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Notícias Chico Miguel

16 de julho de 2017

SELEÇÃO DE POEMAS DE "Poesia in Completa" - 1a. edição

Poemas selecionados - Chico Miguel

 O HOJE

Francisco Miguel de Moura

(seleção de Poesia in Completa – 1a. edição


certamente inda te adias

pois teus olhos se clareiam

ante a brisa e a paisagem

- que o horizonte é um presente

velejado por rostos escolhidos

mas não atrases teu amor

ao irmão que sofre o preterido

alegria, alegoria

o coração pede ritmos e pulsos

não é nenhum covarde

nem guarde restos e pedaços

de impressentidas elegias

o hoje é tudo o que se tece,

que bem tecido é odor, sabor e prece

em indistintas simetrias.

o amanhã não é teu dia

se hoje não tiveres empatia

com o razoável mundo e o sem-razão.

o ontem não tem clave se te agravas

em sentimento de ódio e entropia

como veio

de teu canto, em toda a via.

colhe a flor que está à mão.


O ONTEM


ontem foi o tempo emocional

assim, como passar

uma esponja

sobre o mal?

e o passado seria mortal

mas uma esponja

embebida do homem

embeberia a coisa:

- na verdade, o mal

um tempo sonâmbulo

que se gravou como um sinal

(esquecer não precisa

nem pode, é tão real)

ontem: eis o tempo que fica

como fundo do tempo

e sem rival.

O AMANHÃ

o amanhã virá

compor-te na teia

do in(completo)

nunca tecido

olho-boca-ouvido

seja fala ou prece

seja foto ou fluido

de luz desejada

paixão não vivida

é limbo incriado

é amor temido

poeta, recia

sem receio

- e recria

teu inteiro futuro

quando o hoje não for mais

essa será a glória

do teu dia.


E O SEMPRE


o hoje se esfume

o ontem se de/pedra

o amanhã quem sabe?

não há sempre

e há o sempre

sempre

sempre

não é começo

não é fim

não é processo

é um tempo sem tempo

nem temporal

nem tem/porão

semper

semper

sem-

per-

seguição

o tempo neutro

dá cacetadas no infinito.


ANTES E DEPOIS


quem saberá se um dia fomos?

e por que auscultar o passado

se se passa

adiante

sem liame de gostos ou de falas?

quando as luzes se apagam

quem diz para onde e a que vamos?

para o vazio e para a morte

de onde deveremos voltar como visões?

vamos para onde não vamos

para além da vida e da morte

onde não há sábios.

quem saberá se um dia fomos?


O RÉU


o corpo se gelou virtualmente

naquela tarde tropical

o sangue ferveu

depois sumiu

depois choveu no coração deserto

o fértil das sementes

de espinho

foi triste o engano de quem viu

com alegria

o par absorvido em «eus» e «vaidades»

e falto de carinhos

a nuvem do negrume

duns olhos que ofuscavam as estrelas

inclusive a vênus (derrotada)

encontrou formas tão belas

do pré-parado engano:

- era o segmento do caminho do céu

era o melhor inferno

de amor na contramão

do que seria eternamente grato

e réu.


APOCALIPSE


disperso o orvalho

secas as lágrimas

do homem

condenado ao mal

vai o mundo sem vau

como no início

flores fedidas nascem

num espelho opaco

e mulheres desamadas

desamam após

e clamam

por voz

mas

no deserto

até a hora da noite imóvel

com seu fundir sem fundo

e sobre os torturados

os demônios rolarão

na dança desfinos.


O CHEIO E O VÁCUO


o nada e o tudo soam nardo

e ab(sinto):

- ab(surdo) na amplidão

dos homens e dos bichos satisfeitos

(inseto ou dinossauro)

cai sobre mim uma poeira

cósmica coceira

de saber

o que constante me devora

e a paciência

me explode em palavrão

palavras vãs, palavras vão

e vêm

cortar o silêncio amplificado

de tudo quanto é voz

não há imposturas, há correntes

de sangue, sabor, gestos(contrários) parados

água e calor que luzem

nardo é nada

ab(sinto) é liberdade:

- um nome sem tempo e com paixão

palavras vêm, palavras vão

soltas ao vento e zunem no telhado

das nuvens e dos astros

mas nada produzem:

- falta espaço

e como vêm, se vão

o mundo em seu bailado, no universo

é impiedade

e tudo cala.

a fala morde a dor do falante

entre dentes, trovões, cometas...

e outras tralhas.

deus se evola e bebe as águas

do abismo

onde se banha

e não há vácuo - falta tempo

e não há cheiro - falta onde pairar.

só deus explora o esquecimento

 do existir.

15 de julho de 2017

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Artigo original de Chico Miguel

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras -APL

As diferenças na vida social, em qualquer país ou região, são grandes. Isso, falando-se a respeito da condição econômica e de projeção na sociedade. Não vamos dissecar sobre elas, nem condições temos, numa artigo como este, entre a bondade e a maldade.

A bondade dos bons, como eu dissera certa vez, não teria limites. É necessário uma explicação, visto que a situação era outra. Não sei se consigo fazê-la. Por isto recorro ao hoje Papa Francisco (Jorge Bergoglio) justamente quando explanou sobre o céu e a terra, juntamente com o Rabino Abraham Skorka, numa espécie de entrevista ou conversa a dois, em livro que o editor deu o nome de Sobre o céu e a terra”, publicado em espanhol e depois traduzido para a língua portuguesa por Sandra Martha Dolisnsky, para a Editora Schwarck, 20117 – São Paulo.

A primeira autoridade religiosa acima mencionada diz:

- “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é a forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”, frases que estão contidas num longo artigo do livro.

Parecem ter sido dito no Brasil dos dias de hoje(vide Lula e Dilma, Michel Temer nem tanto). Mas vêm de um tempo parecido. Tempo de Perón, quando o atual Papa já era grande – ele nasceu na época Perón, na Argentina, e a família de Bergoglio era muito radical, sofria, é claro, naquela imensa ditadura, cujas mazelas não adianta repetir nem um pouco em palavras.

Mas vamos adiante. A segunda autoridade religiosa citada, o Rabino Skorka, acrescentou sobre o assunto:

- “Há um jogo duplo entre os políticos, que, por um lado pedem que a religião não dê opinião, mas na campanha querem a bênção dos ministros religiosos”.

Mas, ser bom não é apoiar ou desapoiar políticas e políticos, isto tanto nas religiões quanto na vida civil. Ser bom é fazer o bem, sempre e em qualquer lugar. Ser bom é ter caráter. E caráter não se pode dar, vender, oferecer, nem há escolas do mundo que ensinem a pessoa a ter caráter: ela já nasce com tendência e essa tendência será acentuada através várias circunstâncias. Quem é bom faz sempre o bem, não é preciso ser um santo – Deus é misericordioso e perdoa os pecados que não foram praticados, como mamãe dizia, “de caso pensado”, propositalmente.

Os maus têm mau caráter. Não adianta fazer uma coisa boa para “aparecer”, por vaidade, como alguns políticos (ou vários) e continuar seguindo afogado na corrupção. Corrupção é um dos pecados maiores que existem na vida pública. O corrupto concorre para a pobreza, sujeição e humilhação dos pobres, embora pareça que está fazendo o bem. A corrupção pode acabar com um país, uma nação. Corrupção é tão pecado como os que matam na guerra, na guerrilha, no terrorismo.

Agora tenho que recorrer ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, que não suportando mais a sujeira das pessoas e instituições do seu país, nosso Brasil, e quase sem condição de aqui trabalhar, foi embora para os Estados Unidos da América. Tenho que recorrer a ele, com suas próprias palavras escritas no livro mais importante editado no Brasil, no gênero de divulgação da filosofia social de hoje, baseado em grandes leituras e estudos. Ou, para não cansar, interpretando as sua lições do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016 (refiro-me à 20a. Edição).

“ E o pecado (…) , em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo, abstratamente. Discursar genericamente contra o pecado, sem nada fazer com o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de mera teoria, sem alcance prático”.

Olavo de Carvalho critica com base em dados científicos os que o criticam por combater os gayzistas, abortistas e feministas e outras deturpações sociais que se tornam cada vez mais em políticas ou rebanhos e pretendem transformar o homem naquilo que eles próprios dizem e proclamam que são. O escritor declara a falta de caráter deles e dos religiosos de diversos credos que os apoiam, qualificando-os de maus leitores da Bíblia. “É possível reprimir o pecado sem magoar o pecador”? Deus é misericordioso, diz o Papa Francisco, mas também é justo: quem faz paga. Por outro lado, finalmente, o escritor Olavo de Carvalho explica: “Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus”.

Sim, ia esquecendo: - Foi o próprio Papa Francisco, perguntado se condenava “os gays” e ele respondeu que não era Deus, não foi ele quem os fez assim. Nem os outros pecados: adultério, mentiras, roubos, assasínios etc. Sim, condena o próprio pecado, mas não o pecador. Todos os pecados para a Igreja são perdoáveis, desde que o pecador reconheça e confesse à sua própria consciência e, moto contínuo, a Deus.

Logo, nem a bondade dos bons é infinita, nem a maldade dos maus também o é. Os maus podem arrepender-se, reeducar-se. Pena de morte, Deus nos livre. O que importa é o caráter, a consciência e o encontro com o infinito, que é Deus. O resto é balela.

Quanto aos movimentos sociais que impliquem, com violência, num querer transformar quem é de esquerda ou de direita, naquilo que esses movimentos querem, eu digo: Ninguém obriga ninguém a nada. A disposição da criatura de manter incólume tanto o seu corpo quanto a sua alma é quase infinita. Para os santos e anjos, é, sim, infinita.

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Artigo original de Chico Miguel

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras -APL

As diferenças na vida social, em qualquer país ou região, são grandes. Isso, falando-se a respeito da condição econômica e de projeção na sociedade. Não vamos dissecar sobre elas, nem condições temos, numa artigo como este, entre a bondade e a maldade.

A bondade dos bons, como eu dissera certa vez, não teria limites. É necessário uma explicação, visto que a situação era outra. Não sei se consigo fazê-la. Por isto recorro ao hoje Papa Francisco (Jorge Bergoglio) justamente quando explanou sobre o céu e a terra, juntamente com o Rabino Abraham Skorka, numa espécie de entrevista ou conversa a dois, em livro que o editor deu o nome de Sobre o céu e a terra”, publicado em espanhol e depois traduzido para a língua portuguesa por Sandra Martha Dolisnsky, para a Editora Schwarck, 20117 – São Paulo.

A primeira autoridade religiosa acima mencionada diz:

- “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é a forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”, frases que estão contidas num longo artigo do livro.

Parecem ter sido dito no Brasil dos dias de hoje(vide Lula e Dilma, Michel Temer nem tanto). Mas vêm de um tempo parecido. Tempo de Perón, quando o atual Papa já era grande – ele nasceu na época Perón, na Argentina, e a família de Bergoglio era muito radical, sofria, é claro, naquela imensa ditadura, cujas mazelas não adianta repetir nem um pouco em palavras.

Mas vamos adiante. A segunda autoridade religiosa citada, o Rabino Skorka, acrescentou sobre o assunto:

- “Há um jogo duplo entre os políticos, que, por um lado pedem que a religião não dê opinião, mas na campanha querem a bênção dos ministros religiosos”.

Mas, ser bom não é apoiar ou desapoiar políticas e políticos, isto tanto nas religiões quanto na vida civil. Ser bom é fazer o bem, sempre e em qualquer lugar. Ser bom é ter caráter. E caráter não se pode dar, vender, oferecer, nem há escolas do mundo que ensinem a pessoa a ter caráter: ela já nasce com tendência e essa tendência será acentuada através várias circunstâncias. Quem é bom faz sempre o bem, não é preciso ser um santo – Deus é misericordioso e perdoa os pecados que não foram praticados, como mamãe dizia, “de caso pensado”, propositalmente.

Os maus têm mau caráter. Não adianta fazer uma coisa boa para “aparecer”, por vaidade, como alguns políticos (ou vários) e continuar seguindo afogado na corrupção. Corrupção é um dos pecados maiores que existem na vida pública. O corrupto concorre para a pobreza, sujeição e humilhação dos pobres, embora pareça que está fazendo o bem. A corrupção pode acabar com um país, uma nação. Corrupção é tão pecado como os que matam na guerra, na guerrilha, no terrorismo.

Agora tenho que recorrer ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, que não suportando mais a sujeira das pessoas e instituições do seu país, nosso Brasil, e quase sem condição de aqui trabalhar, foi embora para os Estados Unidos da América. Tenho que recorrer a ele, com suas próprias palavras escritas no livro mais importante editado no Brasil, no gênero de divulgação da filosofia social de hoje, baseado em grandes leituras e estudos. Ou, para não cansar, interpretando as sua lições do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016 (refiro-me à 20a. Edição).

“ E o pecado (…) , em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo, abstratamente. Discursar genericamente contra o pecado, sem nada fazer com o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de mera teoria, sem alcance prático”.

Olavo de Carvalho critica com base em dados científicos os que o criticam por combater os gayzistas, abortistas e feministas e outras deturpações sociais que se tornam cada vez mais em políticas ou rebanhos e pretendem transformar o homem naquilo que eles próprios dizem e proclamam que são. O escritor declara a falta de caráter deles e dos religiosos de diversos credos que os apoiam, qualificando-os de maus leitores da Bíblia. “É possível reprimir o pecado sem magoar o pecador”? Deus é misericordioso, diz o Papa Francisco, mas também é justo: quem faz paga. Por outro lado, finalmente, o escritor Olavo de Carvalho explica: “Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus”.

Sim, ia esquecendo: - Foi o próprio Papa Francisco, perguntado se condenava “os gays” e ele respondeu que não era Deus, não foi ele quem os fez assim. Nem os outros pecados: adultério, mentiras, roubos, assasínios etc. Sim, condena o próprio pecado, mas não o pecador. Todos os pecados para a Igreja são perdoáveis, desde que o pecador reconheça e confesse à sua própria consciência e, moto contínuo, a Deus.

Logo, nem a bondade dos bons é infinita, nem a maldade dos maus também o é. Os maus podem arrepender-se, reeducar-se. Pena de morte, Deus nos livre. O que importa é o caráter, a consciência e o encontro com o infinito, que é Deus. O resto é balela.

Quanto aos movimentos sociais que impliquem, com violência, num querer transformar quem é de esquerda ou de direita, naquilo que esses movimentos querem, eu digo: Ninguém obriga ninguém a nada. A disposição da criatura de manter incólume tanto o seu corpo quanto a sua alma é quase infinita. Para os santos e anjos, é, sim, infinita.

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Artigo original de Chico Miguel

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras -APL

As diferenças na vida social, em qualquer país ou região, são grandes. Isso, falando-se a respeito da condição econômica e de projeção na sociedade. Não vamos dissecar sobre elas, nem condições temos, numa artigo como este, entre a bondade e a maldade.

A bondade dos bons, como eu dissera certa vez, não teria limites. É necessário uma explicação, visto que a situação era outra. Não sei se consigo fazê-la. Por isto recorro ao hoje Papa Francisco (Jorge Bergoglio) justamente quando explanou sobre o céu e a terra, juntamente com o Rabino Abraham Skorka, numa espécie de entrevista ou conversa a dois, em livro que o editor deu o nome de Sobre o céu e a terra”, publicado em espanhol e depois traduzido para a língua portuguesa por Sandra Martha Dolisnsky, para a Editora Schwarck, 20117 – São Paulo.

A primeira autoridade religiosa acima mencionada diz:

- “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é a forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”, frases que estão contidas num longo artigo do livro.

Parecem ter sido dito no Brasil dos dias de hoje(vide Lula e Dilma, Michel Temer nem tanto). Mas vêm de um tempo parecido. Tempo de Perón, quando o atual Papa já era grande – ele nasceu na época Perón, na Argentina, e a família de Bergoglio era muito radical, sofria, é claro, naquela imensa ditadura, cujas mazelas não adianta repetir nem um pouco em palavras.

Mas vamos adiante. A segunda autoridade religiosa citada, o Rabino Skorka, acrescentou sobre o assunto:

- “Há um jogo duplo entre os políticos, que, por um lado pedem que a religião não dê opinião, mas na campanha querem a bênção dos ministros religiosos”.

Mas, ser bom não é apoiar ou desapoiar políticas e políticos, isto tanto nas religiões quanto na vida civil. Ser bom é fazer o bem, sempre e em qualquer lugar. Ser bom é ter caráter. E caráter não se pode dar, vender, oferecer, nem há escolas do mundo que ensinem a pessoa a ter caráter: ela já nasce com tendência e essa tendência será acentuada através várias circunstâncias. Quem é bom faz sempre o bem, não é preciso ser um santo – Deus é misericordioso e perdoa os pecados que não foram praticados, como mamãe dizia, “de caso pensado”, propositalmente.

Os maus têm mau caráter. Não adianta fazer uma coisa boa para “aparecer”, por vaidade, como alguns políticos (ou vários) e continuar seguindo afogado na corrupção. Corrupção é um dos pecados maiores que existem na vida pública. O corrupto concorre para a pobreza, sujeição e humilhação dos pobres, embora pareça que está fazendo o bem. A corrupção pode acabar com um país, uma nação. Corrupção é tão pecado como os que matam na guerra, na guerrilha, no terrorismo.

Agora tenho que recorrer ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, que não suportando mais a sujeira das pessoas e instituições do seu país, nosso Brasil, e quase sem condição de aqui trabalhar, foi embora para os Estados Unidos da América. Tenho que recorrer a ele, com suas próprias palavras escritas no livro mais importante editado no Brasil, no gênero de divulgação da filosofia social de hoje, baseado em grandes leituras e estudos. Ou, para não cansar, interpretando as sua lições do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016 (refiro-me à 20a. Edição).

“ E o pecado (…) , em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo, abstratamente. Discursar genericamente contra o pecado, sem nada fazer com o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de mera teoria, sem alcance prático”.

Olavo de Carvalho critica com base em dados científicos os que o criticam por combater os gayzistas, abortistas e feministas e outras deturpações sociais que se tornam cada vez mais em políticas ou rebanhos e pretendem transformar o homem naquilo que eles próprios dizem e proclamam que são. O escritor declara a falta de caráter deles e dos religiosos de diversos credos que os apoiam, qualificando-os de maus leitores da Bíblia. “É possível reprimir o pecado sem magoar o pecador”? Deus é misericordioso, diz o Papa Francisco, mas também é justo: quem faz paga. Por outro lado, finalmente, o escritor Olavo de Carvalho explica: “Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus”.

Sim, ia esquecendo: - Foi o próprio Papa Francisco, perguntado se condenava “os gays” e ele respondeu que não era Deus, não foi ele quem os fez assim. Nem os outros pecados: adultério, mentiras, roubos, assasínios etc. Sim, condena o próprio pecado, mas não o pecador. Todos os pecados para a Igreja são perdoáveis, desde que o pecador reconheça e confesse à sua própria consciência e, moto contínuo, a Deus.

Logo, nem a bondade dos bons é infinita, nem a maldade dos maus também o é. Os maus podem arrepender-se, reeducar-se. Pena de morte, Deus nos livre. O que importa é o caráter, a consciência e o encontro com o infinito, que é Deus. O resto é balela.

Quanto aos movimentos sociais que impliquem, com violência, num querer transformar quem é de esquerda ou de direita, naquilo que esses movimentos querem, eu digo: Ninguém obriga ninguém a nada. A disposição da criatura de manter incólume tanto o seu corpo quanto a sua alma é quase infinita. Para os santos e anjos, é, sim, infinita.

07 de julho de 2017

Cada qual com seu igual- artigo original

chico miguel

 CADA QUAL COM SEU IGUAL

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras.


Seria um bom título popular para uma crônica, se não fosse uma mentira, se avaliado cientificamente. Não confiemos muito nos ditos populares, eles precisam de interpretação e, às vezes, têm vários sentidos.

Um dia, faz algum tempo, conversando com meu amigo Deusdeth Nunes (Garrincha), quando falei que “todos são iguais perante a lei”, segundo nossa Constituição vigente, ele logo replicou, contrapondo:

- Aí é onde começa a desigualdade.

Os humoristas tiram lições da coisas verdadeiras, para fazer gracinha e trocadilhos, mas eles têm uma sabedoria filosófica que nem imaginamos.

Acontece o seguinte, não há nenhuma pessoa humana igual. Assim Deus nos criou, assim são as coisas que fazemos. Peço para prestarmos bem atenção ao modo como uma pessoa em casa arruma as coisas e vem outra da mesma família e muda, pode ser um filha ou marido. A empregada quando arruma tudo do mesmo jeito que a patroa manda, é por falta de liberdade, mesmo assim de vez em quando falha.

Dessas pequenas coisas nascem as grandes.

Mas mudando um pouco ou mesmo sem mudar, nunca deixo de exemplificar os regimes sociais de governo e produção: comunismo, capitalismo, socialismo. Há outros? Há as nações governadas pelas infames formas de opressão: as ditaduras.

Diga-se de passagem que o comunismo aboliu todos os partidos e criou o Partido Comunista, que manda no governo e no povo, na produção e falta de produção. No regime comunista todos são funcionários do mesmo patrão, o governo, que representa o Partido. E ai! de quem desobedece o Partido e as ordens dos maiorais do Partido. Isto é DITADURA ou não é? Vai terminar nos calabouços, escondidos, onde os jornalista e a imprensa de modo geral não tem permissão para entrar. Mas dizem e contradizem: É uma UMA DITADURA DO POVO. Que povo?

E voltamos à questão inicial: nos regimes comunistas todos são iguais perante a Ditadura. E cada um com sua liberdade de viver, criar, trabalha ou simplesmente ser malandro, onde fica? O povo traduz-se, em qualquer parte do mundo, pelo diversificação das pessoas, nunca pelo seu simples ajuntamento.

Diz sabiamente o filósofo Olavo de Carvalho que “o comunismo é apenas uma construção hipotética destituída de materialidade, um nome sem coisa nenhuma dentro, um formalismo universal abstrato que não escapa ileso à navalha de Ockham, frade cientista inglês William Ockham (1288-1347). Não existiu nem existirá jamais uma economia comunista, é apenas uma economia capitalista camuflada ou pervertida, boa somente para sustentar uma gangue de sanguessugas politicamente lindinhos”.

Se pensarmos nos regimes da China e da Rússia, o que são: simplesmente tem governos de Partido único, mas com a economia é capitalista. No frigir do ovos são ditaduras. Deixemos os nanicos Cuba e Coreia do Norte, porque, além de não possuírem a densidade de grandes economias, estão patinando na mentira dos que criam a doutrina materialmente falsa, embora que idealmente (se pudesse existir). Seria como se transportassem o céu para a terra.

Quanto ao socialismo é o mesmo, o filósofo Osvaldo de Carvalho disse que é um nome falso do comunismo para encobrir ditaduras nos países pobres e enganar o povo.

O único regime político que existe, e é “do povo, pelo povo e para o povo”, chama-se democracia. Ela resiste desde os gregos e, em alguns países, tem se aperfeiçoado, criando a fórmula parlamentarista. Neste particular, cite-se a Inglaterra, a França e a Alemanha como os primeiros e mais aperfeiçoados. Nesses países há liberdades especificadas em leis, assim como a fiscalização do cumprimento de tais leis. E essas leis são feitas para o povo, em sua liberdade de ir e vir, falar e calar, onde a defesa da vida e da economia são tratadas com cuidado e ciência. Nesses países há povo, aqui (Brasil) somos um arremedo disto. Errou D. Pedro II, quando disse: “Grande povo, grande povo!”

Voltando ao social não político, é costume dizer-se hoje que os namorados, os casais que mais se parecem física e psicologicamente se dão bem no casamento. Não há nenhuma estatística nem comprovação disto. Da mesmo forma eu poderia dizer que os que menos são iguais têm maior possibilidade de um casamento duradouro. Mas nada disto está provado. Provado está que não ninguém é igual, justamente por isto é que somos chamados de indivíduos e depois de educados, pessoas. As pessoas aprendem a conviver em sociedade, os indivíduos são sempre desajustados e se dão ao crime e a outras coisas não aceitas pela maioria.

“Cada qual com seu igual” é coisa para as espécies. A espécie homem com a espécie homem; a espécie lobo com a espécie lobo. E mesmo assim conta-se como verdade a história das crianças criadas por lobas e, assim, andavam de quatro e não sabiam falar.

Cada qual com seu igual é uma das frases que não levarão a erros, quando tomadas como verdade absoluta.

E por falar em “absoluta”: Será que existem verdades absolutas?

Para o poeta Manuel Bandeira, que escreveu: “A vida é um milagre / Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres”, então seria a morte a verdade absoluta. Bem, os poetas dizem coisas que até Deus duvida. Mas eu, que também sou poeta, e hoje não estou poetando, acredito que Deus é o absoluto. Porém, querido leitor, esta seria matéria para outro e outros artigos, que não sei se vou ter condições de desenvolver. Mas o assunto e o problema estão postos para a capacidade dos filósofos. Aguardemos. Talvez o Papa Francisco já tenha versado sobre isto, que infelizmente não ouvi nem li. Li muitas outras coisas importantíssimas de suas pregações. Minha dica é que nele vamos encontrar a solução do assunto proposto, pois melhor sábio não há na terra, nos dias de hoje.  

28 de junho de 2017

Precisamos conversar para não adoecer

Artigo original de Chico Miguel

PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER


Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitura de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades! PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


Precisamos conversar para não adoecer

Artigo original de Chico Miguel

PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER


Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitutra de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

“Nenhum homem é um ilha” - começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Maritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes best-seller que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.

O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.

Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?

Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “facebook” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitura de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades! PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


20 de junho de 2017

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Artigo de Chico Miguel

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia de Letras do Piauí

Sim, certamente, o amor é doce no princípio. Mas depois de algum tempo pode ficar azedo e até amargo como qualquer prato. E amor, no sentido em que nossa sociedade toma hoje é uma comida, uma saída, um jantar e talvez até um motel. É triste para quem vem como eu de um tempo em que o namoro era tão diferente que até pegar na mão do outro não era fácil, era como um compromisso. Abraçar, beijar, não se pensasse nisto. A vitória era quando o rapaz recebia a resposta da moça de que aceitava namorar com ele.

Naquela forma o amor era mais bem conservado, ao invés de comida era uma joia de alto valor, ouro de lei, não mareava. Salvo em casos muito especiais. A santa lei de Deus era cumprida rigorosamente. Se algum dos dois desconfiasse disto, começavam os ciúmes, os arrependimentos, a novas juras, e tudo continuava como antes. Filhos nascendo, filhos crescendo,filhos sendo educados.

Mas para que falar assim na semana dos namorados – o dia é o 12 de junho. O dia, a noite, tudo. Porque logo que amanhece já estamos em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Julgo que neste momento de tanta aflição no mundo,quando os pais não dão bolas para os filhos, deixando-os à mercê de empregadas ou parentes, que não têm condição de mandá-los às escolas, de ajudar a fazer as lições de casa, de ensinar aquelas primeira maneiras que só se aprendem quando se é muito jovem, criança, digamos. Sem esticar muito o que já sabemos, isto é o casal normal. E quanto de ruim não pode acontecer com os filhos dos casais separados, por isto ou por aquilo, e os filhos ficam esbandalhados pelas casas de um, de outro, que por sua vez já têm outro par… E por aí.

Falar sobre uma pessoa ou mesmo algumas, dentro do seu “habitat”, que é o que o fazem os romancistas, por mais difícil que seja, jamais se pode comparar isto, se queremos observar o amor dentro da sociedade civilizada, muito especialmente a de hoje. Mais à frente vamos tentar mostrar, com o auxílio de quem já estudou e estuda isto e dizer algumas coisas que possam servir de baliza.

A sociedade moderna desviou-se para caminhos nunca trilhados e a anarquia está pronta. Não só pelos pais desnaturados, pelos filhos normais, adotados, readotados e pelos educados por empregadas, ou não educados por ninguém, por isto buscam as ruas e os companheiros, sempre os piores, porque seguir o mal é o caminho mais fácil: as drogas, o maior exemplo, e daí sabe Deus onde vão parar ou como vão deixar a sociedade.

Depois vêm as leis e as escolas governamentais querendo ou tentando remendar o passado sem sequer conhecê-lo em ciência ou tradição. Vejamos algumas estúpidas regras da sociedade revolucionária que vivemos:

a) Menor não pode trabalhar.

b) Menor pode matar, estuprar, roubar, fazer bandalheiras como tocar fogo em lugares públicos, ônibus, pessoas inocentes, etc.

c) Menor tem vontade própria, pode denunciar o pai ou a mãe e mandá-los para a cadeia, ou pior, matá-los, roubá-los e ficarem soltos ou em casas de recuperação.

d) As pessoas têm o direito de levar o que encontram, para si, mesmo sabendo que aquele objeto – inclusive dinheiro – não lhe pertence. Aqui pergunta-se: onde nasce a corrupção? Entre os políticos, entre eles, ou ser brasileiro é ser corrupto?

e) As pessoas (especialmente os pobres, pretos, mulatos e assemelhados podem a passar à frente dos que têm melhor nota na escola, entrarem para a universidade pública, etc.), como se as demais tivessem culpa da pele que têm ou da renda que não conseguiram seus pais por causa do desemprego. Isto não dá cidadania a ninguém, isto é dar esmolas, o que, se não é pecado, é deprimente para quem recebe. Concordo que os doentes, deficientes de qualquer natureza tenham todo o direito de gratuidade em tudo. Mas não posso concordar que não se possa chamar de “garoto” ou “moreno”, a um vadio que vem nos assaltar. E nestes casos, nós, os cidadãos, trabalhadores sofridos, que pagam impostos e tudo mais, podem ir para a cadeia pelo simples fato de ter “preconceito” e atingir alguém assim.

Falamos de amor no início da crônica e a ele voltaremos. Antes, porém, preciso dizer que a respeito de “preconceito da cor negra”, há, desde muito tempo, um patrulhamento terrível, dirigindo-se aos que escrevem: - Um amigo me pediu que substituísse a palavra“negra”, por outra. Justo porque tenho um soneto sobre a morte, está no meu primeiro livro, “Areias” (1966), cuja primeira estrofe é esta: “Eis a negra batendo à minha porta.. / Saí pensando que o Correio fosse. - Passa-me, por favor, teu passaporte, / Vamos partir… Já chega de matéria”.

Ridículo (achei). Também quando um professor, falando do palco de uma Academia, pronunciou algumas vezes a palavra “esclarecer” e se deu conta de que era uma palavra que tinha um sentido “preconceituoso”, contra a negritude e recomendou que fosse evitada. Continuando sua palestra, isto já lá para o fim, quis recordar alguma coisa e disse assim: “Ih! Agora me deu um branco!”. Isto também não seria um preconceito contra aqueles que não são da sua raça? Pensei em argumentar, mas como ele era muito teimoso, professor e convidado, preferi calar-me. Não agora. Não vou nomear qual Academia, qual professor, nem a cidade onde estávamos. Por obrigação, explico: Estávamos num Congresso Literário, com a assistência de uma grande plateia.

Sim, repito: - O amor é doce do princípio ao fim, desde que as pessoas envolvidas, sejam casais consensuais. Também nós, convívio social, tenhamos caráter, observemos os costumes (principalmente os do passado), observemos também a ética e as leis, mas protestemos contra estas, se são imorais, capciosas, feitas por legislador incompetente e sem caráter. Por que lei é para o povo, para a sociedade. Não há lei individual. Acredito também no amor à pátria, a terra onde nascemos e vivemos, acredito na humanidade enquanto humanidade, aquela criada por Deus, para uma vida como irmãos, num jardim chamado Éden, que não é nada mais do que nosso planeta Terra tão maltratada.

Do dito, fica claro que a FAMÍLIA sempre foi e é a base da sociedade. E a base está rachada. A nova civilização está num dos seus piores estágios. O Éden que Deus preparou para o homem, depois da torre de Babel, está sendo totalmente destruído.

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Artigo de Chico Miguel

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia de Letras do Piauí

Sim, certamente, o amor é doce no princípio. Mas depois de algum tempo pode ficar azedo e até amargo como qualquer prato. E amor, no sentido em que nossa sociedade toma hoje é uma comida, uma saída, um jantar e talvez até um motel. É triste para quem vem como eu de um tempo em que o namoro era tão diferente que até pegar na mão do outro não era fácil, era como um compromisso. Abraçar, beijar, não se pensasse nisto. A vitória era quando o rapaz recebia a resposta da moça de que aceitava namorar com ele.

Naquela forma o amor era mais bem conservado, ao invés de comida era uma joia de alto valor, ouro de lei, não mareava. Salvo em casos muito especiais. A santa lei de Deus era cumprida rigorosamente. Se algum dos dois desconfiasse disto, começavam os ciúmes, os arrependimentos, a novas juras, e tudo continuava como antes. Filhos nascendo, filhos crescendo,filhos sendo educados.

Mas para que falar assim na semana dos namorados – o dia é o 12 de junho. O dia, a noite, tudo. Porque logo que amanhece já estamos em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Julgo que neste momento de tanta aflição no mundo,quando os pais não dão bolas para os filhos, deixando-os à mercê de empregadas ou parentes, que não têm condição de mandá-los às escolas, de ajudar a fazer as lições de casa, de ensinar aquelas primeira maneiras que só se aprendem quando se é muito jovem, criança, digamos. Sem esticar muito o que já sabemos, isto é o casal normal. E quanto de ruim não pode acontecer com os filhos dos casais separados, por isto ou por aquilo, e os filhos ficam esbandalhados pelas casas de um, de outro, que por sua vez já têm outro par… E por aí.

Falar sobre uma pessoa ou mesmo algumas, dentro do seu “habitat”, que é o que o fazem os romancistas, por mais difícil que seja, jamais se pode comparar isto, se queremos observar o amor dentro da sociedade civilizada, muito especialmente a de hoje. Mais à frente vamos tentar mostrar, com o auxílio de quem já estudou e estuda isto e dizer algumas coisas que possam servir de baliza.

A sociedade moderna desviou-se para caminhos nunca trilhados e a anarquia está pronta. Não só pelos pais desnaturados, pelos filhos normais, adotados, readotados e pelos educados por empregadas, ou não educados por ninguém, por isto buscam as ruas e os companheiros, sempre os piores, porque seguir o mal é o caminho mais fácil: as drogas, o maior exemplo, e daí sabe Deus onde vão parar ou como vão deixar a sociedade.

Depois vêm as leis e as escolas governamentais querendo ou tentando remendar o passado sem sequer conhecê-lo em ciência ou tradição. Vejamos algumas estúpidas regras da sociedade revolucionária que vivemos:

a) Menor não pode trabalhar.

b) Menor pode matar, estuprar, roubar, fazer bandalheiras como tocar fogo em lugares públicos, ônibus, pessoas inocentes, etc.

c) Menor tem vontade própria, pode denunciar o pai ou a mãe e mandá-los para a cadeia, ou pior, matá-los, roubá-los e ficarem soltos ou em casas de recuperação.

d) As pessoas têm o direito de levar o que encontram, para si, mesmo sabendo que aquele objeto – inclusive dinheiro – não lhe pertence. Aqui pergunta-se: onde nasce a corrupção? Entre os políticos, entre eles, ou ser brasileiro é ser corrupto?

e) As pessoas (especialmente os pobres, pretos, mulatos e assemelhados podem a passar à frente dos que têm melhor nota na escola, entrarem para a universidade pública, etc.), como se as demais tivessem culpa da pele que têm ou da renda que não conseguiram seus pais por causa do desemprego. Isto não dá cidadania a ninguém, isto é dar esmolas, o que, se não é pecado, é deprimente para quem recebe. Concordo que os doentes, deficientes de qualquer natureza tenham todo o direito de gratuidade em tudo. Mas não posso concordar que não se possa chamar de “garoto” ou “moreno”, a um vadio que vem nos assaltar. E nestes casos, nós, os cidadãos, trabalhadores sofridos, que pagam impostos e tudo mais, podem ir para a cadeia pelo simples fato de ter “preconceito” e atingir alguém assim.

Falamos de amor no início da crônica e a ele voltaremos. Antes, porém, preciso dizer que a respeito de “preconceito da cor negra”, há, desde muito tempo, um patrulhamento terrível, dirigindo-se aos que escrevem: - Um amigo me pediu que substituísse a palavra“negra”, por outra. Justo porque tenho um soneto sobre a morte, está no meu primeiro livro, “Areias” (1966), cuja primeira estrofe é esta: “Eis a negra batendo à minha porta.. / Saí pensando que o Correio fosse. - Passa-me, por favor, teu passaporte, / Vamos partir… Já chega de matéria”.

Ridículo (achei). Também quando um professor, falando do palco de uma Academia, pronunciou algumas vezes a palavra “esclarecer” e se deu conta de que era uma palavra que tinha um sentido “preconceituoso”, contra a negritude e recomendou que fosse evitada. Continuando sua palestra, isto já lá para o fim, quis recordar alguma coisa e disse assim: “Ih! Agora me deu um branco!”. Isto também não seria um preconceito contra aqueles que não são da sua raça? Pensei em argumentar, mas como ele era muito teimoso, professor e convidado, preferi calar-me. Não agora. Não vou nomear qual Academia, qual professor, nem a cidade onde estávamos. Por obrigação, explico: Estávamos num Congresso Literário, com a assistência de uma grande plateia.

Sim, repito: - O amor é doce do princípio ao fim, desde que as pessoas envolvidas, sejam casais consensuais. Também nós, convívio social, tenhamos caráter, observemos os costumes (principalmente os do passado), observemos também a ética e as leis, mas protestemos contra estas, se são imorais, capciosas, feitas por legislador incompetente e sem caráter. Por que lei é para o povo, para a sociedade. Não há lei individual. Acredito também no amor à pátria, a terra onde nascemos e vivemos, acredito na humanidade enquanto humanidade, aquela criada por Deus, para uma vida como irmãos, num jardim chamado Éden, que não é nada mais do que nosso planeta Terra tão maltratada.

Do dito, fica claro que a FAMÍLIA sempre foi e é a base da sociedade. E a base está rachada. A nova civilização está num dos seus piores estágios. O Éden que Deus preparou para o homem, depois da torre de Babel, está sendo totalmente destruído.

04 de junho de 2017

A S MIL MARAVILHAS OU COMO DEIXAR DE LER

Artigo de Chico Miguel

AS MIL E UMA MARAVILHAS OU COMO DEIXAR DE LER

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

Já escrevi várias vezes sobre a falta de leitura do povo brasileiro. Nós, Brasil e países em desenvolvimento, passamos da era da pedra – era só imagem e riscos nas cavernas - à era da internet, quando ironicamente ninguém quer saber de letras, quer saber só de figuras. Já falei nos “ANALFABETIZADOS” - aqueles que vão à escola aprendem mal,muito mal a ler, nada a escrever senão alguns garranchos para assinar em algum documento e saem por aí dizendo-se leitores e às vezes até escritores. São os eleitores de Lula –(desculpem-me a intromissão na política vagabunda do nosso Brasil de hoje, entre os quais não se encontram nenhum dos meus poucos leitores). Esse pessoal nunca leu um livro como “Madame Bovary”, de Flaubert; nem um “Dom Casmurro”, do fabuloso Machado de Assis, inclusive alguns dos seus excelentes contos, que não são muito longos. Esse pessoal nunca leu, para abreviar a lista, José de Alencar, não sabe quem foi “Iracema”. São os que chamo de “ANALFABETIZADOS”, e por muita concessão.

De poesia, nem se fala. Se se perguntar a um deles quem é o maior poeta do Brasil é capaz de responder que é o Tiririca, sem ofender a este bom humorista que se meteu na política e parece ainda não ter-se corrompido.

Não sei se deveria citar, para bem ou para mal, que a maior editora de livros nestes dois últimos anos, no Piauí, é a Academia Piauiense de Letras. Não porque queira e tenha recursos para tal, não porque esteja cumprindo algumas das suas funções principais, mas para comemorar seu Centenário de nascimento, de criação, em 30 de dezembro de 1917. Seu dinâmico presidente atual, Nelson Nery Costa, vem esbaldando-se para cumprir aquilo que Castro Alves escreveu, recitou e proclamou durante sua rica vida de intelectual, poeta e fervoroso combatente para o fim da escravidão negra. Muitas outras batalhas encetou, incluisve a liberdade fundamental de que “A PRAÇA, A PRAÇA É DO POVO / COMO O CÉU É DO CONDOR”. Por milagre, algumas pessoas do meado do século XX ainda se lembram: de um poema de estrofe contundente e que tem tudo a ver com o nosso artigo:“LIVROS, LIVROS, À MÃO CHEIA / FAZEI O POVO PENSAR. / O LIVRO CAINDO N’ ALMA / É GERME QUE FAZ A PALMA / É CHUVA QUE FAZ O MAR”

Como eu ia dizendo, o presidente da APL já publicou um centena de livros e promete publicar outro tanto neste ano da Comemoração do Centenário da “Casa de Lucídio Freitas” e nesse sentido já publicou obras importantíssimas da literatura piauiense de vivos e mortos, entre os quais poemas, antologias, histórias, memórias, crônicas e biografias. Depois disto, uma pergunta encabulosa e de certa forma atrevida pode vir:

- Quem, dentre vocês, piauienses, já leu algum desses livros, quem já leu mais de um? Quantos brasileiros lêem livros anualmente. O silêncio será constrangedor. A resposta é não, quando juntamente não acompanhada de um tremendo desaforo.

Por que comprar livros no Piauí? Ninguém lê. Mas é de graça. Ninguém quer, ninguém compra, ninguém lê. Não sei como sobrevivem as livrarias (poucas), da nossa cidade. Posso responder, sem medo de errar: vendo “BESTAS DE SELA” americanas ou livros de devoção religiosa, o principal a Bíblia. Reforço meus argumentos com os da escritora que muito prezo, uma sumidade como crítica literária, mesmo que ainda tão nova, Rosidelma Fraga, que fez o prefácio de minha “POESIA IN COMPLETA”. E que prefácio! Uma lição de sabedoria e competência no labutar com as letras e com a arte da poesia, ela que também é poeta. Sua contribuição aqui é tirada de um trecho de artigo dela, publicada no “Portal Entre-textos, do Dilson Lages: “De forma brevíssima, meu objetivo fulcral é dar algumas alfinetadas sobre o tema assassinato do leitor e da literatura associado ao diploma conferido a um professor da área de Letras. Parece estranha a proposta, já que na própria envergadura e no corpo fônico da palavra LETRAS há o verbo LER. Por conseguinte, quem escolhe a licenciatura ou o bacharelado em Letras será um leitor. Seria mais que óbvio se não fosse obtuso, diria meu amigo Roland Barthes”.

E por aí segue a escritora Rosidelma Fraga. Mas, não posso tomar o fôlego do seu artigo, invectivando Universidades, Cursos de Letras, professores que se formam sem apreender a ler, ou pelo menos sem gostar de ler. Como é que se lê tanto como deve um professor, sem gostar de ler? Se os professores não lêem, como vão ensinar a seus alunos que é bom ler, que devemos ler, pois como disse o Prof. Antônio Cândido (com toda a sua autoridade): “A Literatura confirma a humanidade do homem e contribui para a formação da personalidade por ser uma forma de conhecimento do mundo e do ser.” Logo, a literatura deve estar adiante de todo e qualquer diploma, mormente o de Licenciatura Plena em Letras.

Quero dizer que os próprios professores de Letras vão ganhar dinheiro sem ler. E vão ensinar mal os seus alunos, por desestimularem a leitura. Alguns que se salvam e lêem pouco, lêem mal como aponta Rosidelma Fraga. E aí ela fala na “bola de neve”, a que é elevada a sociedade, citando que há professores que não distinguem a palavra MAL da palavra MAU, uma vez que não sabem quando se deve escrever L ou U. E isto é monstruoso, é a contradição do que estudou e do que deve lecionar.Nas salas de aula dos cursos diversos até chegarem à Universidade, onde se deveriam formar bons leitores, ao contrário, de modo geral todos se tornam maus leitores e serão futuros doutores semianalfabetos ou ANALFABETIZADOS, como eu costumo denominar. Sendo assim, chegamos ao reino das “mil maravilhas” dos iletrados, pois se querem saber de algo, como se escreve a palavra X ou o que significa a palavra Y, buscam a internet. Acontece que, sem saberem escrever, muitas vezes têm dificuldade de encontrar o que querem e mais ainda de entenderem o que a máquina moderna lhes oferecem. E se a grande maioria são iletrados, ANALFABETIZADOS, como vamos ter leitores, nós pobres escritores?

Para encerrar, cito um trecho muito interessante de mudança de gerações, de autoria do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860): “A cada 30 anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado”.

Daí podemos aferir os leitores que não leram os clássicos: bons, maus? O leitor decide.

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(Publicado no jornal “O Dia” e no “portal o dia”, 04. 06.2017)

03 de junho de 2017

AS MIL MARAVILHAS!

Artigo sobre Leitura - autor Chico Miguel

AS MIL E UMA MARAVILHAS OU COMO DEIXAR DE LER

Francisco Miguel de Moura* 

Já escrevi várias vezes sobre a falta de leitura do povo brasileiro. Nós, Brasil e países em desenvolvimento, passamos da era da pedra – era só imagem e riscos nas cavernas - à era da internet, quando ironicamente ninguém quer saber de letras, quer saber só de figuras. Já falei nos “ANALFABETIZADOS” - aqueles que vão à escola aprendem mal,muito mal a ler, nada a escrever senão alguns garranchos para assinar em algum documento e saem por aí dizendo-se leitores e às vezes até escritores. São os eleitores de Lula –(desculpem-me a intromissão na política vagabunda do nosso Brasil de hoje, entre os quais não se encontram nenhum dos meus poucos leitores). Esse pessoal nunca leu um livro como “Madame Bovary”, de Flaubert; nem um “Dom Casmurro”, do fabuloso Machado de Assis, inclusive alguns dos seus excelentes contos, que não são muito longos. Esse pessoal nunca leu, para abreviar a lista, José de Alencar, não sabe quem foi “Iracema”. São os que chamo de “ANALFABETIZADOS”, e por muita concessão.

De poesia, nem se fala. Se se perguntar a um deles quem é o maior poeta do Brasil é capaz de responder que é o Tiririca, sem ofender a este bom humorista que se meteu na política e parece ainda não ter-se corrompido.

Não sei se deveria citar, para bem ou para mal, que a maior editora de livros nestes dois últimos anos, no Piauí, é a Academia Piauiense de Letras. Não porque queira e tenha recursos para tal, não porque esteja cumprindo algumas das suas funções principais, mas para comemorar seu Centenário de nascimento, de criação, em 30 de dezembro de 1917. Seu dinâmico presidente atual, Nelson Nery Costa, vem esbaldando-se para cumprir aquilo que Castro Alves escreveu, recitou e proclamou durante sua rica vida de intelectual, poeta e fervoroso combatente para o fim da escravidão negra. Muitas outras batalhas encetou, incluisve a liberdade fundamental de que“A PRAÇA, A PRAÇA É DO POVO / COMO O CÉU É DO CONDOR”. Por milagre, algumas pessoas do meado do século XX ainda se lembram: de um poema de estrofe contundente e que tem tudo a ver com o nosso artigo:“LIVROS, LIVROS, À MÃO CHEIA / FAZEI O POVO PENSAR. / O LIVRO CAINDO N’ ALMA / É GERME QUE FAZ A PALMA / É CHUVA QUE FAZ O MAR”

Como eu ia dizendo, o presidente da APL já publicou um centena de livros e promete publicar outro tanto neste ano da Comemoração do Centenário da “Casa de Lucídio Freitas” e nesse sentido já publicou obras importantíssimas da literatura piauiense de vivos e mortos, entre os quais poemas, antologias, histórias, memórias, crônicas e biografias. Depois disto, uma pergunta encabulosa e de certa forma atrevida pode vir:

- Quem, dentre vocês, piauienses, já leu algum desses livros, quem já leu mais de um? Quantos brasileiros leem livros anualmente. 

- O silêncio será constrangedor. A resposta é não, quando juntamente não acompanhada de um tremendo desaforo.

Por que comprar livros no Piauí? Ninguém lê. Mas é de graça. Ninguém quer, ninguém compra, ninguém lê. Não sei como sobrevivem as livrarias (poucas), da nossa cidade. Posso responder, sem medo de errar: vendo “BESTAS DE SELA” americanas ou livros de devoção religiosa, o principal a Bíblia. Reforço meus argumentos com os da escritora que muito prezo, uma sumidade como crítica literária, mesmo que ainda tão nova, Rosidelma Fraga, que fez o prefácio de minha “POESIA IN COMPLETA”. E que prefácio! Uma lição de sabedoria e competência no labutar com as letras e com a arte da poesia, ela que também é poeta. Sua contribuição aqui é tirada de um trecho de artigo dela, publicada no “Portal Entre-textos, do Dilson Lages: “De forma brevíssima, meu objetivo fulcral é dar algumas alfinetadas sobre o tema assassinato do leitor e da literatura associado ao diploma conferido a um professor da área de Letras. Parece estranha a proposta, já que na própria envergadura e no corpo fônico da palavra LETRAS há o verbo LER. Por conseguinte, quem escolhe a licenciatura ou o bacharelado em Letras será um leitor. Seria mais que óbvio se não fosse obtuso, diria meu amigo Roland Barthes”.

E por aí segue a escritora Rosidelma Fraga. Mas, não posso tomar o fôlego do seu artigo, invectivando Universidades, Cursos de Letras, professores que se formam sem apreender a ler, ou pelo menos sem gostar de ler. Como é que se lê tanto como deve um professor, sem gostar de ler? Se os professores não lêem, como vão ensinar a seus alunos que é bom ler, que devemos ler, pois como disse o Prof. Antônio Cândido (com toda a sua autoridade): “A Literatura confirma a humanidade do homem e contribui para a formação da personalidade por ser uma forma de conhecimento do mundo e do ser.” Logo, a literatura deve estar adiante de todo e qualquer diploma, mormente o de Licenciatura Plena em Letras.

Quero dizer que os próprios professores de Letras vão ganhar dinheiro sem ler. E vão ensinar mal os seus alunos, por desestimularem a leitura. Alguns que se salvam e lêem pouco, lêem mal como aponta Rosidelma Fraga. E aí ela fala na “bola de neve”, a que é elevada a sociedade, citando que há professores que não distinguem a palavra MAL da palavra MAU, uma vez que não sabem quando se deve escrever L ou U. E isto é monstruoso, é a contradição do que estudou e do que deve lecionar.Nas salas de aula dos cursos diversos até chegarem à Universidade, onde se deveriam formar bons leitores, ao contrário, de modo geral todos se tornam maus leitores e serão futuros doutores semianalfabetos ou ANALFABETIZADOS, como eu costumo denominar. Sendo assim, chegamos ao reino das “mil maravilhas” dos iletrados, pois se querem saber de algo, como se escreve a palavra X ou o que significa a palavra Y, buscam a internet. Acontece que, sem saberem escrever, muitas vezes têm dificuldade de encontrar o que querem e mais ainda de entenderem o que a máquina moderna lhes oferecem. E se a grande maioria são iletrados, ANALFABETIZADOS, como vamos ter leitores, nós pobres escritores?

Para encerrar, cito um trecho muito interessante de mudança de gerações, de autoria do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860): “A cada 30 anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado”.


Daí podemos aferir os leitores que não leram os clássicos: bons, maus? O leitor decide.

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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da ALERP,  da APL, da UBE e da IWA, esta última nos Estados Unidos da América do Norte.


19 de maio de 2017

EU NÃO DEVIA ESCREVER SOBRE DITADORES, MAS...

Artigo ou crônica, depende da interpretação

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

Assim tão próximo ao Dia das Mães, eu não deveria escrever sobre os desmandos do mundo. Sobre os ditadores, sobre os terroristas, sobre os psicopatas, sobre os empedernidos em doutrinas tão prejudiciais como a do comunismo e quejandos. Mas são tantos no mundo os ditadores e os terroristas de toda natureza, no mundo atual! Que fazer? Escolher alguns por referência. E depois passar para outros assuntos dignos de uma crônica.

Como iniciei, eu deveria escrever sobre o sofrimento do povo da Venezuela, que a única esperança que têm é emigrar para o Brasil, em vez de ficar sofrendo fome e cadeia pela vergonhosa ditadura que sofre o país, sob a direção de um monstro chamado Nicolau Maduro. Para mim ele está apodrecendo, mas muito devagar. Irá até quando?

Eu deveria lembrar (como não lembrar, ó Deus!) o sofrimento do povo sírio, sem nenhuma alternativa a não ser a de ficar no meio do fogo cruzado que faz o ditador Bachar al-Assad contra os pobres sírios, que até pouco se sentiam tranquilos em seu país. Agora, às vezes nem fugir não pode a pobre população. E fugir para onde? São tantos os dilemas! Guerra é o flagelo dos diabos, do Demônio. E as potências mundiais ficam de mãos atadas, sem saber o que fazer, sem concordarem. E, enquanto não, vem fogo da Rússia, vem fogo dos Estados Unidos e de outros países, e a guerra continua cada vez mais confusa. Bashar al Assad já matou tanta gente que nem sabe a conta. Já houve quem dissesse que ele pratica um crime contra a humanidade e assim deverá ser julgado. Outros o praticaram: Fidel Castro quando invadiu a Angola, foi um horror. Esse outro monstro, da Coreia do Norte, mata seu povo de fome para investir em foguetes e armas atômicas e assim horrorizar o mundo. De um momento pra outro tudo pode explodir. Meu Deus!

Não há quem não se condoa com o sofrimento do povo, a qui e ali, mesmo visto de distâncias enormes como costumamos ver pela tevê e internet. E os terroristas do Islã, outra praga que se abateu contra o mundo, valendo-se de interpretações errôneas e cruéis querem tornar-se poderosos à custa de Maomé e dominarem o mundo. Matando populações inteiras e se imolando a si próprio na esperança de ganharem um paraíso com mais de mil virgens. Não sei se isto é triste ou imundo.

Da África, fugindo de males parecidos, os africanos, que não diferem muito dos problemas apontados, e também da fome, e se aventuram pelo Mediterrâneo buscando um abrigo na Itália e noutros países europeus, no caminho encontrando a morte, quando não acontece aparecer um barco salvador. Este mundo está de tal forma intranquilo que não dá para pensar-se uma crônica suave, uma poesia, uma forma distinta de viver sem ser a de ter medo, a de ficar preso em casa, a de restringir as atividades, a de ficar cada vez mais descrente de que um dia isto tudo pode acabar numa boa.

DIZEM QUE NÃO HÁ BEM QUE SEMPRE DURE NEM MAL QUE NUNCA SE ACABE. Mas precisamos de um bem que dure algum tempo. E este bem é a paz para se sobreviver.

Um escritor francês, cujo nome esqueci, disse: “No mundo atual, o melhor que o homem faz é não sair do seu quarto e assim ficar livre dos malfazejos que infestam as ruas”. Não o cito ipsis litteris mas o conteúdo é esse. Parece uma gracinha de quem acha que tudo está perdido e que é preciso alegrar-se com o nada e sorrir como um escárneo.

Agora, um bom vento me soprou e vou ver se falo em coisas menos árduas: o amor, a fortaleza do amor de mãe e a grandeza da mulher. Fiquemos certos, nós homens, diante da mulher, que não valemos nada. Quem está fazendo todo esse barulho no mundo? Os homens. Infelizmente os homens nascem guerreiros, precisam de buscar alimentos, precisam de território para caçar e pescar, isto na tribo. Mas o governo é sempre a mulher quem organiza. Da tribo ao reinado. O mundo modificou-se. Criamos cidades. Criamos indústria. Criamos remédios e vacinas. Mas também armas. Antes de tudo, a civilização deveria ter inventado a escola: o que deveríamos fazer e o que evitar. Aí foram aparecendo as religiões, umas boas outras não, uma boas que se transformam em más, outras más que se transformam em boas. Vieram os profetas, os mandamentos, as leis. É preciso que obedeçamos à primeira: a LEI DA CONSCIÊNCIA. É o sentimento profundo que Deus dá a cada um. Sem esse, não haveria humanidade. Não haveria tanta gente vivendo, bem ou mal, neste (outrora) chamado paraíso, a Terra. É com a consciência do BEM e do MAL que construímos tudo de bom até agora. Precisamos ter essa consciência cada vez mais afinada de que “aquilo que faço contra os outros vai recair sobre mim, certamente” e de que “tudo o que fizermos de bem, esse bem retorna para nós mesmos”.

Creio que a maioria da população do globo perdeu a consciência, perdeu esses parâmetros do BEM e do BEM, dos bons costumes, da moral e da ética até então construídos. E é por isto que vamos mal, muito mal, marchando para o Apocalipse. É o fim do mundo que está próximo, ninguém se iluda. A menos que venhamos a dar uma rodada de 180 graus, para recomeçar.

Não adianta fiar-se em sonhos de ouro nem de outro planeta para onde possamos ir, quando este acabar. Não terá planeta nenhum que suporte tanta maldade. Nem vão descobrir nenhum que tenha água. E se o descobrirem, não chegarão lá, pois as distâncias são enormes, quase ou digamos infinitas, só Deus conhece.

Conclamo a todos que tenham esperança. Mais: que tenhamos fé em Deus criador do Universo e, a partir daí, tentemos reconstruir tudo o que já destruímos: a história, a luta, as conquistas, a verdade, o amor, inclusive nossa alma espiritualizada.

  Preciso terminar aqui com uma frase belíssima, do Papa Francisco, que é também o título de um livro: - “O NOME DE DEUS É MISERICÓRDIA’. Se não for a mão de Deus e dos seus filhos mais diletos, na fé e nas boas obras, nada escapará. As guerras tocaram fogo no mundo.

EU NÃO DEVIA ESCREVER SOBRE DITADORES, MAS...

Artigo ou crônica, depende da interpretação

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

Assim tão próximo ao Dia das Mães, eu não deveria escrever sobre os desmandos do mundo. Sobre os ditadores, sobre os terroristas, sobre os psicopatas, sobre os empedernidos em doutrinas tão prejudiciais como a do comunismo e quejandos. Mas são tantos no mundo os ditadores e os terroristas de toda natureza, no mundo atual! Que fazer? Escolher alguns por referência. E depois passar para outros assuntos dignos de uma crônica.

Como iniciei, eu deveria escrever sobre o sofrimento do povo da Venezuela, que a única esperança que têm é emigrar para o Brasil, em vez de ficar sofrendo fome e cadeia pela vergonhosa ditadura que sofre o país, sob a direção de um monstro chamado Nicolau Maduro. Para mim ele está apodrecendo, mas muito devagar. Irá até quando?

Eu deveria lembrar (como não lembrar, ó Deus!) o sofrimento do povo sírio, sem nenhuma alternativa a não ser a de ficar no meio do fogo cruzado que faz o ditador Bachar al-Assad contra os pobres sírios, que até pouco se sentiam tranquilos em seu país. Agora, às vezes nem fugir não pode a pobre população. E fugir para onde? São tantos os dilemas! Guerra é o flagelo dos diabos, do Demônio. E as potências mundiais ficam de mãos atadas, sem saber o que fazer, sem concordarem. E, enquanto não, vem fogo da Rússia, vem fogo dos Estados Unidos e de outros países, e a guerra continua cada vez mais confusa. Bashar al Assad já matou tanta gente que nem sabe a conta. Já houve quem dissesse que ele pratica um crime contra a humanidade e assim deverá ser julgado. Outros o praticaram: Fidel Castro quando invadiu a Angola, foi um horror. Esse outro monstro, da Coreia do Norte, mata seu povo de fome para investir em foguetes e armas atômicas e assim horrorizar o mundo. De um momento pra outro tudo pode explodir. Meu Deus!

Não há quem não se condoa com o sofrimento do povo, a qui e ali, mesmo visto de distâncias enormes como costumamos ver pela tevê e internet. E os terroristas do Islã, outra praga que se abateu contra o mundo, valendo-se de interpretações errôneas e cruéis querem tornar-se poderosos à custa de Maomé e dominarem o mundo. Matando populações inteiras e se imolando a si próprio na esperança de ganharem um paraíso com mais de mil virgens. Não sei se isto é triste ou imundo.

Da África, fugindo de males parecidos, os africanos, que não diferem muito dos problemas apontados, e também da fome, e se aventuram pelo Mediterrâneo buscando um abrigo na Itália e noutros países europeus, no caminho encontrando a morte, quando não acontece aparecer um barco salvador. Este mundo está de tal forma intranquilo que não dá para pensar-se uma crônica suave, uma poesia, uma forma distinta de viver sem ser a de ter medo, a de ficar preso em casa, a de restringir as atividades, a de ficar cada vez mais descrente de que um dia isto tudo pode acabar numa boa.

DIZEM QUE NÃO HÁ BEM QUE SEMPRE DURE NEM MAL QUE NUNCA SE ACABE. Mas precisamos de um bem que dure algum tempo. E este bem é a paz para se sobreviver.

Um escritor francês, cujo nome esqueci, disse: “No mundo atual, o melhor que o homem faz é não sair do seu quarto e assim ficar livre dos malfazejos que infestam as ruas”. Não o cito ipsis litteris mas o conteúdo é esse. Parece uma gracinha de quem acha que tudo está perdido e que é preciso alegrar-se com o nada e sorrir como um escárneo.

Agora, um bom vento me soprou e vou ver se falo em coisas menos árduas: o amor, a fortaleza do amor de mãe e a grandeza da mulher. Fiquemos certos, nós homens, diante da mulher, que não valemos nada. Quem está fazendo todo esse barulho no mundo? Os homens. Infelizmente os homens nascem guerreiros, precisam de buscar alimentos, precisam de território para caçar e pescar, isto na tribo. Mas o governo é sempre a mulher quem organiza. Da tribo ao reinado. O mundo modificou-se. Criamos cidades. Criamos indústria. Criamos remédios e vacinas. Mas também armas. Antes de tudo, a civilização deveria ter inventado a escola: o que deveríamos fazer e o que evitar. Aí foram aparecendo as religiões, umas boas outras não, uma boas que se transformam em más, outras más que se transformam em boas. Vieram os profetas, os mandamentos, as leis. É preciso que obedeçamos à primeira: a LEI DA CONSCIÊNCIA. É o sentimento profundo que Deus dá a cada um. Sem esse, não haveria humanidade. Não haveria tanta gente vivendo, bem ou mal, neste (outrora) chamado paraíso, a Terra. É com a consciência do BEM e do MAL que construímos tudo de bom até agora. Precisamos ter essa consciência cada vez mais afinada de que “aquilo que faço contra os outros vai recair sobre mim, certamente” e de que “tudo o que fizermos de bem, esse bem retorna para nós mesmos”.

Creio que a maioria da população do globo perdeu a consciência, perdeu esses parâmetros do BEM e do BEM, dos bons costumes, da moral e da ética até então construídos. E é por isto que vamos mal, muito mal, marchando para o Apocalipse. É o fim do mundo que está próximo, ninguém se iluda. A menos que venhamos a dar uma rodada de 180 graus, para recomeçar.

Não adianta fiar-se em sonhos de ouro nem de outro planeta para onde possamos ir, quando este acabar. Não terá planeta nenhum que suporte tanta maldade. Nem vão descobrir nenhum que tenha água. E se o descobrirem, não chegarão lá, pois as distâncias são enormes, quase ou digamos infinitas, só Deus conhece.

Conclamo a todos que tenham esperança. Mais: que tenhamos fé em Deus criador do Universo e, a partir daí, tentemos reconstruir tudo o que já destruímos: a história, a luta, as conquistas, a verdade, o amor, inclusive nossa alma espiritualizada.

  Preciso terminar aqui com uma frase belíssima, do Papa Francisco, que é também o título de um livro: - “O NOME DE DEUS É MISERICÓRDIA’. Se não for a mão de Deus e dos seus filhos mais diletos, na fé e nas boas obras, nada escapará. As guerras tocaram fogo no mundo.

11 de maio de 2017

DIREITOS E DEVERES HUMANOS UNIVERSAIS

Artigo de Chico Miguel


DIREITOS E DEVERES HUMANOS UNIVERSAIS

Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

Não sei se deveria referir assunto tão batido quanto o dos Direitos Humanos. Debatido, mas tão complexo. Quase nada são observados os tais direitos fundamentais, principalmente nos países subdesenvolvidos e ainda tateando o desenvolvimento como o nosso Brasil. Mas, antes de tudo, vamos perguntar uma coisa importante, talvez primordial do gênero humano, tão desumano atualmente como nunca, pelo que se sabe da história recente:

- Os Deveres Humanos, quais são, quantos são, quem os cumpre rigorosamente? Por que não se falam neles, mas somente nos Direitos… Assim, passamos a registrar o que dizem os entendidos do assunto, informações colhidas nas páginas da internet, pois que hoje já não temos mais dicionários enciclopédicos como há bem pouco tempo. Assim, cito a origem da maioria dos dados normais e filosósficos, a famosa Wikipédia, pois não há coisa melhor para a minha pesquisa. Não encontrei mesmo. Entretanto, confesso que reescrevi alguns frases e posturas que recebi da origem,colocando de maneira mais fácil para a compreensão do leitor de jornal.

Direitos humanos são os direitos básicos de todos os seres humanos. São: 1) direitos civis e políticos: direitos à vida, à propriedade privada, liberdade de pensamento, de expressão, de crença, igualdade formal, ou seja, de todos perante a lei, direitos à nacionalidade, de participar do governo do seu Estado, podendo votar e ser votado, entre outros, fundamentados no valor liberdade. 2) Direitos econômicos, sociais e culturais: direitos ao trabalho, à educação, à saúde, à previdência social, à moradia, à distribuição de renda, entre outros, fundamentados no valor igualdade de oportunidades). 3 Direitos difusos e coletivos:direito à paz, direito ao progresso, à autodeterminação dos povos, direito ambiental, direitos do consumidor, direito à inclusão digital, entre outros, fundamentados no valor fraternidade.

A ONU afirma que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

A origem do conceito filosófico de direitos naturais seriam atribuídos por Deus. Alguns filósofos sustentam que não haveria nenhuma diferença entre os direitos humanos e os direitos naturais. E veem, na distinta nomenclatura, etiquetas para uma mesma ideia. Outros argumentam ser necessário manter termos separados para eliminar a associação com características normalmente relacionadas com os direitos naturais, sendo o filósofo John Locke talvez o mais importante a desenvolver esta teoria.

Os que defendem o UNIVERSALISMO dos direitos humanos se contrapõem ao RELATIVISMO CULTURAL. Estesafirmam a validez de todos os sistemas culturais e a impossibilidade de qualquer valorização absoluta desde um marco externo, que, neste caso, seriam os direitos humanos universais.

Entre essas duas posturas filosóficas extremas situa-se uma gama de posições intermediárias. Muitas declarações de direitos humanos emitidas por organizações internacionais e regionais põem um acento maior ou menor no aspecto cultural e dão mais importância a determinados direitos de acordo com sua trajetória histórica. A Organização da Unidade Africana(OUA) proclamou em 1981 a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, que reconhecia princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e adicionava outros que tradicionalmente se tinham negado na África, como o direito de livre determinação ou o dever dos Estados de eliminar todas as formas de exploração econômica estrangeira. Os estados africanos que acordaram a Declaração de Túnis, em 6 de novembro de 1992, afirmaram que não se pode prescrever um modelo determinado a nível universal, já que não é possível desvincularem-se as realidades históricas e culturais de cada nação e as tradições, normas e valores de cada povo. Em uma linha similar se pronunciam a Declaração de Bangkok, emitida por países da Ásia, em 23 de abril de 1993, e de Cairo, firmada pela Organização da Conferência Islâmica em 5 de agosto de 1990.

Também, contra à visão ocidental CAPITALISTA dos direitos humanos, centrada nos direitos civis e políticos, como a liberdade de opinião, de expressão e de voto, o BLOCO SOCIALISTA se opôs durante a GUERRA FRIA que privilegiava a satisfação das necessidades elementares, mas, por sua ideologia, suprimia a propriedade privada e a possibilidade de discordar e de eleger os representantes com eleições livres de múltipla escolha.

Mas, depois de todas as teorias e práticas, vamos perguntar, pela segunda parte deste artigo, uma coisa importante, talvez primordial do gênero humano, tão desumano atualmente como nunca, pelo que se sabe da história recente. Trata-se dos esquecidos DEVERES HUMANOS.

Quem não sabe quais são os DEVERES HUMANOS? Não me venham com lorotas e desculpas, etc. Todos nós sabemos que:

a) Não devemos fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que eles fizessem com a gente. É ou não é verdade?

b) Só devemos fazer aos outros o que for o BEM, aquilo que está recomendado como mandamento de Deus, desde os mais antigos povos. Todos os que sabem ler e escrever, todos que ouvem rádio e televisão, veem a internet, já ouviram falam nas tábuas de Moisés, onde Deus escreveu os 10 (dez) mandamentos para o homem, entregando ao profeta para que ele distribuísse e ensinasse ao povo. E até hoje eles são mais do que válidos. “Guardai os mandamentos de Deus e estais respeitando o próximo e o próprio Deus, o Criador do Universo”.

Mas, alguém pode dizer assim: - E como é que fica a preservação da natureza? Os deveres que o homem tem para com ela, a fim de que tenham condições para viver, trabalhar e amar? Este mandamento é muito mais antigo. O homem recebeu o jardim do Éden, que era o mundo, e Deus falou: “Cuida dele, é dele que tirarás o seu sustento e de sua família, sua saúde e sua tranquilidade (sem medo de feras”… Lembram da serpente?. Tudo é tão elementar, hem? Só faltou-me falar no “SERMÃO DA MONTANHA”, onde Jesus discorre sobre a misericórdia para com os pecadores, o que não praticam ou não praticaram os DEVERES HUMANOS.



01 de maio de 2017

DAS COISAS SIMPLES E OUTRAS NEM TANTO

Artigo original de Chico Miguel

DAS COISAS TERNAS E OUTRAS NEM TANTO

Francisco Miguel de Moura – Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

Lendo, tudo se aprende. Não sei que motivos encontram os que sabem ler e não lêem, por preguiça, desinteresse ou porque acham que já aprenderam tudo. É dos grandes mistérios do meu bestunto, quando começo a pensar.

Hoje, lendo o poeta Manoel Bandeira, uma das glória da poesia brasileira moderna, o poeta mais terno e amoroso de sua geração, eis que, lendo-o, encontro justo seu poema “Noite Morta”, que parece, pelo título, tratar-se coisas lúgubres. Mas os poetas fazem milagres, o que era ou seria ruim, torna-se agradável ao leitor. É a magia da poesia. Recito o referido poema, que é curto e certo, terno e filosófico, dentro das possibilidades da poesia (que são grandes):

“Noite morta. / Junto ao poste de iluminação / os sapos engolem mosquitos. // Ninguém passa na estrada. / Nem um bêbado. // No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras. /Sombras de todos os que passaram. / Os que ainda vivem e os que já morreram. // O córrego chora. / A voz da noite… // (Não desta noite, mas de outra maior.) . Petrópolis, 1921, em “Estrela da vida inteira”, 1976, uma joia da saudosa da Livraria José Olympio Editora S. A. - Rio de Janeiro.

Esta citação de Manoel Bandeira me veio pela informação que tive de diversos filósofos e psicólogos brasileiros que atestam ser a poesia uma leitura muito mais agradável e útil àqueles que vivem agarradas em informações e técnicas de grande maioria dos livros chamados de “autoajuda”. Eles afirmam que a poesia ajuda muito mais, muito mais mesmo. Não importa de onde tirei este conselho e informação, mais vale dizer que li em alguma fonte de informação e me emocionei com imagens tão bonitas.

Há muitas outras ternuras a serem referidas, lembradas, traçadas, mas tenho uma notícia muito boa para colocar neste artigo. Trata-se do desempenho formidável da PREVI, o Fundo de Aposentadoria dos Funcionários do Branco do Brasil, no ano de 2016, segundo a revista/jornal “Ação”, publicação da ANABB (Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, data de março/abril de 2017, em Brasília:

“A Previ encerrou o ano de 2016 com superávit em seus Planos de Previdência. O Plano 1 apresentou saldo positivo de 2,19 bilhões no exercício (…)” Feitas as contas entre os déficits acumulados em anos anteriores, o patrimônio do maior e mais antigo plano de benefícios do Brasil, quiçá do mundo, terminou o ano com 160,6 bilhões (para os diversos planos em que se divide, conforme a classificação de entrada-início de pagamento.

Particularizando, o total de participantes do Plano-1 são 114.943, dos quais 82.369 são aposentados (entre eles estou eu); 20.712 são pensionistas e 11.862 são funcionários ainda da ativa. Isto significa que a PREVI não foi tanto assim abalada pela situação econômico-financeira do País e que os aposentados do BB podem ficar tranquilos quanto à liquidez de suas aposentadorias. Uf! Isto eu precisava saber: receberei meus vencimentos em dia, como sempre vem acontecendo.

Queremos que a PREVI seja sempre forte como exemplo de planificação de funcionários aposentados. Eles pagaram para o seu direito durante toda sua vida útil de empregados do Banco do Brasil, esta casa que já foi bem melhor e mais séria, mas graças a Deus e seus competentes dirigentes, vem acompanhando o desenvolvimento do país sem muitos transtornos, em tempos bons e em tempos maus, sem quedas impressionantes.

Esta é a noticia em que me situo. Vivemos num mundo em completa ebulição. a era industrial passou e já faz alguns anos. Entramos na da informática ou cibernética – boa para os novos, que nasceram nela, não muito agradável para velhos que têm de adaptar-se aos tempos novos, ao “tudo pelo computador”. Destaco o caso do celular e da notícia que fazem o mundo interligado diretamente sem interrupção de mais de um segundo, enquanto a corrente elétrica lê ZERO e HUM (ou de outra forma +1 e -1): a linguagem do computador.

De algumas coisas já me sirvo. Tenho divulgado minha obra pela internet com mais facilidade. Assim são centenas e centenas de poemas, livros e livros que estão no “ar”, para quem quiser acessá-los. Ultimamente estou pagando minhas contas pelo celular, através de uma aplicativo do meu banco. Liberta-nos de muitas idas a uma agência bancária e, por outro lado, se corre menos perigo contra os ladrões que farejam cada tostão, cada cartão de crédito, cada instrumento que possam servir para os seus serviços mal intencionados, onde a Polícia não chega, enquanto ela não chega, etc.

Também li na revista “Cidade Verdade” a notícia de que a sujeira que o celular esconde pode ser transmissora de doenças por intermédio de bactérias e fungos. Porém, onde, como e com que materiais poderemos fazer a limpeza do nosso “sexto” sentido? Pareça brincadeira ou não, outrora eu aprendi na escola que o corpo humano é composto de 3 partes: cabeça, tronco e membros. Não sei como os professores e alunos estão estudando ciência, hoje, mas o fato é que o celular, de tão necessário e tão usado, tornou-se o nosso quarto membro do corpo e o nosso sexto sentido. Quem não concordar comigo, peço que me faça a nota informado melhor definição para o celular. Era moderna. Nós, velhos, temos de ser um pouquinho jovens à força das circunstâncias. É difícil. Mas não é impossível. Talvez o esforço nos livre de muitos males, inclusive aquele do alemão (o mal de Alzheim).

  Será que podemos considerar o uso do celular e sua prestimosidade como a ternura do nosso dia a dia e especialmente para os dias solitários? Pois com ele – o aparelhinho – nunca ficamos só: telefona-se, reza-se, lê-se obras, conversa, ouve-se música, e quanto mais se quiser e procurar? Além de exercitarmos a escrita. Que beleza!

11 de abril de 2017

SAINDO DA POLÍTICA E ENTRANDO PELO

ARTIGO - ORIGINAL DE Chico Miguel

SAINDO DA POLÍTICA, ENTRANDO NA LITERATURA…

Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

Saindo da política e entrando na literatura, entramos na semana da Páscoa. Não existe a literatura do Natal? E a do Carnaval também? Porque não a da Semana Santa, a da Páscoa. Ora, ora! Falo aqui de literatura como assunto. Pois nosso assunto hoje é a Páscoa. Páscoa, o tempo em que comemoramos a paixão e morte de Jesus Cristo. Deixemos a política de lado. “Dai a César o que é de César...”

Nesta semana em que se comemora as datas da morte e ressurreição de Jesus Cristo, porque Jesus é o mestre dos mestres, o maior sábio do mundo, segundo o médico e filósofo Augusto Cury, confirmamos e acrescentamos: Ele é o maior Sábio e o mais Santo dos homens.

No livro “Treinando a emoção para ser feliz”, Cap. V, pg. 111, Augusto Cury escreveu: “Muitos homens brilharam ao longo da história na arte de pensar. Sócrates foi um questionador do mundo. Platão foi um pesquisador das relações sociopolíticas. Hipócrates, pai da medicina, foi um investigador do corpo humano. Confúcio foi um filósofo da brandura. Sidarta Gautama, o fundador do budismo, foi um pensador da harmonia interior. Moisés foi o grande mediador do processo de libertação do povo de Israel, dirigindo-o em busca da terra de Canaã. Maomé, em sua peregrinação profética, unificou um povo dividido e sem identidade, o povo árabe”. E não esquece Augusto Cury de apontar mais outras personalidades que exploraram e expandiram o mundo das idéias no campo espiritual, filosófico, sociológico, psicológico, físico, como Tomás de Aquino, Sto. Agostinho, Hume, Bacon, Spinoza, Kant, Descartes, Galileu, Voltaire, Rousseau, Shakespeare, Hegel, Marx, Newton, Max Well, Gandhi, Freud, Einstein, Viktor Frankl etc. Essas celebridades horaram seu trabalho e sua sua inteligência. Augusto Cury, mesmo não sendo um religioso de qualquer credo, ele acrescenta e muitas vezes repete sob outra forma e noutros contextos, a importância insuperável de Jesus:

“Houve um homem cujas idéias não apenas influenciaram gerações, mas causaram a maior revolução da história. O seu nascimento dividiu a História. Ele é o mais lido do mundo, embora não tenha escrito nenhuma palavra. Ele é o mais estudado da atualidade, embora seja o mais cercado de mistérios e o menos conhecido. Inúmeras pessoas em todo o planeta se dividiram em milhares de religiões em torno do seu nome, mas às portas da morte ele rogava aos seus íntimos amigos que amassem uns aos outros em detrimento de suas diferenças”.

Na Semana de 10 a 16 de abril, quando há dois feriados memorativos da vida, paixão e morte de Cristo, segundo a doutrina católica, aquele filho de Deus que se fez carne, habitou entre nós e morreu para nos salvar - homens, pecadores desde o pecado original dos nossos primeiros pais – é lógico e necessário que não apenas se vá à praia para desfrutar os referidos feridos: quinta e sexta-feira, que emendam no fim de semana. Mesmo que o leitor não seja um católico, pense nisto, faça um esforço a mais e vá à missa ou a outro culto correspondente, dentro do seu próprio credo. Segundo os Evangelhos, escritos pelos discípulos de Jesus, depois da morte, para que o povo o conhecesse e amasse, foi ele, Jesus Cristo, quem nos trouxe um mandamento novo, tão suave quando o nome: o mandamento do Amor. Amor a si mesmo, amor ao próximo, amor a Deus. Porque era isto que estava faltando. Na lei de Moisés e de Hamurábi, entre tantas outros leis e costumes, o que existia era o “olho por olho, dente por dente”.

A história de Jesus influenciou o mundo inteiro, o mundo novo, diferente do mundo antiga que acreditava em deuses diversos, sem história tão comovente, verdadeira e vital quanto a de Jesus. O acontecimento influenciou a arte: a pintura, a música, a escultura, o teatro, a literatura, e portanto os poetas. Alguns destes, como José Maria du Bocage, que tanto invectivou contra Deus e o Cristianismo, na hora da morte escreveu um soneto com a chave de ouro assim:

“RASGA OS MEUS VERSOS, CRÊ NA ETERNIDADE”, a eternidade de outra vida que tanto Jesus pregou, o Reino de Deus de que tanto fala a Bíblia.

As dores da Paixão de Cristo influenciaram os poetas, mais do que vinham influeciando antes, as dores humanas. Agora se tratava de um Deus vivo. As mitologias dos gregos eram deuses mortos. Outras e outras adorações foram sepultadas no breu dos tempos. O Cristianismo floresceu. A Bíblia, que conta a história e a vida do povo de Deus, antes de Cristo, é um documento escrito dos mais antigos. A Bíblia é uma obra composta de 72 livros,que formam o momonumental documento. Não se sabe em quantas línguas e dialetos foram escritos e transplantados, mas como se trata da história do povo de Deus, que é guardada pelos judeus, deve ter sido nas línguas que esse povo falava ou falaram, portanto também os escrivães, pessoas boas e competentes, escolhidos e aprovados por Deus para a finalidade. No aramaico, a língua em que Jesus falava, com certeza foram escritos os 4 Evangelhos.

A Bíblia se divide em 2 partes: o Velho e o Novo testamento. É poesia. É escrita em versículos, com cadência, medida e estilo, que muito pouco se percebe hoje, por causa das inúmeras tradições por que passou até chegar a nós. É também música, os salmos são exemplo disto.

A diferença maior entre as religiões que acreditam num Deus único é que elas observam a Bíblia em seus detalhes, cada uma interpretando-a a seu modo. São três: Cristianismo, Maometismo e Judaísmo. São as mais universais no sentido em que abrangem as virtudes do homem e, modernamente, acreditam em Deus, bem como interpretam que o Demônio é o pecado, o não cumprimento da lei, dos mandamentos. E não um ente temeroso, de rabo e chifres, como se fosse uma nova mitologia. Jesus Cristo, no Cristianismo, é um homem, o filho de Deus vivo, que veio para salvar o mundo. As demais existentes no mundo podem ser consideradas no mesmo nível das antigas mitologias.

A literatura sobre Jesus, além da que está na Bíblia, é enorme. O próprio Augusto Cury escreveu um romance da vida de Jesus, chamado “O Homem mais Inteligente da História”. Entre os escritores clássicos, consta “A Vida de Jesus”, de Ernest Renan, muito comentada; Plínio Salgado, político, escritor e romancista brasileiro, também escreveu “A Vida de Jesus”; e Maria Helena Ventura, publicou recentemente “Um Homem Só”, provando que Jesus sempre existiu. Mas, há muito, muito mais, basta pesquisar. São essas as leituras recomendadas para a Páscoa.  

06 de abril de 2017

Saindo da Política e entrando para a Literatura

Artigo - Chico Miguel

SAINDO DA POLÍTICA, ENTRANDO NA LITERATURA…

Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

Saindo da política e entrando na literatura, entramos na semana da Páscoa. Não existe a literatura do Natal? E a do Carnaval também? Porque não a da Semana Santa, a da Páscoa. Ora, ora! Falo aqui de literatura como assunto. Pois nosso assunto hoje é a Páscoa. Páscoa, o tempo em que comemoramos a paixão e morte de Jesus Cristo. Deixemos a política de lado. “Dai a César o que é de César...”

Nesta semana em que se comemora as datas da morte e ressurreição de Jesus Cristo, porque Jesus é o mestre dos mestres, o maior sábio do mundo, segundo o médico e filósofo Augusto Cury, confirmamos e acrescentamos: Ele é o maior Sábio e o mais Santo dos homens.

No livro “Treinando a emoção para ser feliz”, Cap. V, pg. 111, Augusto Cury escreveu: “Muitos homens brilharam ao longo da história na arte de pensar. Sócrates foi um questionador do mundo. Platão foi um pesquisador das relações sociopolíticas. Hipócrates, pai da medicina, foi um investigador do corpo humano. Confúcio foi um filósofo da brandura. Sidarta Gautama, o fundador do budismo, foi um pensador da harmonia interior. Moisés foi o grande mediador do processo de libertação do povo de Israel, dirigindo-o em busca da terra de Canaã. Maomé, em sua peregrinação profética, unificou um povo dividido e sem identidade, o povo árabe”. E não esquece Augusto Cury de apontar mais outras personalidades que exploraram e expandiram o mundo das idéias no campo espiritual, filosófico, sociológico, psicológico, físico, como Tomás de Aquino, Sto. Agostinho, Hume, Bacon, Spinoza, Kant, Descartes, Galileu, Voltaire, Rousseau, Shakespeare, Hegel, Marx, Newton, Max Well, Gandhi, Freud, Einstein, Viktor Frankl etc. Essas celebridades horaram seu trabalho e sua sua inteligência. Augusto Cury, mesmo não sendo um religioso de qualquer credo, ele acrescenta e muitas vezes repete sob outra forma e noutros contextos, a importância insuperável de Jesus:

“Houve um homem cujas idéias não apenas influenciaram gerações, mas causaram a maior revolução da história. O seu nascimento dividiu a História. Ele é o mais lido do mundo, embora não tenha escrito nenhuma palavra. Ele é o mais estudado da atualidade, embora seja o mais cercado de mistérios e o menos conhecido. Inúmeras pessoas em todo o planeta se dividiram em milhares de religiões em torno do seu nome, mas às portas da morte ele rogava aos seus íntimos amigos que amassem uns aos outros em detrimento de suas diferenças”.

Na Semana de 10 a 16 de abril, quando há dois feriados memorativos da vida, paixão e morte de Cristo, segundo a doutrina católica, aquele filho de Deus que se fez carne, habitou entre nós e morreu para nos salvar - homens, pecadores desde o pecado original dos nossos primeiros pais – é lógico e necessário que não apenas se vá à praia para desfrutar os referidos feridos: quinta e sexta-feira, que emendam no fim de semana. Mesmo que o leitor não seja um católico, pense nisto, faça um esforço a mais e vá à missa ou a outro culto correspondente, dentro do seu próprio credo. Segundo os Evangelhos, escritos pelos discípulos de Jesus, depois da morte, para que o povo o conhecesse e amasse, foi ele, Jesus Cristo, quem nos trouxe um mandamento novo, tão suave quando o nome: o mandamento do Amor. Amor a si mesmo, amor ao próximo, amor a Deus. Porque era isto que estava faltando. Na lei de Moisés e de Hamurábi, entre tantas outros leis e costumes, o que existia era o “olho por olho, dente por dente”.

A história de Jesus influenciou o mundo inteiro, o mundo novo, diferente do mundo antiga que acreditava em deuses diversos, sem história tão comovente, verdadeira e vital quanto a de Jesus. O acontecimento influenciou a arte: a pintura, a música, a escultura, o teatro, a literatura, e portanto os poetas. Alguns destes, como José Maria du Bocage, que tanto invectivou contra Deus e o Cristianismo, na hora da morte escreveu um soneto com a chave de ouro assim:

“RASGA OS MEUS VERSOS, CRÊ NA ETERNIDADE”, a eternidade de outra vida que tanto Jesus pregou, o Reino de Deus de que tanto fala a Bíblia.

As dores da Paixão de Cristo influenciaram os poetas, mais do que vinham influeciando antes, as dores humanas. Agora se tratava de um Deus vivo. As mitologias dos gregos eram deuses mortos. Outras e outras adorações foram sepultadas no breu dos tempos. O Cristianismo floresceu. A Bíblia, que conta a história e a vida do povo de Deus, antes de Cristo, é um documento escrito dos mais antigos. A Bíblia é uma obra composta de 72 livros,que formam o momonumental documento. Não se sabe em quantas línguas e dialetos foram escritos e transplantados, mas como se trata da história do povo de Deus, que é guardada pelos judeus, deve ter sido nas línguas que esse povo falava ou falaram, portanto também os escrivães, pessoas boas e competentes, escolhidos e aprovados por Deus para a finalidade. No aramaico, a língua em que Jesus falava, com certeza foram escritos os 4 Evangelhos.

A Bíblia se divide em 2 partes: o Velho e o Novo testamento. É poesia. É escrita em versículos, com cadência, medida e estilo, que muito pouco se percebe hoje, por causa das inúmeras tradições por que passou até chegar a nós. É também música, os salmos são exemplo disto.

A diferença maior entre as religiões que acreditam num Deus único é que elas observam a Bíblia em seus detalhes, cada uma interpretando-a a seu modo. São três: Cristianismo, Maometismo e Judaísmo. São as mais universais no sentido em que abrangem as virtudes do homem e, modernamente, acreditam em Deus, bem como interpretam que o Demônio é o pecado, o não cumprimento da lei, dos mandamentos. E não um ente temeroso, de rabo e chifres, como se fosse uma nova mitologia. Jesus Cristo, no Cristianismo, é um homem, o filho de Deus vivo, que veio para salvar o mundo. As demais existentes no mundo podem ser consideradas no mesmo nível das antigas mitologias.

A literatura sobre Jesus, além da que está na Bíblia, é enorme. O próprio Augusto Cury escreveu um romance da vida de Jesus, chamado “O Homem mais Inteligente da História”. Entre os escritores clássicos, consta “A Vida de Jesus”, de Ernest Renan, muito comentada; Plínio Salgado, político, escritor e romancista brasileiro, também escreveu “A Vida de Jesus”; e Maria Helena Ventura, publicou recentemente “Um Homem Só”, provando que Jesus sempre existiu. Mas, há muito, muito mais, basta pesquisar. São essas as leituras recomendadas para a Páscoa.  

03 de abril de 2017

CONTOS DA MINHA TERRA - RIBAMAR GARCIA

Artigo de crítica

 “CONTOS DA MINHA TERRA” – RIBAMAR GARCIA

Francisco Miguel de Moura – Escritor, Membro da Academia Piauiense de Letras.

Émuito gratificante ler um livro como esse que o título indica, de autoria do escritor José Ribamar Garcia, homem que muito cedo saiu da nossa terra, o Piauí, mas levou-a no coração, tanto a terra quanto as gentes, os costumes, as lendas e os falares, enfim toda a sabedoria do nosso povo. Trata-se de um livro de contos. E é muito difícil fazer-se a análise de um livro da espécie, pois cada conto é um conto e cada contista aumenta seu ponto. Certo?

Pois então, com este direcionamento, vamos lá, meus leitores e leitores do senhor escritor José Ribamar Garcia. Ele começa com um ótimo conto e termina por outro também do mesmo valor, um maior e o outro menor em extensão: “Pote de ouro” e “Almoço de domingo”. Por estes podemos tirar o miolo, os demais, sem querer sugerir que em lendo esses dois contos, o livro está lido. E pronto. Eu li todinho. Aliás, não costumo fazer comentários ou crítica de livros que não leio. Jamais. Nem ninguém deve ter este desplante de mentir, julgar, medir sem ter uma medida, um parâmetro, um conhecimento completo.

Li todo o livro e gostei de todas as peças. Muitas coisas que têm a ver com a gente do Piauí, até comigo, por virtude de minha linguagem ser das bandas dos Picos, da região centro-leste do Piauí, onde se tem uma influência muito forte do Ceará. E menos de cá, da margem do Parnaíba, nosso grande rio, que é nosso mar, se quisermos fazer uma razoável comparação. Um estilo seguro, claro, rico e às vezes até lírico, poético. É próprio do escritor Ribamar Garcia. Estilo e vivência que nos levam à região ribeirinha do Parnaíba, absorvendo também vivências do povo do outro lado, o Maranhão. Ribamar Garcia nasceu em Teresina e mora no Rio de Janeiro. Fez os estudos primários no Grupo Escolar “Engenheiro Sampaio”, o primeiro ano ginasial no Liceu Piauiense e, aos 13 anos, deixou nossa terra. Com grande dificuldade, rompeu todas as barreiras em sua frente, fixando-se no Rio, onde concluiu o ginasial, cursou o clássico e diplomou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Niterói – Universidade Federal Fluminense. Casou e constituiu família, tem quatro filhos. Passou a fazer uma bela carreira de advogado, na grande Cidade Maravilhosa.

Tinha toda razão para esquecer seu passado de criança e adotar os costumes do Rio. Mas não é um desmemoriado, um descoroçoado. Adaptou-se ao que passou a conhecer. Mas, certamente, levou consigo um bom conhecimento da nossa gente: os barqueiros do rio, os pescadores e roceiros de um e do outro lado do “Velho Monge”. Guardou reminiscências da gente de seu pai, de seu avô, de seus tios e tias, onde o menino ficava nas férias ou mesmo ia passear de vez em quando. Guardou parte das histórias que os velhos contavam. E essas observações perpetuaram-se na memória.

Como ia dizendo, o Maranhão possui outros rios grandes – não do tamanho do Parnaíba, nem dos maiores afluentes do Paranaíba, do lado Piauí. O Maranhão possui muitas praias. Numa delas os franceses aportaram em navios inda no início do Brasil Colônia, desembarcaram e iniciaram a povoação que seria São Luís, em 1612, a única capital de estado brasileiro que não foi obra dos portugueses. Nessa situação, a linguagem do povo da margem esquerda do Parnaíba difere um pouco, nem tanto, da nossa, da margem direita, onde fica Teresina, cuja fundação pelo Conselheiro Saraiva, aconteceu só em 1852, hoje empório comercial das margens do Parnaíba. Nossa capital era Oeiras, no centro do estado. Mas até pelo locais citados no texto, Mercado Velho, Chapada do Corisco, Morrinhos, Parque da Bandeira, nota-se que estamos em Teresina “cagada e cuspida”. Todos os afluentes do Piauí correm para o Parnaíba. Assim, pode-se dizer que o rio-mar Parnaíba é muito mais do Piauí do que do Maranhão.

Depois desta digressão, creio que necessária, para mostrar que Ribamar Garcia é escritor nacional – lembro-me de seu livro “Para onde vão os ciganos?”, de contos, que mostra um modelo de escrever muito carioca quando economiza certas palavras que, com quanto não sejam desnecessárias, se retiradas do texto não lhe tira nem adultera o sentido. E isto ele leva para quase todos os seus títulos publicados. Sem levar em conta as pequenas diferenças apontadas, afirmo que o nosso enfocado escritor tem um estilo inconfundível, forte, rico, suculento, além fina observação e grande imaginário.

Eis aí o escritor José Ribamar Garcia. Levou tudo consigo (inclusive o Piauí) para o Rio de Janeiro onde o mesclou como sua vida. Lá publica contos, romances e memórias. Lá tornou-se um excelente advogado, onde trabalha - cidade sua amada há muitos anos. Sua escrita é ele mesmo, tem o sabor da vivência de sua infância, tem o sumo da terra e do povo maravilhoso das margens do Parnaíba, como já disse. Além do mais, em tudo que toca, Ribamar imprime o carisma da grande pessoa que é, pelo labor, pelo amor, pela amizade, pela saudade que lhe ficou impressa no corpo e na alma, espelhada, como ele mesmo diz, no seu querido pai e nos demais membros da família.

   Para não ficar apenas no que e como sua forma de escrever, informamos que “Contos da minha terra” compõe-se de 32 contos, um número cabalístico para o Nordeste: Olhem a seca de 32, em que se firma a ficção de Fontes Ibiapina. Algumas narrativas eu consideraria crônicas, mas não entremos nesta polêmica perdida, porque, hoje a maioria dos teóricos da literatura aceitam que “uma crônica bem feita vale mais do que um conto sem os limites traçados para essa forma artística”. Para mim conto e crônica são ouro da mesma lavra. Ambos são literatura, são arte. Adivinhando que nem todos os meus leitores vão ler o livro de Garcia, pela quase nula distribuição dos autores brasileiros, citemos aqui um trecho da última narrativa de “Contos da minha terra”, de José Ribamar Garcia, titulada de “Almoço de domingo”:“Andava faltando carne na cidade. Até de bode, que sempre houve em abundância e era vendida às segundas-feiras, no Mercado Velho. Que disparate! O estado, que já teve o maior rebanho bovino do país, tido como referência nacional - ‘O meu boi morreu / Que será de mim? / Manda buscar outro / Lá no Piauí’ - de repente sem carne. Açougues vazios, magarefes entregues às moscas – literalmente. A solução foi trazer galinhas do interior, precisamente de Morrinhos, que chegavam aos domingos em caminhões, amontoadas em caixotes de madeira. Venda racionada. No máximo duas para cada pessoa”. E fiquemos por aqui, a história é meio humorística e só daria para terminar com mais uma folha de papel. É uma pena!

22 de março de 2017

NORDESTE: A TERRA, A POBREZA E A CULTURA

Artigo inédito - chico miguel

NORDESTE: A TERRA, A POBREZA E A CULTURA

Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

Sabe-se que o Nordeste é discriminado no Sul e consequentemente os nordestinos, especialmente os que para lá se mudam em busca de trabalho. Embora tenha sido o Nordestino quem construiu São Paulo. Depois do fim da escravidão, nossa emigração começou e foi aumentando. Chegou um tempo, ainda recente, em que os estados do Sul e Sudeste, segundo consta pela imprensa, pensaram e falaram em separar-se do Nordeste. O Nordeste fez um balanço do que eles de lá perdiam e o que, em vista disto, ganhávamos. As cabeças pensantes chegaram à conclusão de que os ganhos e perdas se compensavam e o melhor mesmo seria todos se conservarem sendo o Brasil, este gigante da América Latina.

Neste bolo, é claro, entrava o Piauí, considerado o estado mais pobre da dita federação brasileira. Não sei se nosso Piauí é o mais pobre dos irmãos. Sei das riquezas do Piauí (ou pelo menos adivinho). Começamos como grandes criadores de gado, exportadores, industriais, etc. O início foi na Bahia. No livro “Roteiro do Piauí”, de Carlos Eugênio Porto, encontro o assunto assim resumido: “A criação de gado começou no Brasil, no governo de Tomé de Sousa, revelando-se de grande importância para a Colônia recém-descoberta. Importado da ilha de Cabo Verde, os navios que chegavam ao Brasil traziam novas cabeças que eram distribuídas entre os habitantes, estabelecendo-se o curioso sistema de pagamento às custas do rendimento de seu trabalho”.

Embora o Piauí não tenha nada, talvez somente a origem, com o modo que Portugal colonizou o Brasil, a “Terra de Santa Cruz”, pois os primeiros homens eram os bandeirantes e procuravam ouro e madeira para exportação imediata, abrindo caminhos pelos quais quase nunca mais voltariam. Não, o Piauí foi descoberto muito tarde e demorou muito a ser povoado. Era e continuou sendo uma terra de passagem entre Maranhão e Ceará. O ano 1514 é uma data simbólica. Só quando a cana-de-açúcar com seus engenhos já eram assentados em Pernambuco, o Piauí começou ser falado por causa de alguns dos seus acidentes – o rio Parnaíba, por exemplo. Assim, o apossamento das terras se deu lentamente. A indústria açucareira tinha necessidade de bois para mover as moendas; nas selvas, onde quer que houvesse uma fazenda, a necessidade de bois, também era muita, para puxar os carros e transportar o que precisassem os colonos. No Piauí – entre as serras já conhecidas e exploradas por causa da guerra contra o gentio e o grande rio Parnaíba - descobriram-se imensos campos cobertos de capim silvestre. E ali estabeleceram-se os primeiros currais, fazendas de gado que foram crescendo em número e quantidade de cabeças. Esse gado era exportado para as indústrias de Pernambuco e para a zona de mineração em Minas e Goiás, e daí sendo levado também para o Sul.

Passamos a ser muito falado, embora que não conhecido. A cantiga “O meu boi morreu / Que será de mim? / Manda buscar outro, Maninha, / Lá no Piauí”, tinha sentido: a realidade gritante. Quantos boiadeiros fizeram a vida levando boiadas para mais perto e mais longe deste Brasil?!

O Nordeste e o Piauí foram ricos. Muita gente o procurava para estabelecer-se como fazendeiro, pois a atividade era bastante rentável, embora que perigosa por causa do ataque dos índios e também dos malfeitores que infestavam a região, onde se apossavam da terra e escondiam-se da justiça.

Não se sabe nem quando foi que os fazendeiros começaram a ferrar seus rebanhos com um ferro em brasa – a marca da sua fazenda e do seu proprietário. No caso de haver um roubo, seria mais fácil encontrar o objeto e castigar o ladrão.

Com esses cuidados, os currais se multiplicavam sob a fiscalização dos vaqueiros. Continuava sendo fácil possuir um grande rebanho, pois pasto não faltava, salvo nas grandes estiagens, a partir de 1711, quando os fazendeiros tinham que procurar aonde levar o rebanho ou parte - sítios melhores e aguadas - enquanto vinham as chuvas para soltá-los novamente nos campos. Assim, os currais de criação multiplicaram-se rapidamente. O padre Cardim, em “Tratado da gente e terra do Brasil” registra “a posse, de um só homem, de 500 ou 1.000 cabeças , no seu tempo”.

Foi o engenheiro Gustavo Dodt quem escreveu, em algum lugar de sua obra, que as terras do Piauí não se prestavam muito para a lavoura. Talvez por isto, por intuição ou sapiência, quem veio colonizar o Piauí investiu no gado, inclusive por ser uma mercadoria que por si só se transportava. O historiador Carlos Eugênio Porto, registra que João de Amorim Pereira respondeu ao ministro da Coroa, em 08-04-1798, quando o rei se manifestava a favor da produção de alimentos para a subsistência da cidade: “A situação desta capitania é diametralmente oposta não só ao seu aditamento, mas ainda mesmo a sua conservação; as experiências têm mostrado e as razões seguintes o manifestam; em primeiro lugar, o terreno da capitania (Piauí) é incapaz da produção necessária para a sustentação dos seus habitantes, pois todos os gêneros que se consomem nesta cidade (Oeiras) vêm daqui a 10, 15, 20 léguas, em cavalos que apenas carregam 5 arrobas e fazem por dia 5 a 6 léguas de caminho, o que faz com que sejam mais caros do que em Portugal, sendo por mar conduzidos aos portos deste continente.”

Viu-se, naquele tempo, que ele tinha razão: as terras do Piauí não se prestavam à agricultura. Mas a verdade é outra: hoje está sendo provada. As terras são boas. Claro que não produzem como as do Sul. Não podem fazer concorrência a elas. Mas, para melhorar os efeitos das secas, existem as águas subterrâneas: o Piauí tem um dos maiores lençóis de água no subsolo. Só precisa que haja governos de vergonha, de caráter, de ousadia, juntamente com os trabalhos que estão sendo feitos na transposição do São Francisco, e o Nordeste chegará a ser um novo celeiro para o Brasil. A pobreza material que existe no Nordeste provém das suas políticas voltadas apenas para minoras. Só combatem os efeitos das secas e não suas causas. Políticos para adquirir votos com bolsas-famílias e outros refrigérios que fazem a pobreza dos mais pobres e a riqueza deles, os ricos. Outrora se chama isto de “indústria das secas”. Hoje está claro que é a corrupção da política geral do Brasil, tornando, enfim, o Nordeste como um todo, o filho enjeitado na Nação. Em compensação, o Nordeste é rico de tradições, artes e artistas fazem o Sul importar e deturpar. A cultura é um bem que se deve cultivar (é preciso o pleonasmo) e preservar. Porque é um bem e faz o homem mais feliz nas sociedades civilizadas.   

NORDESTE: A TERRA, A POBREZA E A CULTURA

Artigo inédito - chico miguel

NORDESTE: A TERRA, A POBREZA E A CULTURA

Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

Sabe-se que o Nordeste é discriminado no Sul e consequentemente os nordestinos, especialmente os que para lá se mudam em busca de trabalho. Embora tenha sido o Nordestino quem construiu São Paulo. Depois do fim da escravidão, nossa emigração começou e foi aumentando. Chegou um tempo, ainda recente, em que os estados do Sul e Sudeste, segundo consta pela imprensa, pensaram e falaram em separar-se do Nordeste. O Nordeste fez um balanço do que eles de lá perdiam e o que, em vista disto, ganhávamos. As cabeças pensantes chegaram à conclusão de que os ganhos e perdas se compensavam e o melhor mesmo seria todos se conservarem sendo o Brasil, este gigante da América Latina.

Neste bolo, é claro, entrava o Piauí, considerado o estado mais pobre da dita federação brasileira. Não sei se nosso Piauí é o mais pobre dos irmãos. Sei das riquezas do Piauí (ou pelo menos adivinho). Começamos como grandes criadores de gado, exportadores, industriais, etc. O início foi na Bahia. No livro “Roteiro do Piauí”, de Carlos Eugênio Porto, encontro o assunto assim resumido: “A criação de gado começou no Brasil, no governo de Tomé de Sousa, revelando-se de grande importância para a Colônia recém-descoberta. Importado da ilha de Cabo Verde, os navios que chegavam ao Brasil traziam novas cabeças que eram distribuídas entre os habitantes, estabelecendo-se o curioso sistema de pagamento às custas do rendimento de seu trabalho”.

Embora o Piauí não tenha nada, talvez somente a origem, com o modo que Portugal colonizou o Brasil, a “Terra de Santa Cruz”, pois os primeiros homens eram os bandeirantes e procuravam ouro e madeira para exportação imediata, abrindo caminhos pelos quais quase nunca mais voltariam. Não, o Piauí foi descoberto muito tarde e demorou muito a ser povoado. Era e continuou sendo uma terra de passagem entre Maranhão e Ceará. O ano 1514 é uma data simbólica. Só quando a cana-de-açúcar com seus engenhos já eram assentados em Pernambuco, o Piauí começou ser falado por causa de alguns dos seus acidentes – o rio Parnaíba, por exemplo. Assim, o apossamento das terras se deu lentamente. A indústria açucareira tinha necessidade de bois para mover as moendas; nas selvas, onde quer que houvesse uma fazenda, a necessidade de bois, também era muita, para puxar os carros e transportar o que precisassem os colonos. No Piauí – entre as serras já conhecidas e exploradas por causa da guerra contra o gentio e o grande rio Parnaíba - descobriram-se imensos campos cobertos de capim silvestre. E ali estabeleceram-se os primeiros currais, fazendas de gado que foram crescendo em número e quantidade de cabeças. Esse gado era exportado para as indústrias de Pernambuco e para a zona de mineração em Minas e Goiás, e daí sendo levado também para o Sul.

Passamos a ser muito falado, embora que não conhecido. A cantiga “O meu boi morreu / Que será de mim? / Manda buscar outro, Maninha, / Lá no Piauí”, tinha sentido: a realidade gritante. Quantos boiadeiros fizeram a vida levando boiadas para mais perto e mais longe deste Brasil?!

O Nordeste e o Piauí foram ricos. Muita gente o procurava para estabelecer-se como fazendeiro, pois a atividade era bastante rentável, embora que perigosa por causa do ataque dos índios e também dos malfeitores que infestavam a região, onde se apossavam da terra e escondiam-se da justiça.

Não se sabe nem quando foi que os fazendeiros começaram a ferrar seus rebanhos com um ferro em brasa – a marca da sua fazenda e do seu proprietário. No caso de haver um roubo, seria mais fácil encontrar o objeto e castigar o ladrão.

Com esses cuidados, os currais se multiplicavam sob a fiscalização dos vaqueiros. Continuava sendo fácil possuir um grande rebanho, pois pasto não faltava, salvo nas grandes estiagens, a partir de 1711, quando os fazendeiros tinham que procurar aonde levar o rebanho ou parte - sítios melhores e aguadas - enquanto vinham as chuvas para soltá-los novamente nos campos. Assim, os currais de criação multiplicaram-se rapidamente. O padre Cardim, em “Tratado da gente e terra do Brasil” registra “a posse, de um só homem, de 500 ou 1.000 cabeças , no seu tempo”.

Foi o engenheiro Gustavo Dodt quem escreveu, em algum lugar de sua obra, que as terras do Piauí não se prestavam muito para a lavoura. Talvez por isto, por intuição ou sapiência, quem veio colonizar o Piauí investiu no gado, inclusive por ser uma mercadoria que por si só se transportava. O historiador Carlos Eugênio Porto, registra que João de Amorim Pereira respondeu ao ministro da Coroa, em 08-04-1798, quando o rei se manifestava a favor da produção de alimentos para a subsistência da cidade: “A situação desta capitania é diametralmente oposta não só ao seu aditamento, mas ainda mesmo a sua conservação; as experiências têm mostrado e as razões seguintes o manifestam; em primeiro lugar, o terreno da capitania (Piauí) é incapaz da produção necessária para a sustentação dos seus habitantes, pois todos os gêneros que se consomem nesta cidade (Oeiras) vêm daqui a 10, 15, 20 léguas, em cavalos que apenas carregam 5 arrobas e fazem por dia 5 a 6 léguas de caminho, o que faz com que sejam mais caros do que em Portugal, sendo por mar conduzidos aos portos deste continente.”

Viu-se, naquele tempo, que ele tinha razão: as terras do Piauí não se prestavam à agricultura. Mas a verdade é outra: hoje está sendo provada. As terras são boas. Claro que não produzem como as do Sul. Não podem fazer concorrência a elas. Mas, para melhorar os efeitos das secas, existem as águas subterrâneas: o Piauí tem um dos maiores lençóis de água no subsolo. Só precisa que haja governos de vergonha, de caráter, de ousadia, juntamente com os trabalhos que estão sendo feitos na transposição do São Francisco, e o Nordeste chegará a ser um novo celeiro para o Brasil. A pobreza material que existe no Nordeste provém das suas políticas voltadas apenas para minoras. Só combatem os efeitos das secas e não suas causas. Políticos para adquirir votos com bolsas-famílias e outros refrigérios que fazem a pobreza dos mais pobres e a riqueza deles, os ricos. Outrora se chama isto de “indústria das secas”. Hoje está claro que é a corrupção da política geral do Brasil, tornando, enfim, o Nordeste como um todo, o filho enjeitado na Nação. Em compensação, o Nordeste é rico de tradições, artes e artistas fazem o Sul importar e deturpar. A cultura é um bem que se deve cultivar (é preciso o pleonasmo) e preservar. Porque é um bem e faz o homem mais feliz nas sociedades civilizadas.   

14 de fevereiro de 2017

PRISIONEIROS NO PRÓPRIO LAR

artigo de Chico miguel

PRISIONEIROS NO PRÓPRIO LAR

Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

Neste momento cruciante da nossa vida civil e política, econômica e patriótica, somos submetidos às penas de prisão domiciliar, sem ter cometido nenhum crime, como vimos recentemente no Espírito Santo. E a população que se arriscava a sair à rua pra comprar alimentos ou remédios, entre outras coisas urgentes - como enterrar seus mortos – foi duramente, covardemente atacada por centenas de terroristas, por causa da greve dos militares que resolveram, em conluio com as mulheres respectivas, não saírem dos quartéis e, a mando dos superiores, cruzarem os braços. Todos nós vimos, horrorizados, pela internete, redes sociais e tevês, o flagelo da capital e de outras cidades serem ao mesmo tempo atacadas por desordeiros – por ordem de quem? - assaltando, fechando lojas e fábricas e matando os cidadãos que tiveram a desventura de serem mortos ou baleados e sem hospitais nem equipes de socorro que os atendessem. Justamente porque todos estavam no mesmo barco: sem terem a quem apelar, salvo a Deus.

Se uma classe se volta contra a sociedade, isto se chama rebelião, não importa que declare ser para reivindicar direitos seus. Conforme está escrito na Constituição, os militares não podem fazer greve, muito menos se voltarem contra a sociedade. Pior é que colocaram suas famílias como escudo, entre os quartéis e a população. Situação bastante aflitiva para o Brasil. Todos nós sofremos e lamentamos a morte de cerca de 140 pessoas, no mês, em poucos dias. Ainda se fala, de certa forma, com grande pena, dos massacres nos presídios brasileiros - o mais recente acontecido no Rio Grande do Norte. Por conta da droga, do crime organizado, das brigas entre facções adotadas pelos próprios residentes dos presídios. Se comparada uma situação com a outra, é mais grave o que aconteceu no Espírito Santo.

Chegamos à anarquia, ao começo da guerra civil de que tenho falado nos últimos artigos. Caminhamos pra ela. Vinha sendo sutilmente encenada pelos terroristas do MST, com apoio do governo que caiu e do líder maior do partido do poder, tudo em consonância com os barões da droga, PCC e outros partidos de tiranos e carniceiros que têm por lema, descaradamente: “TÁ TUDO DOMINADO”.

Nós, cidadãos, defensores dos direitos humanos no seu verdadeiro sentido, somos os prisioneiros do nosso lar. Sem direito à defesa própria por uma arma. E, pior, sem a proteção das forças policiais que deveriam cumprir seu dever de guardar a sociedade contra os malfeitores. A gente não pode, como cristão, querer vingança contra eles, a menos que seja rigorosamente dentro da lei, da Constituição, que eles mesmo violaram de propósito, arrimados nas armas e na força que têm – que é outorgada por nós – e em ideologias alienígenas que trabalham contra tudo o que aprenderam no quartel: Amar o Brasil. Como se uma classe fosse o Brasil, um sindicato fosse o Brasil. Como as questões salariais pudessem ser resolvidas a ferro e fogo. Queremos o rigoroso cumprimento da lei diante de todos os implicados, inclusive as mulheres que lhes serviram de escudo. É preciso que os nossos governos mostrem quem são criminosos e merecem cumprir penas, tornando-se inimigos da sociedade. De acordo com o crime de cada um, a justiça deve legalmente puni-los. Não deixar brecha para que outras rebeliões aconteçam. Se assim não for,chegaremos ao fim da picada: seremos mortos, prisioneiros deles ou fugiremos como emigrantes, expatriados, etc.

Diante dessa situação, já exposta em toda a imprensa brasileira, me vem à lembrança uma frase infeliz, não me lembro de qual autor, para dizer que ele foi muito infeliz colocando-a na testada de uma obra: “O melhor do Brasil é o brasileiro”. Se tivesse pensado mais teria dito como eu digo agora: “O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO QUE FOI EMBORA”. Sou crítico na prosa e na poesia. Assim, transcrevo um poema que fiz com o título SER BRASILEIRO: - “Quero ser brasileiro / me procuro no campo / de futebol e na pista de automóvel, / estou aqui, ali, acolá, além de lá, / mas não sou Deus nem diabo, / como o pão que ele amassou. / Sou vadio, não faço nada, / só samba e carnaval. / Samba, ora samba? / Carnaval, ora carnaval? / Eu queria encontrar-me brasileiro / na cor, no amor, na paixão. / No trabalho, neste não. / Brasileiro em todo lugar, / de todas as formas, / sem caráter nenhum.

// Corri mundo e não encontro: / Europa, Oceania e África, / Ilhas do Pacífico e Ásia, fui até o Himalaia / e não encontrei Brasil nem brasileiro.

// Disseram que ele se chama Washington, / foi pra América falar, inglês / e nunca voltará. // Como é difícil ser brasileiro!”

Sou de uma época em que o nacionalismo predominava. A gente lia “Porque me ufano do meu país”, do Visconde de Ouro Preto. A gente se postava na frente do Colégio todos os dias de aula e cantava, com reverência, o Hino Nacional do Brasil. A gente lia a “História do Brasil”, de Rocha Pomba, onde, entre datas e textos dos acontecimentos mais importantes, via as figuras dos que fizeram o Brasil. Hoje voga o internacionalismo da moeda, dos bancos, do movimento financeiro, comércio e indústria mundiais, importando com tudo isto suas modas, seus cantores e ritmos, seu filmes dos bons aos mais estapafúrdios. Que fazer?

  Pegando uma carona em “O livro dos valores”, do Des. Francisco Meton, pg.113, o que lemos e aprovamos, por ser também o nosso pensamento: “Aqui (noBrasil) a raça não se distingue pela persistência de uma virtude conservadora. Não há um fundo moral comum. Posso acrescentar mesmo que não há dois brasileiros iguais. Sobre cada um de nós seria fútil erguer o quadro de virtudes e defeitos da comunhão. Onde está, mudando de ponto de vista, a nossa virtude social? Nem mesmo a bravura, que é a mais rudimentar e instintiva, nós a temos com equilíbrio e constância, e de um modo superior. A valentia aqui é um impulso nervoso. Veja as nossas guerras, de quanta cobardia nos enchem a lembrança!… Houve um tempo em que se proclamava a nossa piedade, a nossa bondade. Coletivamente, como nação, somos tão maus, tão histericamente, inutilmente maus!...” Embora seja uma citação retirada do livro “Canaã”, de Graça Aranha (diálogo entre Maciel e Milkau, personagens do livro), para o escritor Francisco Meton é aceitável a análise sobre o povo brasileiro. Assim, para nosso exame, são dois autores com a mesma interpretação. Um povo prisioneiro dos maus é um povo fraco, sem iniciativa, de débil caráter, sem patriotismo, sem futuro. O BRASIL NÃO É UM PAÍS DO FUTURO!