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Notícias Cá entre mães

10 de janeiro de 2017

Com câmera ou sem câmera?

Eu preciso de um lugar que me inspire confiança

Quase sempre, quando me perguntam sobre escola/creche das meninas, aparece o questionamento: “lá tem câmera?”, ou “você vê tudo pelas câmeras, né?”.

Até que acho normal esse tipo de pergunta, principalmente considerando o frio na barriga que sentimos ao deixar os filhos em ambientes estranhos.

O que não entendo bem é a cara de choque quando respondo que não; não fico olhando nada pelas câmeras.

O choque é ainda maior quando explico que, apesar de as meninas terem tido sua primeira experiência em creches com câmeras que eu podia visualizar pelo celular (a experiência da Laura durou dois meses; a da Luísa durou oito), eu confio plenamente no centro infantil onde Laura passou a maior parte da infância e onde Luísa foi matriculada agora. E lá as câmeras são apenas de circuito interno; o acesso não é disponibilizado às famílias.

A verdade é que eu preciso de um lugar que me inspire confiança. Um lugar em que eu perceba o cuidado com as meninas, nos mínimos detalhes. E, para mim, as câmeras não são um item imprescindível.

Vou explicar.

A primeira experiência escolar de Laura foi numa creche com monitoramento eletrônico. Na teoria, eu poderia acompanhar o cotidiano dela pelo celular. Na prática, quase nunca conseguia acessar. O sistema ficava “com defeito” quase sempre.

Nas três vezes (em dois meses) em que consegui acessar, ela estava sentada, presa numa cadeira, de frente pra TV. Nas três vezes, liguei e falei que não queria minha filha presa. Coincidentemente, em todas as vezes, eles a tiraram da cadeira assim que liguei e, logo depois, o sistema ficou fora do ar.

Resultado: eu resolvi considerar o estresse do meu bebê de quase 10 meses e ela mudou de creche. Foi para uma instituição que não disponibiliza câmeras para os pais, mas que me deixou segura desde o primeiro dia. Laura sairá agora, para uma escola, mas só porque a instituição onde ela está não oferta turmas para a idade dela (vai fazer quatro anos).

Luísa entrou na creche aos quatro meses. O centro onde Laura estava matriculada não recebe bebês tão pequenos e, por isso, ela foi matriculada noutra instituição. Embora Luísa não demonstrasse estresse e eu sempre tenha percebido que ela foi muito bem cuidada nessa creche, o sistema de monitoramento parecia estar sempre em manutenção.

Nas raras vezes em que consegui ver as câmeras pelo celular, Luísa estava brincando, tranquila. No entanto, havia uma inquietude no meu peito, não sei por que razão.

Esse ano, Luísa irá para o centro onde Laura estudou dos 10 meses aos 03 anos. Como eu disse, lá não possui sistema de monitoramento on line para os pais. Mas é o lugar que me dá a tranquilidade plena para trabalhar.

E talvez seja por isso que, para mim, as câmeras não são indispensáveis.

Eu prefiro um lugar em que perceba minhas filhas felizes, bem estimuladas, alimentadas e cuidadas. Prefiro um lugar com conversa franca, direta e diária. Um local onde as minhas meninas não sejam apenas alunas, sejam pessoas, em toda a sua plenitude.

Sei que há muitas famílias que só confiam em locais com câmeras. Não as julgo. Cada família tem um jeito próprio.

Para mim, basta o olho no olho, a parceria, a confiança mútua. 

28 de novembro de 2016

Mães de Anjos: amor que transborda

Amor de mãe é eterno e imperecível. E transborda. E, transbordando, visa sensibilizar profissionais para o sofrimento e o luto maternos

“Oi, você pode ajudar a divulgar um evento para mães de anjos em Parnaíba?”

Mães de Anjos. Foi assim que essa expressão, num e-mail, fisgou meu coração. Ela não pegou a Viviane jornalista. Pegou a Viviane mãe. Especificamente, mãe de uma estrela.

E foi então que fiquei sabendo que no próximo dia 10, a OAB de Parnaíba sediará o I Encontro Multiprofissional de Cuidados às Mães de Anjos: sensibilizando para o sofrimento.

O evento abordará temas relacionados às perdas gestacional e neonatal e às vivências de perda e luto na maternidade. Haverá também a exibição do documentário O Segundo Sol, feito por uma família de Minas Gerais após a perda de um filho.

Achei a ideia linda. Um encontro para sensibilizar profissionais e estudantes de saúde para lidar com as famílias em sofrimento, contribuindo para a humanização do atendimento e para o processo de ressignificação da perda. Você entende o que é isso?

Eu entendo. Quando estava grávida da minha estrela e tive o sangramento, precisei fazer um exame de ultrassom. Antes de fazer, contei ao médico que estava grávida, havia tido um sangramento e o obstetra tinha pedido o ultrassom. Eu estava angustiada, chorosa, em visível sofrimento, temendo perder meu tão esperado bebê.

Ao fazer a ultrassonografia, o médico simplesmente disse “aqui não tem batimento nenhum. O feto está morto”. Você consegue imaginar essa dor? O mundo fugiu sob meus pés e tudo era vazio.

Depois veio a dor de fazer a curetagem e de sair da sala de parto sem um bebê nos braços. E depois, inúmeras dores nesses dois anos de perda.

São essas dores que o Encontro procura ressignificar por meio da sensibilização de profissionais. E eu sei que você, mesmo não tendo passado pela dor de perder um filho, certamente já perdeu alguém querido e sabe quanto é importante amparo e apoio no processo de luto.

Mas a lindeza da iniciativa não para no I Encontro Multiprofissional de Cuidados às Mães de Anjos: sensibilizando para o sofrimento. Conversando com a Germana Barros, de Parnaíba, ela me contou que ela e outras mães, com o apoio profissional de uma psicóloga, criaram um grupo de apoio para mães, o Mães de Anjos. Elas se reúnem uma vez ao mês e partilham suas experiências, sempre com a ajuda da psicóloga.

O Mães de Anjos foi o primeiro grupo de apoio ao luto materno do Piauí e tem ajudado essas mães a reconstruírem suas histórias, ajudando-as a vivenciarem sua dor de forma produtiva, auxiliando umas às outras.

O Mães de Anjos é a prova de que o amor de mãe é mesmo eterno e imperecível. E transborda, espalhando amor e luz pelo mundo.

Mais informações sobre o I Encontro Multiprofissional de Cuidados às Mães de Anjos: sensibilizando para o sofrimento: encontromultiprossionalama@outlook.com



02 de novembro de 2016

Um encontro de amor

Criar uma rede de mães que se apoiam, trocam experiências, afeto e conhecimento. Criar uma rede de alegria e pertencimento

 

Toda vez que eu penso em Teresina, penso em abraço. Acho a cidade acolhedora, como colo de mãe. Aqui, pessoas de todos os lugares se sentem em casa, ainda que mal tenham acabado de chegar. Há sempre alguém para abrir a porta da casa, apresentar amigos, tornar aquele recém-chegado um nativo. Aconteceu comigo e acontece com muita gente.

Quando se é mãe, esse abraço ganha ainda mais importância. Numa sociedade tão competitiva, ter uma rede de abraços e outras mães com quem contar é imprescindível para seguir na difícil, extenuante e prazerosa tarefa de cuidar e educar os filhos.

É claro que não é só mãe quem acolhe e abraça. Gente, como é importante que toda a família esteja unida nesse processo, desde antes da gravidez. Como é importante abraçar e empoderar os pais, para que sejam pais mesmo, de fato, tão cuidadores e responsáveis pelos filhos quanto as mães!

Como é importante que todos estejam juntos - tios, avós, amigos - para ver essa nova mãe e esse novo pai nascerem e crescerem junto com a criança.

Mas por que estou falando isso? Porque Teresina vai receber, no próximo dia 09 de novembro, o Encontro AMARmentar. Um projeto lindo, criado pela Joyce (que mora em São Paulo), uma mamãe que teve muita dificuldade de amamentar e sentiu a necessidade de ter apoio.

E sabem o que ela fez? Resolveu promover um encontro entre mães, para que elas pudessem se ajudar e trocar experiências, onde se formasse uma rede de apoio, trocassem experiências e, principalmente, ajudassem uma à outra, mutuamente.

A ideia cresceu e já chegou a diversas cidades. E eu acho o AMARmentar a cara de Teresina. Tem cara e cheiro de abraço.

O movimento AMARmentar objetiva promover e defender a amamentação em livre demanda através de rodas, encontros, caminhadas. Reúne as mães e diversos profissionais de saúde, dando apoio técnico, promovendo a circulação de conhecimento e criando – por meio das redes sociais – uma grande rede de amor e de afeto.

Sei que aqui em Teresina há diversos grupos de mães que defendem a amamentação em livre demanda e que apoiam as famílias nesse caminho, discutindo também introdução de outros alimentos e diversos outros temas ligados à maternidade.

Por isso, acredito que a chegada do AMARmentar em Teresina irá fortalecer os movimentos locais e ampliar essa rede, contribuindo também para diminuir preconceitos que enfretamos em nosso cotidiano.

O Encontro AMARmentar é para todos os que acreditam que o amor é a mola que nos permitirá criar um mundo melhor para nós e para nossas crianças.

Quer saber mais sobre o AMARmentar em Teresina? Conversa com a Bruna Lira que ela te passa todas as informações: (86) 8119-9074.


18 de outubro de 2016

Força e coragem pra seguir

Sem meias palavras, com fé inabalável e um inesquecível talento para as panelas

18 de outubro. Essa data é uma das mais difíceis da minha vida. Hoje faz dois anos que um centro cirúrgico materializou a transformação do meu tão esperado bebezinho numa estrela.

Os últimos dias têm sido especialmente difíceis com essa lembrança. Tem sido assim, desde a nossa separação física.

Mas, como em 2014, eu hoje encontro uma razão para tudo ter fisicamente terminado no dia 18 de outubro. Dia do aniversário da minha avó Beêza.

A vovó sempre foi exemplo de força e resignação. Suportou o sofrimento e a doença por anos, sem nunca reclamar.

Manteve a lucidez mesmo quando o corpo já não respondia aos comandos do cérebro. Sempre firme e segura.

Quando os lábios já não articulavam palavras, falava conosco pelo olhar e pelo aperto de mãos.  

Em dias como hoje, eu me lembro ainda mais da minha avó. Do seu talento para a cozinha – que eu não herdei – e de como cada comida feita por ela era uma declaração de amor.

Lembro o seu jeito forte e decidido, sem meias palavras, sempre segura de si. E tento fazer disso o meu espelho.

Recordo o seu prazer em festejar a vida, com a casa cheia, muita comida à mesa, bolos doces e risadas.

Lembro a sua mão, fortaleza da família. E olho para a minha mãe, enxergando nela a vovó Beêza.  

E mesmo hoje sendo um dia triste, é um dia feliz. O dia em que a vovó e a minha estrelinha se encontraram e se abraçaram. E eu sei que juntas elas olham por mim e me ajudam a seguir.

08 de outubro de 2016

A felicidade das pequenas coisas

Em meio à correria e ao estresse do dia a dia, é preciso seguir, prestando atenção ao caminho e valorizando as pequenas felicidades diárias

Com a proximidade do Dia da Criança, a escola da Laura iniciou uma campanha de arrecadação de brinquedos, roupas, livros e sapatos. A idéia, segundo a escola, é fazer com que as crianças – e suas famílias – pratiquem o desapego e exercitem a solidariedade.

Lá em casa, desde bem pequenina, Laura é incentivada a doar. No início, mesmo com toda a conversa, ela não aceitava a idéia de separar seus brinquedos e doar a outras crianças.

Aos poucos, ela entendeu e de vez em quando ela nos surpreende ao segurar um brinquedo, ou uma roupa e dizer: “vamos doar esse, né?”. Ela também já entendeu que devemos doar objetos em bom estado, para que outras pessoas possam usar.

Mas, embora a gente ensine, converse e faça, junto com ela, a verdade é que não dá pra saber como essa ideia de doação, de pensar no outro, está tomando forma em sua cabecinha infantil.

Ontem, nós descobrimos. Ao sair da escola com a Laura para ir buscar Luísa na creche, Alex começou a conversar sobre a campanha de doação de brinquedos que a escola está fazendo:


- Laura, você quer ir fazer a doação junto com a gente?

- Quero sim! Aí a gente pega o saco de brinquedos, vai lá na "doada" e entra na sala. Depois a gente fala pra professora pra botar os brinquedos na caixinha.
E todas as crianças vão sorrir de felizes!


Quando ele me contou, a primeira reação foi sorrir de encantamento pela resposta, tão na lata, tão alegre!

Depois é que eu fui pensar no caminho que tentamos seguir, dia a dia, com as meninas. E sobre o quanto é difícil educar.

Não vou negar: há dias em que o cansaço é tanto que tenho vontade de chorar. E sei que o Alex também se sente assim.

Há momento em que simplesmente não sabemos se estamos agindo certo ou errado na educação da Laura e da Luísa.

Mas aí, numa conversa despretensiosa, a menina de três anos nos mostra que, sim, estamos na trilha estreita, acidentada e difícil da educação com amor.

Ela sabe que suas ações podem fazer outras pessoas felizes. E ela se alegra com isso.

E eu descubro que é preciso seguir, atenta ao caminho, valorizando as pequenas felicidades diárias, como a de ver a sua filha se alegrar ao alegrar a vida de outras crianças.

20 de setembro de 2016

Mamãe, não quero mais ser bailarina

Pensei em argumentar, insistir. Afinal, ela sempre gostou tanto de balé... (e, sim, a gente acha lindo, aquelas menininhas arrumadas, perfiladas, dançando)

Desde pequenina, Laura é encantada por balé. Sempre disse que seria bailarina. Nós nos acostumamos, desde cedo, a ficar em nossos lugares, assistindo maravilhados ao espetáculo de balé em nossa sala, para depois aplaudir e saudar a nossa linda bailarina.

Enquanto não podíamos matriculá-la em aula de balé porque não tinha três anos, nós a levávamos ao teatro, ao shopping... Onde houvesse um espetáculo, lá estava ela, olhinhos brilhando, atentos à coreografia, mergulhados naquele universo encantado.

Na escola, em casa, aonde ia, ela repetia as coreografias, as entradas dos bailarinos, os cumprimentos à platéia ao final do espetáculo. Nossa bailarina, tão linda, rodopiava e contava que ia para a escola de balé.

E foi. A uma, duas, três escolas. Em todas, olhou as aulas, entre tímida e encantada, no meu colo. Em nenhuma delas, minha bailarina rodopiou. Em nenhuma, ela se encontrou.

Um dia, em casa, veio o veredicto: “Mãe, eu não quero mais ser bailarina; não quero escola de balé. Só vou ser bailarina mesmo na nossa casinha”.

Pensei em argumentar, em insistir. Afinal, ela sempre gostou tanto de balé... (e, sim, a gente acha lindo aquelas menininhas arrumadas, perfiladas, dançando).

“Por quê, filha”?

“Não quero, a tia do balé vai fazer assim, ó (gesto de amarrar o cabelo em coque). E eu não gosto”.

Por que estou contando essa história? Porque nesse dia, eu aprendi com minha filha de menos de três anos o quanto vale ser livre.

Ela continua amando balé. Rodopia e dança em casa, em família. Diz que é bailarina. Mas não quer fazer balé. Se é convidada a ver uma aula, sempre responde não.

Laura não aceita a imposição do coque. Não aceita muitas outras imposições. Desde sempre, ela questiona, quer entender os porquês.

Não estou dizendo que ela não aceita regras. Ao contrário. Aceita e geralmente as cumpre. Mas tem que ser na conversa, explicação e convencimento.

Recebe limites em casa e os testa frequentemente, talvez para saber se agiremos com coerência, obedecendo aos nossos combinados.  

Laura é, como costumo dizer, um espírito livre.

Não gosta de roupa com sovaco (mangas justas). Nem de tecidos que piniquem, nem de sapatos apertados.

É livre, nas mínimas coisas do dia a dia. Pés descalços, desbrava o mundo e as coisas. De “vestido rodador” ou “biquíni de barriga aparecida”, ela segue, exercitando e ensinando a liberdade de ser quem é.

Está aprendendo a lidar com suas emoções e isso nem sempre é pacífico, ou simples. Interroga com palavras e com o corpo inteiro. Defende suas ideias com força e doçura. E não se prende ao que esperam dela.

Essa é a minha Laura. Minha doce bailarina sem coque, sem amarras.

Quem foi que disse que temos que ensinar nossos filhos? Esse povo pequenino veio aqui foi pra ensinar a gente a ser mais gente, isso sim! 

14 de setembro de 2016

Caminhando eu vou, um passo de cada vez

Perninhas duras, equilíbrio vacilante, ela segue. Cai, levanta, testa o equilíbrio e caminha. O aprendizado de toda uma vida

Durante nove meses, na barriga, você me ensinou, Luísa. Ensinou a esperar, a acreditar, a planejar e a amar.

Nove meses fora da barriga, completados no último dia 07. E você segue me ensinando: a esperar, a acreditar, a planejar e a amar.

Bebê calmo. Mesmo com noites insones e todo o mal estar do refluxo e da APLV (depois eu falo sobre isso), você sempre tem o sorriso, a alegria incessante e o jeitinho mais doce de dizer – sem palavras – que está tudo bem.

Engatinhou aos cinco meses, antes de aprender a sentar. Como quem diz: “mamãe, quero ver o mundo, ser independente”. A partir daí, o que é mesmo sossego?

Mais ou menos aos oito meses, aprendeu a dormir toda a noite e já explorava a casa, usando as paredes e móveis como ajuda. Um sábado, em casa, olhou o pai e a irmã e deu um passinho sem segurar em nada. Um só. Digno de uma enorme festa. E mais nenhuma tentativa.

Nove meses, Luísa. Você mal completou nove meses. Ontem, sem nem avisar, você saiu assim, caminhando, solta, pela sala.

Caminhava, desequilibrava, esticava os bracinhos. Seguia. Mais à frente, caía. Voltava a levantar. Perninha dura, sem flexionar nada, passos vacilantes. Mais uma queda. Novo levantar. De passinho em passinho, você sorrindo, como a me dizer: “pare de chorar, mamãe, aceite, que agora é que a diversão começa”.

Eu ali, boba, chorando e rindo ao mesmo tempo. Tanto amor, filha.

Seus primeiros passos. O cair e levantar. O aprendizado de toda a nossa existência, minha pequena. Seguir, cair, levantar, seguir. Sempre. Com alegria e determinação.

Ontem, você desejou o chinelo e foi buscar. Caminhando, perseverando. Amanhã, serão outros objetivos. Caminhando, perseverando, alcançando.

E eu? Estarei ali, boba, chorando e rindo, sempre contigo. Tanto amor, filha. 

29 de agosto de 2016

O poder restaurador do diálogo

“Viviane, recebi sua carta e quero conversar”. Depois disso, um diálogo franco, humano

Telefone toca. O número não está salvo em meus contatos. Do outro lado, a médica de quem falei aqui , aqui  e aqui .

“Viviane, recebi sua carta e quero conversar”. Depois disso, um diálogo franco, humano, restaurador.

Talvez eu não consiga expressar em palavras a emoção desse momento. Alguns minutos ao telefone, esclarecimentos, entendimento, e uma certeza: não saímos as mesmas depois desse episódio.

Para mim, o aprendizado de não me calar, de dar voz aos meus sentimentos, sempre. Como mãe, como mulher, como pessoa. Para ela, o aprendizado e a oportunidade de enxergar com os olhos de quem está do outro lado da mesa.

Pelo que ouvi, sei que a minha intenção funcionou. Sei que a médica, especialista e referência, será outra, mais humana. Não pela importância do que escrevi (isso, de fato, não tem importância alguma), mas pela relevância de parar um instante e olhar a si próprio de um jeito novo.

Por isso hoje estou aqui, para falar do poder restaurador dessa conversa em mim. Do meu coração acelerado ao perceber quem era, do outro lado. Da minha surpresa com a sinceridade do que me foi dito. Da minha emoção em cada palavra que ouvi, em cada frase que falei.

Estou aqui para agradecer à médica pelo retorno e pela sensibilidade com que esse retorno foi feito.

Estou aqui para agradecer cada mensagem de apoio recebida, seja nas redes sociais, e-mail, ou pela plataforma Cientista que virou mãe . Muito obrigada!

Vocês me fortaleceram, levantaram uma discussão importante, partilharam suas dores e experiências comigo, fizeram com que eu soubesse que não estava sozinha. Juntas, ficamos mais fortes.

Muito obrigada!

25 de agosto de 2016

O eco de um grito

A internet tem infinitas possibilidades. A que mais me encanta é – certamente – a possibilidade de ajuda mútua, de aproximação de almas

Eu falei aqui  e aqui  sobre meu contato com uma alergologista e pneumologista pediátrica renomada em Teresina.

Falei, sem expor nomes. Contei de mim, da violência sofrida e das providências.

Falei, mas não sabia o quanto era grande o que eu estava fazendo.

Desde essas duas publicações, recebi muitos e-mails e mensagens privadas nas redes sociais. Mães – como eu – violentadas, castradas na sua maternidade.

A maior parte dessas mães já começava dizendo saber o nome da médica e seguia contando inúmeras histórias abusivas por parte dessa senhora.

Doeu, gente. Dói, ainda. Acho que não vai parar de doer nunca. Mas tenho que dizer MUITO OBRIGADA por cada relato, cada e-mail, cada conversa privada no facebook. MUITO OBRIGADA!

Os relatos de vocês me fizeram sentir acolhida, compreendida. Nós nos irmanamos nessa dor e agora podemos seguir juntas, amparando-nos umas às outras.

Nós aprendemos que contar a nossa dor é também um mecanismo de alerta a outras mães e a outras famílias, para que não passem pelo que nós passamos. Para que não conheçam esse sofrimento.

Pois bem, nosso grito ecoou. E chegou longe. Fui contactada pela Ligia Moreiras Sena, diretora da plataforma CIENTISTA QUE VIROU MÃE. Conversamos sobre a minha história e ela segue agora publicada num espaço maior, de amplo debate, que pode ajudar a mudar o quadro de violência pediátrica a que mães e crianças são submetidas.

De novo, muito obrigada por me ler, compartilhar, apoiar e entender. Foi você, mãe que vem aqui, que fez esse grito ecoar.

Que ninguém nos cale.

Agora, que tal ir à CIENTISTA QUE VIROU MÃE para conhecer um pouco mais da minha conversa com a Ligia e sobre a plataforma?

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/blog/textos/violencia-pediatrica-sim-ela-existe-o-caso-de-viviane-bandeira

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/blog

17 de agosto de 2016

Carta a uma médica

Lembram que eu falei aqui sobre a minha experiência num certo consultório médico? Pois bem. Redigi uma carta à especialista médica e escrevi ao plano de saúde e à Agência Nacional de Saúde Suplementar

Lembram que eu falei aqui sobre a minha experiência num certo consultório médico? Pois bem. Redigi uma carta à especialista médica e escrevi ao plano de saúde e à Agência Nacional de Saúde Suplementar. Meus objetivos são:

1.Com o plano de saúde - levá-los a credenciar outros médicos nas especialidades pneumologia e alergologia pediátricas e a conhecer a conduta de uma profissional credenciada, adotando as medidas necessárias ao caso;

2.Com a Agência Nacional de Saúde Suplementar - dar conhecimento da informação junto ao plano de saúde, para o devido acompanhamento e providências;

3.Com a médica - contribuir para que ela reflita a respeito de sua postura e mude a conduta em relação aos pacientes e suas famílias. 

Como recebi vários comentários (alguns chamados privados) sobre esse assunto, compartilho agora a carta, na íntegra, retirando apenas o nome da profissional de medicina. 

Não sei se essa carta vai adiantar alguma coisa, mas serviu para aliviar meu coração. O que, para mim, já ajuda. 

Obrigada por me acompanharem e por toda a ajuda. 


Segue a carta:


Prezada Dra. XXXXXX,

Há cerca de um mês e meio, nós nos vimos pela primeira vez. Eu, mãe aflita, levei a minha filha caçula, de pouco menos de seis meses, para uma consulta. O quadro era de tosse frequente, chiado no peito, vômitos. Minha filha estava doente. E eu, angustiada, com coração apertado.

Você havia sido muito bem recomendada por colegas seus, também médicos, mas de outras especialidades. Embora dois pediatras e a gastro tivessem me dito reiteradas vezes que o quadro da minha filha era comum em crianças com APLV (o que é o caso dela), ainda assim eu quis para a minha filha o melhor. Eu quis levá-la até você. Eu confiei nas recomendações que recebi. Confiei em sua perícia. Esperei encontrar em seu consultório não apenas o diagnóstico, a prescrição e o tratamento, mas também o auxílio, o acolhimento que toda mãe com filho doente espera encontrar num profissional de medicina.

De fato, encontrei diagnóstico, prescrição e tratamento. Mas encontrei também a mais severa juíza. O mais cruel inquisidor.

Você me encheu de perguntas. E não parou para ouvir nenhuma de minhas respostas.

Não quis saber o histórico de minha filha. E quase me crucificou porque a minha criança frequenta a creche desde os três meses. Você não quis entender a dinâmica de minha família. Não escutou quando tentei explicar por que optamos por não contratar babá. Você não ouviu que não temos alguém da família com quem deixar nossa filha enquanto trabalhamos. Nunca esquecerei o seu olhar, o seu tom de voz.

Jamais se perderá de minha memória a sua sentença, que para mim soou como um fuzilamento. “A casa em que essa criança mora deve ficar o dia todo aberta. Essa criança não deveria usar corticóide, mas como você não vai tirá-la da creche, vou ser obrigada a prescrever. A sua filha é um bebê chiador. Provavelmente ela vai ter asma. Vai viver o tempo inteiro assim, com corticóide. Eu estou tentando tirar sua filha da crise”. Cada palavra sua foi uma punhalada em mim. E em cada palavra, mesmo sem dizer expressamente, você deixou claro que só havia uma culpada pelo quadro de saúde da minha pequena: eu.  

Eu, a mãe incompetente. A mãe que matricula uma filha na creche, quando deveria estar em casa com ela. A mãe que trabalha o dia inteiro e – por isso – deixa a casa fechada. Eu, a mãe desnaturada que não contrata sequer uma babá para ficar em casa com a filha. E como minha filha não pode trocar de mãe, ela viveria doente.

Eu me lembro de cada palavra. Lembro a frieza do seu olhar. Lembro a minha solidão ali, naquela sala, olhando pra você, privada da companhia da minha mãe, que tinha ido comigo à consulta, mas foi convidada por você a se retirar do consultório após o exame da minha pequena.

Aqueles poucos minutos da consulta foram suficientes para você fazer o diagnóstico não da minha filha, mas de toda a minha vida. Suficientes para me desqualificar como mãe, como mulher, como pessoa.

Lembro que a minha vontade, ao sair do consultório, era abraçar a minha filha longamente e chorar. Mas eu não podia. A mãe irresponsável e desnaturada que sou precisava ir à farmácia, comprar os remédios prescritos, e ainda manter a calma diante da criança e de sua avó, alarmada com o que eu – também filha – trazia no olhar.

Certamente você não se deu conta de nada disso. Não percebeu o impacto de suas palavras e de sua atitude. O contato comigo foi apenas mais um, naquele dia de tantas consultas rápidas.

No dia seguinte, como determinado por você, eu fui novamente ao consultório. Meu marido foi junto. Sabia o quanto eu estava destruída pelo dia anterior. Eu confiava que aquele primeiro encontro tinha se dado num dia ruim para você. Que nós nos veríamos e eu descobriria humanidade na médica que me ensinaria a usar um espaçador com a minha filha.

Na sua primeira frase, a esperança ruiu. De novo, você imprimiu cada fonema em minha lembrança de forma indelével. “Eu vou ensinar você a usar. Não vou ensinar ao pai. Só confio na mãe para dar remédios”. Quando eu, timidamente, disse que você teria que confiar no pai, que um de nós dois daria o remédio à minha filha, você, cortante: “Esse remédio tem um protocolo, só uma pessoa pode manusear. Ou é você, ou ele. Dar remédio é coisa de mãe. Você não fica nem um pouco de tempo com sua filha, que possa dar um remédio a ela?”.

Você certamente não sabe o quanto foi cruel. Desumana. Provavelmente, aquele foi um dia normal, com conversas normais. Orientações que você, todo dia, dá a mães tão angustiadas quanto eu. Provavelmente, muitas delas saiam da sua sala como eu, destruídas, violentadas.

Eu não sei como é a sua vida. Não sei que tipo de relacionamentos você vivenciou, presenciou ou teve referências. O que eu sei, doutora, é que não é humano falar assim com uma mãe, com uma família. Não é humano sentenciar como errado o modo de vida de outra pessoa.

Eu não sei por que você não confia em pais para ministrar remédios aos filhos. Sei que você deve ter suas razões, mas peço que – da próxima vez em que uma família for ao seu consultório, você tente olhar um pouco fora de suas referências, fora da caixa. Há pais – como o meu marido – que não são bibelôs de decoração na casa, mas pais de verdade, que participam de tudo na vida dos filhos, inclusive dos momentos de dar remédio, comida banho, etc.

Eu sei que você é mãe. Imagino que, como mãe, teve que fazer escolhas. Imagino também que, como médica, você receba cobranças sociais de toda sorte. Por isso peço que tente sair da pose de autoridade que você assume no consultório e tente enxergar as mães que procuram sua ajuda.

Talvez você nunca tenha vivenciado a aflição de ver um filho doente, buscar ajuda e encontrar julgamentos. Ou talvez você seja tão julgada que – sem perceber – reproduza esse julgamento com as mães de seus pacientes. Não sei. Não sou capaz de julgar.

Mas peço que você faça um exercício de se colocar no lugar das mães que a procuram. Imagine, por exemplo, que um de seus filhos esteja indo mal na escola, não consiga aprender determinados conteúdos. Você, então, procura a escola, em busca de ajuda da equipe pedagógica. No lugar da ajuda, você recebe um sonoro “seu filho não aprende porque você não o acompanha, porque começa no consultório às 12h30. Você não consegue passar um tempo com seu filho para ajudá-lo a aprender?”. Conseguiu imaginar? Isso doeria?

É isso o que você faz com as mães de seus pacientes, só que de uma forma mais grave, porque você imputa a essas mulheres a culpa pela doença de seus filhos. E sim, eu agora estou julgando o seu comportamento, a partir não apenas do que vivi no seu consultório, mas também de relatos de outras mães, na sala de espera. Não vou repetir esses relatos aqui, porque falo apenas por mim, pela minha dor.

Na última vez que nos vimos, dia 1º de agosto, você simplesmente desconsiderou alguns exames que levei, apenas porque não foi você quem os prescreveu. Você desconsiderou a possibilidade do resultado de um deles (o do refluxo) ter influência no quadro de tosse da minha filha. De novo, você foi taxativa: “a doença dela é de creche; gripe; enquanto estiver na creche, vai viver assim, de nariz escorrendo”. De novo, o som cortante, julgador, de sua voz em minha mente.

Quero deixar claro que não estou desqualificando seu conhecimento como médica. Longe disso. Você tem muito conhecimento, tem ótimas referências. Mas, lamentavelmente, falta-lhe o conhecimento emocional. A humanidade de olhar cada criança que entra em seu consultório como o que – de fato – ela é: uma criança. Você vê os sintomas, a doença. Não enxerga a pessoa.

Eu não sou médica. Sou professora e jornalista. Convivo profissionalmente desde os 16 anos com diversos tipos de pessoas e suas famílias. Já trabalhei em escolas de classe alta e em escolas de periferia; em jornais e assessorias. Aprendi a ver pessoas, falar com pessoas, não com alunos, fontes ou assessorados. Não sou perfeita. Como profissional e como mãe, tenho muitas limitações.

Num mundo ideal, eu poderia ficar o dia inteiro com minhas filhas, sem precisar trabalhar nem levá-las à creche ou à escola. Num mundo ideal, você também poderia fazer isso.

Eu poderia – no mundo real – contratar uma babá e manter meu bebê em casa, é verdade. Mas por um sem número de motivos, babás não são opção para a minha família. Quero deixar claro que digo isso não para me justificar – até porque não preciso, mas para que você pense um pouco sobre a dinâmica de cada família. A dinâmica da sua família, inclusive. Com quem ficam seus filhos, quando você vai trabalhar? Eles nunca adoecem? Não sentem sua falta e nem você a deles? Manter sua vida profissional diminui você como mãe, faz de você uma mãe ruim?

O que quero dizer, doutora, é cada família sabe de si; age com o melhor para si. A minha e a sua são assim. Perfeitas em suas imperfeições.

Quero pedir que você seja mais humana. Que olhe para as pessoas que buscam sua opinião sobre um quadro de saúde. Que dedique mais que os cinco ou dez minutos de uma consulta de retorno para avaliar a evolução de um paciente. Que tenha menos julgamentos, menos dureza no olhar.

Se não for pedir muito, quero que lembre diariamente o juramento que fez no dia de sua formatura; o idealismo que aquela jovem médica certamente guardava. Quero que tente ver em cada paciente seu filho, doente; em cada mãe, você mesma, em busca de auxílio.

Porque quando uma mãe leva o filho ao médico, doutora, ela procura um médico de verdade, competente, sério, comprometido e – sobretudo – humano. Um médico que olhe para suas aflições e a acalme. Um médico que a faça sentir forte para enfrentar a doença do filho.

Nenhuma mãe precisa ser julgada. Nenhuma mãe precisa sair de um consultório fraca, culpada, destruída. Nenhuma mãe precisa de tanta desumanidade.

Eu a procurei porque me disseram que você era a melhor da cidade em sua especialidade. Eu a procurei porque tento dar sempre o melhor para minhas filhas.

Mas eu não encontrei a melhor médica. Eu encontrei uma juíza implacável. Provavelmente, também não sou a melhor mãe de paciente, você deve estar pensando. Não sou mesmo, nem desejo ser. Apenas desejo que a minha dor, externada nesse longo desabafo, faça você refletir e mudar seu comportamento com as mães que, como eu, pensam em você como a esperança para a saúde dos filhos.

Desculpe por tomar seu tempo.

Seja feliz.

Viviane Bandeira

Mãe da Luísa Bandeira (sua paciente) e da Laura Bandeira

9 XXXX-XXX7

9 XXXX-XXX7

vivi_band@hotmail.com

01 de agosto de 2016

Metralhadora médica

Como uma metralhadora, a médica dispara perguntas em sua direção, mas não ouve suas respostas

Sua filha tosse sem parar desde os dois meses e meio. Essa tosse não regride e frequentemente causa vômitos. Você põe a mão no peito ou nas costas de seu bebê e sente – e ouve – um chiado permanente. O pediatra e a gastropediatra te dizem insistentemente que ela não tem nenhuma secreção no pulmão. A tosse, segundo eles, é uma alergia respiratória, uma manifestação secundária comum em crianças com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), agravada pelo refluxo, também comum em crianças com APLV.

Você, mãe, não descansa. Não dorme. Pensa que o bebê está com pneumonia ou algo ainda mais grave. Insiste com os médicos. Diante da negativa, você busca a solução: encontrar uma pneumologista ou alergologista pediátrica.

Você encontra a melhor profissional da cidade nessas duas especialidades. Muito bem recomendada, a médica tem a sala de espera cheia de mães que relatam a dificuldade que a profissional tem de ouvir seus relatos, mas a plena confiança na medicação que ela prescreve.

Então, você pensa que está preparada para uma profissional rude. Mas quando você entre no consultório, nada poderia ter te preparado para aquela máquina. Como uma metralhadora, a médica dispara perguntas em sua direção, mas não ouve suas respostas.

Como se fosse membro da inquisição, ela te condena porque a criança está na creche; condena porque você trabalha o dia inteiro e a casa onde a criança mora fica fechada; condena porque a criança tosse muito e a culpa é sua, que não fica com sua filha.

A metralhadora não para. Prescreve medicamentos, bombinhas e sentencia: “sua criança não deveria tomar esse corticóide, mas como fica na creche, vai ter que tomar. Compre e traga aqui, pra eu ensinar você a administrar; essa criança vai ter asma, vai viver medicada a vida inteira”.

E você sai de lá morta, arrasada, mas não pode chorar. Tem que ser forte, tranquilizar a sua mãe, que te ajudou a levar a criança à médica, mas foi “gentilmente” convidada a se retirar do consultório enquanto a doutora destilava seus conselhos de especialista.

Mesmo arrasada, culpada – ou talvez até pra aliviar isso – você compra os remédios prescritos e retorna ao consultório no dia seguinte, com o pai da criança, para aprender a medicar sua filha. A recepção da médica consegue ser ainda pior: “eu vou ensinar você, mãe, porque não confio no pai. A mãe é que tem que dar o remédio. Esse remédio tem um protocolo, apenas uma pessoa pode dar”.

Acuada, você tenta explicar que a criança tomará o remédio, pelas mãos de um dos dois. E tenta dizer que o pai é pai, tem o mesmo cuidado que você, mãe. O que você escuta? “Você não fica nem um tempinho no dia com a sua filha pra poder dar esse remédio? Então, vou ensinar ao pai, já que você não cuida, não fica”. E você ali, esmagada, sem força pra responder. Quando chega ao carro, as lágrimas não conseguem dizer da sua dor. Do estrangulamento da sua maternidade.

Passa-se um mês e meio. Você fez tudo direitinho, sua filha – como é de costume – tomou a medicação conforme prescrição. Fez os exames que necessitava fazer. Tudo certo. Opa! Tudo, não. A tosse persiste. Menos insistente, com menos episódios de vômito, mas persiste.

Como combinado, você volta ao consultório para mostrar os exames que a médica solicitou. Por precaução, leva outros, solicitados pela gastropediatra, que demonstram o refluxo da menina.

A senhora especialista nem te olha. Diz apenas que os exames estão normais. Não há secreção no pulmão. Diz que a criança não tem nenhuma alergia alimentar.

Você ainda tenta dizer que foi feito o diagnóstico de APLV meses antes e que agora, como o exame de mediação deu negativo, o pediatra pediu para fazer outro para decidir se faz a provocação oral.

Ela nem te ouve. Repete que a criança não tem APLV. Não olha os outros exames. Diz que não foi ela quem solicitou e que, por isso, você tem que mostrar a outro médico.

Quanto à tosse, diz “é gripe”. E arremata: “faça o que eu disse e, se tudo estiver certo, você só precisará vir em setembro”.

E você sai de lá – de novo – arrasada. Violentada. Certa de que não deseja – nunca mais – estar ali.

Mas você sabe que, se a sua filha precisar, você voltará. Pelo menos enquanto não encontrar um outro alergologista/pneumologista pediátrico. De preferência, que também atenda pelo seu plano de saúde.

Em relação à médica, você já nem consegue ter raiva. Pena talvez seja o sentimento mais próximo ao que você sente. Pena por ela ter tanto conhecimento e ser desprovida de humanidade. Pena por ela ter se perdido, como pessoa, como mulher, em algum momento de sua existência.

Você lamenta por ela. Por você. Pelas crianças, pacientes dessa senhora bambambam. Pelas outras mães, desamparadas como você, que se sujeitam a isso em busca da saúde de seus filhos.

Você lamenta principalmente por sua filha. Por ter sido você a levá-la a uma profissional, especialista, que não conseguiu ver a criança linda que ela é. Enxergou apenas a doença que essa senhora, médica especialista a melhor da cidade, pensou que sua filha tinha e tem. 

20 de julho de 2016

Mãe aprendendo a andar

Eu queria muito não me cobrar, não me achar de menos

De verdade, eu queria muito ser uma mãe perfeita. Daquelas de livro, sabe?

Mãe que entende todas as manhas do filho; ouve com paciência e nunca, nunca mesmo, altera a voz.

Mãe que não se cansa. Cozinha, lava, passa, trabalha fora e ainda anda linda, com cabelo escovado, maquiada e uma cara leve e bem-humorada.

Eu queria ser uma mãe com todas as respostas, mas apenas as perguntas povoam os meus dias.

Ah como eu queria ser uma mãe zen... Eu queria muito não me cobrar, não me achar de menos. Não me sentir, por vezes, imperita e incompetente.

Queria não me sentir exausta; não apagar antes das crianças ao colocá-las pra dormir. Queria não rezar pedindo que elas durmam a noite toda, pra eu descansar.

Queria muito não pensar em sossego, calmaria, refeição tranqüila e viagens rápidas com apenas uma mochila como bagagem.

Ah, como eu queria...

Mas essa não sou eu, gente.

Amo ser mãe. Muito mesmo. Amo minhas pequenas, infinitamente. Mas eu não sou mãe perfeita.

Eu me canso, estresso, altero e – muitas – vezes – não sei como agir.

Sinto medo. Um pavor inexplicável de não conseguir amar e educar as meninas.

Eu me esquivo de olhares que julgam. E de pessoas que são perfeitas e têm filhos perfeitos: nunca fizeram manha, nunca choraram em público e aprenderam a fazer cocô no vaso quase ao nascer.

Eu me isolo e me encolho nesse meu ser mãe insegura, imperfeita. Coloco a máscara de “está tudo bem, filha”, quando a pequena cai e se machuca, mas no fundo estou quase infartando.

Não consigo fazer parte de grupos de mães. Eles me oprimem e me fazem sentir ainda mais incompetente.

Sinto uma vontade de louca de abraçar mães cujos filhos estão fazendo birra em locais públicos (shopping, por exemplo). Eu me reconheço nelas. Tenho vontade dizer “miga, obrigada por me fazer sentir normal”.

Essa sou eu. Mãe aprendendo a andar. 

02 de junho de 2016

Não calar. Gritar, aqui e em toda parte

Ser mulher é sentir na carne as inúmeras violências sofridas por tantas outras mulheres, conhecidas ou não, diariamente

 

Eu pensei que ia conseguir não falar aqui nesse assunto. Eu pensei que ia encontrar outra maneira de racionalizar a dor, de encontrar uma forma de ajudar a mim e a outras tantas mulheres daqui e de um sem número de lugares. Eu falei nas redes sociais, falei em cada canto que andei, principalmente nos últimos dias. Comprei briga. E agora vou falar aqui. Não há como calar.

Uma garota de 16 anos foi estuprada por mais de 30 homens, há poucos dias, no Rio de Janeiro. E ela não está só. A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, segundo os dados oficiais. Você não leu errado. Um estupro a cada 11 minutos. O que você faz em 11 minutos? Toma um banho, um café? A cada intervalo de um banho, uma mulher é estuprada.

Na verdade, o tempo entre cada estupro pode ser ainda menor, já que muitas mulheres não denunciam o crime, não prestam queixam, não chegam à delegacia.

E por que eu tive que vir falar também aqui sobre isso? Porque essas mulheres não são desconhecidas, ainda que nunca as tenhamos visto. Elas são cada uma de nós, outras mulheres, também expostas a esse risco.

Quando uma mulher é estuprada, ela não é vítima apenas desse crime. Outros vêm logo em seguida: a mulher é condenada, culpada por ter sido estuprada.

Na mente de muitas pessoas, no senso comum de nossa sociedade, a vítima do estupro de alguma forma “desejou” sofrer essa violência. De algum jeito, as pessoas acham que ela “facilitou”, seja porque usava uma roupa curta, seja porque frequentava determinados lugares, seja porque acreditava ser dona do seu corpo.

A verdade, é que as pessoas (mulheres, inclusive) gritam aos quatro ventos um sem número de razões pelas quais a mulher vítima “procurou” ser estuprada. Gritam também que o estuprador “é um doente”. E isso minimiza o crime. Até mesmo o desfaz, ou o justifica.

Nenhuma mulher – isso mesmo, nenhuma – é culpada por ter sofrido qualquer violência. Nenhuma mulher tem culpa por ter sido estuprada. A culpa é única e exclusiva daquele que estuprou, do agressor. E ele não é doente. Ele é um criminoso.

É isso que deve ficar claro. Não devemos normalizar o estupro nem outros tipos de violência.

Não interessa quem seja a mulher, quais escolhas de vida ela fez. Estupro é crime.

No caso específico da menina do Rio, ainda que não haja sinais de violência apontados pelo exame (que demorou dias para ser feito), ainda que ela seja viciada em drogas e estivesse sob o efeito de entorpecentes, ainda que ela costumasse praticar sexo com vários homens ao mesmo tempo, ainda que – naquele dia específico, drogada – ela tenha “aceitado”, como muitos insistem em dizer, o que ocorreu com ela foi, sim, ESTUPRO.

Foi crime. Estupro de vulnerável. E como crime deve ser tratado.

Nós, mulheres, mães, e homens de verdade, pais, temos que gritar isso a todo instante, em todos os lugares.

Como família, temos que ensinar os meninos a respeitarem as meninas. Dizer que eles não têm o direito de apertar, abraçar, beijar ou fazer qualquer que seja o ato sem que as meninas queiram. Ensinar sobre respeito, permissão e empatia.

Como família, temos que ensinar as meninas sobre segurança e domínio de si mesmas e de seus corpos. Ensiná-las a não se calarem, a não se submeterem, a buscarem amparo nas amigas e a ampará-las.

Meninos e meninas precisam aprender desde cedo que amor não causa sofrimento, não provoca crimes. Que beijo bom é beijo consentido. Que carinho é aquele toque que desejamos. Tudo que é contra a vontade, forçado, não é amor. Nossas crianças precisam saber isso desde sempre.

E a você, que me leu até aqui, mas está discordando fortemente e ainda encontrando justificativas para estupro e outras violências contra a mulher, eu proponho um exercício. É rápido, fácil de fazer.

Sempre que ouvir falar de uma mulher estuprada ou vítima de outra violência, antes de procurar saber mais sobre a história, antes de vasculhar a vida dessa mulher e julgá-la, imagine que essa mulher é você, sua filha ou sua mãe.

Certamente você descobrirá o óbvio. A vítima não é culpada pelo estupro ou pela violência. A culpa é do agressor. Ele é um criminoso, e como tal deve ser tratado.

Ser mulher é sentir na carne as inúmeras violências sofridas por tantas outras mulheres, conhecidas ou não, diariamente.

19 de março de 2016

Filhos com manual de instruções?

Faça isso. Faça aquilo. A única coisa a fazer é que o que você acredita ser o certo. Para você, para seu filho e para sua família

 

Adoro ler. Sou do tipo que acha toda leitura válida. Desde o panfleto recebido na rua a publicações científicas. Sempre li muito, sobre muitos temas. Como sou professora, leituras sobre educação fazem parte do meu cotidiano nem sei há quanto tempo.

Depois que me tornei mãe, ler sobre educação passou a ter outro foco. A gente sempre quer saber um pouco mais sobre lidar com os filhos, educá-los para o bem, não é mesmo?

Assim, tornou-se cotidiano passear por revistas especializadas, ler artigos na internet e comprar livros sobre o assunto. Cada uma dessas leituras me ensinou alguma coisa. E me ensina de novo, a cada vez que a retomo.

Mais recentemente, tenho visto uma explosão de publicações que prometem milagres em relação aos filhos. Desde acabar de vez com as birras a fazer um desfralde completo em três dias. Algumas, eu li. Outras, confesso, não.

É claro que essas publicações têm sua utilidade, e muitas delas trazem dicas valiosas. Mas o que acho perigoso, pelo menos para a minha concepção de educação, é transformar esse processo de aprendizado de pais e filhos numa receita.

Se há uma coisa que verdadeiramente aprendi, é que cada família tem seu ritmo, seu jeito. E por isso não acredito em receitas milagrosas.

Tenho duas filhas. Uma fará três anos em abril. A outra tem três meses. E eu olho pra Luísa e vejo o quanto o bebê que ela é hoje é diferente do bebê que a Laura foi. Não lido com ela da mesma forma que lidei com Laura, quando tinha a idade da Luísa. Não funciona.

Acredito que é assim em todas as casas. Cada filho é de um jeito. Por isso não acho que a gente deve agir igual com todos os filhos, sejam dois ou dez. Para mim, devemos agir de forma diferente com cada um, respeitando seu jeito, sua personalidade, desde o nascimento.

Também aprendi que não precisamos ter tanta pressa. Por que é importante desfraldar completamente minha filha em três dias? Ou em uma semana? Não é melhor iniciar o processo e deixar que ele siga seu curso, acompanhando o ritmo da criança?

Veja bem, não estou também querendo dizer como você deve fazer em relação ao seu filho. Estou apenas refletindo sobre como os dias acontecem lá em casa, com as meninas.

E já que falei em desfralde, vou dar um exemplo. Iniciamos o desfralde da Laura ano passado, quando ela tinha dois anos e meio, mais ou menos. Tudo começou bem; mas, perto da Luísa nascer, notamos uma certa resistência dela em ir ao banheiro. Ela queria a fralda.

Nós poderíamos ter seguido as instruções dos livros. Ter insistido com ela, de maneira suave e firme. Ter criado motivações para que ela usasse o banheiro.

Mas não. Nossa intuição, como pai e como mãe, mandou-nos respeitar. Não achamos que Laura estava “regredindo”.

Depois de dois meses, nossa filha mostrou-se incomodada com a fralda. Voltamos para o desfralde. Sem pressa. Sem julgar se está indo devagar ou rápido.

Não se trata, obviamente, de fazer todas as vontades da criança. Não mesmo. Mas de lutar contra a pressa e a cobrança próprias do nosso cotidiano adulto.

Como disse no início, considero válidas todas as leituras. Principalmente porque elas às vezes despertam nosso olhar para um ponto ainda não visto.

Todas essas publicações podem nos ajudar a encontrar o que melhor funcionará em nossa família, em nossa casa. Elas não são um manual.

Filhos não têm manual. A relação se constrói dia a dia, nos desafios e nas alegrias. Por isso é tão difícil educar. E tão gostoso!

Também acho que o grande sucesso desses pseudomanuais vem da nossa ânsia por perfeição. Queremos ser mães perfeitas, com filhos perfeitos, fazendo tudo certinho em todas as horas do dia.

Traduzindo: queremos o impossível. A sociedade nos cobra o impossível. Nós cobramos, de nós mesmas e das outras mães, o impossível.

Precisamos desacelerar, desencanar. Eu, pelo menos, preciso. E tento, todos os dias. Não é fácil, confesso.

Mas em nossa casa, com as meninas, não há “enquadramento”. Há convivência. E amor, muito amor.

Acredito verdadeiramente que nós, mães e pais, sabemos o que é melhor para nossos filhos; o que funciona melhor em nossas vidas, em nossa relação. Os livros podem até nos ajudar, com ideias e técnicas, mas apenas a vivência diária no amor em família nos dirá o quê e como fazer. Erraremos, é fato. Mas como crescer se não experimentarmos?

29 de fevereiro de 2016

Grávida: a minha melhor forma

E em meio a um turbilhão de hormônios, a gente quer, sim, estar bonita, sentir-se bonita

Eu acho mulher grávida uma das “coisas” mais bonitas do mundo. Não importa se a barriga é grande ou pequena, redondinha ou pontuda... Nada importa, apenas o estar grávida. Acho lindo! Para mim, é algo mágico, uma poesia.

Talvez por isso eu me achasse linda quando estava grávida. Não, não sou convencida. E nem me acho bonita. Mas as gravidezes me transformaram e eu adorava me olhar, amava aquela mulher grávida no espelho.

Eu sei que nem sempre é assim. A gravidez é um turbilhão de hormônios, muitas sensações reunidas. Fome e sono sem fim, preocupação com a saúde, mudanças físicas e psicológicas. Às vezes, a gente fica meio perdida, sem saber de quem é aquele corpo estranho em que nossa alma passeia.

Mesmo não sendo lá muito vaidosa e apesar de ter engordado pouco nas duas gravidezes e de amar “roupas de grávida”, tive dificuldades para comprar roupas nas duas gestações.

Nas lojas de departamento, a sessão para grávidas é bem pequena, ou inexistente. Nas poucas lojas dedicadas à moda gestante em Teresina, as opções também são muito limitadas e o preço é maior.

Como eu fiz? Vamos lá:

1.Nas lojas de departamento, como #Riachuelo, comprei calças jeans e de malha próprias para grávidas, com aquela cintura que estica, acomodando bem a barriga crescida. Comprei também blusas e vestidinhos mais soltos, que achei fora da sessão para grávidas;

2.Numa loja dedicada a moda gestante, comprei shorts de fabricação própria, que tinham modelos parecidos com os de marca, mas eram muito mais baratos;

3.Procurei na internet (na verdade, minha mãe procurou) modelos de vestidos para grávidas e apelei para a velha e boa costureira;

4. Usei muitas (MUITAS mesmo) roupas de amigas. Como a gente usa modelos de grávida durante pouco tempo, as roupas ficam novinhas e dá pra trocar, emprestar, doar. Isso fez toda a diferença! Durante as duas gravidezes, contei com amizades valiosas e seus guarda-roupas que salvaram meus dias e meus bolsos;

5.Usei sandálias rasteiras e sapatilhas o mais confortáveis possível. Quando precisei usar salto, optei pelos mais grossos e com altura também na frente, para o pé não perder sustentação. Mas a verdade é que já fazia isso, mesmo sem estar grávida.

E a pele? Nunca fui muito de usar cosméticos, cremes, essas coisas. Durante as gestações, usei um pouco mais, sempre com orientação do obstetra e da dermatologista:

1.Filtro solar fps 60 da #ADCOS;

2.Hidratante #Materskin nos seios, nádegas e barriga;

3.Hidratante prescrito pela dermatologista e preparado em farmácia de manipulação no restante do corpo;

4.Perfumes suaves.

5.Creme hidratante específico para os pés, com ureia na composição. É impressionante como meus pés sofreram e racharam nas gestações!

É claro que tudo isso que falei aqui, sobre lojas e produtos, diz respeito a sentir-se bonita, porque trata do exterior. Eu acredito que a beleza mesmo vem de dentro. E acho que por isso eu me sentia tão bonita: eu não via a mim, via a poesia da gravidez.

Mas se você não se sente fisicamente bonita na gravidez, não se culpe. Isso não tem nada a ver com falta de amor. Acho que é mais fruto daquilo que a gente se acostumou a achar bonito, sabe?

Se você sente enjoo, incômodos e dores, está inchada e não sabe bem como lidar, provavelmente não se achará muito bonita nesses dias. Isso é perfeitamente normal, não acha? Eu também me acho horrorosa nos dias de TPM.

A verdade é que ninguém tem obrigação de gostar de estar grávida. Sim, eu sei, você ama seu filho. Planejado ou não, você o ama. Você quer ser mãe. Tudo bem. Mas nem assim você é obrigada a gostar de estar grávida, a achar esse um período mágico.

Por isso, se você acha roupas de grávida horrorosas e se incomoda porque o corpo está mudando o formato, calma! Procure vestir o que te faz sentir melhor, mais confortável, mesmo que compre números maiores, por causa da barriga. O importante é você se sentir bem, grávida ou não.

Tente também não dar ouvidos a comparações. As pessoas falam muito. OU a barriga é pequena, ou é grande demais. Aparentemente, nunca é como esperavam. Esqueça. É a sua barriga. A sua gravidez. A sua vida. Você não está aqui para atender às expectativas das pessoas.

Respeite esse momento. Respeite os seus sentimentos. A gravidez passa, acredite. Durante o tempo, seu corpo ainda não será aquele de que você mais gosta. A gente fica flácida, quase gelatinosa; a pele muda de consistência. Mas aos poucos tudo volta ao normal.

Não estou falando de emagrecer, é claro. Estou falando de voltar a se ver em sua melhor forma. Porque a sua melhor forma não é ser magra. A menos que você goste de ser magra.

Eu, por exemplo, não voltarei à minha melhor forma. Porque a minha melhor forma era quando estava grávida, e já fechei a fábrica.

Então, o que devo fazer? Ser feliz com o corpo que tenho. Penso que isso vale para todos os estados da nossa vida.