem. E se a grande maioria são iletrados, ANALFABETIZADOS, como vamos ter leitores, nós pobres escritores?

Para encerrar, cito um trecho muito interessante de mudança de gerações, de autoria do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860): “A cada 30 anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado”.


Daí podemos aferir os leitores que não leram os clássicos: bons, maus? O leitor decide.

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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da ALERP,  da APL, da UBE e da IWA, esta última nos Estados Unidos da América do Norte.